Capítulo Dois
Ayla
Acordei com um barulho alto de alguém batendo na minha porta, me levantei rápido pois já sabia quem era.
— Abre essa porta, caralho! — Raul gritou do outro lado.
Raul era meu padrasto, ele conheceu minha mãe a um ano e meio atrás, ele no começo era um cara bom eu o considerava como um pai, pois nunca tive um, porque o meu me abandonou quando eu tinha cinco anos.
No começo era tudo maravilhoso, só que a cinco meses atrás, ele começou a beber e usar droga, as agressões contra minha mãe começaram aos poucos, nós três meses antes de ela morrer, tive que levar ela diversas vezes ao hospital, tentava fazer ela sair daquela casa, mas ela tinha medo de ele me machucar.
Naquela época não entendia ela, mas agora que estava passando pelo mesmo, entendia perfeitamente.
Fui até a porta e abri, Raul estava parado com uma carranca na cara, bufando que nem um boi, me encolhi e dei um passo para trás.
— O'Que aconteceu ? — perguntei baixo.
— Já não falei que não é pra trancar essa porta sua vagabunda do caralho. — Ele diz vindo pra cima de mim.
Sinto sua mão agarrar meu cabelo e puxar com força, ele começa a me puxar pra fora do quarto e foi me arrastando escada abaixo até a sala.
— Me solta, pelo amor de deus. — Suplico em meio às lágrimas.
— Cala boca, você é igualzinha a vadia da sua mãe, não quer saber de nada, eu tenho que ficar te bancando que nem uma puta. — Ele ergueu meu corpo e me encara nos olhos. — Cadê a porra do meu café da manhã em ?
— Desculpa….eu…acordei atrasada… — Digo em meio às lágrimas.
— Você é burra ou o'que sua piranha? Já não mandei acordar na hora, se não consegue, não dorme, mas faz o'que eu mando. — Ele me joga no chão com força.
Vou me arrastando pra cozinha e me apoio no balcão, tento levantar mas a dor no meu corpo é avassaladora. Minha tentativa falha em me apoiar para erguer meu corpo foi em vão e logo cai de novo.
Vi Raul vindo furioso em minha direção e nem tive tempo pra pensar, ele me deu um chute com tudo na barriga, me encolhi no chão e senti outro chute.
— Se você não levantar daí agora, eu te mato. — Ele me encara e logo se vira e sai.
Fico um tempo deitada com a mão envolta da minha barriga, tentando fazer a dor passar, as lágrimas que escorriam pelo meu rosto não paravam, meu corpo tremia.
Passou uns cinco minutos e tentei me levantar, foi difícil mas consegui ficar em pé me apoiando pelos armários. Fiz o café dele e quando estava terminando ele desceu. Pegou seu sanduíche e seu café e foi pra sala assistir tv, deixei tudo organizado, porque se não era mais uma surra que iria levar, assim que terminei tudo, fui praticamente me arrastando até meu quarto, tirei meu vestido que estava usando e entrei no banheiro para tentar relaxar meu corpo com a água.
Fiquei um bom tempo lá, o'que me deixou bem melhor, sai do chuveiro e me sequei, voltei pro quarto e me vesti, sentei na minha cama e peguei meu notebook.
Há um mês consegui um trabalho de home office, o'que Raul não sabia, guardei meu pagamento em uma conta que ele não podia saber e era com ele que eu saia para beber, o resto eu guardava, pois queria sumir desse lugar o mais rápido possível.
Eu fazia a tradução de alguns documentos, pois sabia falar mais duas línguas, Inglês e Espanhol, consegui o emprego fácil, trabalhava de segunda a sexta pelo menos três horas por dia.
Com o dinheiro também aproveitei e comprei alguns remédios na farmácia que tinha no morro, por sorte ela era 24 horas, então conseguia ir depois que o desgraçado saia pra trabalhar.
Fiquei no meu quarto escondida até que ouvi ele sair, olhei pra fora e já estava de noite, coloquei uma calça, uma camiseta branca e por cima uma blusinha fina de frio se não eu não ia aguentar o calor.
Saí de casa e fui direto para o Bar do seu Roberto, assim que cheguei havia poucas pessoas, me sentei no mesmo lugar de todos os dias e assim que o senhor me viu, veio até mim.
— Boa noite menina, o mesmo de sempre ? — perguntou.
— Sim, obrigado. — Digo com a cabeça baixa.
Ele vai até o fundo do bar e pega uma garrafa de whisky e um copo, volta para onde estou e abre a garrafa e me serve a primeira dose.
— Me desculpa a pergunta, mas qual é seu nome ? — Ele me encara.
— Ayla, senhor. — Digo baixo.
— Bonito nome. — Ele diz e apenas se afasta.
Seu Roberto parecia ser um homem bom e me sentia segura aqui no bar, não que alguém vá mexer comigo, eu parecia uma louca vestindo essas roupas e sem falar que ainda tô de óculos escuro porque o roxo do meu rosto ainda não saiu completamente.
Bebi mais três copos e logo senti alguém se aproximar de mim, na mesma hora meu corpo se arrepiou e senti medo.
— Boa noite, tudo bem ? — O homem perguntou.
Olhei para o lado e era um cara novo, tinha várias tatuagens e estava com uma arma pendurada nas costas.
— Boa noite, tudo sim. — Dou um gole no whisky.
Ele não disse mais nada, mas percebi que ficou me olhando como se quisesse desvendar um quebra cabeça. Ele pediu uma cerveja para seu Roberto e continuou sentado ao meu lado.
— Sou o Mamba e você ? — Ele diz.
— Ayla. — Pego a garrafa e sirvo mais uma dose.
— Você é nova aqui né ? — Ele continua me encarando.
— Sou.
— Já vi que você não é muito de conversar. — Ele dá um gole na cerveja e dá risada. — Você é aqui do rio?
Porra que cara chato, eu só queria beber meu whisky em paz e ir embora, porque ele tinha que ficar aqui comigo nesse interrogatório.
— Sou de São Paulo. — Digo virando meu rosto para ele.
— Agora entendi o óculos. — Ele diz e dá uma risada.
Revirou meus olhos e solto um suspiro, passo a mão pelo meu cabelo e noto que seu semblante mudou, quando percebo a manga da minha blusa subiu um pouco e eu estou com um roxo bem no pulso. Merda!
— Quer beber comigo e com meus amigos? — Ele pergunta.
Oi? Qual o problema desse cara, meu deus! E agora, e se eu falar não e ele atirar em mim com essa arma enorme, aí que ódio.
— Pode ser.
“ Mas eu sou uma idiota mesmo, se não morri pelas mãos do Raul, vou morrer agora. ”
Ele se levantou e foi até uma mesa que tinha dois caras sentados, olhei para trás e ainda fiquei travada pensando se ia ou não, vi ele se sentando e me chamando com a mão.
Peguei minha garrafa e meu copo e me sentei na cadeira vazia, na mesa havia dois caras, um deles era loiro de olhos azuis e também tinha tatuagens pelo corpo, ele estava sem camisa e também tinha uma arma pendurada no corpo, na verdade os três tinham. Olhei para o outro que era um moreno e parecia ser bem alto, diferente dos dois, ele não tinha quase nenhuma tatuagem e parecia ser o mais sério deles dois.
BN
Ctreze
— Pessoal, essa é a Ayla, ela vai nos acompanhar na bebedeira de hoje. — O tal Mamba fala.
Os dois ficam me analisando por um tempo e logo mudam a feição.
— Me chamo BN, satisfação. — O loiro fala.
— Eu sou o Ctreze. — O moreno me encara e abre um sorriso.
— Oi meninos. — digo baixo.
Eles começaram a conversar umas coisas estranhas e eu fiquei quieta na minha, continuei bebendo até que vi que a garrafa acabou.
Me levantei devagar sem falar nada e fui até o balcão.
— Seu Roberto, me vê outra. — Digo
— Tem certeza, minha filha? — Ele me olha com a sobrancelha arqueada.
— Sim.
Ele vai até o fundo do bar e volta com outra garrafa. Pego e volto pra mesa onde os meninos agora estão me encarando. Abri a garrafa e me sirvo uma dose.
— Querem? — Pergunto olhando para eles.
— Tu aguenta beber pra caralho em. — BN fala.
— Sou forte pra bebida. — digo dando mais um gole.
— Bota forte nisso, já tá na segunda e nem parece que tá bebendo. — Mamba fala.
— Tô achando que isso aí é guaraná em. — Ctreze fala e os meninos começam a rir.
Não aguentei e também dei risada, ergui meu copo e levei na direção deles.
— Bebe um pouco aí então. — Abro um sorriso e encaro ele.
Ele pega o copo da minha mão e noto que Mamba está encarando minhas mãos tentando achar algo ali, levo meu braço rapidamente para debaixo da mesa.
— É, não é suco não, a mina é forte mesmo. — Ctreze fala fazendo uma careta.
Dou risada e pego meu copo de volta.
— Você mora sozinha Ayla ? — Mamba pergunta.
— Moro com meu padrasto. — digo
— Nunca te vi pelo morro, chegou essa semana ? — Mais uma pergunta…
O que esse cara queria saber?
— Não, já estou aqui há quase dois meses, só não saio muito. — Pego meu copo e bebo.
— Se é vampira, Caraí? Só sai à noite. — BN fala e não consigo deixar de rir.
— Pode ser que seja isso. — Falo sorrindo.
Tudo bem que achei que ia morrer, mas fazia um tempão que não dava uma risada, estava um pouco feliz, eles três pareciam ser durões, mas eram bem engraçados.
Continuamos conversando e bebendo e notei que às vezes Mamba ficava me encarando de uma forma estranha, fiquei um pouco receosa com isso. Minha segunda garrafa acabou e vi que já era quase meia noite.
— Bom meninos, vou embora, foi um prazer beber com vocês hoje. — Digo abrindo um sorriso e me levantando.
— Se vai voltar amanhã? — Mamba pergunta.
— Creio que sim.
— Então, até amanhã, vamos te fazer companhia de novo. — Mamba fala.
— Boa Noite paulista. — BN e Ctreze dizem.
Vou até o balcão e pago minhas duas garrafas e volto pra casa, hoje eu até que senti um pouco do efeito da bebida, normalmente só bebo uma garrafa.
Fui direto pra casa e assim que cheguei tomei um banho gelado e logo dormi.
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Atualizado até capítulo 67
Comments
Joseane Pereira Pinheiro Pinheiro
esse padrasto merce leva a boa surra
2025-02-15
1
Maria Zeneide
ela devia pedir ajuda aos meninos
2025-01-10
2
Rosilene Ramos
eles tinham que chegar ba casa dela de surpresa
2025-04-02
0