Estava perto, faltava um mês para o fim das aulas. Finalmente estava próxima de me livrar daquele inferno.
Os únicos pontos positivos do tempo que passei neste lugar, foi finalmente conseguir ter um histórico de prestígio para concorrer a uma vaga em uma boa universidade. Além da Emme, uma amiga que fiz no colégio, de uma forma não convencional.
Digamos que nossa amizade começou com uma troca de interesses, eu precisava de alguém para não me sentir sozinha, enquanto Emme precisava tirar notas melhores. Foi assim que nossa amizade começou e por incrível que pareça, floresceu bem. Inclusive ela revelou para mim o seu maior segredo, Emme era filha do dono da escola.
Ela explicou para mim, que seu pai não queria que pensassem que era Emme era privilegiada, só por ser filha do dono da escola.
Segundo ela, isso seria uma espécie de lição, para que ela não dependesse dos recursos de sua família para conseguir vencer na vida. Ele queria que ela conseguisse tudo por mérito e trabalho esforçado.
Quando ela falou isso eu finalmente pude entender, porque estava tão desesperada em tirar notas boas. Emme queria dar orgulho ao seu pai e mostrar que conseguiria vencer na vida através de trabalho duro.
E agora que estamos na reta final, ela está bastante ansiosa. Ela inclusive me pediu para dar aulas particulares, disse que me pagaria. Mas, óbvio que recusei, éramos amigas e eu não poderia cobrar de minha única e melhor amiga, aqui nos Estados Unidos.
Feito a prova final, após duas semanas os resultados já estavam prontos para serem entregues.
A professora, andava pela sala entregando de carteira em carteira a prova final, a prova que determinaria, se passaríamos, se iríamos pela recuperação ou se já seríamos reprovados direto.
Eu estava nervosa, não pelo resultado e sim pela Rebecca Lewis. Afinal ela bravejou pelos quatro cantos que não só passaria, mas que tiraria a melhor nota do colégio, já que seus pais tinham condições de pagar os melhores professores de reforço do mundo… E ainda fez questão de esfregar na minha cara que era algo, que meus pais não tinham condições de fazer por mim.
“E realmente era verdade”
Mas quem liga para isso? Se cheguei aqui, não precisei que meus pais pagassem professores particulares, estudei e me esforcei por conta própria!
Mas confesso que estou com medo desse resultado, Afinal vai que eu tirei a maior nota ao invés da Rebecca?! Não sei quanto seria a reação dela… Só espero que aquela orgulhosa e metida consiga o que tanto quer, que ela fique em primeiro lugar, não preciso disso se eu passar já estarei bem.
Finalmente a professora se aproxima da minha carteira,e coloca o resultado sobre a mesa. Assim que eu vejo, tomo um grande susto e fico apavorada… Afinal o meu temor se confirmou… Tirei a maior nota possível da prova.
Minha torcida era para que Rebecca tirasse a mesma nota que eu, para não me amolar.
Olho para o lado e vejo Rebecca olhando o resultado, com uma cara nada boa.
“Porque o destino está contra mim? É pedir demais um dia de sossego?!”
Eu precisava fazer algo, evitar que Rebecca visse meu resultado. Talvez conseguiria evitar uma possível confusão hoje.
Coloquei minhas mãos sobre a prova e em seguida, coloquei minha cabeça sobre elas. Enquanto isso fechava os olhos torcendo para que Rebecca, não fosse até minha carteira só para saber o resultado da minha prova.
Tudo parecia bem, parecia que eu ia escapar despercebida. Porém, sentada atrás de mim, estava Emme, ela estava eufórica com o resultado, afinal tinha conseguido a nota que precisava.
— Ai meu Deus… Olha só isso Anna?! Uma A - a nota que eu precisava para passar! — fala ela enquanto me mostra o papel em suas mãos .
— Que bom… — respondi sem muito interesse.
— E tudo isso graças a você, quero recompensar pelo que fez por mim. Se não fosse aquelas aulas particulares… O que você quer? — fala em um tom animado e eufórico.
— Nada… Estou bem.
— Deixa disso, eu quero recompensar você e não adianta recusar. Afinal o que vou te dar é irrecusável, vou te levar ao shopping… Vamos trocar esse seu guarda roupa, afinal… — ela pega o meu velho casaco que estava do lado, e seguida olha para os bolsos remendados dele — Você tá precisando.
— Obrigada de novo Emme, mas… Estou sem humor para ir ao shopping.
Emme olha para mim de forma mais analítica, deixando toda sua euforia de lado. Ela logo nota que há algo errado comigo e ao ver que eu estava cobrindo a prova, fez uma ligação errada que o pior tinha acontecido.
— Não me diga que… Não!!! Anna, foi reprovada?
— Que?! — arregalou os olhos assustada com essa alegação por parte da Emme.
— Foi minha culpa não foi? Fui egoísta te pedindo para me dar aulas, enquanto você não teve tempo para se reparar!!!
O desastre estava feito… Assim como o sangue na água atrai os tubarões, essa suposição que Emme inventou, chamou atenção da Rebecca. Que não perdeu tempo e já se aproximou de mim, trazendo com ela suas fiéis seguidoras.
— Ora,Ora, Ora… Eu ouvi o que eu ouvi? Annabeth foi reprovada? — Ela começa a gargalhar e com elas em coro suas seguidoras — Isso não seria uma surpresa, afinal era uma prova difícil. Anna precisaria de muito, mas muito preparo para ter alguma chance… Algo que os pais dela não tem condições, afinal ela é filha de uma cozinheira e um lutador fracassado! — gargalhada
Ouvir isso me fez sentir a pior pessoa do mundo, como se não valesse absolutamente nada. Minha vontade era de correr e fugir da escola.
— Se Anna, não se saiu bem, não foi culpa dela ou dos pais dela. A culpa foi minha Rebecca… Anna se sacrificou para me ajudar!
— Fica fora disso sua cabeça de vento, me surpreende de você ter conseguido essa nota. Garota burra e estúpida!
— Como é que você me chamou?! — responde Emme furiosa.
Ao perceber isso rapidamente segurei o antebraço de Emme, para que ela não atacasse Rebecca. Só que ao fazer isso deixei minha prova exposta, não exposta para Rebecca que rapidamente arrancou o resultado de cima da minha mesa.
— Agora vamos ver essa nota… — falou ela enquanto sorria de forma maliciosa.
Rapidamente tentei pegar minha filha de volta, mas fui impedida pelas amigas que cercavam Rebecca. Elas me empurraram para longe e me fizeram cair no chão.
— fica aí onde é seu lugar, micróbio imundo! — falou uma das meninas, enquanto isso as outras riam de mim como se fosse uma piada.
Enquanto isso Rebecca Lewis, lia minha prova. Sua expressão não era nada boa, era possível ver a incredulidade e a revolta.
— Isso não significa nada! — Falou ela enquanto rasgava de forma violenta o papel em suas mãos — Eu ainda sou melhor que você, garota imbecil!
Em seguida ela joga os pedaços bem na minha cara e se retira da sala. Um dos pedaços da folha cai delicadamente e de forma graciosa até o chão, assim que ele cai pudesse ver claramente o A +.
— Mas olha só… — Emme pega o pedacinho, o único pedacinho que restou da minha prova e olha para mim com um sorriso — Você passou Anna!!!
Seu tom era alegre e feliz, mas não conseguia me contagiar principalmente depois do que ocorreu. Levei minhas mãos no rosto e sequei a única lágrima que escorreu pelo meu olho, em seguida arrumei meus óculos redondos de nerd que usava na época.
— O que isso importa? Você ouviu ela, isso não significa nada. Não importa o quanto me esforcei, não importa o quanto sou inteligente… Se eu não tiver milhões na conta, sou só mais um micróbio para pessoas como Rebecca Lewis.
— Anna, vai mesmo lugar para opinião daquela garota mimada? — Emme me olha séria e de forma desafiadora — Se não fosse por esse micróbio aqui, essa garota rica aqui jamais conseguiria passar. Graças a você eu tenho um histórico bom, para concorrer a uma vaga em uma boa universidade. Além disso, que eu saiba… A vida na terra veio de pequenos microorganismos.
Ao ouvir ela falar isso, um sorriso acaba fugindo do meu rosto. Emme parecia uma nerd, falando aquelas coisas, algo que não combinava muito com ela. Uma garota loira, olhos azuis, atributos femininos invejáveis, roupas na moda, festa, além de é claro… Ela está sempre cercada de garotos, para Emme nunca faltou um flerte, uma paixonite, um ficante, amante ou mesmo namorado. E foi isso que a prejudicou muito.
— Eu não acredito que você realmente prestou atenção na minha aula de evolução de espécies.
— E não prestei, dormir uma boa parte da aula. Mas, deixei o meu celular com o gravador ligado e pude ouvir tudo mais tarde.
— Você não toma jeito mesmo…
— Eu estava cansada depois da festa que David Jones… Nossa foi muito top, tinha música….
— E garotos…
— Comida…
— E garotos…
— piscina…
— E garotos…
— Sem falar nos Garotos! — Ela dá um gritinho de animação.
— Você poderia pensar em alguma coisa, que não seja garotos?
— E o que tem de errado, em pensar em garotos, com porte físico atlético, com aqueles olhares sedutores… Taquinho… Só de pensar nisso fico molhadinha!
— Eu não acredito que ouvi isso — falo enquanto coloco a mão no rosto de vergonha.
— O que que tem?! Sabe Anna, acho que você deveria sair mais, paquerar mais, ir para festas… Você tem 16 anos e ainda é BV, BV!!! Quem nessa idade… além de você é BV?!!! — Fala como se fosse a pior coisa do mundo.
— Você vai me ajudar a reconhecer os pedaços da minha prova ou vai ficar aí falando, espalhando para Deus e o mundo que sou BV?!
— Tá bem, não está aqui quem falou — levanta as mãos em sinal de rendição.
Emme e eu terminamos de reconhecer os pedaços, quando ela olhou em direção a porta em que Rebecca tinha saído.
— Sabe o que eu acho é que você deveria se vingar…
— Não vou me vingar de ninguém Emme!
— Essa garota metida te pisa, desde o primeiro ano… Nada mais justo, agora que vamos nos formar… Você se despedir dela de maneira memorável… Se é que me entende.
— Não farei nada com Rebecca Emme, preciso ser melhor do que ela!
— Tá então… Pelo menos deixa eu fazer.Se eu falar para meu pai sobre essa cobra…
— Não irá acrescentar em nada!
— Você é muito passiva, tem que reagir. As pessoas não podem te fazer de gato e sapato!
— E não fazem.
— Será?
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Marcia Cristina Carneiro
01/01/25/essa garota tinha que levar uma lição
2025-01-02
0
Marilane Cesario
também acho que bruxa!
2025-01-31
0
Mellika Duarte
é muito difícil pra ela
2024-05-03
1