Eu me lembro muito bem daquela noite… foi terrível. Estava correndo pela rua com a bicicleta o mais rápido que podia, enquanto volta e meia olhava para trás para ter certeza que não estava sendo seguida.
Tudo que queria naquele momento era o abrigo da minha casa, meu porto seguro… Meu pai e minha mãe. Eu sabia que eles fariam de tudo para me proteger.
“Não imaginava que meu pedido se tornaria realidade”
Quando menos percebi, estava quase atropelando meu pai com a minha bicicleta. Contudo, consegui frear no último momento.
— Anna, onde estava? Estava indo…
Meu pai não tem tempo de terminar o seu sermão, pois eu o interrompi, joguei minha bicicleta no chão e o abracei o mais forte que podia.
Neste exato momento minha mãe, surge na porta.
— Anna… — Ela desce as escadas e vem me abraçar. Assim que finalizou ela olha para mim — O que aconteceu com você, onde estão seus óculos?!
Nada respondi apenas a abracei o mais forte que podia.
Após isso sou conduzida para o quarto. Meus pais então me deram algumas horas de espaço, era uma velha estratégia deles. Eles nunca conversaram comigo no calor do momento, pois sabia que não iria adiantar de nada.
Estava de pijama rosa, meias brancas e enrolada no cobertor, só esperando o momento do interrogatório.
Enquanto isso eu revisava em minha mente, tudo que tinha passado aquela tarde e as cenas horríveis que presenciei, inclusive a execução cruel do Dr. David. Que apesar de não ter o conhecido, parecia uma pessoa legal.
Escuto o barulho da porta se abrir, só restava saber quem seria o primeiro a entrar, se era o” policial bom ou o policial mal”
“O policial bom era sempre meu pai, enquanto minha mãe era sempre a policial malvada”
Vejo meu pai entrar em silêncio, em seguida ele olha para mim com carinho, em seguida se senta delicadamente no colchão da minha cama.
— Anna… Eu e sua mãe, estamos preocupados… O que aconteceu para você chegar daquele jeito?
Ao ouvir a pergunta fiquei em silêncio, afinal eu não sabia o que dizer. Não sabia o que dizer, se deveria contar tudo, não sabia como eles poderiam receber… Não sabia se eles acreditariam em mim, principalmente na parte do cientista e de sua fórmula.
Tudo bem que meu corpo sofreu algumas mudanças físicas. Mas que menina da minha idade não sofre com aumento dos seios, quadris e tudo mais?
Então resolvi apenas contar o básico e realista.
— Eu vi uma coisa horrível papai… Vi um homem sendo morto. E para piorar os homens que o mataram, me viram e tentaram me pegar.
“Uma história simples e fácil, sem loucuras, contada com sucesso!”
— Isso é ruim… — fala meu pai pensativo — Acho que devemos procurar a polícia.
— Não, não precisamos… Consegui despistar eles. Tenho certeza que se eu ficar quieta, nada pode acontecer… Eles não vêm atrás de mim. Mas, se eu procurar a polícia e falar… Eles podem me matar, não só a mim, mas a vocês!
— Anna, não podemos confiar nisso… Uma pessoa que tem a frieza de matar outra… Ela fará de tudo para ocultar seu crime, não podemos ficar nas mãos desses homens!
— Não quero me expor papai, se eu for vai ter jornalistas, nossas vidas seriam um inferno… E eu só quero minha vida do jeito que ela sempre foi.
— Se quer assim… Vou respeitar sua vontade, mas vou ficar de olhos abertos. Amanhã vou te levar na escola pessoalmente e será assim até a poeira baixar.
— Está bem.
— Boa noite filha — Ele se aproxima e beija minha testa.
Em seguida ele desliga a luz e sai do quarto.
Amanheceu, como levantei da cama, escovei os dentes, tomei banho e me arrumei para ir à escola.
Como meu pai tinha prometido, ele estava pronto para me levar pessoalmente para escola.
Já minha mãe, ela preparou um lanche “especial” uma forma de me fazer sentir bem.
Saímos de casa meu pai e eu, após alguns minutos de caminhada. Finalmente chegamos em frente a escola e a primeira coisa que vi, foi o ônibus pronto para levar todos os formandos para o parque.
Sem perca de tempo me dirigi até a fila para entrar no ônibus. Enquanto isso atrás de mim, escuto meu pai desejando um bom dia.
Na fila me encontrei com a Emme, que estava bastante curiosa.
— O que seu pai está fazendo aqui, Anna?
— É uma longa história Emme, não sei nem por onde começar… Na verdade não sei nem se devo te contar.
— Você está me provocando, sabia? Quer me deixar roendo as unhas por acaso? Vamos conta logo! — Fala ela empolgada.
— Emme… sinceramente não sei… sabe tem coisas que não devem ser contadas… Por favor entenda. É para sua própria segurança!
— Nossa que drama… Está parecendo aquelas novelas mexicanas.
Ao ouvir ela falar isso, um sorriso acaba escapando dos meus lábios. Afinal, minha vida realmente parecia ser uma novela mexicana.
— Isso é um sim, você vai contar? — Pergunta ela com uma das sobrancelhas erguidas.
— Lamento Emme, mas desta vez não. Quem sabe em um futuro…
— Está bem então… Então que tal falarmos do parque? Meu pai disse que é um lugar ótimo, uns dos melhores parques da cidade.
— Emme… Você vai nesse parque quase todo final de semana.
— E daí… Eu sempre fui com meu dinheiro, agora é algo totalmente diferente… Eu estou indo com o dinheiro da escola.
— Teoricamente a escola é do seu pai, isso torna o dinheiro da escola dele e um pouco seu também. Que diferença há nisso?
— Estraga prazeres, alguém já falou para você que é uma estraga prazeres?! — fala ela enquanto uma de suas sobrancelhas lateja — Enfim… Está com ingresso aí?
— Claro que estou… — Levo minha mão no bolso de trás da calça, porém não encontro o bilhete — Ele está bem… aqui?!
— Você perdeu o bilhete?! — Pergunta ela com a incredulidade estampada no rosto.
— Mas é claro que não — Sorrio desajeitada.
“Mas é claro que sim… Isso é um desastre onde está esse bilhete?!
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Marcia Cristina Carneiro
agora como ela vai A esse passeio é sorte ou azar ó que esperar desse passeio 2/01/25/
2025-01-02
0
Mellika Duarte
ela perdeu e não sabe onde
2024-05-04
2
ARMINDA
🤭🤭🤭🤭🤭 COMO VAI ENTRAR SE NÃO TEM INGRESSO.
2024-03-23
4