Emme tinha razão, na verdade ela sempre teve razão. Sempre fui muito passiva, deixando as pessoas se aproveitarem de mim sem nenhuma reação.
Eu achei realmente que tinha mudado, afinal foi depois daquela tarde, a minha vida não seria mais a mesma.
Já era final da aula, quando tivemos uma surpresa, um passeio para o parque de diversões, um presente para os alunos formandos. O diretor distribuiu os bilhetes e informou que só iríamos entrar no ônibus usando eles.
Coloquei o bilhete no bolso da calça e sai da escola o mais rápido possível, afinal estava atrasada. pedalei alguns quarteirões e finalmente estava na minha casa.
A frente da casa não estava lá das melhores coisas, afinal fazia um bom tempo que não tínhamos grana para fazer uma simples pintura. A tinta já estava com um amarelo sujo e estava descascando pouco a pouco, a escadinha também não estava na melhor, quase era impossível ver a cor da tinta de tão enferrujado que estava o metal de sua estrutura, quanto a porta… Já estava com cupins.
Era o sonho de minha mãe fazer uma reforma urgente na entrada, mas as contas… Não deixavam. Quando falo de contas, não estou falando só de água, energia, gás e todas essas coisas básicas… Mas também do pagamento quase que diário de proteção, que tem que ser pago para o dono da máfia local, uma pessoa que ninguém até hoje sabe quem é, mas sabem que existe.
Minha mãe assim que chegou aqui, estava decidida a não depender somente do meu pai. Então criou um mini restaurante nos fundos da casa, inclusive temos o serviço entregas em domicílio.
Tudo começou às mil maravilhas, até que o rei da máfia da Filadélfia soube. Então impôs uma taxa sobre minha mãe, caso contrário ele mandaria seus capangas destruírem o local.
Confesso que isso é indignante, mas o que podemos fazer contra alguém que tem boa parte da cidade na mão?
Sem perca de tempo, abri a porta da casa e segui para a cozinha, que ficava nos fundos da casa. Assim que entrei no ambiente, pude sentir um calor sufocante insuportável.
“Nao sei como minha mãe suporta trabalhar em um lugar quente como esse”
Segui andando pela cozinha a procura das encomendas que minha mãe, sempre deixava para mim entregar.
Era esse meu trabalho, desde meus 10 anos, eu era a entrenadora do restaurante. Claro que não era a gosto da dona Sarah Cruz, na verdade ela sempre foi contra eu trabalhar sem antes ter completado a idade certa ou ter terminado o ensino médio.
Porém, juntamente com meu pai eu a fiz ver que era necessário ter uma ajuda, afinal ela não era de ferro. Que ser humano, conseguiria cozinhar para dezenas de pessoas, limpar a cozinha, ser a garçonete, realizar entregas e ainda tomar conta dos afazeres domésticos?
Lembro que ela concordou com muita luta, mas ela me deixou trabalhar para ela sob uma condição. Ela disse que só aceitaria que eu trabalhasse por ela, desde que o dinheiro das entregas que eu fizesse fosse guardado para minha faculdade,afinal ela não queria me acostumar a ser uma mera entregadora de um simples restaurante.
Passo entre os fogões industriais que estavam organizados em fileiras, neles estavam algumas panelas cozinhando em fogo baixo.
Continuei andando, até finalmente encontrar o que estava procurando. As encomendas… Estavam todas bem organizadas em cima da mesa. Estava prestes a pegar as encomendas e sair da cozinha, foi quando ouvi uma voz em um tom autoritário.
— Espere um pouco mocinha!
Olhei para trás e vi minha mãe entrando, carregando uma bandeja cheia de pratos sujos. Ela coloca tudo sobre a pia, em seguida vem em minha direção.
— O que foi mamãe? — perguntei sem entender.
— O que foi?! — fala ela olhando para mim de forma séria — Você não pretendia sair para as entregas, sem almoçar de novo não é Anna?
— Mas eu almocei.
— Acha que pode me enganar? Olhe para você, mal tirou a farda da escola… Olha Anna, eu sei que quer ajudar… Mas se matar de trabalhar, não está me ajudando em nada!
— Mas, quanto mais entregas eu fizer…
— Não me importa a quantidade de entregas, você fará aquilo que puder e nada além. Não quero você passando mal novamente na rua, estamos entendidas?
— Sim mãe.
— Agora vá almoçar, a comida está na mesa de jantar. E não me volte, sem antes ter se alimentando — Ela leva suas mãos até meu rosto e acariciou minhas bochechas — Eu te amo.
— Também te amo, mamãe.
Saí da cozinha e fui para sala de jantar, esquentei o almoço e assim que comi. Voltei para pegar as encomendas.
Já com elas em mãos, fui até a garagem… Sim o restaurante da minha mãe ficava na garagem, ou melhor dizendo ela transformou a garagem em seu restaurante.
Assim que cheguei perto da porta e abri, pude ver eles. Os canalhas que trabalhavam para o rei da máfia. Eram três homens, esquisitos, com tatuagens pelo corpo, casacos de couro, correntes de ouro pelo pescoço, estavam armados!
— Só isso?! — reclama o homem.
— Hoje o movimento foi bem fraco, tive poucos clientes hoje — rebate minha mãe.
O homem vê com os meus olhos, o homem dá um tapa no rosto da minha mãe. Enquanto seus comparsas avançam sobre a caixa registradora e retiram o resto do dinheiro.
— Esperem, esse dinheiro não é de vocês!
— Cala a boca sua vadia! — grita o homem enquanto joga ela no chão, seguida ele saca uma pequena faca e coloca contra a garganta da minha mãe — Hoje vou me contentar em levar para o chefe tudo que você tem, mas se amanhã não tiver a cota que queremos… Vamos queimar a casa com você e sua família dentro entendeu.
Minha mãe gesticula com a cabeça, em seguida os homens saem do local.
Assim que eles vão embora eu me aproximo. Minha mãe se vira e olha assustada para mim.
— Anna, o que está fazendo aqui… Você viu tudo?!
— Sim — respondi.
Vejo ela se levantar do chão usando como apoio uma das mesas.
— Prometa… Prometa que o que vou, não irá contar para seu pai. Não quero ele se metendo com essas pessoas, são perigosas demais para ele!!! — ela diretamente nos meus olhos com um olhar sério — Vamos Anna, prometa!!! — grita.
— Prometo… — respondi em um tom cabisbaixo.
— Agora, vamos voltar ao trabalho… preciso arrumar isso antes que algum cliente apareça. Quanto a você tome cuidado ao fazer as entregas, além disso passe na academia do seu pai e leve o almoço dele Ok?
— Sim mamãe.
Vejo minha mãe caminhar, com uma certa dificuldade rumo a cozinha. Aqueles desgraçados machucaram ela.
Será que não já basta ela se matar de trabalhar, e ainda aparecem três parasitas para roubarem tudo que ela conseguiu com seu suor
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Marcia Cristina Carneiro
01/01/25/
2025-01-02
0
Mellika Duarte
lastimável
2024-05-04
1
ARMINDA
COITADA DA ANA NÃO PODE CURTIR O A+ POR CAUSA DA INVEJOSA DA REBECA.🤨🤨😬😬😬😬😬
2024-02-20
7