Capítulo 12

"É por isso que aqueles pestinhas bateram nela! Queridos companheiros, agora eu os entendo!" — pensou Mu, enquanto tentava se acalmar, refletindo sobre a perspectiva infantil de Atalia.

"— Meu nome é Mu, por favor, não me chame de Ossadinha!" — solicitou o esqueleto, mantendo sua compostura e elegância, apesar da situação incomum em que se encontrava.

— Tudo bem, irei chamá-lo pelo seu nome, Ossadinha Mu! — respondeu Atalia de forma brincalhona.

"Por que? Por que? Depois de tantos anos pedindo para que alguém pudesse me ver e ouvir, por que tinha que ser essa pequena peste? Será que isso é o purgatório? Devo estar pagando pelos meus pecados!" — Mu se perguntava, enquanto erguia os olhos para o céu em uma expressão de piedade, embora, sendo um esqueleto, não pudesse derramar lágrimas.

— Venha, servo! — Atalia ordenou com determinação, enquanto começava a andar em direção ao local onde os meninos estavam.

"— Ahh!" — Mu suspirou resignado, aceitando seu destino.

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Depois de ferir Atalia, Sylas sentiu-se culpado e desejou pedir desculpas à menina, mas seu orgulho não o permitia.

— Não se preocupe, foi ela quem começou! — o menino de cabelos marrons tentou consolar o amigo.

— Mas somos maiores que ela, Gian. Será que ela está bem? — perguntou o menino de cabelos loiros, visivelmente abalado e preocupado.

— Claro que ela está bem, Marcos, não ouviu os gritos que ela deu depois de se levantar? — Gian respondeu.

— Aquela tola... eu não queria machucá-la... — Sylas murmurou, seu coração ainda pulsando rapidamente com a adrenalina do que havia acontecido mais cedo.

Enquanto os meninos conversavam entre si, Atalia se aproximou sorrateiramente por trás deles e, de repente, gritou:

— Dê uma lição neles, Servo Ossadinha! — ordenou a menina, com as mãos na cintura, em uma pose de autoridade.

Os meninos ficaram surpresos com o grito repentino da menina e se viraram para trás, deparando-se com Atalia completamente sozinha, exibindo uma postura de comando e um olhar malicioso, como se fosse a vilã de uma das histórias que haviam lido.

— MUAHAHAHAHA! — Atalia ria de forma vilanesca, desafiando os meninos com sua performance teatral.

Os meninos ficaram atônitos com a transformação da garota. Atalia sempre fora mais quieta e solitária quando se perdia em seu mundo imaginário, apesar de falar sozinha, a garota nunca foi atrás de ninguém de forma tão incisiva, mas essa era a primeira vez que ela expressava suas emoções de forma tão direta e intensa, deixando-os completamente perplexos.

— Ei, Sylas, acho que você lançou aquela pedra com muita força, ela está mais louca do que nunca! — Marcos falou, incrédulo com a mudança repentina de Atalia.

— Feiosa, o que você está fazendo? Quem é Ossadinha, sua maluca? Quem vai nos dar uma lição? — indagou Gian de forma zombeteira, provocando Atalia.

— Ele! — Atalia apontou para Mu, que estava ao seu lado.

— Ele quem? — os meninos perguntaram, confusos, já que não viam nada além de Atalia ali.

A menina virou-se para o esqueleto, esperando que ele fizesse algo, mas ele permaneceu imóvel.

— Ei, Ossadinha, por que não os ataca? — Atalia perguntou para o ser, em um tom desafiador. Em seguida, voltou-se para os meninos e indagou: — Vocês não sentem medo dele?

— Do que você está falando? O único medo que temos é que sua loucura seja contagiosa! — Sylas zombou, enquanto os outros meninos riam.

Atalia virou-se mais uma vez para Mu, que estava com uma expressão que parecia dizer "eu te avisei".

"— Era o que eu estava tentando te dizer antes, eles não podem me..." — antes que Mu conseguisse terminar sua frase, Atalia interrompeu novamente.

— Pelo poder das sombras, e com toda a magia que há em mim, eu te ordeno, meu servo, ataque-os! — a menina começou a fazer poses dramáticas, como se estivesse conjurando um feitiço em sua imaginação, e "enviando magia" para que Mu obedecesse seus comandos. Ela acreditava que não tinha sido "clara" o suficiente, afinal era um esqueleto e não possuía cérebro.

Mu apenas olhou para a garota incrédulo com sua incapacidade de se concentrar e ouvir qualquer informação.

Os meninos, que observavam toda aquela cena, começaram a rir e zombar da menina.

— Hahaha! Que tipo de dança desengonçada é essa? — eles debochavam, entre risos.

— Você tem talento para ser palhaça! Hahaha! — caçoou Sylas, entre risadas, juntando-se à zombaria dos outros meninos.

"Eu o invoquei e ele não me obedece. Devo ser muito fraca ainda. Talvez me falte magia suficiente para fazê-lo obedecer minhas ordens e ser visível aos outros!" — Atalia pensou consigo mesma, desapontada ao ver que Mu não atacava os meninos e que estes pareciam não vê-lo.

— Terei que fazer do modo tradicional, com minhas próprias mãos! — a menina falou, decidida, enquanto procurava algo ao seu redor que pudesse servir como arma.

Ao não conseguir encontrar nada ao seu redor, a menina virou-se para Mu e tocou em seu braço, surpreendendo-o. Quando ele tentou tocá-la, não conseguiu, deixando-o perplexo. Os meninos observavam a cena com curiosidade, ansiosos para ver o desenrolar dos eventos, pois parecia que Atalia estava interagindo com algo invisível aos seus olhos.

— Me empresta seu braço! — Atalia disse, de forma repentina, arrancando o braço do esqueleto Mu.

O esqueleto observava atônito a situação, surpreso com a capacidade de Atalia tocá-lo, enquanto ele mesmo não conseguia fazer o mesmo.

"Será que isso depende da vontade dela?" — Mu pensou consigo mesmo, intrigado com a peculiaridade da situação.

"— Ei, o que vai fazer com isso? Devolva!" — Mu indagou, tentando agarrar seu braço de volta, mas, mais uma vez, sua estrutura ultrapassou a menina e ele não pôde tocá-la.

Atalia caminhou até os meninos como se estivesse segurando algo nas mãos e, logo em seguida, levantou o "objeto" invisível. Os meninos apenas acompanharam com os olhos o movimento das mãos de Atalia, acreditando que a menina estivesse "representando" mais uma vez. Porém, desta vez, eles sentiram algo bater em suas cabeças.

— Ai! — resmungou Marcos, após sentir como se algo tivesse batido em sua cabeça.

— O que aconteceu? — perguntou Gian e Sylas, confusos.

— Ela me bateu! — respondeu Marcos, massageando a cabeça com uma expressão de dor.

— Mas ela nem sequer... Ai! — Gian começou a falar, mas foi interrompido ao sentir algo bater em sua cabeça também.

— Mas o que está acontecendo... Ai! — por fim, foi a vez de Sylas, que foi interrompido ao sentir o impacto.

Os três meninos estavam incrédulos com a situação. Eles permaneciam parados em frente à menina, que era menor que eles, e ela não havia tocado neles, pelo menos não com algo visível.

— O que você fez? — perguntou Sylas, massageando o local dolorido, convencido de que havia sido algum truque da menina.

Atalia assumiu uma pose majestosa, como se brandisse uma espada imaginária, e proferiu as seguintes palavras com um riso vilanesco:

— Sintam o poder da minha necromancia! Haahaahaha!

Gian, indignado, partiu para cima de Atalia, que rapidamente posicionou o braço de Mu à sua frente. Ao tocá-lo, Gian sentiu uma sensação estranha e surpreendente.

— O que é isso? — Ele perguntou, perplexo, ao perceber que estava tocando em algo invisível, enquanto Atalia mantinha um sorriso malicioso no rosto.

— É um braço! — exclamou Atalia, e logo o esqueleto do braço de Mu tornou-se visível aos olhos dos meninos, provocando-lhes um susto.

— Br... Bruxa! — gritaram eles, assustados ao verem aquela parte de um esqueleto humano, fazendo-os correr para longe da menina.

— Isso mesmo, corram! Ou em breve sentirão a ira de uma necromante! — disse a menina, com um tom ameaçador porém divertido, enquanto balançava o braço de Mu como se fosse um estandarte de sua suposta magia.

Mu apenas observava, sem reação, as ações da garota. Ele não conseguia entender o que estava acontecendo, muito menos o que aquela garota era, já que não conseguia detectar sequer uma gota de magia vinda dela. No entanto, ela foi capaz de materializar seu braço diante dos meninos.

"Será que ela pode me materializar por completo?" — Ele pensou, intrigado, enquanto Atalia jogava seu braço de volta.

— É assim que se faz, Ossadinha! Esses meninos mereciam uma lição, isso deve ensiná-los a não mexer mais comigo! — A menina falou, exibindo um orgulho evidente em suas palavras.

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