Seguimos para o velório, o local ficava em uma igreja belíssima, com lindas pinturas no teto.
"Não acredito que os Rosenberg, bancaram tudo isso... E pensar que o velório aconteceria na nossa casa"
No ambiente não tinham muitas, no máximo tinha apenas 10 pessoas presentes. A igreja estava em silêncio, o único som que se ouvia era só reverendo e da chuva impiedosa.
Assim que o velório termina, seguimos em um cortejo até o cemitério que ficava alí perto. Assim que atravessamos o portão, vi que o local era parecia com uma campina, com grama verde, lindas flores e árvores. Seria um lindo jardim, se não fosse pelas várias lápides espalhadas por todos os lados.
Minutos depois, finalmente chegamos ao destino final. De longe já podia ver, os coveiros com suas pás em mãos, o buraco aberto e o suporte para descer o caixão.
"Eu... eu não quero ver!"
Parei de acompanhar o cortejo fúnebre e fiquei parada no meio do caminho. Eu não estava pronta, não estava pronta para dar o último adeus.
— Anna?! — Minha mãe parou de acompanhar o cortejo, ela estava preocupada comigo, eu pude ver — Vem filha, vamos!
As lágrimas começaram a brotar do meu rosto, sem qualquer controle. Sacudi minha cabeça em sinal de negação e em seguida corri o mais rápido que minhas pernas podiam. Eu estava fugindo ou melhor estava tentando fugir da realidade, mas a verdade é que jamais conseguiria o vazio continuaria ali, não importa para onde fosse ele estaria ali me esperando.
Andei pelas ruas da cidade, sem destino nem rumo certo, até que por fim decidi voltar para casa.
Assim que abri a porta, a primeira coisa que vi foi minha mãe.
— Onde esteve? — Pergunta.
— Por aí… — Respondi enquanto dava de ombros.
— Eu vi seu quarto… Estou preocupada com você Anna.
Nada respondi, apenas passei por ela como se fosse nada. Fui até as escadas que levavam para o andar de cima da casa, tudo que eu queria naquele momento era me isolar, eu não queria ninguém.
Porém, nem sequer cheguei a colocar meus pés no primeiro degrau. Minha mãe veio e me segurou pelo antebraço.
— Eu quero conversar com você — Fala ela com seu rosto sério.
— Mas eu não quero conversar com você — respondi de maneira ríspida.
— Anna, você precisa de ajuda… Porque não fala o que tá sentido para mim, eu sou sua mãe!
— Eu não preciso dizer o que estou sentido, eu não preciso de ajuda, nem de você nem de ninguém. São meus demônios e eu vou enfrentar eles sozinhos! — Respondi em um tom agressivo enquanto puxei meu braço bruscamente.
Subi as escadas o mais rápido que minhas pernas podiam, corri e entrei no meu quarto e tranquei a porta atrás de mim.
“Não preciso de ninguém… É minha dor… Sendo assim quero sofrer sozinha!"
Os dias seguiram-se, o pai da Emme deu ordem para que a nossa escola, ficassem três dias de luto em respeito a minha família... Em respeito a minha mãe. Ela tinha ligado para ele, dizendo que eu estava bastante instável e que não poderia ir a escola.
A verdade era que o pai da Emme tinha bastante apreço por mim, pela minha inteligência e por ter ajudado sua filha. Esse luto era como se fosse um recado, que ele queria que voltasse no meu melhor, ele deveria acreditar que poderia melhorar durante esses três dias.
"Mas não foi o que aconteceu..."
Ao invés de servir para me recuperar, esses três dias serviram para me afundar ainda mais no poço profundo a qual tinha caído. Eu mal falava com minha mãe, sequer abria a boca no dia para falar algo.
Eu achei que poderia me dar muito bem com minha dor, através do isolamento. Porém, acabou que o isolamento que estava aplicando, estava transformando minha dor em outra coisa... Em veneno.
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Mellika Duarte
caramba!
2024-05-05
0
ARMINDA
CARAMBOLAS ANA SE EZOLOU E DEIXOU SUA MÃE SOZINHA.QUE TB TA SOFRENDO.🤧😪😪😪😪😪
2024-03-23
4