Sob o céu enfeitado por belas nuvens e o sol do verão, lá estavam eles: um grupo de crianças, cada uma na idade de adentrar a academia, alinhadas em perfeita ordem. Todos compartilhavam um sonho comum: ingressar na Academia Mágica e alcançar uma oportunidade única na vida, oriundos de vilarejos distantes da capital, onde a magia era mais do que uma lenda, mas uma realidade palpável.
Atalia e Rudy emergiram atrasados, vítimas de uma noite tecida com sonhos despertos. Atalia, após horas de devaneios sob o manto da vigília, finalmente permitiu-se afundar nos braços do sono, mas em uma hora já avançada. Desta vez, Mu optou por não desperta-la, pois julgava ser uma futilidade, ciente que a menina não passaria nos testes e convicto dos perigos iminentes que a proximidade com aquele mago representaria para ele.
Ao perceber que as crianças se entregavam excessivamente ao sono, Hanna dirigiu-se ao quarto e despertou Rudy, que imediatamente se deparou com a urgência do momento. O garoto precipitou-se em direção ao aposento de Atalia, clamando por ela com ansiedade. Atalia, despertada de maneira abrupta, iniciou rapidamente os preparativos. Nunca antes em sua existência ela havia entregado tantas horas ao sono em um dia de tamanha importância. Seu corpo parecia carregar um peso incomum, e uma sonolência persistente a envolvia, como se estivesse enfeitiçada.
— Por que não me chamou, Mu? — indagou ela ao gato, enquanto se aprontava com pressa.
"— Acredito que não seria prudente você comparecer!" — replicou ele.
— E por quê?
"— Não tenho confiança naquele homem!"
— Apenas porque ele possui mais poder que você? — Atalia provocou, com um tom brincalhão.
"— O quê? De onde você tirou isso? Sabe o quanto sou poderoso? Em minha forma original, seriam necessários 100 magos como ele para me atrasar, e mesmo assim não me deteriam!" — Mu respondeu, assumindo uma postura de superioridade.
Atalia, que estava escovando os dentes, interrompeu-se para ponderar sobre aquilo. Não era a primeira vez que Mu mencionava sua forma original; mesmo quando assumia a forma de um esqueleto, ele tocava no assunto. Depois de refletir, ela prosseguiu com sua pergunta:
— Falando sobre isso, qual é a sua forma original? — perguntou a menina curiosa.
"— Eu sou um..." — Mu estava prestes a responder quando foi interrompido por batidas apressadas na porta.
Toc... Toc... Toc...
— Vamos, Lia, estamos atrasados, apresse-se! — chamou Rudy do outro lado da porta.
Atalia enxaguou a boca, secou as mãos, pegou Mu e o colocou dentro de uma bolsa, e então correu para fora.
"— O que está fazendo?" — perguntou Mu, surpreso.
— Você é a peça principal do meu plano! — respondeu a menina, com os olhos brilhando.
Mu observou a garota atônito, consciente de que não podia contestar quando aquele brilho iluminava seus olhos. Era o fulgor de alguém impulsionado por uma grande ideia, uma determinação que nada poderia deter. Assim, ele apenas assentiu, resignado.
Atalia e Rudy correram com toda a energia que tinham para chegar ao local o mais rápido possível e, por uma diferença de apenas dois candidatos para o final da prova, conseguiram chegar a tempo.
O clima no local era carregado de desânimo, com muitas crianças chorando pela não aprovação e vários pais exibindo frustração impotente. O recrutador, um nobre ostentando um título da prestigiada Academia Mágica de Fiore, permanecia cercado por vários cavaleiros e sacerdotes do Templo de Lystan. A aura de autoridade e inacessibilidade que o envolvia contribuía para a atmosfera pesada que pairava sobre o lugar.
Ao testemunhar aquela cena, Atalia não pôde conter a ansiedade que a tomava. Ela não havia presenciado as formas de avaliação, e a incerteza sobre as provas a deixava inquieta. Aquele ambiente evocava os cenários tão familiares das novelas que devorara avidamente, assim como os desafios do jogo que tanto apreciara.
Atalia tinha compartilhado aventuras com cada heroína nos jogos que tanto amava, e a cena diante dela evocava uma familiaridade que a tranquilizava. Uma convicção tomou conta de sua mente: "Eu sou uma das heroínas!" - uma afirmação que a fortaleceu e dissipou seus medos.
— Finalmente vocês chegaram! Estava começando a perder as esperanças! — brincou Jasper ao avistar Atalia e Rudy.
— Desculpe-nos, senhor. Acabamos por dormir demais! — respondeu Rudy, demonstrando reverência em respeito.
— Isso é com você! — retrucou Atalia, surpreendendo tanto Jasper quanto Rudy. Logo prosseguiu: — Os melhores sempre chegam por último! — concluiu a menina, exibindo um sorriso radiante no rosto e olhos repletos de determinação, provocando uma risada genuína de Jasper e deixando Rudy tenso com a falta de formalidade.
— Você é verdadeiramente única! — falou Jasper, com um sorriso nos lábios.
Rudy, que observava Atalia com incredulidade, foi surpreendido pelo chamado de Jasper.
— Venha, você será o próximo!
— Quer que eu o avalie, senhor? — perguntou um sacerdote que se aproximava.
— Não é preciso, eu mesmo o avaliarei! — declarou Jasper, surpreendendo a todos ali, pois até aquele momento Rudy seria o primeiro a ser avaliado pessoalmente por ele.
— Vejam, o senhor Maverick irá avaliar Rudy pessoalmente! — um burburinho começou a se espalhar entre os aldeões.
— O que devo fazer senhor? — perguntou o menino, ansioso.
— Percebo uma aura notavelmente pura ao seu redor, o que indica a ausência de vícios na magia, ao contrário de muitos nobres. Isso é um bom presságio, você será moldado com perfeição. Qual é o seu elemento, rapaz? — indagou Jasper.
— Meu elemento principal é o fogo, senhor! — respondeu o menino, com a postura de um pequeno soldado que responde a um sargento.
Jasper sorriu.
— Tranquilize-se, garoto. A prova é simples. Mesmo sem treinamento formal, todos os seres humanos são capazes de criar feitiços simples para se defender ou atacar. Quero que me mostre tudo o que é capaz de fazer, o que aprendeu e desenvolveu por conta própria.
O coração de Rudy acelerou-se, suas mãos começaram a suar e tremer. Era a primeira vez que ele mostraria suas habilidades para alguém além de seus pais e Atalia, e agora seria diante de muitas pessoas, todas com os olhos fixos nele.
— Quando estiver pronto, pode começar! — disse Jasper, dando o comando e se afastando.
O menino tentou recordar-se do processo habitual, embora para ele a magia fosse tão natural quanto respirar, naquele instante ele sentia o peso dos olhares e a ansiedade percorrendo todo o seu corpo.
Rudy respirou fundo, tentando concentrar-se para reunir sua magia de fogo em suas mãos. No entanto, os sussurros ao seu redor eram tão ensurdecedores que sua concentração foi abalada, resultando apenas em uma chama modesta em suas mãos.
— É só isso? O senhor Maverick deve estar decepcionado! — alguns sussurros ao redor deixaram Rudy ainda mais ansioso e angustiado.
"— O garoto está em apuros!" — disse Mu, ao espiar para fora da bolsa.
"— Dessa forma, ele não terá sucesso..." — Mu continuou a falar.
— Silêncio! — Atalia ordenou, firme.
"— Como ousa a mandar o grande Mu..." — o gato parou de falar ao perceber o olhar da menina. Era um olhar sério e focado, um olhar que ele nunca havia visto nos olhos da garota.
Enquanto isso, todos cochichavam, alguns zombando, outros demonstrando simpatia. Jasper permanecia em silêncio, atento apenas ao menino.
Atalia avançou com passos firmes na direção de seu amigo.
— Ei, o que está fazendo? — um soldado chamou a atenção da menina à distância, mas Atalia simplesmente o ignorou.
— Alguém a detenha, ou ela se machucará! — exclamou um sacerdote.
"— Pare, criança! É perigoso se aproximar de alguém conjurando magia de fogo, especialmente um novato!" — Mu tentou alertar a menina.
Porém, Atalia continuava avançando com determinação, ignorando qualquer aviso de perigo. Jasper ficou surpreso com os gritos dos sacerdotes chamando pela menina. Quando voltou seu olhar para ela, já era tarde demais: Atalia estava ao lado de Rudy.
— CUIDADO! — gritou Jasper, mas era tarde demais. Com as mãos totalmente desprotegidas, ela tocou as chamas de Rudy.
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Atualizado até capítulo 86
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