Desde o momento em que recebi a confirmação de que estava grávida, uma enxurrada de emoções invadiu meu ser. Não consigo parar de pensar nisso por um único instante. É como se o chão tivesse se aberto sob meus pés e eu estivesse tentando desesperadamente encontrar um equilíbrio no meio desse turbilhão de sentimentos.
É tão complexo, tão assustador, tão intenso. Cada pensamento me leva a um novo cenário, cada possibilidade dança em minha mente, me deixando tonta e atordoada. Nunca me vi como mãe, nem mesmo imaginei a possibilidade de gerar um filho, de ser responsável pela vida de outra pessoa. A ideia é avassaladora, é um fardo que parece pesar toneladas sobre meus ombros frágeis.
A culpa é uma sombra que me acompanha, mas como culpá-la? Essa criança é inocente, ela não merece pagar pelos meus erros. Acaricio meu ventre, gesto automático e cheio de ternura, enquanto encaro meu reflexo no espelho. Meu abdômen ainda parece o mesmo, sem alterações visíveis, mas dentro dele habita um serzinho que cresce a cada dia, um serzinho que depende de mim. Sorrio e sinto um misto de amor e medo se misturando em meu peito.
Eu não sou forte, não sou corajosa, não me sinto preparada. A ideia de ter que proteger e cuidar de uma vida tão frágil me apavora. Mas condenar esse ser inocente por minha fraqueza seria um ato de crueldade que não posso cometer. Encaro meu reflexo, meus olhos cheios de incerteza refletindo a vulnerabilidade que sinto, a fragilidade da minha condição.
Não sou uma pessoa determinada, obstinada, não sei tomar decisões importantes com firmeza. Mas, ao mesmo tempo, não consigo conceber a ideia de interromper essa vida que cresce dentro de mim. Não posso impedir que essa pequena luz brilhe no mundo, mesmo que eu sinta medo e insegurança.
A vida é um ciclo de constante aprendizado, um percurso repleto de desafios e superações. Ninguém nasce pronto para a maternidade, para a responsabilidade de cuidar de outra vida. A jornada é feita de tentativas, de erros e acertos, de tentar e tentar de novo até encontrar o caminho certo.
Desde o início, tenho vivido minha vida de acordo com as expectativas dos outros, fazendo o que esperam de mim. Mas agora, diante desse momento crucial, diante dessa decisão que mudará minha vida para sempre, sinto que é hora de tomar as rédeas da minha própria existência.
— Ei, pequeno grãozinho... Eu falo acariciando meu ventre, as lágrimas brotando dos meus olhos. — Eu não sei como tudo isso vai funcionar, mas uma coisa eu sei: não estamos sozinhos. Vamos enfrentar tudo juntos, lado a lado, eu e você. Eu não posso prometer um caminho fácil, não posso prometer que estarei sempre certa, mas posso prometer que vou tentar com todas as minhas forças. Vamos aprender juntos, vamos crescer juntos, vamos superar juntos.
As lágrimas escorrem livremente pelo meu rosto, misturando-se às minhas palavras carregadas de emoção e verdade. Não sei como será o futuro, não sei o que nos espera, mas sei que, de uma forma ou de outra, vamos encontrar o nosso caminho. Eu vou carregar essa vida dentro de mim, vou protegê-la e amá-la incondicionalmente, não importa o que aconteça.
Conto os minutos para que Ulisses chegue, preciso contar a ele, mas parece que hoje ele resolve demorar mais que o normal.
Caminho dando voltas pela sala de jantar; uma das moças que trabalham aqui já preparou o jantar e deixou a mesa arrumada, mas, apesar da aparência agradável, meu estômago embrulha. Não sei se é pela ansiedade, pelo nervosismo ou talvez apenas pela gravidez.
Ainda respiro inúmeras vezes, pensando e repensando no que vou dizer, em como vou dizer. O papel que seguro em minhas mãos já está cheio de amassos, sendo usado para descarregar um pouco da minha tensão.
Quando a porta da sala finalmente se abre, vejo um Ulisses com aparência cansada, caminhando a passos preguiçosos. Ele joga a pasta de documentos em cima do sofá, enquanto se desfaz do paletó e afrouxa o nó da gravata.
Seu olhar encontra o meu e ele sorri, um curto sorriso. Ele parece bastante cansado.
— Dia difícil? — Questiono. Talvez tenha feito essa pergunta por não saber exatamente como abordar o assunto.
— Hoje definitivamente foi um dia longo e complicado. — Ele diz, e eu solto um suspiro cansado. — E com você, tudo bem? Como foi o seu dia? — Ele me questiona.
— Meu dia também foi exaustivo emocionalmente falando. Sabe quando dizem que toda ação gera uma reação? Eles só esquecem de dizer que nem sempre estaremos prontos para receber o impacto das reações. — Eu falo e entrego o envelope a ele.
— O que é isso? — Ele questiona, desamassando um pouco o papel.
— É um teste de gravidez. — Falo simplesmente, e ele para sua tentativa de desamassar o papel, me encarando como se estivesse vendo um fantasma.
— Quê? Você está brincando, né? — Ele questiona, com um meio sorriso que vacila aos poucos quando não demonstro nenhuma alteração.
Ele abre o envelope com pressa e começa a ler o que está escrito no papel.
— Nome: Luiza Ribas... Tipo de exame: Beta hCG... Resultado: 7.340 mIU/ml... Interpretação: Positivo... — Ele murmura, com os olhos fixos no papel, enquanto a realidade começa a se desenrolar diante dele.
Ulisses permanece atônito, processando as palavras . Ele finalmente se levanta do sofá de forma atordoada, ainda tentando assimilar a situação inesperada em que se encontrava.
— Isso não é possível! — Ele exclama, com a voz carregada de desespero e incredulidade. — Nós ficamos juntos só uma vez, uma única vez... Como isso aconteceu?
Sorrio com total escárnio diante da fala dele.
— Parece que uma vez foi mais do que suficiente, não é? — Eu pergunto sustentando o olhar de Ulisses com firmeza.
Ulisses passa a mão pelo cabelo de forma frustrada, tentando controlar a tempestade de pensamentos que invade sua mente.
— O que você pretende fazer agora? Abortar? — Ele pergunta, os olhos buscando uma resposta que faça sentido diante da situação complexa em que se encontravam.
Não vou negar, a palavras dele me surpreendeu de forma muito negativa.
— Por que eu deveria abortar? — Questiono , firme já tomei a minha decisão de levar adiante a gravidez. — Não pretendo obrigar você a fazer parte disso, Ulisses. Com ou sem apoio, vou seguir em frente.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
A.Maysa
mais que cara filho da mãe é teu filho seu escroto, poxa Luiza vê se faz alguma coisa que presti a partir de agora pq seu foi vai precisar muito mas do que uma família dessas 😡😪
2024-04-10
2
Allan Ricardo Araujo
besta Luiza te falei que esse Ulisses não é flor que se cheira e tu foi te entregar a ele, só espero mesmo que vc pecar esse bebê pô livre espontânea vontade, apesar das loucuras que tu fez você não merece carregar um filho do cara que não fica feliz com a gravidez e ainda pergunta se vai abortar que cara infeliz 😡😡😡😡😡😡
2024-04-10
3
Maria Andrade
eu hein, agora fiquei até sem argumento que drama pra Luíza
2024-04-10
1