—Li... Lia... — Rudy se viu surpreendido pela presença súbita da menina ao seu lado.
— Que esta fazendo? — inquiriu a jovem, tocando suavemente a pequena chama na mão do rapaz, que se dissipou instantaneamente.
— Per... perdão... — murmurou Rudy, envergonhado, suas palavras embargadas pela timidez e com as mãos tremulas.
— Você é melhor do que isso, não permita que os outros influenciem sua vida. Faça o que for necessário, lute como for preciso, mesmo que tenha uma plateia ou esteja sozinho. Há coisas que só você pode fazer por si mesmo! — Atalia falou com seriedade, mas logo seu semblante suavizou-se soltando um pequeno suspirou e um leve sorriso, na tentativa de acalmar o amigo.
Antes que Rudy pudesse articular uma palavra, a voz de Jasper cortou seus pensamentos abruptamente.
— Por que estão hesitando? — Jasper interpelou os sacerdotes. — Venham, curem-na!
— O que está acontecendo? — Rudy perguntou, confuso ao ver os sacerdotes ao seu redor, mas recebeu apenas silêncio como resposta.
— Como pode agir de forma tão imprudente!? — Jasper repreendeu Atalia, puxando suas mãos para examinar o estrago.
Atalia, confusa, apenas o encarava com um olhar perplexo.
Os olhos de Jasper e dos sacerdotes presentes se arregalaram ao ver o estado das mãos da menina.
— O que está acontecendo? — perguntou Atalia, confusa com toda a situação.
— Mas... mas como isso é possível? — um dos sacerdotes murmurou, incrédulo.
— Você sente alguma coisa? — Jasper indagou, olhando atentamente para Atalia.
— Não! — respondeu a menina, com sinceridade.
O homem continuava a observá-la, como se buscasse encontrar uma explicação para o que estava acontecendo. As mãos de Atalia estavam intactas, sem nenhum sinal de queimadura. Como era possível? Essa era a pergunta que ele e os sacerdotes se faziam, incapazes de compreender o fenômeno diante deles.
Os aldeões não possuíam grande conhecimento sobre magia, aprendendo apenas o básico por conta própria. Nunca havia ocorrido acidentes graves envolvendo aqueles que possuíam o elemento do tipo fogo, pois a maioria mal conseguia acender uma pequena chama, como a que Rudy havia acabado de demonstrar, por tanto, ninguém ali tinha ideia do porque os sacerdotes e Jasper estavam tão aflitos.
— Você sabe o perigo que correu? — Jasper questionou, seu olhar ainda carregado de desaprovação.
Atalia fitou o homem, confusa. Realmente não compreendia a situação e não havia ouvido uma única palavra que Mu ou os outros disseram enquanto seguia na direção de Rudy.
— Aff! — Jasper suspirou resignado com a situação. — Venha agora, será a sua vez!
— E quanto a Rudy? — Atalia perguntou.
— Com essas habilidades... vai ser difícil para ele! — respondeu um homem que se aproximava de onde as duas crianças estavam. Ele era alto, de cabelos verdes e longos, com olhos tão pequenos que era quase impossível ver a cor de suas pupilas.
Um calafrio percorreu a espinha de Atalia ao reconhecer Hans Grant, outro NPC do jogo. Apesar de sua aparência gentil e calma, ela sabia que ele era um assassino profissional que não hesitava em tirar vidas caso jugasse necessário.
As lembranças surgiram, evocando as muitas vezes em que ela havia enfrentado a morte pelas mãos daquele NPC em suas várias tentativas de explorar diferentes caminhos na história do jogo. Seja buscando ser uma personagem boa ou má, seus esforços sempre pareciam fadados ao fracasso, levando-a a um fim prematuro pelas mãos de Hans.
Ao perceber que a menina o encarava por muito tempo, Hans sorriu. O fez o coração de Atalia bater mais forte, repleto de ansiedade.
— Serei uma boa pessoa, eu juro! — Atalia respondeu impulsivamente, surpreendendo tanto o homem quanto Jasper.
Hans brincou, aproximando-se do rosto de Atalia e lançando um olhar divertido para a menina. Foi nesse momento que Atalia pode ver a cor dos olhos do homem, um azul claro como o céu limpo do verão.
— Comece por não se colocar em risco, mocinha! — disse ele, num tom brincalhão.
Atalia, tomada pela surpresa, acabou deixando escapar um pensamento que passara por sua mente:
— Que lindo! — disse ela, enquanto limpava a saliva que escorria do canto de sua boca.
— Hahaha! — Hans riu alto! — Gostei de você, garota!
A calma envolveu o coração de Atalia diante da simpatia demonstrada pelo homem. Rapidamente, seus pensamentos se voltaram para o amigo, ainda imóvel no mesmo lugar, uma sombra de desânimo estampada em seu rosto. Ela compreendia que Rudy não havia tido um desempenho satisfatório, mas conhecia a habilidade e o potencial dele.
Atalia, mesmo em sua vida anterior, nunca se deixou abater diante das adversidades. Ao longo dos anos, nutriu um afeto profundo por Rudy. Consciente de que não podia ficar inerte diante da possibilidade de seu amigo perder uma grande oportunidade, ela decidiu agir. Mesmo ciente de que suas palavras poderiam ter pouco impacto, aproximou-se de Jasper com humildade e fez uma súplica:
— Seria possível conceder outra oportunidade a Rudy? Ele estava visivelmente nervoso... mas seu talento é notável. Se não lhe der uma chance, estará perdendo o segundo maior talento que já cruzou seu caminho!
— Essa é uma grande afirmação mocinha! Mas me deixou curioso, quem seria o primeiro maior talento? — perguntou Jasper e Hans curiosos.
— Ora essa, pensei que fossem mais sagazes! Claro que o maior talento que cruzo o caminho de vocês seria... EU! — a menina apontou para se mesma, empinando o nariz em uma pose de superioridade.
Jasper e Hans não puderam conter o riso, embora não conseguissem compreender como Atalia não se queimara antes. Para eles, um grande mago e um espadachim mágico excepcional, aquela menina possuía menos magia do que um simples pernilongo. No entanto, admiravam sua audácia.
— Embora reconheça o talento dele, não posso lhe conceder uma nova oportunidade!
O homem soltou um suspiro profundo, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. Apesar de reconhecer o talento de Rudy, ele sabia que não podia conceder uma nova chance sem estabelecer um precedente para todos os outros. Era uma questão de justiça e equidade que ele não podia ignorar, por mais difícil que fosse.
Atalia sentiu um aperto no coração, pois não desejava enfrentar a jornada na Academia sozinha. Ela reconhecia que, em termos de magia, Rudy era inegavelmente superior a ela.
— Então... então eu não... — a menina começou a dizer, mas foi interrompida pela voz de Hans.
— Entendo sua posição, Jasper. Mas você pode fazer uma exceção desta vez. — Hans sugeriu, olhando diretamente nos olhos do homem. — Afinal, talento não é algo que se vê todos os dias.
Jasper olhou para o amigo, surpreso com sua defesa repentina por alguém que acabara de conhecer. Era a primeira vez que Hans se pronunciava a favor de alguém, e isso despertou a atenção de Jasper.
— Não posso, Hans. Você sabe por quê! — respondeu Jasper, num tom sério.
— Jasper, meu amigo, o menino não foi capaz de concluir a avaliação!
— Como não? — Jasper indagou, confuso.
— A menina interrompeu a prova! — Hans explicou, dando um leve sorriso para a menina.
Atalia voltou-se para Jasper, seus olhos transbordando de expectativa.
— Huff... — Jasper suspirou profundamente. Ele compreendia que conceder uma nova oportunidade ao garoto causaria alvoroço, mas agora, diante da justificativa apresentada, ainda que não fosse tão plausível assim, era uma razão válida.
— Tudo bem! — disse Jasper, cedendo à insistência de Atalia.
— Uhuuu! — comemorou Hans, juntamente com Atalia.
— Não fiquem tão alegres assim! — Jasper advertiu. — Ele terá que demonstrar uma habilidade que surpreenda a todos, para que ninguém seja capaz de questionar seu talento. Só assim ele será aceito.
— Não se preocupe, ele será capaz! — respondeu Atalia, convicta. Em seguida, correu até seu amigo para lhe contar as novidades.
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— Porque você agiu a favor do menino? — Jasper, curioso, questionou Hans sobre sua decisão em favor do menino.
— Não foi exatamente em favor dele. Apesar de reconhecer que ele tem uma aura forte, ainda precisa de muito treinamento para revelar seu verdadeiro potencial...
— Então, por que agiu?
— Foi pela garota. Percebi que ela desistiria se não déssemos outra chance para o menino.
— Mas você percebeu que ela não possui magia alguma, não é?
— Sim, porém tenho a sensação de que a conheço de algum lugar. E estranhamente, senti como se ela soubesse quem eu realmente sou...
— Hahaha! Impossível, apenas vossa majestade e eu sabemos sobre sua outra identidade! — Jasper riu, tentando dissipar os pensamentos do amigo.
— Eu sei, mas... sinto-me intrigado com ela.
— Entendo! Também me sinto assim e estou ansioso para ver como ela vai se sair na prova!
— Você pensa em testa-la com magia? — questionou Hans, surpreso.
— Claro! Afinal, somos da Academia Magia, somente pessoas com magia podem ingressar!
— Mas como ela lançará magia?
— Também estou curioso para descobrir.
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Atualizado até capítulo 86
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