capítulo 4

Após presenciar aquela cena, só tinha uma coisa na minha cabeça… desejo de fazer justiça, de me vingar daqueles homens. Era injusto demais, errado demais, revoltante demais!!!

Minha cabeça estava tão cheia, que mal percebi que tinha chegado a minha primeira parada. Academia de artes marciais do meu pai. quando dei por mim, estava quase atropelando um homem que tinha acabado de sair de um mercadinho que ficava ao lado da academia, apertei os freios com toda minha força parando a bicicleta bruscamente. 

— Sua doida, cuidado por onde anda! - gritou o homem furioso.

Quanto a mim parei e tentei respirar lentamente, na tentativa de me acalmar. me debrucei sobre guidao.

“Esse dia nao tem como ficar pior”

Olhei em direção a fachada da academia do  meu pai, como lá em casa, as coisas também não estavam muito boas. a tinta estava descascando pouco a pouco, alem disso ja era possivel ver os tijolos vermelhos de forma exposta, a única coisa que se salvava era a placa.

“ e agora o que faço?”

Meu desejo de me vingar daqueles homens, ve-los levarem uma surra de um homem de verdade, de alguém que conseguisse realmente se defender invadia minha mente. Eu queria ver eles implorarem, chorarem chamando pela mãe deles. o único que conseguiria isso era meu pai, que apesar de ter uma séria lesão na perna luta muito bem, talvez ele seja o melhor lutador que já vi. 

“Mas, eu prometi à minha mãe que não contaria… Pode ser perigoso. Não posso deixar a raiva tomar conta de mim, colocando uma pessoa que eu amo em risco!”

Mentalizei essas palavras na cabeça enquanto descia da bicicleta, amarra no poste e até o momento que eu entrei no local. 

Mal coloco meus pés na academia e já podia ouvir os gritos ferozes dos alunos, meu pai provavelmente estava no meio de uma aula, então resolvi me aproximar de forma sorrateira e ver a aula.

Me escondo atrás de um dos sacos de pancadas, e vejo os alunos em fileira imitando os movimentos do meu pai. A seguir ele ordena que os alunos formassem duplas para treinarem o golpe que ele tinha acabado de ensinar. Ele então os observa atentamente e os corrige de um a um.

Ver aquilo me deixou empolgada, me fez esquecer os problemas. Eu olhava atentamente os movimentos dos alunos e enquanto isso os imitava.

“Acho que deve estar no meu, lutar está no meu sangue!”

Olhei diretamente para o saco de pancadas a minha frente, e imaginei a rebecca lewis, aquel;es criminosos e tudo de ruim que tinha acontecido hoje. me coloquei em posição de luta e me preparei para dar um chute… Foi a coisa mais idota que fiz.

No fim, acabei errando o chute e ainda por cima escorreguei e cai de bumbum no chão. Para piorar, essa cena acabou chamando atenção do meu pai e dos alunos da academia, ao perceber isso fiquei completamente vermelha de vergonha.

“Eu estava enganada, o dia tinha como piorar sim”

— O que estão olhando? - pergunta meu pai com um olhar sério e autoritário — Por causa disso, vocês irão pagar 100 flexões agora mesmo!

Todos os alunos fazem uma reverência, em seguida se colocam na posição de flexão e começam o exercício.

Enquanto isso meu pai se aproxima de mim com um olhar sério. Parecia que eu iria levar uma bronca por ter atrapalhado a aula dele.

Inclinei minha cabeça para o chão, estava decepcionada comigo mesma. Afinal, o que eu estava pensando quando tentei imitar os alunos do meu pai? Todos eles são atletas. Enquanto eu, sou uma nerd desajeitada, uma patinha feia.

“Sou uma decepção!”

— Você está bem filha? - fala uma voz grave e suave, que soava semelhante a uma brisa suave.

Levantei minha cabeça para cima, a primeira coisa que vejo é seu olhar carinhoso e preocupado, enquanto oferecia sua mão para me erguer.

levei minha mão até a dele e em um movimento único, ele consegue me erguer do chão. Assim que estou cara a cara com ele, ajeitei os óculos redondos no rosto e baixei minha cabeça, estava muito envergonhada para olhá-lo diretamente nos meus olhos.

— Me desculpe pai, eu o envergonhei na frente de seus alunos -— falei em um tom baixo e melancólico.

— Você está bem? - pergunta ele firme.

— um pouco dolorida… Mas sim estou bem - esfrego um dos meus braços.

— Isso é o suficiente, então, não precisa pedir desculpas… acidentes acontecem todos os dias com todas as pessoas.

— Claro, mas agir como uma idiota aumenta as probabilidades de acidentes. Olha para mim, sou desajeitada, magricela, baixinha e quatro olhos.

Meu pai desviou seu olhar, ele parece pensativo com algo. ele suspira, em seguida volta olhar para mim.

— Anna, sabe porque eu amo artes marciais?

— Porque é bom quebrar a cara dos outros?

Ao ouvir minha resposta, meu pai entra em uma crise de gargalhada.

— Isso é meio verdade… Mas, também porque as artes marciais podem ser aprendidas por todos, não importa seu tipo físico, sua altura ou sua classe social.  Uma coisa que aprendi e que as lutas são vencidas aqui — Ele coloca suas mãos na minha cabeça, indicando meu cérebro — É preciso estratégia e inteligência para se vencer uma luta… em minhas viagens na minha época como lutador itinerante, eu vi de tudo, lutadores gigantescos sendo derrotados por lutadores com um físico bastante inferior e às vezes com um único golpe!

—  Então o senhor acha possível que eu… — Ele me interrompe.

— Sim, eu acho… E quando você entrar de férias vou provar isso.

— Vai mesmo me treinar?! — falei empolgada.

— Eu sei que deseja ter outra profissão Anna, afinal foi sempre seu sonho ser uma advogada. Mas eu posso ver que você também ama artes marciais, afinal está no seu sangue… Chegou a hora de te ensinar, de passar meu conhecimento de luta, assim como o meu avô passou para meu pai, que passou para mim.

— Que legal, obrigada pai!

Corro até ele e dou um abraço forte, em seguida sai correndo em direção a rua para continuar minhas entregas, afinal estava bastante atrasada. Porém, antes que pudesse subir na bicicleta, meu pai surgiu correndo de dentro da academia.

—  Anna, meu almoço! — gritou de forma desesperada.

— Droga é verdade — Dou um leve tapa na cabeça.

Entrego o almoço do meu pai, desamarro a bicicleta e continuo fazendo as entregas normalmente.

Era já 13:18 da tarde, o sol estava de rachar, estava com muita sede e precisava de água. Porém, ainda tinha uma ultra entrega, em uma parte da cidade que nunca tinha ido antes.

Ao chegar ao bairro, pude ver várias casas deterioradas e abandonadas, com pichações nas paredes e símbolos de gangues pequenas. A rua não era muito movimentada, o vento era gelado e arrepiante.

— Quem moraria em um lugar como esse? 

Segui pedalando olhando para todos os lados com cautela, afinal aquele bairro era estranho demais, com pessoas estranhas e mal encaradas. Eu sentia que se desse o menor vacilo, provavelmente acordaria debaixo de sete palmos abaixo da terra.

Após alguns minutos finalmente encontrei o endereço do cliente. Olho intrigada ao ver que a casa desse cliente era pior que as demais, paredes com reboco caindo, tábuas nas janelas, vidros quebrados, teias de aranha, teto com buracos visíveis, além da grama morta e seca.

“Será que realmente mora alguém aí?

Desci da bicicleta e caminhei em direção a porta, quando cheguei em frente a ela. Levei meu punho para bater na madeira, mas neste momento hesitei, estava com medo… Aquela casa tinha uma aura sinistra, não sabia o que me aguardava e quem estava dentro daquele local. Poderia ser algum doente, psicopata ou um criminoso perigoso, até mesmo um fugitivo da polícia.

“O que devo fazer? Não posso deixar de fazer essa entrega!”

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Comments

Alisa TorYos

Alisa TorYos

Oxi....
Algo não faz sentido, os dois tem lojas próprias, mas não tem dinheiro nem para pintar.
Estão sendo tão roubados assim? Porque senão teriam sim dinheiro para uma pintura descente nem só fosse nas lojas.
Porque se as lojas não estivessem indo bem em questão de clientela e dinheiro, já teriam decretado falência....kkkk

2025-03-11

1

Marcia Cristina Carneiro

Marcia Cristina Carneiro

vai VC terá muitas surpresas 2/01/25/

2025-01-02

0

Mellika Duarte

Mellika Duarte

não tenha medo menina

2024-05-04

2

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