As lágrimas escorriam pelos meus olhos, estava entre meu pai baleado e o homem covarde com uma arma, que não tinha escrúpulos nenhum. Nem mesmo um de seus companheiros escapou de sua insanidade.
— Desapareça, desgraçada!!! — Gritou Joe furioso, enquanto apontava a arma em direção a minha cabeça.
Fecho os olhos e espero meu fim, mas era melhor assim. Eu preferia morrer ao ver o meu pai tomar mais um tiro.
Escuto novamente o barulho semelhante ao de fogos de artifício, em seguida um grito de dor.
Abro meus olhos, quando vejo que Joe estava com a mão sangrando, a arma que ele segurava estava no chão.
Olho para o lado e vejo uma viatura da polícia com a porta aberta, dela tinham saído dois policias com armas em punho, eles correm e rendem Joe e o algema.
Escuto barulho de sirenes e em um piscar de olhos, mais duas viaturas aparecem.
“De onde eles vieram?”
Minha pergunta parecia sem resposta, até que Emme e seu pai apareceram.
“Obrigada Emme…”
Lancei um olhar de gratidão em direção a ela e ao seu pai. Emme entendi e mexeu sua cabeça em sinal positivo.
Após isso, me dirigi ao meu pai, que estava de joelhos sangrando muito. Eu o coloquei deitado sobre o chão de concreto.
— Vai ficar tudo bem agora pai… Aguenta mais um pouco — Falei enquanto segurava sua mão o mais forte que podia.
— Anna… — Sussurrou ele, enquanto tossia.
Sinto uma mão leve tocar meu ombro, olho para o lado e vejo Emme, ela estava ao meu lado.
— A ambulância já está vindo… Falta pouco…
— Está ouvindo isso pai?! Você vai sair dessa — Olhei para ele e abri um sorriso cheio de esperança.
— Não, Anna, acabou… Eu sinto… Sinto muito filha… Mas agora você e sua mãe, terão que seguir sem mim.
— Não fala isso!
— Eu sinto minha vida… Se apagar… Como uma simples vela.
— Para de falar essas coisas… A ambulância…
— Não vai chegar a tempo filha… Eu não tomei só um tiro… E mesmo que a ambulância chegasse… não daria tempo de chegar ao hospital… Na verdade Eu já deveria ter morrido, no terceiro tiro… Mas eu não poderia morrer sem dizer… — ele levanta a outra mão com dificuldade e toca meu rosto — Que te amo filha… E quero que saiba que será assim, onde quer que eu esteja.
— Você não pode morrer, lembra… Prometeu para mim que iria me ensinar a lutar! Você prometeu para mim que iria me ensinar nas férias… O senhor não pode quebrar essa promessa.
Me lanço ao seu corpo e o abraço com toda minha força. Ele estava gelado, seu coração pulsava cada vez mais lento.
Me levantei e olhei para Emme.
— Onde está a ambulância Emme, porque está demorando tanto?!
Emme nada respondeu, estava muda. Afinal era algo que estava fora de seu controle.
Escuto um barulho forte vindo dos céus, um vento frio e gelado surgiu do nada, junto com as nuvens negras.
Sinto o corpo do meu pai ficar mole, sem forças, seus braços caem semelhantes a uma árvore cortada em direção ao chão.
— pai… — Chamei.
Ele porém nada respondeu, estava com os olhos abertos, mas eles não piscavam mais. Levei minha cabeça até seu peito, para ouvir seus batimentos… Nada, nem sequer uma pulsação.
— Não… — falei em um tom de incredulidade.
Me levantei do chão desesperada, sem saber o que fazer, meu chão, meu mundo, tinham desaparecido. Consumidos e engolidos vivos, por um breu infinito.
— Essa ambulância está demorando demais… Eu mesma vou carregá-lo até o hospital!
Segurei o corpo do meu pai com todas as minhas forças, tentei puxá-lo, mas mal consegui movê-lo. Emme observa com uma lágrima no rosto, minhas tentativas desesperadas.
Até que ela finalmente se levantou do chão, tocou em meu ombro e olhou diretamente nos meus olhos.
— Anna… Acabou… É tarde demais. Sinto muito!
— Não… Ele ainda está aí, está aí dentro…
— Anna, o que está aí é só o corpo do seu pai. A alma dele já se foi e não há como trazê-la de volta.
Eu sabia que aquelas palavras eram verdade, mas eu me recusava aceitar… Afinal ele tinha me deixado na escola alguns minutos atrás e agora…
Eu já não podia mais me conter, não conseguia mais segurar a Dora avassaladora que se abatia em minha alma. Então deixei ela sair, gritei como nunca tinha gritado antes enquanto isso as lágrimas escorriam pelo meu rosto.
Emme me abraça, na tentativa de me confortar. Mas nada pode fazer isso, nada pode substituir esse vazio, nada poderia tapar o buraco que foi aberto… Só existia um Richard Cruz e ele se foi para sempre.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 91
Comments
Mellika Duarte
muito triste
2024-05-05
0
Ana Silva
Que tristeza 😪😪😪😪😪😪😪😔😭😭😭😭😭😭😭
2024-04-19
0
ARMINDA
😪😪😪😪😪😪😪😪😪😪😪😪😪😪😪
2024-03-23
2