Lana exalava alegria enquanto seguia rumo ao seu lar, movendo-se com uma graciosidade desajeitada ao som envolvente de sua música favorita, tocando no último volume através de seus fones de ouvido. Brincava com os passos na calçada, quando um anúncio próximo a um mercado capturou sua atenção.
"Salgadinhos e Chocolates em Promoção!"
"O dia está cada dia melhor! — murmurou ela para si mesma, enquanto saltitava levemente, envolta em uma aura de felicidade.
A jovem adentrou o estabelecimento, que apesar de não ser vasto em dimensões, oferecia um espaço amplo o bastante para abrigar todos as suas guloseimas preferidas.
Ela encantava-se em saborear salgadinhos enquanto mergulhava nas páginas de livros e séries, tudo acompanhado a um copo generoso de refrigerante. E claro, não podiam faltar seus fiéis companheiros, os "chocolates", para acompanhar suas maratonas de novelas melancólicas.
Absorta em devaneios sobre qual livro mergulhar após descobrir o desfecho do embate entre Clarice e o vilão, Lana não percebeu a entrada furtiva de um homem encapuzado no estabelecimento, anunciando, sorrateiramente, um assalto...
Enquanto o homem "fazia o limpa" nos pertences dos poucos clientes presentes, Lana permanecia imersa em seu próprio universo, concentrada na difícil escolha entre as diversas marcas de chocolate que se apresentavam diante dela.
— Passa a bolsa! — vociferou o assaltante para Lana, porém suas palavras foram abafadas pela música alta que ecoava em seus fones de ouvido.
— Você não está me ouvindo, garota? Passa a bolsa! — repetiu o assaltante, agora visivelmente tenso e irritado.
Uma vez mais, Lana permaneceu alheia às demandas do assaltante. O homem, prestes a pressionar a arma contra as costelas da garota, ficou atônito quando ela começou a se mover ao ritmo da música, e cantarolando sua canção favorita como se estivesse em uma discoteca dos anos 2000.
"Mas que diabos é isso?" — pensou o homem, perplexo, observando a garota contorcer-se como uma minhoca no asfalto quente, em uma tentativa frustrada do que ela própria chamaria de "dança"!
— Hey, tá maluca? Tira esse fo...— o assaltante gritou, puxando o fone de ouvido de Lana.
Instintivamente, ela virou-se e sem querer desferiu uma cotovelada no rosto do assaltante, nocauteando-o instantaneamente.
Todos os presentes no local aplaudiram a atitude corajosa da moça, sem saber que não fora algo planejado. Os proprietários da loja chamaram a polícia, que chegou prontamente ao local e encontraram o assaltante ainda inconsciente no chão.
Lana estava assustada. Após nocauteá-lo, ela tomou consciência da gravidade da situação. Seu corpo tremia pelo perigo que acabara de enfrentar. Por sorte, o assaltante não havia atirado nela.
Os donos do mercado, habituados a serem vítimas frequentes do mesmo bandido, expressaram profunda gratidão pela ajuda providencial de Lana. Em reconhecimento, ofereceram-lhe um mês inteiro de guloseimas grátis como gesto de apreço.
"Quase morri, mas um mês de guloseimas grátis? É a melhor recompensa do mundo!" — pensava consigo mesma, enquanto ouvia os policiais discorrerem sobre os perigos de reagir a um assalto.
Por fora, Lana parecia séria e concentrada no que o oficial estava dizendo, mas por dentro, ela cantarolava alegremente:
"Yupe! Quem é a menina de sorte? Eu sou a menina de sorte! Uhum, uhum, eu sou a menina de sorte!"
— Você já pode ir, mas lembre-se do que falamos! — disse o policial, liberando Lana para que pudesse voltar para casa.
Sem ter ouvido uma palavra sequer do que o oficial havia dito, a garota apenas assentiu com a cabeça, fazendo um sinal de positivo. Pegou sua pequena sacola e partiu em direção à sua residência.
********
—Ah, Clarice como você é boba, não percebeu que Liam estava apaixonado por você? — Lana resmungava em frustação, após ler o último capítulo de seu livro favorito.
A garota ficou ali, rolando de um lado para o outro, entregue à imaginação de como seria se fosse transportada para um mundo de fantasia. Seus olhos brilhavam intensamente ao conceber a ideia de ser uma heroína destemida ou, quem sabe, uma vilã astuta.
Ao se ver como a protagonista de uma história épica, começou a executar "golpes de artes marciais" no ar, visualizando-se enfrentando algum bandido malvado, tal como fizera na vida real. Um sorriso travesso despontou em seu rosto, revelando o quão divertido era perder-se nos confins da imaginação.
'Toc, Toc, Toc.'
Um batida na porta fez Lana despertar de seus devaneios, retornando bruscamente à realidade.
— Quem ousa bater à porta desta honorável feiticeira? Está em busca de conselhos ou simplesmente procura a morte? — proclamou Lana ao se aproximar da porta.
— É o carteiro, senhorita Montes!— respondeu o carteiro, familiarizado com o jeito peculiar de Lana. Ele já conhecia a história da garota e acreditava que suas excentricidades serviam como uma forma de autopreservação. Afinal, quem ousaria invadir a casa de uma "doida"?
— Ah, meu fiel informante, o que te traz à minha residência? —disse a garota, abrindo a porta com um sorriso amistoso.
Carlos, o carteiro, sempre ria do jeito inusitado que a garota lhe recebia. Era um ponto de alívio no seu dia cansativo e cheio de estresse.
— Jovem mestra, recebi a incumbência de lhe trazer este objeto mágico que a transportará para outro mundo! — disse Carlos, entrando no personagem e fazendo uma reverência, enquanto entregava um par de óculos de realidade virtual acompanhado de uma carta escrita por Jane.
— Ué, ela disse que viria aqui. Hmm. E por que mandou uma carta? Ela podia ter ligado! — Lana indagava para si mesma em voz alta. Depois, dirigindo-se a Carlos, ela acrescentou: — Obrigada, Carlos!
Lana se despediu do carteiro com um aceno e, ansiosa, logo abriu a carta para descobrir seu conteúdo.
...Lana,...
...Houve um imprevisto: meu avô adoeceu e precisamos viajar às pressas para vê-lo. Esta pode ser a última chance de minha mãe vê-lo com vida. Ela está muito abalada, então decidi acompanhá-la. Iremos passar uma semana fora, mas estou enviando esta carta com um presente. Há um jogo dentro dele, é um beta que a empresa do meu pai está desenvolvendo. Espero que goste e que possamos jogar juntas depois....
...Ps: Conquiste todos os gatinhos! ;)...
...Enviei a carta, para fazer mistério. Kkkkkk...
...Jane...
Lana sorriu com o conteúdo da carta, embora não gostasse muito de jogos ela se sentia querida. Muitas pessoas a sua volta acostumaram com o seu jeito "estranho" e sempre entravam em suas brincadeiras fantasiosas.
"Espero que elas fiquem bem! Jane sabe que não curto muito jogos, e o que ela quis dizer com 'conquiste todos os gatinhos?' Suspeito!" — Lana pensou enquanto subia as escada em direção ao seu quarto para ver o que sua amiga havia lhe presenteado.
Ao plugar os óculos no computador e colocá-los sobre seus olhos, Lana foi teleportada para um mundo mágico repleto de flores, um campo aberto onde não havia construções além de árvores, rios e flores.
De repente, um pequeno gato laranja apareceu flutuando diante dela.
..."Bem-vinda à minha PEQUENA GRANDE HISTÓRIA. Sou Leo, seu guia virtual. O objetivo do jogo é conquistar o coração daquele capaz de destruir este mundo e fazê-lo desistir desse mal, mostrando-lhe o amor que ele esqueceu há muito tempo!"...
"Ué, em vez de derrotar o chefão, eu tenho que conquistá-lo?" Lana pensou, enquanto se fascinava com o design gráfico daquele lugar.
..."Irei explicar o passo a passo, por favor, preste muita atenção. Este jogo de realidade virtual tem uma dificuldade no nível S, ou seja, uma vez que você morra dentro dele, terá que começar do início novamente..."...
Leo continuava a explicar, mas Lana não ouvia completamente. Ela estava encantada, como se estivesse verdadeiramente em um mundo mágico. Até a sensação do vento passando por seus cabelos era real.
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Atualizado até capítulo 86
Comments
YuukiGnovel
pensei o mesmo kkkkkkk
2024-09-17
1
YuukiGnovel
só um mês, tinha que dar um ano kkkkk
2024-09-16
1
YuukiGnovel
jurei que ela fosse de "f" aqui kkkkk
2024-09-16
1