Olhava o céu através da janela da delegacia, estava chuvoso, nublado, raivoso… Aquela tempestade parecia refletir, tudo que sentia naquele momento.
— Annabeth?
Olho para o lado e vejo, Emme com um copo de chocolate quente na mão.
— Não quero nada Emme… — respondi de maneira seca, mas não tão seca quanto estava por dentro.
— Sua mãe está vindo, ela está tentando chegar aqui… Mas, está difícil. Meu pai foi buscá-la, logo os dois vão estar aqui.
— Obrigada Emme…
— Não agradeça, é o mínimo que poderia fazer… Afinal, foi você quem me ajudou desde o primeiro ano. Se meu pai me olha com orgulho hoje e não mais como, uma menina mimada, patricinha ou estorvo, é graças a você — Ela segura minha mão.
Assim que Emme termina de falar, vejo minha mãe invadir a delegacia desesperada. Ela estava, com os cabelos bagunçados e molhados, suas roupas estavam abarrotadas e também molhadas.
— Finalmente… — É a única coisa que ela fala, em seguida ela me abraça com toda sua força — Você está bem? — fala ela ao meu ouvido.
Eu não respondi nada, apenas fiquei em silêncio, pois não estava com coragem para falar o quanto estava destruída por dentro.
Ela por sua vez, finaliza o abraço e olha no meu rosto, esperando uma resposta.
— Você soube do papai? — falei, enquanto tentava segurar minha emoção.
— Soube… Eu… Eu… Tentei vir o mais rápido que pude Anna… Mas as ruas estão um caos, com essa chuva… Me desculpe por te deixar sozinha nesse momento, de não estar… — para de falar.
Olhando nos olhos da minha mãe eu podia ver, o quanto ela se sentia culpada. Ela se sentia culpada por não estar lá, quando aconteceu… Eu podia ver o quanto se sentia irresponsável, ausente… Mentiras criadas por ela mesma, criadas pelo seu instinto materno, criadas por sua auto cobrança.
— Você está aqui mãe, não se culpe… — olho raivosa em direção ao gabinete do delegado — Nessa história só tem um culpado!
Assim que terminou de falar, vi Joe e Leandro saírem do gabinete algemados e conduzidos por quatro polícias.
— Foram eles, não foi? — pergunta ela.
Respondo apenas acenando com a cabeça, enquanto isso trincava os dentes.
— Anna… — Minha mãe coloca a mão no meu ombro — Eles vão ter o que merece, eu sei que está com raiva… Eu também estou! Mas, me prometa que não deixará a raiva se transformar em veneno.
— Raiva? Veneno? Só que está falando?! — perguntei confusa.
— É natural ter raiva Anna, principalmente quando coisas como essas acontecem… Partir de hoje seremos só nós duas, inicialmente será impossível não lembrar, será impossível não ter raiva… Mas vai ter uma hora que vamos ter que seguir em frente… E essa raiva vai determinar qual caminho vamos tomar. Se iremos superar e seguir em frente, ou se ficaremos para trás, com o passado nos assombrando… Pensando em uma única coisa… Vingança, esse é o nome do veneno, vingança.
Ao ouvir isso senti… algo estranho, como se fosse uma espécie de frustração. Eu estava com muita raiva e a única coisa que pensava era em revidar, fazer Joe pagar pelo que fez. Aquele cretino merecia isso, merecia morrer… Olho por olho dente por dente!
Ao ver minha relutância, minha mãe começa a me balançar, na tentativa de chamar minha atenção.
— Anna, prometa que não vai destruir sua vida por causa de vingança… Acabou… Ele vai ter o que merece!
— Não é suficiente! — respondo de maneira seca.
Ao ouvir isso minha mãe fica calada, provavelmente queria me dar espaço para pensar. Algo que não tive ao decorrer do dia.
Precisei dar o depoimento ao delegado, precisei ir juntamente com minha mãe reconhecer o corpo. Tive o desprazer de reconhecer o assassino do meu pai, além disso tivemos que organizar… Ou melhor dizendo tentar organizar um funeral digno. Quando voltamos para casa, já era bem tarde.
— Vou para cozinha Anna, quer que prepare alguma coisa para você?! — perguntou minha mãe.
Porém eu nada respondi, apenas subi para meu quarto. Tudo que eu queria naquele momento, era realmente ficar sozinha. Ela entendeu realmente isso e deixou que eu subisse para meu quarto.
Assim que entrei, fechei a porta atrás de mim… Senti uma esmagadora sensação de vazio.
Olhando para a decoração do meu quarto, os postes de bandas que gostava, os bichos de pelúcia que ainda possuía… Nada fazia mais sentido para mim.
Em minha mente a única coisa que se passava, era o desejo de justiça, justiça genuína. Não era justo para mim que Joe pegasse anos na prisão e depois saísse por aí, livre como se não tivesse acontecido nada. Desejava do fundo do meu coração que ele morresse e se fosse pelas minhas mãos seria melhor ainda.
“Mas quem estou querendo enganar? Não conseguiria fazer isso nem em um milhão de anos”
Dei um soco forte na parede… Mas não foi qualquer soco, foi um soco que conseguiu atravessar a parede.
Olhei para minha mão, depois olhei para o buraco na parede. As lágrimas escorreram pelo meu rosto, meus dentes trocaram, meu sangue fervia!
— Agora? Só Agora?! — Gritei furiosa.
“Onde estavam esses poderes quando mais precisei?”
Revoltada, sai quebrando tudo que estava na minha frente, rasguei os postes da parede, arranquei as cabeças dos bichinhos de pelúcia e quebrei alguns porta-retratos além do meu despertador.
Já estava ofegante, olhei para a parede onde fica o banheiro e dei um soco mais forte, esperando que acontecesse o mesmo que aconteceu alguns minutos atrás. Mas ao invés de furar a parede, acabei machucando minha mão, quase que quebrando ela.
A dor era insuportável, mas eu não queria gritar… Não queria que minha mãe visse aquilo. Então peguei o travesseiro e mordi com todas as minhas forças, uma forma de descontar e de expor a dor em minha mão.
Quando a dor aliviou, olhei para minha mão, ela estava vermelha, arranhada e sangrando em uma quantidade mínima.
Eu não entendia… De uma hora eu consegui furar uma parede como nada, mas momentos depois quase que quebrei minha mão?
“O que há de errado comigo?”
Olhei para o chão e vi um porta retrato, mas não era qualquer retrato… Era o retrato da minha família, quando chegamos nos Estados Unidos.
“Éramos tão felizes…”
Peguei o porta retrato que estava rachado, e ao ver mais próximo a imagem, foi inevitável as lágrimas rolarem mais uma vez.
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Atualizado até capítulo 91
Comments
Marcia Cristina Carneiro
2/91/25/A dor é monstruosa mais passa com o tempo
2025-01-02
0
Mellika Duarte
o coração dela está sangrando
2024-05-05
0
ARMINDA
ANABELE ESTÁ REVOUTADA. E MUITO TRISTE.😪😪😪😪😪😪😪
2024-03-23
4