A pequena menina encarou o gato com um sorriso radiante, seus olhos transbordando de alegria e surpresa.
— Mu?! É você mesmo? Pensei que nunca mais nos veríamos novamente. — Atalia exclamou, puxando o felino para fora da cova, lágrimas de emoção brilhavam em seus olhos.
— Claro que sou eu! — Mu resmungou, mas logo percebeu a ironia de sua própria situação.
"Espere um instante... por que sinto que não sou mais tão grande como antes? E por que esta garota parece tão imensa agora? E onde diabos estou, afinal?" — Mu refletiu consigo mesmo, enquanto observava seu corpo transformado.
— Eu me tornei um gato! — Mu exclamou, surpreso. — O que você fez comigo, sua pequena bruxa? — Mu indagou, lançando um olhar furioso para Atalia.
— Eu não fiz absolutamente nada! — a menina respondeu, sua expressão carregada de sinceridade.
— Mentirosa! Eu não podia tocar em nada além de você, e agora estou preso dentro deste corpo de animal! — Mu retrucou, dando puxões leves em sua própria pelagem na tentativa de escapar daquele corpo, mas sem sucesso.
— Não estou mentindo, não faço ideia do que aconteceu ou como você foi parar aí. Eu pensei que tinha te enviado de volta ao mundo dos mortos!
— Aff! Quantas vezes preciso dizer que você não me invocou? Mas, de fato, me enviou para o mundo dos mortos, nunca imaginei que acabaria em uma carcaça de gato, todo estropiado, olhe para essas... — Mu resmungava, tentando mostrar as feridas que haviam no gato, quando percebeu que o corpo do felino estava completamente são, sem feridas ou marcas.
Atalia observava o gato tagarelar sozinho, isso fez com que um sorriso de felicidade iluminasse seu rosto. Afinal, seu amigo não havia partido e agora ela teria um mascote, alguém com quem compartilhar seus momentos, alguém que os demais poderiam ver e ouvir.
A medida que os segundos se passavam, algo estranho chamou a atenção da menina. Uma coisa que ela não havia notado antes. Aquele gato era exatamente igual a Leo, o gato guia que a trouxera para esse mundo.
Com o olhar atento, Atalia estudou meticulosamente a figura diante dela, tentando confirmar se seus olhos a enganavam ou não.
— O que tanto observa? — o gato perguntou.
— Você está parecendo alguém que eu conheço... — murmurou Atalia.
— Claro que estou parecendo, há muitos gatos dessa cor por aí! — o gato respondeu, um tanto impaciente.
— Não é isso... suas marcas... o tamanho... tudo é idêntico... — Atalia continuou, examinando cada detalhe do gato com intensidade.
— Ei, o que está fazendo, me solte! — Mu exclamou quando Atalia puxou seu rabo e em seguida segurou suas patinhas, apertando-as.
— Até a sensação é igual! — a menina disse, enquanto continuava a apertar as pequenas almofadinhas contidas nas patas do pobre Mu.
**********
— O que aquela maluca está fazendo agora? — Sylas se perguntava, observando Atalia de longe, sentada ao lado de uma pequena cova enquanto segurava um gato que parecia berrar alguma coisa enquanto a menina o apertava.
Mesmo com medo e ainda envergonhado por suas atitudes anteriores, o menino se aproximou sorrateiramente por trás da garota.
— O que está aprontando com esse bichinho? — ele perguntou, surpreendendo Atalia.
— Seja valente e aborde as coisas de frente, não se esgueire por trás, isso é coisa de covarde! — a menina repreendeu Sylas, com um tom descontraído, mas firme.
— Eu sou homem! — Sylas resmungou, fazendo uma pose de superioridade. — Vim pelas costas para ter certeza de que não estava maltratando esse pobre animal.
— Por que eu o maltrataria? — Atalia questionou, genuinamente confusa.
— Ele estava gritando agora há pouco!
— Então você consegue ouvi-lo? — Atalia perguntou, com os olhos brilhando de empolgação, animada com a possibilidade de finalmente alguém mais entender o que Mu dizia.
— Claro! Quem não conseguiria ouvir seus miados pedindo ajuda a quilômetros de distância? — Sylas respondeu de forma sarcástica.
— Mu, por que eles não conseguem te entender ainda? Agora você é visível para todos! — Atalia olhou para o gato ainda entre seus braços e perguntou, com uma expressão de curiosidade.
"— Eu não sei! Não faço ideia nem do motivo de estar nessa forma!" — Mu respondeu, mas para Sylas suas palavras soavam como pequenos miados, indecifráveis aos ouvidos humanos.
O menino observava atentamente a forma como Atalia interagia com o animal. Era como se houvesse uma comunicação real entre eles, mas apenas a menina conseguia entender.
— Aff! — Sylas suspirou. — Você é muito estranha!
— Veio só para me provocar? — a menina perguntou, começando a se irritar.
Sylas arregalou os olhos. Na verdade, há meses ele queria se desculpar com Atalia, mas nunca encontrava a oportunidade certa. Sempre que ele não estava acompanhado por seus "amigos", Atalia estava com Rudy. No entanto, naquele momento, estavam sozinhos, seria a oportunidade perfeita.
— Bom... na verdade... eu queria me... — Sylas estava corado, suas mãos suavam, seu coração estava acelerado, as palavras saíam com dificuldade de sua boca.
"— Ei, acho que ele quer se declarar!" — Mu brincou com Atalia.
A menina arregalou os olhos, surpresa. Nunca havia recebido uma declaração, nem mesmo em sua vida anterior. Essa seria a primeira vez, e ela não queria receber de uma criança. Por mais que amores infantis pudessem ser passageiros, Atalia desejava viver um romance quando estivesse mais madura.
Sylas, que lutava para encontrar as palavras para se desculpar, foi interrompido abruptamente por Atalia.
— Olha, não quero te magoar, mas eu não posso aceitar seus sentimentos. Quando você estiver mais velho e se parecer com seu pai, venha se declarar novamente! — a menina falou com gentileza, tentando suavizar sua recusa.
— Que? — Sylas perguntou, completamente confuso.
— Você não ia se declarar? — Atalia insistiu.
— De... de... de onde tirou isso? — o menino gaguejou, agora muito mais ruborizado que antes.
— Ué! Não entendi o que veio falar então! — Atalia retrucou, confusa com a situação.
— Jamais me declararia para alguém como você, esquisita! — Sylas respondeu, irritado, suas palavras cortantes como lâminas.
— Eu ia me desculpar com você, mas já me arrependo de ter vindo, sua tonta! — com o rosto vermelho como um pimentão, o menino saiu pisando fundo no chão, enquanto Mu ria profundamente da situação.
— Do que está rindo? — Atalia perguntou para Mu, tentando ignorar a queimação de suas bochechas. Sentia-se envergonhada por ter confundido os sentimentos de alguém tão mais jovem que ela. Afinal, em sua vida anterior, já havia sido uma adulta. Mas o fato é que ela nunca experimentara um romance além de suas novelas, e agora percebia que às vezes a realidade podia ser muito diferente.
— Foi uma cena hilária! Acho que ele nunca mais ousará se declarar para você, perdendo assim um potencial pretendente! — Mu ria, sua voz ecoando com uma leve brincadeira.
— Você é terrível! — a menina falou, soltando Mu de seus braços.
— Só agora percebeu? — ele indagou, seu tom tingido de sarcasmo.
— Será que tenho azar até nos servos que invoco? — Atalia questionou a si mesma, um pensamento fugaz enquanto começava sua caminhada de volta para casa, deixando para trás o episódio peculiar.
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Atualizado até capítulo 86
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