Um ano deslizou suavemente pelos ponteiros do relógio, e agora, Atália, dava seus primeiros passos. Apesar das quedas frequentes, pela falta de equilíbrio, um sorriso de independência e alegria adornava seu rosto, pois finalmente não se limitaria apenas ao colo de deus pais para locomover-se.
Com o tempo Atália descobriu que sua mãe respondia ao doce nome de Lilian, enquanto seu pai era chamado de Lucius. Ambos, simples camponeses, que haviam erguido seu lar afastado das agitações urbanas, onde a paz encontrava seu refúgio sob os telhados de telhas de barro e as paredes de madeira.
Nas proximidades da residência da familia de Atalia, não se avistava nenhum vizinho. Os únicos visitantes assíduos eram Mathias e Hanna, um casal jovem e radiante, conhecidos por sua confiabilidade e alegria contagiante.
A rotina naquele lugar era monótona, sem muitas opções de entretenimento. Atália ainda era muito jovem para aventurar-se sozinha fora de casa. Seu único momento de diversão era quando observava sua mãe conjurar magia para acender o fogo no fogão, um espetáculo fascinante aos seus olhos curiosos.
Quando a menina presenciou pela primeira vez a magia naquele novo mundo, foi um choque profundo. Embora soubesse da existência da magia ali, afinal, havia passado inúmeras horas imersa naquele jogo em busca de respostas para suas indagações, a experiência agora era completamente diferente. Tudo ao seu redor era real, não mais um simples conjunto de pixels em uma tela.
Atália não tinha certeza de onde exatamente estava no jogo, nem em que fase se encontrava, mas tinha a convicção de que eventualmente cruzaria o caminho dos heróis e heroínas. Na verdade, ela imaginava ser uma dessas mocinhas destinadas a nascer pobre e conquistar o coração de um nobre. Sua mente fantasiosa a levava a viajar por mil e uma possibilidades do que poderia acontecer, afinal, ela era uma escritora e uma aficionada por leitura de novelas.
Quando Atália tentou conjurar magia por conta própria, percebeu que não conseguia, nem mesmo sentir a presença da "magia" ao seu redor. Foi um choque avassalador. Ela ainda guardava suas memórias da vida anterior e lembrava vividamente de como, na primeira vez que entrou no "jogo", possuía algum tipo de habilidade mágica. No entanto, agora, nem sequer uma pequena centelha surgia em suas tentativas.
"Deve ser porque esse corpo é muito jovem!" — pensou consigo mesma, tentando encontrar uma explicação para a ausência de suas habilidades mágicas.
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Quando Atália completou dois anos, seus pais saíram em uma viagem, deixando-a aos cuidados de Hanna e Mathias. Para o desespero da menina, o jovem casal tinha um filho um pouco mais velho que ela, um verdadeiro "pestinha", como ela costumava dizer.
Dois anos se passaram e Atalia, agora com quatro anos de idade, encontrava-se habituada a viver sem a presença de seus pais novamente. No início, sentira-se magoada, sem entender por que eles haviam partido sem levá-la junto, mas logo se acostumou com a situação. Afinal, em sua vida anterior, ela já havia perdido sua família muito cedo, o que a ensinou a se adaptar às adversidades desde cedo.
O filho de Hanna e Mathias atendia pelo nome de Rudy, e ele tinha uma predileção por tornar a vida de Atália um verdadeiro inferno. Em várias ocasiões, ela optou por simplesmente ignorá-lo.
"Ele é apenas uma criança! Você possui 35 anos mentalmente e já foi professora do ensino fundamental..." — a menina murmurava para si mesma, buscando manter a serenidade diante das travessuras do menino.
No entanto, esse "mantra" provou ser ineficaz em várias ocasiões, levando Atalia a finalmente reagir às provocações de Rudy.
"Agora é a sua vez de sentir um pouquinho do que eu senti!" — murmurou para si mesma, enquanto um sorriso travesso brincava em seus lábios.
Com passos sorrateiros, Atalia se dirigiu ao banheiro onde Rudy estava tomando banho e, com cuidado, colocou uma pequena rã na borda da banheira e logo saiu de mansinho do lugar.
— AHHHHHHH! — O grito de Rudy ecoou pela casa, enquanto Atália não conseguia conter o riso.
Hanna, mãe do garoto, correu até o banheiro e o encontrou envolto em uma toalha, soluçando.
— O que aconteceu? — ela perguntou, preocupada.
— Buáaa! Foi a Lia! Buáaa! — respondeu o menino entre soluços e lágrimas.
— Lia! Venha aqui agora! — chamou Hanna.
Atalia prontamente correu até o banheiro.
— O que você fez? — perguntou a mulher, com uma expressão séria.
— Eu não fiz nada! — respondeu Atalia, tentando parecer inocente.
— É mentira! Ela jogou um sapo na banheira! — acusou o menino, apontando para a pequena criatura que coaxava tranquilamente no local onde ele estava banhando.
Ao ver a cena, Atalia não conseguiu conter o riso, estava feliz por sua trama ter dado certo.
Ao testemunhar a cena, Atalia não conseguiu segurar o riso, sentindo-se feliz por sua brincadeira ter funcionado.
— Atalia, foi você quem fez isso? — perguntou Hanna, com uma expressão séria.
Nesse momento, a menina percebeu o tom sério da mãe do garoto, mas respondeu com toda naturalidade:
— Eu juro que não o joguei DENTRO da banheira!
— Ahh! — Suspirou Hanna, — O que eu faço com vocês, hein? Vá se trocar, Rudy. — Ordenou a mulher. — E você, Lia, não faça mais isso.
Hanna dirigiu-se à cozinha, deixando as duas crianças sozinhas.
— Mentirosa! Eu sei que você o jogou dentro da banheira! — Disse o menino, enxugando as lágrimas.
— Eu realmente não o joguei dentro da banheira... — respondeu a menina.
Rudy pareceu surpreso ao ouvir as palavras de Atália, pois ela sempre revelava a verdade sobre suas travessuras quando os adultos não estavam presentes.
— Então quem foi? — perguntou o menino, confuso.
— Ele pulou sozinho, eu apenas o deixei na borda da banheira... hahaha — riu Atália de forma zombeteira.
Os olhos de Rudy se arregalaram com a confissão da menina, e agora visivelmente irritado, ele bravejou:
— Malvada! É por isso que ninguém quer ser seu amigo! Você é estranha! — exclamou o menino, irritado.
Atalia apenas deu de ombros, dando meia volta e saindo do local. Mas antes de sair completamente, ela virou-se para o menino e apontou para ele, com um olhar malicioso, dizendo:
— Fica esperto NPC, na próxima será algo ainda pior! — ela saiu com ar de superioridade, um sorriso travesso adornando seu rosto.
Rudy apenas observou a menina sair do local, ele já havia se acostumado com as loucuras da garota, como falar sozinha e sempre chamá-lo de NPC, sem ele sequer entender o que aquilo significava!
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Em uma manhã ensolarada, Atalia decidiu explorar os arredores da casa. Eles viviam próximo à entrada da cidade, o que proporcionava às crianças acesso a um amplo campo nas proximidades.
Algumas crianças que costumavam brincar por ali, todas amigas de Rudy, tentaram se aproximar de Atalia, buscando fazer amizade. No entanto, as brincadeiras da menina pareciam estranhas demais para elas. Assim, na maioria das vezes, Atalia se encontrava "brincando" sozinha, imersa em sua própria imaginação.
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Em algum lugar próximo ao campo, uma figura vagueava, movendo-se de um lado para o outro como se estivesse perdida em um transe, se aproximando lentamente das crianças, que não o percebiam.
— Ahh! — ele suspirou, enquanto flutuava sem rumo, — Por que ninguém me vê? — a criatura se perguntava, enquanto continuava a percorrer o local em busca de alguém que pudesse finalmente enxergá-lo.
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Enquanto Atalia recolhia algumas pedrinhas coloridas que encontrara pelo chão, fazendo uma careta estranha enquanto as examinava:
— Precioso! Meu precioso! — murmurava ela, sorrindo ao relembrar uma cena de um dos seus filmes favoritos, completamente alheia à presença de um pequeno grupo de três meninos travessos que a observava de longe.
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Atualizado até capítulo 86
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