Capítulo 11

Enquanto Atalia dançava entre as estrelas do seu próprio universo imaginário, os meninos teciam conversas sobre as loucuras que envolviam a mente da jovem sonhadora.

— Olhem como ela é maluca!  Aquela esquisita, sempre faz isso. Do nada começa a falar essas frases malucas e aleatórias! — disse um menino de cabelos castanhos e olhos marrons, observando Atalia interpretar uma sinfonia de personagens em seu próprio palco imaginário, onde as palavras dançavam ao sabor da sua criatividade desenfreada.

— É verdade, ela é estranha e isso assusta todo mundo! Até mesmo os adultos a consideram maluca! — acrescentou um menino com cabelos dourados.

— Vamos assustá-la para longe daqui! — disse o menino ruivo, olhos marrons e rosto salpicados de sardas, parecendo ser o líder daquele grupo de pestinhas.

Eles se aproximaram de Atália e logo começaram a interrogar:

— Hey, sua louca, não percebe que está afugentando todo mundo daqui?  — indagou o menino ruivo, trazendo Atalia de volta a realidade.

Atalia lançou um olhar ao seu redor e replicou com serenidade:

— Não há mais ninguém aqui além de vocês.

— Por que você afugentou todos com suas loucuras! — reclamou o garoto loiro.

— Não são loucuras, vocês que simplesmente carecem de imaginação suficiente! — suspirou Atalia, num tom de resignação.

— Imaginação? Você é maluca e fala coisas estranhas. Vive tagarelando sozinha e fazendo caretas estranhas quando vê o pai do Sylas. — disse o menino de cabelos marrons.

Ao recordar de Ryan, o pai do garoto ruivo, Atalia começou a imaginar como seria se fosse adulta e aquele homem solteiro, pois afinal, um dia ela já havia sido uma jovem mulher.

O pai de Sylas era um homem alto e bonito, com olhos verdes deslumbrantes e cabelos avermelhados como sol quando esta se pondo no horizonte, um contraste perfeito. Além disso, era um excelente guerreiro.

— Olha só, ela está fazendo aquela expressão de novo, Sylas. Ela está pensando no seu pai! — disse o menino de cabelos loiros.

— Ei, pare com isso, sua... sua... — Sylas reclamou, sua indignação o deixava sem palavras.

Atalia limpou o canto da boca, pigarreou e logo respondeu:

— Coff, coff. Que culpa eu tenho se a única coisa bonita que você herdou do seu pai foi o cabelo? Mas, infelizmente, em você parece mais ferrugem, você está todo enferrujado! — debochou a menina, provocando até mesmo sorrisos nos amigos do menino.

Sylas encheu-se de ira com o deboche da garota, o que o levou a lançar uma pequena pedra em direção a Atalia, que caiu no chão com um galo na testa.

Ao perceber o que fez, o menino ficou assustado e correu para longe, seguido por seus pequenos comparsas.

Atalia sentiu-se tonta inicialmente, mas logo se levantou. Apesar de ser mentalmente adulta, seu corpo de criança a fazia querer chorar. Ela segurou as lágrimas, respirou fundo e gritou com todas as suas forças, para que aqueles garotos pudessem ouvir:

— Vocês nunca, jamais terão a mínima chance comigo! Quando eu crescer e me tornar a protagonista...

"Oh, espere, estamos em um jogo, não existe protagonista, mas isso não importa, eles não sabem disso!" — pensou, interrompendo seu grito, mas logo prosseguiu:

— ... vocês nem mesmo serviriam como figurantes, seus NPCs estúpidos!

Ao finalizar sua frase, ela sacudiu a poeira de suas roupas e partiu em direção à sua casa, deixando os meninos atordoados com suas palavras e seu jeito peculiar de expressá-las.

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O ser que vagava pelos arredores ficou intrigado ao presenciar a cena, despertando uma curiosidade genuína dentro dele, algo que nunca havia sentido em todos os seus anos como vagante.

"— Interessante! Mesmo sendo pequena, a menina não chora!" — refletiu o ser, surpreso com a determinação e a força de Atalia.

"— O que ela quis dizer com personagem principal? E o que é figurante? O que é NPC?" — o ser se perguntava, intrigado com as palavras desconhecidas, especialmente quando vindas de uma criança.

Movido por essa curiosidade intensa, ele decidiu vagar em direção a Atalia, ansioso para entender mais sobre o que acabara de escutar.

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— Aff, esqueci as pedrinhas, elas parecem joias. Vou voltar para buscá-las, talvez tenham algum valor... — Atalia virou-se para ir em direção ao local onde haviam caído sua coleção de pedras e deparou-se com o ser sobrenatural que a seguia.

— AHHHHH! UM ESQUELETO! — Atalia gritou, assustada.

"— Onde?" — o ser perguntou, olhando para todos os lados, confuso com a reação da menina.

— Socorro Deus! Ele está falando! — Atalia falou em pânico, afastando-se rapidamente do ser sobrenatural.

"— Ahh! Sou eu! Hehehe!" — o ser sorriu, coçando a cabeça ao perceber a reação da menina. — "Você pode me ver??? Isso é maravilhoso, enfim..." — o ser falava enquanto Atalia continuava a gritar.

— Sou muito jovem para morrer... aquele maldito gato....— Atalia choramingava e amaldiçoava Leo novamente.

"— Calma, eu não vou te fazer mal!" — o ser respondeu, tentando acalmar Atalia.

— Então, por que está me seguindo? — Atalia perguntou, ainda um pouco nervosa.

"— Eu vi o que aqueles meninos fizeram! Você é muito madura para sua idade!" — o esqueleto a elogiou, tentando transmitir tranquilidade à menina.

Atalia, que ainda estava incrédula com o que via, pouco a pouco foi se acostumando. Afinal, aquele mundo era mágico, e ela, querendo ou não, estava "dentro de um jogo". Observando melhor o ser, ela percebeu que ele não era tão assustador quanto parecia. Na verdade, ele estava vestido como um sacerdote da mais alta corte.

"Será que meu poder é ser necromante?" — a menina ponderou enquanto analisava o esqueleto.

— Coff, coff! — Atalia pigarreou, tentando ganhar coragem. — Como eu te invoquei, permito que você seja meu primeiro ajudante! — ela falou, assumindo uma pose de superioridade, decidida a explorar suas habilidades recém-descobertas da melhor maneira possível.

"— Invocou? Como assim?" — o esqueleto perguntou confuso, enquanto Atalia elaborava seus planos maquiavélicos em sua mente infantil.

"Esta é minha oportunidade. Não sei até quando minha magia suportará esta invocação. Preciso ensinar uma lição àqueles arruaceiros..." — Atalia pensava consigo mesma, seu rosto revelando uma expressão travessa.

"— Oi, garota, está me ouvindo? Você não me invocou, eu vim sozinho! A propósito, só você pode me v..." — o esqueleto começou a falar, mas foi interrompido por Atalia.

— SHHH! Estou pensando, servo!" — Atalia articulou para que o esqueleto se calasse, deixando-o surpreso com sua atitude.

"Olhe para essa pequena criatura insolente! Como ela se atreve a mandar o grande Mu se calar?! Só vou tolerar porque, afinal, foi ela quem conseguiu me ver. Talvez eu consiga roubar o corpo dela..." — o ser pensava consigo mesmo, enquanto Atalia estava perdida em suas teorias e maquinações, alheia às intenções sinistras do esqueleto.

"Esta é a minha chance!" — o esqueleto pensou enquanto erguia sua mão para tocar a cabeça da menina, mas foi em vão. Assim como as outras pessoas, ele não podia ser tocado ou tocar em ninguém.

Atalia virou-se para ele, alheia às verdadeiras intenções maliciosas daquele ser, e com os olhos brilhando, sorriu de forma travessa.

— Venha, servo, é hora de dar uma lição naqueles que feriram sua mestra! Hahahaha! — Atalia ria de forma vilanesca, totalmente imersa em seu plano de vingança.

"— Ei, garota, eles não..." — o esqueleto tentava avisar Atalia de sua invisibilidade aos olhos dos outros, mas ela o interrompeu.

— Como ousa chamar sua mestra assim?! — a menina reclamou, — Me chame de mestra, ou chefe! — ela ordenou com autoridade.

"Essa pequena peste..." — o esqueleto pensava consigo mesmo, franzindo o cenho. — "... vou te aturar até eu descobrir por que só você pode me ver e se você é realmente quem eles dizem que é..."

"— Não vou te chamar assim, você sabe quem eu sou? — o esqueleto indagou. — Eu sou o poderoso Mu!" — ele exclamou, como se fosse alguém de grande importância.

— KAKAKAKA! — Atalia gargalhou alto, achando a situação extremamente cômica.

"— Do que você está rindo?" — Mu perguntou, embora já desconfiasse da resposta.

— Kakakka! — a menina tentava conter o riso para responder. — Que nome horrível! Kakakaka. — Ela continuava a rir. — Você é o esqueleto de uma vaca para se chamar Mu? Kakakaka!

"— Como ousa! Insolente! Ah, se eu tivesse acesso aos meus poderes agora...!" — Mu falava, indignado, quando foi interrompido por Atalia mais uma vez.

— Tudo bem, não escolhemos os nomes que nos dão! Irei te chamar de Servo Ossadinha!

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Yasmin Sellay

Yasmin Sellay

KKK 🤣

2024-05-17

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