Reagrupar

Atrás deles, havia um som grupal do bater de asas agitados que lembravam moscas... é isso mesmo, uma sala cheia de moscas gigantes.

Subaru e Crusch haviam derrotado o dragão negro, cujo Akashi tentou proteger, que permanecia imóvel no chão do lado de fora, e mesmo assim diante dele uma garota sorridente pisava sobre o corpo adormecido de Crusch com uma gargalhada estridente e maldosa.

Riso sinistro, um tom sardônico. A pessoa na frente de Subaru era sem dúvidas Capella Emerada Lugnica. Os olhos de Crusch reviraram ao branco quando ela foi pisoteada pela garota.

Subaru: O que… o que é isso?

– Seu corpo inteiro começou a formigar sentindo um frio na espinha.

Akashi: Era o que eu queria avisar, mas vocês não me deram ouvidos!

Capella: Você realmente precisa de um tempo para pensar sobre isso? Uma escória como você não precisa se preocupar com essas coisas — a melhor coisa a se fazer é prestar atenção na realidade à sua frente! Você viu uma bela donzela indefesa! Mas sua verdadeira identidade é um dos Arcebispos do Pecado do Culto da Bruxa.

Enquanto a mente de Subaru tremia, Capella dançava, mostrando sua língua com uma reação zombeteira para Subaru.

Capella: Você não achou nada estranho e incomum por aqui? Em vez de se perguntar do porquê de existir uma criança na prefeitura sobre o encalço de um dragão, você apenas cogitou a ideia de salvá-la sem nem hesitar. Que linha de pensamento decepcionantemente estúpida! Esse seu amiguinho estava alertando da burrice que vocês estavam fazendo, e mesmo assim, vocês dois prosseguiram até que resultasse nisso! Seus tolos! Idiotas! São tão patéticos que dá até pena!

Subaru: C-Cale a boca já! Antes de qualquer coisa, mova seus malditos pés de cima dela.

Capella: Hmm? Você já está tão cativado pelas minhas pernas que já cedeu? Ou você está preocupado com essa porca que está agora lambendo meus pés? Na verdade, ela tem um corpo adorável~. Será que não consegue se conter? Seriam esses os seus desejos imundos falando mais alto ou algo assim? Kyahahaha~!

Subaru: Sua vadia! Desgraçada! Não somos apenas meras criaturas quaisquer para você pisar! Akashi, faz alguma coisa!

Akashi: Eu não posso agir de maneira brusca enquanto a dona Crusch estiver alí, desde quando ela transformou aquela pessoa num dragão em meio a nossa batalha, eu estou completamente a mercê dela... se eu a atacasse antes, a pessoa convertida em dragão morreria, e se eu a atacar agora, a dona Crusch pode acabar morrendo!

Subaru: Que merda!

Capella exibia uma expressão de êxtase, e seu calcanhar continuava a pisotear Crusch. Em resposta às suas ações atrozes, as veias saltaram da testa de Subaru em irritação.

A parte inferior de seu corpo ficou tensa, pronto para iniciar um ataque. E vendo isso, Capella soltou um riso; mas Subaru não era imprudente e tolo a ponto de atacar sem uma estratégia, avançando às cegas, ele entendia o que Akashi queria dizer e não iria cometer um erro tolo daqueles, sendo mais fraco que todos alí.

Se Crusch que não tinha suas memórias ainda era uma guerreira temível, suas habilidades havia sido garantidas por Wilhelm. E, no entanto, nos poucos segundos que ela avançou, ela perdeu sem qualquer resistência.

Então isso queria dizer que a força do Arcebispo estava em um nível elevado do que a de Subaru, e para Akashi não ter agido pra desferir uma speedblitz nela, talvez a oponente seja formidável para ele também.

Subaru precisava resolver a situação sem envolvê-la em combate.

O mais sensato a se fazer era criar um plano de fuga e, assim, levar Crusch para Julius e os outros para que ela fosse tratada.

Cabia a ele arquitetar uma fuga, abandonando sua missão no processo, mesmo que eles ainda não tivessem conquistado absolutamente nada.

Embora eles provavelmente falhariam em interromper a transmissão, aquela missão não valeria suas vidas.

E também ele não havia encontrado nenhuma das pessoas que deveriam resgatar, pelo menos não nesse andar.

A única conclusão, a que ele chegou, era que não havia forças de combate suficientes para retomar a prefeitura em segredo. Portanto, Subaru não hesitou…

Subaru: Akashi... fica esperto!

Capella: Hein?

Subaru: Raaa!

Capella exalou surpresa com a reação repentina de Subaru.

Irritado, ele lançou seu chicote. Seu alvo não era Capella, mas sim uma prateleira na parede lateral. Ele encontrou um busto de metal grande suficiente para ser abraçado por dois braços e envolveu nele seu chicote, e sacudindo habilmente seu braço, ele puxou o objeto em direção à Capella.

Subaru agora empunhava em seu chicote um redemoinho de metal que avançava na direção de seu oponente em alta velocidade.

Para bloquear ou fugir, ela precisaria tirar os pés de cima de Crusch, saindo de cima dela; Subaru aproveitaria esse momento para salvá-la.

Subaru: Pegue isso!

Capella: Eu irei.

Subaru: Aah?

Em resposta aos gritos frenéticos de Subaru, Capella respondeu com uma calmaria em suas palavras casuais.

O som de um objeto duro encontrando osso e carne foi acompanhado por sangue jorrando da testa de Capella, que havia sido totalmente dilacerada. O interior de seu couro cabeludo era visível, e o sangue esticou suas bochechas rasgadas. Agora Subaru não conseguia mais encarar aquele rosto que à pouco era fofo.

Seu olho esquerdo estava meio destruído e a luz que dava vida às suas pupilas havia desaparecido. Esta situação momentaneamente inesperada deixou a mente de Subaru em branco.

Sua ação tinha a intenção de criar uma distração para seu inimigo, no entanto Subaru foi pego desprevenido, e um Arcebispo obviamente não iria deixar um acontecimento desses passar.

Capella: Você não é nem um pouco fofo ao pensar que eu caíria direitinho na palma de sua mão. Essa estupidez é realmente um problema pra você! Kyahahaha~

A zombaria de Capella ecoou nos pensamentos congelados de Subaru.

Akashi: Hã...? Isso é ruim!

A garota se virou para encarar ferozmente a figura do rígido Subaru e, no momento seguinte, uma força invisível, junto com uma rajada de redemoinho negro o atacou, tendo Akashi saltado em frente de Subaru e cruzado seus braços de frente ao golpe para defender, porém isso mandou-os voar pelos ares abruptamente.

Subaru: Gah!

Akashi: Ugh!

Quanto mais o miasma de Nazgaroth se intensifica, mais poderosa Capella estava se tornando, e Akashi já não podia fazer muito naquela situação... sendo incapazes de cansa-la e arrancar o miasma de seu corpo, a dupla precisava agir de alguma forma, porém...

Ainda que Akashi defendesse, atingido por uma força gigantesca, o lado direito do corpo recebeu um golpe e ambos foram jogados em uma mesa antes de caírem e rolarem no chão. O corpo inteiro de Subaru tremia devido ao impacto, ele ficou em pé vigorosamente, apoiando-se contra a parede. Akashi já se reerguia e suspirava pesado. O que ele viu a seguir foi…

Capella: O que foi? Você está tão surpreso com minha adorável beleza que mal consegue se levantar?

Subaru: O-O que aconteceu?

Capella: Você realmente tem que perguntar?~ Pelo menos uma vez nessa sua vida inútil use seus olhos!

Akashi: Da mesma forma que você, antes, se tornou um dragão... e gerou esse braço draconico. Você pode fazer uma coisa dessas também, é de se esperar de uma aberração como você.

Diante das palavras de Akashi, Capella balançou seu corpo alegremente, e Subaru não conseguia articular nem sequer um grito de angústia. Ele finalmente percebeu o que tinha os atacado, era a cauda de um dragão, que brotou de trás da garota. Essa aparência desconcertante se agravou na consciência de Subaru.

Subaru: Ou seja, com isso dito, você… poderia ser um dragão?

Capella: Certo~ pelo jeito seu cérebro podre e desesperado não conseguiu chegar à verdade mesmo após o impacto, e bastou pro rato patético ao seu lado raciocinar primeiro. Mesmo depois de uma dama como eu ter dado tantas dicas, você não foi capaz de chegar a uma conclusão, que carne inútil!

Capella balançou o rabo levemente enquanto Subaru examinava sua fisiologia. A longa cauda deu uma varredura feroz, e o chão se rachou mesmo antes de Subaru poder se jogar de lado a tempo de se esquivar.

Com um movimento ágil e preciso, Akashi avançou em direção a Capella, brandindo sua espada com uma determinação feroz. A lâmina, um reflexo carmesim de sua resolução, foi recebida pela palma draconica de Capella, que não apenas a segurou, mas a fez parar completamente com um sorriso zombeteiro.

Capella: Que odor nauseante... Afaste-se, verme desprezível!

Akashi, sem se deixar intimidar, pronunciou as palavras mágicas com uma voz que reverberava poder:

— El Gravita!

Imediatamente, a espada de Akashi foi envolvida por uma aura roxa intensa, distorcendo o ar ao seu redor e criando ondas de choque gravitacionais. Capella, surpresa, viu seus olhos se arregalarem enquanto ela e Akashi eram violentamente arremessados em direções opostas, seus corpos chocando-se contra as paredes com um impacto estrondoso. Essa era a magia de gravidade que Akashi havia aperfeiçoado durante seu treinamento com Cygnus, em Lye, canalizando suas memórias e o vasto conhecimento mágico que possuía, mesmo com o cristal carmesim desativado.

Subaru, ansioso, questionou,

Subaru: Você a atingiu?

Da nuvem de poeira que se formou, emergiu a voz de Capella, carregada de desprezo e arrogância.

Capella: Oh, que tolos ingênuos vocês são! Pensar que um truque tão medíocre poderia afetar uma entidade de minha estatura... Vocês realmente são como insetos, patéticos e sujos, acreditando em suas próprias ilusões de eficácia!

Akashi, recuperando-se do choque, respondeu com hesitação,

Akashi: Parece que... não foi suficiente...

Subaru: Droga...! WAAH!

Enquanto ele saltava para longe, mais uma vez foi chicoteado pela cauda do dragão e lançado no ar colidindo em um impacto violento contra o teto. E finalmente quando estava prestes a se chocar contra o chão, foi cortado por uma asa emplumada.

Tossindo violentamente quando o impacto o fez rolar pelo chão, ele testemunhou a verdadeira face do terror que havia o atacado.

Akashi: Sua maldita...!

Capella: Agora, vocês devem ter quase chegado a alguma resposta, certo?

Agora onde antes havia apenas uma cauda negra, juntamente de um punho monstruoso e que lembrava um punho de dragão. Além da cauda, finalmente um par de asas de pássaros longas o suficiente para que as penas afiadas cortassem totalmente o corpo trêmulo de Subaru.

— Um alienígena. Era o que vinha à mente ao testemunhar a criatura na sua frente.

A cauda de um dragão, o punho de uma besta, e as asas de um grande pássaro — tudo isso em apenas uma única garota.

Subaru não conseguia pensar em nenhuma outra palavra para descrevê-la. Uma descrição quase perfeita para a criatura que não deveria existir pode ser dada como a sensação de aversão física.

Ele não conseguia sentir nada além de nojo do monstro diante de si.

Subaru: Variação, transformação…

Capella: Eu sou o Arcebispo do pecado da Luxúria, Capella Emerada Lugnica. Todo o amor e respeito presente neste mundo existe apenas para ser monopolizado por mim. Se alguém me ama, e por mais anormal que seja esse desejo, eu irei corresponder tal sentimento. Então, resumindo, sou a personificação de todos os tipos de virtudes e beleza do mundo. Qualquer garota que corresponda à suas preferências eu posso me tornar. Eu sou uma mulher obediente, não sou? kyahahaha…

Se uma pessoa corresponder às suas preferências, ela poderia se tornar essa tal pessoa. Esse era o caráter distorcido de Capella.

Akashi: Eu sempre acreditei em personalidade sobre beleza, e você... tem uma personalidade terrível, digna de um verdadeiro monstro!

Capella: Oh, seu pedaço de carne podre! Você realmente acha que pode me definir com suas palavras limitadas? Eu sou uma donzela, uma verdadeira dama que pode alcançar o que quiser. Eu sou a escuridão que se esconde atrás de cada desejo, a verdadeira face do amor que se recusa a ser domada. Você fala de personalidade como se fosse algo fixo, algo puro, mas, a beleza da minha existência está justamente na capacidade de ser tudo e nada ao mesmo tempo. Eu posso ser a doçura em um dia e o veneno no outro, e é isso que me torna verdadeiramente magnífica. Então, continue com suas ilusões de moralidade e virtude, enquanto eu me deleito na vastidão do meu próprio ser. Kyahahaha…!

Akashi: Que porra que você está falando?

Enquanto seguia dizendo balela, Capella se virou para encarar Subaru e começou a mudar livre e rapidamente de forma.

Ela mudou sua forma anormal para voltar a ser a adorável garotinha novamente. No entanto, após sua forma original, ela começou a formar o corpo de uma outra figura. O corpo adulto de uma mulher adulta surgiu diante dos olhos de Subaru e Akashi. No momento seguinte, tornou-se uma donzela com um sorriso lascivo e obsceno.

Capella: Então? Agora vocês gostam de mim? Ou ainda sou um monstro aos seus olhos?

Sem palavras, eles não conseguiam dizer nada. Com apenas um olhar, eles perceberam que essa era a pior situação. A mais terrível.

Ela era uma profanação dos valores humanos. Nesse sentido, sua habilidade era óbvia. O poder da Luxúria era profanar e pisar em vários valores para que ela fosse a única coisa amada no mundo.

E, com apenas um olhar, Subaru viu que a ferida que destruiu seu rosto, havia sido curada há muito tempo, sem deixar um vestígio de um arranhão sequer.

Sua terrível capacidade de se regenerar — ou melhor, sua capacidade de se transformar já havia curado seu rosto de seus antigos ferimentos há muito tempo. De qualquer forma, agora ele finalmente compreendeu o mistério do dragão e da garotinha. De início ele pensava que Capella era igual Petelgeuse, que podia usar o corpo de outras pessoas… mas como esse não era o caso, então…

Subaru: Espere…

Capella: Você finalmente entendeu?

Se esse não era o caso, então o que aconteceu com o dragão negro e o som de moscas gigantes presas na sala de transmissão, logo atrás deles?

Subaru: Espere! Espere, espere, espere, espere! Akashi, você disse que ela transformou uma pessoa naquele dragão?!

Akashi: Assim que entrei aqui, ela estava com um refém, e após eu tentar detê-la... ela conseguiu se aproximar dele e o transformou naquele dragão que atacaram... eu não pude mais agir desde então.

Como se ela tivesse lido os pensamentos mais íntimos de Subaru, a expressão de Capella mudou para uma expressão zombeteira, e ela riu.

Ela se transformou em uma senhora de cabelos compridos, e até mesmo o tom de sua risada mudou.

Nessa situação, onde ele não tinha certeza com quem estava falando, Subaru balançou a cabeça descrente. Não podia ser isso, era impossível, nunca poderia ser de fato verdade.

No entanto, se ele realmente estivesse certo, tudo que aconteceu até agora poderia ser explicado. A Luxúria de Capella permitiu que ela mudasse e transformasse seu corpo.

E segundo as informações de Akashi, essa habilidade é eficaz em outros objetos que fossem além de seu corpo físico…

Capella: Será que o seu cérebro inundado percebeu a identidade daquelas moscas nojentas, na sala ao lado?~

Subaru: Eles… eles são…

Capella: Hmm~Hmm~ Apresse-se e me dê sua resposta, eu ouvirei você atentamente, você também revoltadinho, já que decifrou tudo tão rápido. Gahahahaha~

Capella cobriu a boca com a mão e riu.

Odiando essa atitude do fundo do seu coração, Subaru falou com a voz trêmula,

Subaru: E-Eles são as pessoas desse prédio que você transformou.

Capella: Correto~ mas você foi bem lento, então não te darei elogios. E também não darei nenhum agradecimento~. Escória inútil, por que você existe?

Subaru: Essas falas são minhas!

Capella não parecia nem um pouco culpada por suas atrocidades.

Desnecessário dizer que ela apenas enfiou aquelas pessoas inocentes dentro daquela sala escura. Quando seus ouvidos se atentaram, Subaru escutou suas asas, que não eram capazes de voar, batiam desesperadamente na sala logo atrás, cuja era a sala de transmissão, emitindo um zumbido alto.

— aquelas pessoas deviam estar pedindo sua ajuda naquele momento.

Subaru: Tem algo de errado com essa sua cabeça… Como você pode fazer uma coisa dessas! Por que você faria algo assim? Transformando as pessoas em moscas! Por quê?

Capella: É horrível, não é?

Subaru: É mais do que isso, está além da distorção! Você…

Capella: Talvez seja só porque eu não tenha escolha a não ser criar criaturas nojentas como eles~?

Novamente, Subaru não conseguiu encontrar palavras para responder e diante dessa frase absurda, ele permaneceu calado.

Com respirações ásperas e cerrando os dentes, Subaru se fixou nela com um olhar ardente e intenso de ódio, como se tivesse intenção de matá-la.

Com um gesto deliberado, Akashi deixou cair a parte superior de seu kimono, revelando uma camisa preta que delineava seus músculos definidos. Era um sinal claro de sua intenção, assim como Cecilus se descalçava para lutar com seriedade, ou quando Reinhard desembainhava sua espada, Akashi liberava seus braços, preparando-se para o combate com a mesma seriedade e determinação para derrotar a inimiga.

Ela, que brincava com a vida das pessoas como se fossem meros brinquedos, transformando-as em moscas por mero capricho, cometia atrocidades que ultrapassavam os limites de um simples assassinato. Era um jogo perverso que desafiava a própria essência da humanidade.

Em poucas horas, Subaru havia conhecido quatro Arcebispos, e todos eles eram escória, que zombavam da humanidade cruelmente.

A alucinada Sirius, que era uma mulher louca que manipulava as emoções e sentimentos dos outros e ansiava por um amor egoísta.

O ganancioso Regulus, que impôs seus próprios valores acima dos outros com toda sua razão distorcida.

A Gula, Alphard, que roubou as memórias e a existência das pessoas, o que era o pior tipo de veneno existente para a humanidade.

E a Luxúria, Capella, que era um monstro que destruiu a dignidade e a identidade humana pisando em seus caráteres. Eles estavam todos desesperados, culpados de loucura.

Vendo o silêncio entediante tomar conta do lugar, Capella fez uma carranca. E vendo a reação de nervosismo de Subaru e a seriedade silenciosa de Akashi, no segundo seguinte, ela falou em um tom de zombaria,

Capella: De fato, é chato e nojento.

Enfentando a ira de Subaru, Capella deu um sorriso desagradável.

Ela bateu palmas apontando para a sala de transmissões.

Capella: Quando você olhar para aquelas moscas gigantes, você sentiria uma terrível sensação de nojo, não é? E claro, não importa quem olhe para essas criaturas horríveis.

Subaru O que isso…

Capella: Todas as pessoas sentem nojo dessa feiúra. Essas criaturas se tornaram insetos que eu não suporto ver. É claro que ninguém os amaria.

Subaru: E o que você está querendo dizer?

Capella: Os seres humanos são criaturas que não podem viver sem amar ou serem amados. Mas quando alguém querido se torna essas criaturas desagradáveis, não importa o quanto eles desejam ou queiram, eles simplesmente não podem amá-los. Nesse caso, eles precisam redirecionar seu amor para os outros. Não importa o quão relutante eles sejam, eles simplesmente não podem amar nada sujo.

Akashi: Você fala de amor como se fosse uma mercadoria que pode ser redirecionada ou descartada ao bel-prazer! O verdadeiro amor não é tão superficial. Ele transcende a aparência e a forma; ele é resiliente mesmo diante da repulsa e do desgosto!

Capella, com um sorriso cruel e um olhar que desdenhava a existência de Akashi, proferiu suas palavras venenosas,

Capella: Você realmente acredita que entende algo tão complexo quanto o amor? Uma criatura tão grotescamente desprovida de beleza, tão repulsiva à vista, jamais poderia compreender a essência do amor verdadeiro. Afinal, quem poderia nutrir afeto por algo tão... indesejável quanto você?

Akashi, com a raiva ardendo em seu peito, mas mantendo a compostura, respondeu com uma voz firme,

Akashi: Sua arrogância não conhece limites, né não?

Subaru, testemunhando o confronto, sentiu um vazio se formar em seu peito, as palavras de Capella ecoando como um lembrete sombrio da crueldade que alguns corações podem abrigar.

Ouvindo as anteriores palmas dela, Subaru foi dominado pelo desejo de desaparecer da linha de visão desse monstro.

Ele não queria aqueles olhos olhando para ele; seus ouvidos não queriam ouvir aquela voz; não queria sentir aquela presença, tudo por causa de uma sensação de nojo físico.

Ela não era a personificação da aversão?

Um sentimento que ele realmente era incapaz de suportar, não era essa a definição de horror que ele sentia diante de si?

Capella: Tão gentil e misericordiosa, eu sou realmente a mulher perfeita. Uma vez que foi decidido que eu monopolizaria todo o amor e respeito do mundo, então eu definitivamente não posso deixar de cumprir meu dever. Trabalharei muito para ser amada, e me transformarei para me adequar a seu gosto. Para captar tua atenção, destruirei tudo que te cativar, menos eu mesma. Amar alguém é bom, mas sei que no final você irá me escolher. Vou trabalhar duro para que isso aconteça. Vou melhorar, melhorar, melhorar, melhorar, melhorar, melhorar, melhorar muito meu próprio charme! E irei diminuir, diminuir, diminuir, diminuir, diminuir, diminuir, diminuir, diminuir o charme daqueles que não sejam eu. Qualquer um, não importa quem, irá se apaixonar pelo ser mais lindo e encantador desse mundo.

Subaru: … Apenas me mate logo!

Akashi, com uma intensidade feroz em sua voz, repreendeu:

Akashi: Calado! Silêncio! Temos uma missão a cumprir! Não ouse falar em desistir ou morrer enquanto estiver ao meu alcance, ou eu mesmo darei um fim a isso, Subaru!

Subaru sentiu um calafrio percorrer sua espinha ao ouvir tais palavras vindas de Akashi, o companheiro que sempre lutou ao seu lado e que nunca hesitou em seguir seus planos. A ameaça de Akashi era inesperada e grave, mas Subaru entendeu a gravidade da situação e a necessidade por trás das palavras duras de Akashi, embora isso não diminuísse o peso delas.

Subaru: A-Akashi...?

Capella: Huh, Por que eu deveria? Sou um filantropo. Como eu poderia ser tão brutal a ponto de te matar? Mesmo que você seja uma escória inútil, se houver a chance de você me amar, mesmo que haja apenas uma pequena chance~,eu darei misericórdia e permitirei que vivam se me derem o devido louvor! Somente aqueles que não puderem desfrutar de minha pessoa serão mortos! Acima de tudo, Capella é uma mulher louvável.

Subaru: Eu… entendo agora.

Capella: Oh, sério? Bem, então agora que você entendeu, agradeça imediatamente à senhorita Capella. Deixe-se derreter pelo amor da senhorita Capella e torne-se meu pedaço de carne favorito.

Subaru: Vá para o inferno!

Ele não conseguia pensar. Mas não havia necessidade nem de raciocínio para saber que o inimigo na frente deles era realmente o mais cruel.

O chicote de Subaru subitamente voou para frente. O monstro deu um pulo para trás quando seu rosto foi subitamente atacado. Capella, cuja havia se reaproximado de Crusch após a investida de Akashi, recuou mais ainda.

Aproveitando essa abertura, Akashi avançou enquanto rugia, voando sobre Crusch e atacando Capella, ambos se envolveram numa troca de golpes ágeis e poderosos. Subaru imediatamente se moveu, pegando Crusch.

Subaru: Akashi, segura ela, eu vou fugir com a Crusch, tente nos alcançar logo!

Akashi: Tá! Haaaah!

Akashi se esquivou de um corte do rabo de dragão, logo chutando as costas de Capella e a lançando contra uma parede. A mulher consegue evitar sua colisão, arrastando seus pés no chão e logo fitando Subaru com Crusch.

Capella: Por que você ainda deseja esse pedaço de carne? Sendo que ela já está toda em cacos. você não havia a negado antes? Você não gosta de coisas bonitas? Você não gosta de coisas fofas? Você não gosta de coisas macias e confortáveis.

Capella abriu os braços, ela esticou os braços na direção de Subaru, e uma mão se transformou na cabeça de uma cobra enquanto a outra se transformou na cabeça de um leão — aquelas cabeças distorcidas perseguiram Subaru, mostrando seus caninos enquanto rastejam pelo chão para cima e para baixo.

Akashi: Pare com isso!

Akashi avançou em Capella, tentando cortar seus braços, mas a Arcebispo rapidamente usou seu rabo de dragão como um chicote louco que atacava Akashi de maneira implacável, o impedindo de fazer avanços e apenas se esquivando e defendendo.

Embora seu pé direito tivesse começado a sangrar, Subaru ainda não sentia dor. Sentindo a temperatura do corpo pesar junto do peso em seus braços, fazendo todo o esforço para proteger a mulher que carregava, Subaru concentrou toda sua força e habilidade atlética para se esquivar.

Capella: Você se importa tanto com essa escória? Então pelo resto de sua curta vida faça o que alguém apaixonado faria e a proteja! Proteja com todas as suas forças e não a solte! Esses olhos tentadores! Esses lábios doces! Que carne doce! Você parece estar se apegando a ela desesperadamente! Sendo incapaz de deixá-la ir?! Morra, morra, morra! Morra agora mesmo!

Subaru: Não fale bobagens, desgraçada! Eu não sou esse tipo de pessoa!

Capella: Quieto! A escória deve ficar em silêncio e, obedientemente sem se mexer, exalar o fedor de lixo! Você nunca pensou nisso? Você pode dizer honestamente que seus pensamentos não te traíram nem sequer por um segundo? Mesmo que por uma mínima fração de segundos, não torna sua relação obscena? Diga-me qual a diferença nesses pensamentos?!

As cobras e leões se contorceram parando com a empolgação de Capella, girando desenfreadamente pela sala.

O som de dentes esmagando uma mesa de madeira ecoou, fazendo Subaru apertar os passos. Essa mesma força procurou por ele, tentando alcançá-lo.

Pego no centro daquela tempestade destrutiva, emitiu um grito de dor; Subaru escondeu o corpo de Crusch, evitando desesperadamente os ataques contínuos de Capella. Ela parou adiante da saída em sua frente, mesmo que ele quisesse escapar, o corpo de Capella se expandiu e se contraiu, mudando de forma enquanto sua figura se transformava em uma mulher e em seguida em uma jovem garota e uma bela donzela, parecendo mais uma anomalia.

Capella: VOCÊ NÃO QUER ACARICIAR E ESCOVAR O CABELO DELA? VOCÊ NÃO QUER ACARICIAR OS LÁBIOS DELA? ESSES SENTIMENTOS BARATOS SÃO SEMPRES JUSTIFICADOS COM BELAS PALAVRAS, COM AMOR! O AMOR É LINDO, ISSO NÃO É APENAS UMA JUSTIFICAÇÃO HIPÓCRITA? VOCÊ NÃO ESTÁ USANDO PALAVRAS BONITAS PARA ENCOBRIR SEUS DESEJOS?

Subaru: Você…!

Capella: Assuma sua luxúria diretamente! Não esconda sua luxúria atrás do amor! Ou você ousa escondê-lo? Refutando o que já foi determinado? Assuma! Seu amor por ela é por causa de seus sentimentos mais íntimos. sua nobreza, sua gentileza, sua generosidade, sua temperança, sua compaixão. Ela está disposta a viver pelos outros, tem forças para suportar a injustiça, a vulnerabilidade que ela mostra apenas para mim, não quero deixá-la sozinha. Aquela voz tranquilizadora, aquele olhar amoroso, aqueles olhos que roubam meu mau humor, os lábios que chamam pelo meu nome delicadamente, o calor que agarra e aperta minhas duas mãos, a emoção em meu coração quando nos tocamos, aqueles cabelos bonitos balançando ao vento. Tudo porque acredito que o destino nos uniu, porque acreditei que apenas você me aceitaria, porque você está sempre ao meu lado quando estou triste, porque você me ensinou muitas lições importantes, porque estivemos juntos todo esse tempo, agora mais que nunca eu quero ver e sentir o que você está sentindo para sempre. Porque prometemos um ao outro, jurei nunca esquecer e só eu a conheço, e somente na frente dela posso ser eu mesma. Isso porque eu estava tão sozinha, sempre quis que alguém me entendesse. Você me disse que esse pensamento inicial é o que leva uma pessoa a amar a outra. Foi você que tirou o fluxo de minhas lágrimas, foi você que saiu do mar sem limites das pessoas para me encontrar, foi você quem me abraçou com força quando desmaiei. Foi você quem me repreendeu pela primeira vez porque eu fui ingênua, foi você quem me disse a verdade indisfarçável, foi você quem me levou para ver tantos lugares que eu nunca tinha visto antes, você foi aquela que pegou minha mão e me trouxe para fora de minha gaiola. Não importa quando, você sempre me apoia, não importa o quê, você me entende. Fomos feitos um para o outro, sempre, não consigo viver sem você, você é tudo para mim, você me ama porque eu também te amo, porque seu peito é tão quente e acolhedor, porque com você todas as cores do mundo brilham, eu não posso sentir felicidade sem você, eu não posso viver sem você. Neste mundo tão cheio de mentiras apenas isso é verdade.

Com uma reação imóvel, Capella cuspiu essas palavras como se fossem maldições. E uma expressão complexa surgiu no rosto dela.

Enquanto ela falava esta longa e comovente confissão, o rosto de Capella estava entrelaçado com adoração, beleza e obscenidade.

Capella: Todas essas palavras não eram apenas palavras doces, eram palavras destinadas a aplacar os outros, qual é o mal em removê-las de seu caminho? Elas têm alguma sinceridade? Elas são meramente absurdas e nauseantes! Elas não são nada além de atos! Na verdade, você só foi atraído pela aparência dessa carne. se você ainda seria capaz de amar pessoas cujas aquelas você trocava carícias e palavras afetuosas, veja o que acontece quando essa pessoa se torna uma mosca! Você ainda seria capaz de amá-la? Você não está com medo deles? Não está com nojo? Não! Você não sentiria nada além de nojo escorrendo por cada poro do seu corpo! Agora, pense no que você disse!

Subaru evitava ao máximo os ataques das criaturas, enquanto Capella usava do abuso verbal, ciúmes, ódio, uma ilusão da vitimização e auto-obsessão. Cuspindo tudo isso, Capella perdeu o controle e histericamente começou a destruir toda a sala.

O rugido do leão, o assobio da cobra, os chicotes do rabo de dragão e os gritos da Luxúria, Subaru já não aguentava mais, precisava fugir dali, mas Akashi estava muito ocupado lidando com o curto espaço que tinha, e aquele chicote que o atacava.

O barulho se intensificou parecendo o estrondo de uma tempestade, e a sala começou a desabar. Não importava o que Subaru fizesse, não conseguia fazer nada além da fumaça.

Como estava o pé dele? Ele ainda poderia usá-lo, ferido e dilacerado como estava? A única coisa a qual ele tinha certeza era do batimento cardíaco da mulher em seus braços, o que continuava a dar determinação a Subaru.

Mas, mesmo assim, essa luta acabaria aqui.

Capella: Ei, pedaço de carne, eu ainda posso ver você!

Subaru: Huh?

E então sob o meio da enorme névoa de poeira causada pelo desmoronamento, a cabeça do leão surgiu de repente.

Então as presas foram fincadas na perna direita de Subaru assim arrancando um grande pedaço, derrubando-o, fazendo jorrar sangue.

A lesão já havia ultrapassado direto e completamente o limite que a magia concedida por Felix poderia suportar, e a mente de Subaru começou a ferver enquanto ele lutava contra a dor que começou a surgir ao perder o pé direito. Ele emitiu um violento grito de agonia onde sua garganta não foi capaz de suportar.

Akashi: H-Huh?! Subaru!

Akashi, enfurecido, lançou um simples corte de vento em direção da cabeça de leão, o decapitando na hora. Capella sorriu e, apartir do braço cuja a cabeça de leão foi decapitada, surgiu outra e Akashi teria que lidar com o chicote do rabo de dragão e a cabeça de leão.

Claro que Subaru já não podia mais suportar seu próprio corpo.

Enquanto ele desabava, Crusch rolou no chão. E seu sangue começou a transbordar. Isso não era exagero. Estava claro que sua vida estava entrando em declínio, colapsando.

Capella: Ah, que dor de cabeça, parece que não pude conter minha animação — que falta de educação da minha parte. Gahahaha!~

Mantendo sua posição no chão, Subaru colocou uma mão em convulsão em seu ferimento. Embora ele tampasse o sangue para evitar que ocorresse uma hemorragia, o ritmo de sangramento não diminuiu. Ele sentiu um sentimento desconfortável percorrer todo o seu corpo.

Logo tudo acabaria, esse era o sentimento complexo da morte, um sentimento familiar que gradualmente se aproximou de Subaru.

Em apenas algumas horas, ele sentiu a dor de perder o pé direito duas vezes seguidas.

Com a respiração pesada, Subaru transpareceu da palidez branca para adquirir uma palidez amarela. Seus olhos ficaram vermelhos.

Capella: Oh~ meu Deus, parece que você está prestes a morrer?! Isso é particularmente angustiante para mim, um ser compassivo, presenciar a agonia de um pedaço de carne como você.

Subaru: Ah… ah…

Capella: O pedaço de carne que você protegeu também morrerá em breve. É uma pena que eu tenha me entregado para o meu hobby… Decidi ver se ela perderia para o meu sangue. Embora eu tenha me divertido, acredito que ela não suportará recebê-lo.

Capella se agachou para o rosto contorcido e agonizado de Subaru. Com isso, o monstro sorriu e estendeu a mão para o ferimento em seu pé.

Capella: Me pergunto que tipo de carne feia você vai se transformar.

Com um rugido que cortava o ar, Akashi ordenou:

— Afaste-se deles!

No instante seguinte, a fúria de Akashi se materializou em um golpe preciso, fazendo com que o rabo de dragão e o braço de leão de Capella se desvanecessem como se nunca tivessem existido. Ele apareceu diante dela num piscar de olhos, a lâmina de sua espada mirando diretamente para o cérebro da adversária.

Mas em uma fração de segundo, os olhos de Capella escureceram, assumindo um tom sinistro de preto e vermelho. Um sorriso malévolo se desenhou em seus lábios, e ela zombou:

Capella(?): Insensato, se insistir em obstruir nosso caminho, só encontrará a dor... Guerreiro de Adonis.

Akashi, alerta, tentou se preparar para o próximo movimento, mas foi surpreendido pelo chicote repentino do renascido rabo de dragão, que o lançou voando pela parede destruída. Seu corpo colidiu violentamente contra o chão do lado de fora, causando alarme em Wilhelm, Garfiel e Ricardo.

Wilhelm, preocupado, exclamou:

Wilhelm: Jovem Akashi! Isso é terrível, o que aconteceu?!

Ricardo, tentando manter Akashi consciente, gritou:

Ricardo: Ei, garoto! Não desmaie agora!

Garfiel, confuso e alarmado, vociferou na direção do buraco criado pela trajetória de Akashi:

Garfiel: Que diabos?... Chefe!

Enquanto isso, os espadachins inimigos avançavam para um novo ataque, aproveitando a confusão.

Capella, sentindo uma estranha sensação de triunfo, declarou:

Capella: Huh, que sensação peculiar... mas agora que o lixo foi removido...!

Enquanto falava, Capella retornou ao seu estado normal, e logo transformou sua mão direita em uma enorme lâmina afiada, cortando sua mão esquerda que acariciava a ferida de Subaru e uma quantidade de sangue jorrava de sua mão para a perna ferida de Subaru; pouco a pouco o sangue dela fluía pelas veias do garoto, o sangue vermelho e preto se misturavam. Mostrando uma cena bastante indecente. E…

Subaru: AAAAHHH??

Capella cantarolava alegremente enquanto Subaru permaceneu imóvel em pânico vendo o sangue negro cobrindo sua perna.

Capella: O sangue da senhorita Capella é diferente do sangue comum onipresente. O meu está misturado com sangue de dragão, o qual contém uma maldição. Talvez você dure mais que ela?!

Capella cantarolou feliz, mas Subaru não conseguia dar uma resposta.

Todo o seu ser estava meio morto, e até mesmo a dor se tornou lenta.

Momentos antes de morrer, o sangue que mergulhou em sua ferida devastou e corroeu seu corpo.

Um medo de grau maior que sua dor regional arrebatou Natsuki Subaru, como se tentasse reescrever completamente sua existência enquanto se fundia a ele.

E comparado a Crusch? Foi como o monstro havia dito. Ela estava sofrendo a mesma dor. Se ela tivesse que suportar tanta dor, seria melhor ela morrer! Vamos morrer! Vamos morrer! Vamos morrer! Deixe-me morrer! Deixe-me morrer! Deixe-me morrer!

Capella: Kyahahaha~ Bem, os invasores foram bem cuidados. Agora é hora de eu…

Depois de olhar para trás e à sua frente, para Subaru e Crusch caídos inconscientes, Capella se levantou satisfeita.

E então Capella voltou a sua forma original, com o rosto de uma inocente garota, fazendo seu rabo de dragão desaparecer. E antes dela voltar para a sala de transmissão, deu uma pausa e se virou para dar uma última olhadela para o lado.

Seu olhar caiu sobre a parede que havia sido destruída quando o dragão feito de isca foi atacado,

Capella: Meu Deus, eles eram pessoas decentes, afinal.

E, depois de ter caído sob o prédio há pouco, o dragão negro voltou para os céus. Onde agora sobrevoava a prefeitura, vendo seu inimigo ao longe, ele deu um rugido ensurdecedor, antes de cuspir um bocado de chamas negras.

— Naquele momento, chamas negras envolveram a cidade.

Um eco, um eco distante. Vozes desconhecidas, ou seriam vozes familiares? Eram vozes masculinas? Femininas? Elas vinham de cima ou de baixo? Tudo isso era desconhecido.

Uma voz estava suspirando, uma voz irritada. Também havia uma voz acusadora, que parecia estar chorando.

Sons. Era como se uma cachoeira de vozes transbordasse, formando um forte redemoinho envolvente. Era como se alguém fosse gentil o suficiente para responder a uma pergunta profundamente enraizada em seu coração. Sendo varrido pelo murmúrio das vozes, perdendo a noção, ficando desorientado.

Mãos e pês, cabeça, quadris, peito, costas; tudo isso estava derretendo-se, misturando-se, fundindo-se. Até mesmo sua própria existência, incompreensível como era, estava sendo engolida por aquele aglomerado de vozes, fluindo, como se estivesse perdendo-se para sempre.

Tudo que ele reconheceu foi a névoa negra que engoliu o mundo que ele podia perceber. Aquela névoa estava desintegrando seu corpo, não permitindo qualquer forma de resistência, dando início a um fim definitivo.

Mesmo assim, naquele exato momento, ele estava resistindo, mesmo sendo desmontado, mesmo sendo desintegrado, mesmo sendo negado, ele se recusava a retroceder.

Ele não iria sucumbir àquela névoa em seu corpo, ele não iria desistir daquele escuro campo de batalha.

Até que finalmente, finalmente…

O primeiro som que ele escutou foi um rugido de alguém enfurecido.

Ao ouvir aquela foz penetrante, ele abriu os olhos, se deparando com um teto branco. Ao mesmo tempo, ele percebeu que estava deitado de braços abertos sobre uma superfície dura.

???: Inútil!

Após recuperar sua consciência, ele escutou de forma clara aquele insulto raivoso.

Era como se aquele som englobasse vários sentimentos, manifestando-se junto de uma ação especifica. Ele podia ouvir um som característico, o som de uma mão batendo na própria pele.

??: Pare! Você deveria entender que ninguém aqui tem culpa disso.

??: Cale-se! Eu não quero ouvir essas bobagens! Alguém de fora não deveria se intrometer!

Uma voz acusadora, carregada por uma raiva inextinguível.

Pelo que ele podia ouvir, seus aliados aparentemente estavam discutindo em uma sala espaçosa. Ele levantou a mão esquerda, tentando se apoiar na parede enquanto se levantava. Ao fazer isso, ele sentiu uma dor aguda, como se um prego estivesse perfurando seu crânio, sua respiração subitamente parou, seus olhos entraram em combustão, sua visão ficou manchada de um vermelho-sangue.

Ainda afligido pela dor, ele finalmente conseguiu ajeitar sua postura, observando a discussão.

— Dois homens e uma mulher discutiam no meio da sala… ou melhor, todos os três eram na verdade homens.

Com o rosto cheio de lagrimas, Felix batia em Wilhelm com os punhos, enquanto Julius desesperadamente tentava o impedir. O som que ele tinha acabado de ouvir foi Felix dando um tapa na bochecha de Wilhelm. O velho, com o rosto ligeiramente vermelho, baixou a cabeça, envergonhado.

Wilhelm: Do fundo do meu coração, eu peço desculpas.

Felix: Pelo menos dê uma desculpa! Me dê um motivo para que eu possa aceitar! Só se desculpar é inútil, não adianta!

Julius: Felix, você está criando uma comoção desnecessária! Se acalme! Você não percebe que o senhor Wilhelm está arrependido?!

Felix: Arrependimento…?! Em que arrependimento vai ajudar?! Inútil! Sem sentido! Todo mundo.. todo mundo… por que diabos…?! Por que ninguém pensou em resgatar a dona Crusch?!

Felix explodiu, tendo outro acesso de raiva sobre Wilhelm e Julius, entretanto, quase que imediatamente, ele caiu no chão, fraco e derrotado. Enquanto Felix, em lagrimas, acusava-os, os dois homens não conseguiram dizer nada. Felix bateu com as mãos no chão em sinal de desdém, como se estivesse desprezando a si próprio.

Felix: Eu deveria mesmo ser considerado “Azul”?… Não sou capaz de fazer nada agora… inútil, inútil, inútil, inútil…

^^^( “Azul” foi um título dado a Ferris em decorrência de sua grande habilidade com magia d’água.)^^^

Felix soluçava enquanto continuava praguejando sua raiva, porém dessa vez sua raiva era dirigida a si próprio. Essa era outra opção que ele tinha, afinal ninguém interferiria com a raiva que ele dirigiria a si mesmo.

Os soluços de Felix e os suspiros de Julius se misturaram. Wilhelm permaneceu em silencio, a sala estava envolta em uma atmosfera esmagadora.

Garfiel: Ei, chefe, tá acordado?

Garfiel subitamente apareceu na entrada, olhando para Subaru, que passou despercebido para os outros três. Julius então percebeu que Subaru estava consciente, enquanto exibia uma expressão de alivio em seu rosto.

Julius: Excelente. Felix, Subaru finalmente acordou.

Felix: Certo…

Ao chamado de Julius, Felix limpou seu rosto com a manga e levantou-se. Sua atitude vergonhosa desapareceu, enquanto ele examinava o corpo de Subaru. Ele então olhou fixamente nos olhos de Subaru.

Felix: Você parece estar bem. Sua mente também está bem, certo? Você sabe seu nome e local de nascimento?

Subaru: Eu sou Natsuki Subaru, do Japão.

Felix: Um lugar que eu nunca ouvi falar… Eu nasci nos territórios da dona Crusch.

A expressão de Felix dava a entender que ele acreditava que a resposta de Subaru era uma piada sem sentido. Ele se levantou e imediatamente se virou para sair. Ninguém estava disposto a discutir com ele, eles apenas o observaram em silencio. Apenas Wilhelm foi atrás de Felix. Antes de sair, o homem velho virou-se, fazendo uma reverencia cerimonial a Subaru.

Depois que os dois saíram, a atmosfera tensa da sala finalmente diminuiu, mas, ao mesmo tempo, outro sentimento asfixiante, uma sensação avassaladora ficava cada vez mais forte.

Garfiel: Chefe, mesmo que consiga se levantar, não deve se forçar a fazer nada agora.

Subaru: Olha só quem fala… você parece estar em péssimo estado.

Encostado na parede, Garfiel cumprimentou Subaru, que respondeu ao adolescente de aparência desgastada com seu próprio comprimento. 

Suas bochechas e seus cabelos loiros estavam cobertos de sangue, sua roupa estava rasgada em diversos lugares. Ele estava tão pálido quanto da primeira vez, quando carregou Mimi quase morta em seus braços para o abrigo. Enquanto se dava conta de tudo isso, os pensamentos lentos de Subaru finalmente o alcançaram.

Subaru: Então, estamos vivos…

Garfiel: Sim. Meu incrível eu e o chefe sobrevivemos, isso é bom pra caramba, mas porra, não podemos nem comemorar. Droga!

Ao ver Garfiel, Subaru mais uma vez confirmou que ele havia sobrevivido, isso significava que o Retorno através da Morte não tinha sido ativado, no entanto, ele não havia testemunhado o fim da batalha na Prefeitura. É claro, como ele ainda estava vivo, alguém certamente o resgatou, mas…

Subaru: O que tá acontecendo na Prefeitura? Como eu vim parar aqui? E cadê o Akashi?

Julius: O idiota do cabelo branco disse que ia dar uma olhada nos arredores assim que acordou, ele parecia realmente decepcionado com sí próprio... é capaz dele estar procurando o Culto da Bruxa sozinho, ainda estamos na Prefeitura. O Culto da Bruxa cedeu, recuperamos nosso alvo. Olhando apenas para esse resultado, nós poderíamos dizer que a operação foi um sucesso, mas…

Subaru: Procurando sozinho?! Ele não pode fazer isso—

Julius se ajoelhou perto de Subaru, enquanto ele começava a responder suas perguntas. Olhando de perto, o Cavaleiro dos Cavaleiros estava em um estado lastimável. Seu cabelo estava completamente bagunçado, seu rosto e pescoço estavam cobertos em feridas, seu uniforme de cavaleiro estava manchado de sangue. Mas, o mais importante, seus traços normalmente graciosos, estavam distorcidos com remorso e humilhação.

Julius: Em primeiro lugar, é bom vê-lo novamente. Se algo tivesse acontecido com você, teríamos perdido completamente nossa moral.

Subaru: Não diga bobagens desnecessárias. O que aconteceu? Por que diabos deixaram o Akashi sair sozinho? Por que o Culto da Bruxa optaria por abandonar o prédio da Prefeitura?

Julius: Como foi dito, o Culto da Bruxa abandonou o prédio e nós recuperamos a Prefeitura. Entretanto, os reféns foram transformados em coisas desumanas e os demônios responsáveis por tudo isso escaparam. Isso não pode ser chamado de um bom resultado. E mesmo que tentassemos impedir o Akashi, ele iria da mesma forma, ninguém neste recinto poderia pará-lo.

Ao contrário do ansioso Subaru, Julius descrevia a situaçao de forma calma e suave. Contudo, a rigidez em sua voz, a tristeza em seus olhos, evidenciavam sua indignação. Subaru não podia ignorar o que acabou de ouvir.

Subaru: Aquele idiota... com coisas desumanas, isso significa que…

Julius: Você deve ter visto aquela visão apavorante… um pesadelo sem fim, quando estava no último andar.

Balançando a cabeça, Julius reafirmou aquela cruel realidade. Subaru lembrava apenas do som das asas batendo desesperadamente em desespero, como se fosse um grito por ajuda do outro lado do ultimo andar, ele não viu os humanos mosca, mas tinha uma noção do que poderia ser. Ele só não vomitou pois sabia que aqueles eram humanos, humanos que buscavam sua ajuda. Seu coração doía, era uma dor que não era nem de empatia nem de medo.

O Arcebispo da Luxuria, Capella, era indiscutivelmente um monstro desprezível que pisava na dignidade e nos valores humanos, enquanto provocava e ridicularizava. Aquele monstro não brincava com o espirito e nem com o coração humano, mas algo ainda mais importante.

Julius: A praça inteira, do andar mais alto do prédio da Prefeitura até o exterior. Apesar de nossa divisão de trabalho para ganhar tempo, o Culto da Bruxa já tinha o controle da situação… Eles poderiam facilmente ter nos matado. A razão pelo qual isso não aconteceu foi graças ao seu julgamento preciso e aquele dragão negro que lutou com tudo.

Subaru: Meu… julgamento?

Julius: O espelho de comunicação foi ativado antes de você fazer qualquer coisa no último andar e, como resultado, a situação da Prefeitura foi comunicada a dona Anastasia e Felix. Graças as suas ações, as Presas de Ferro e Felix puderam chegar rapidamente ao local.

Subaru: Você achou mesmo que essas palavras me trariam algum conforto?!

Julius: Essa não foi a minha intenção… Eu estava simplesmente dizendo a verdade. Fatos, por assim dizer.

Subaru irritou-se com a resposta calma e equilibrada de Julius. Entretanto, a forma fria como Julius respondeu demonstrava que ele não estava calmo. Confirmando que nenhum deles estava de bom humor, Subaru respirou fundo.

Subaru: Mais uma coisa, o que aconteceu com o dragão negro?

Julius: Tudo isso aconteceu no último andar, então não tem como eu saber muito mais que você… mas o poder da Luxuria é a transformação, correto? E surpreendentemente um homem, que foi transformado em um dragão negro, conseguiu chegar ao topo do prédio da prefeitura apenas para lutar contra Luxuria, mesmo estando à beira da morte. Só pudemos salvar você graças a ele. Akashi perdeu a consciência e seu clone acabou desaparecendo, então não foi possível ordena-lo para ajudar a tempo enquanto lidavamos com nossas próprias batalhas.

Aquele que Julius estava se referindo era, sem dúvidas, o dragão que Subaru e Crusch atacaram sem piedade, o qual Akashi tentou defender. Uma vez que o poder de Capella era a transformação, aquele dragão negro era um dos reféns da Prefeitura, Subaru sabia disso após Akashi explicar durante a batalha. Ainda sim, Subaru ignorou seu pedido de ajuda, abandonando-o.

Subaru: Aquele que foi transformado em um dragão negro, ele…

Garfiel: Ele não vai morrer, ele não pode…

Garfiel interrompeu a preocupação de Subaru, falando com uma voz calma. Ele não estava olhando diretamente em seus olhos, mas sim para o teto.

Garfiel: Meu incrível eu não vai deixar o cara morrer. Não é possível ele morrer aqui por um troço desses. Ele tem que ser salvo… caso contrário…

Julius: Ele está assim faz um tempo. O dragão parece ser alguém que ele conhece. Embora seu cheiro tenha mudado, Garfiel ainda é capaz de reconhece-lo pelas suas ações. De qualquer forma, ele foi completamente curado. Ele deve ficar bem, apesar de estar um pouco ansioso. Um pouco de descanso vai ajudar.

Subaru: Um conhecido? Garfiel, é alguém que você conhece de Pristella?

Garfiel optou por permanecer em silêncio, algo que definitivamente surpreendeu Subaru. De qualquer forma, ele estava grato por seu salvador, o dragão negro. Mas por outro lado, as pessoas que viraram moscas, elas…

Julius: Quanto aos outros, não se pode dizer que eles estão bem, ao menos a segurança deles está garantida. Felix tentou ajudar, mas…

Subaru: Significa então que nem mesmo Felix é capaz de conserta-los? Droga!

Ele então bateu no chão com as próprias mãos, ponderando sobre como aqueles que perderam seus corpos se sentiam.

O quão forte seria a sensação de perda que eles estavam sentindo? Eles se transformaram em coisas desumanas, aquilo era um horror, uma crueldade diferente de perder a vida. Morrer significava o fim de uma identidade, o fim de uma existência. Perder a forma humana significa perder sua identidade… enquanto sua existência ainda permanecia.

Aqueles que foram acometidos por esta maldição incurável foram levados ao pequeno escritório. Eles estavam em cima? Ou em baixo? Lamentando por não conseguir ao menos se lembrar quantos sofriam aquele trágico destino, Subaru conseguia pensar apenas em outras coisas que precisavam ser confirmadas. Uma vez que ele ainda estava vivo, a próxima pergunta que ele fez era apenas natural.

Subaru: Você e Garfiel estão ilesos?

Julius: Como você pode ver, tanto Garfiel quanto eu não sofremos danos significativos, Ricardo também não se machucou, embora fomos humilhados… mas isso é apenas um pensamento desnecessário.

Julius então mordeu o lábio, sua voz estava cheia de vergonha. Vendo sua raiva, Subaru também foi consumido pelo ódio e frustração.

Julius lutou contra o detestável Arcebispo da Gula, Roy Alphard. Sendo sincero, tudo que Subaru queria era destruir aquele Arcebispo, porém mesmo que Subaru tivesse ficado para lutar, sua fuga era inevitável. Ele não conseguiria ficar calmo sabendo que seu inimigo mortal tinha escapado.

Subaru: Me desculpe, não consegui cumprir o meu papel.

Julius: Bem, se você insiste em dizer, não sou capaz de discordar… parece que eles conseguiram fazer a transmissão.

Subaru: Certo, isso é bem o tipo de coisa que a Luxuria faria. Tenho certeza que eles discutiram alguns tipos de exigências ou negociação na transmissão.

Julgando pela expressão de Julius, Subaru só podia imaginar que a exigência feita pela Luxuria não tinha sido nada apropriada. Embora ele não quisesse saber, ignorar seria inútil, eventualmente ele saberia. Mas antes disso…

Subaru: Deixando esse assunto da transmissão de lado… o que aconteceu com a Crusch?

Subaru: Além do Akashi, ela também foi ao último andar comigo… ela terminou em uma situação bem pior que a minha, sofrendo bem mais nas mãos da Luxuria…

Por um instante, a imagem de Crusch cuspindo sangue, agonizando nas mãos da Luxuria surgiu na mente de Subaru. Seus ferimentos externos foram graves, o dano causado foi terrível, certamente ela foi colocada em uma posição em que sua vida foi ameaçada. Isto sem contar o choro angustiado de Felix, embora Subaru não quisesse acreditar no pior, a conclusão mais óbvia era que…

Subaru: Felix falava de uma forma muito infeliz e pessimista, isso quer dizer que…

Julius: Bem, a verdade é que dona Crusch continua viva, mas…

Subaru: Não fale como se estivesse implicando que algo ruim aconteceu!

Naquele breve momento, Subaru sentiu uma leve esperança em seu peito. Contudo, ela desapareceu no instante em que ele viu a expressão de Julius. Era uma expressão insuportável que não expressava a paz de espirito por ter conseguido salvar uma vida, era uma expressão que transmitia o terror de um destino trágico.

Julius: Felix estava exagerando um pouco, mas ainda assim a situação não está indo bem.

Subaru: Não está indo bem! O que diabos tá acontecendo com a Crusch?… Se Felix não consegue fazer nada, então por que estamos parados aqui sem fazer nada?! Por que diabos não estamos colocando nossas cabeças para pensar?! Por que a gente não tá tentando ajudar?!

Julius: Acalme-se! Não importa o quão nervoso você fique, a situação não vai mudar, portanto acalme-se…

Julius então reprendeu Subaru, que havia se descontrolado de forma vergonhosa. Sua calma serviu apenas para irritar ainda mais Subaru.

Subaru: Maldito! Como diabos você consegue ficar tão calmo?! Perdemos miseravelmente contra o Culto da Bruxa! Como você não consegue ficar irritado?!

Julius: É obvio que eu também estou com raiva!

Então, Julius subitamente deu um tapa no braço de Subaru, que estava apontando para ele. Subaru ficou em silencio ao ver que o olhar de Julius vacilou enquanto ele gritava.

Julius: Minhas desculpas por não conseguir lidar com a minha raiva. Parece que ainda não amadureci o suficiente para me controlar.

Julius então estendeu a mão para Subaru, que havia perdido seu equilíbrio depois que seu braço foi atingindo. Embora ele entendesse claramente os sentimentos de Julius, Subaru deliberadamente desaprovou sua atitude, ficando envergonhado ao ouvir seu pedido de desculpas.

Subaru: A Crusch, ela…

Julius: … Foi atacada pela Luxuria, correto? Um agente externo contaminou seu corpo, e agora está causando um grande estrago nela. É doloroso ver a forma como Felix está lidando com a situação.

Enquanto Julius falava, Subaru se lembrou novamente da imagem de Crusch agonizando de dor, uma imagem que ele tinha nos últimos momentos de sua memória.

Uma dor extrema, em que seu corpo tinha sido invadido por um monstro, que drenou sua própria carne, sangue, ossos e até mesmo sua alma. Era uma dor que ninguém jamais deveria suportar, no entanto Crusch estava passando por toda aquela dor e sofrimento. Subaru então concluiu que foi por isso que Felix tinha agido daquela maneira.

Tanto antes quanto depois de Subaru acordar, Felix parecia culpar Wilhelm. Provavelmente, ele estava acusando o velho espadachim por ser incapaz de protege-la no campo de batalha. No fundo mesmo, ele só estava procurando alguém para culpar, tanto ele quanto Wilhelm sabiam disso, por isso ele ficou em silêncio, permitindo que Felix o atacasse, enquanto Felix secretamente lamentava por sua fraqueza e incapacidade.

Os dois homens que haviam acabado de deixar a sala estavam com sua líder, que ainda sofria.

Pensando naquele trio, a sensação de fracasso no coração de Subaru cresceu, ficando cada vez mais forte. Julius então interrompeu a tristeza de Subaru.

Julius: Subaru, tem algo que eu preciso confirmar.

Subaru: O que é?

Julius: Embora seja difícil para mim dizer isto diretamente… parece que você ainda não percebeu.

Subaru ficou em dúvida quanto ao cauteloso eufemismo de Julius. Ele então ergueu a mão, apontando para a perna de Subaru, que em resposta estreitou os olhos.

Incerto sobre o que Julius estava fazendo, ele olhou para baixo cautelosamente… e viu a mão de Julius, que percorreu um caminho da coxa de Subaru até o pé direito. Subaru involuntariamente seguiu o movimento com os olhos. Ele apenas tinha se lembrado de Crusch no último andar do edifício da Prefeitura, esquecendo completamente de seus próprios ferimentos.

O que tinha acontecido antes dele perder a consciência?

Ele inconscientemente aceitou que acabaria tendo de recorrer ao Retorno através da Morte, porém a sensação da morte não veio. Ele deveria ter ficado aliviado, mas…

Subaru: O quê?! Isso é…?!

Subitamente, sua respiração ficou presa em sua garganta; Subaru não pôde deixar de duvidar daquilo que seus olhos viam. Sua perna direita aparentemente ainda estava no lugar, mas… no lugar onde sua perna tinha sido arrancada, havia uma junção, uma estrutura formada por pele negra, feia e carbonizada. Aquela pele negra tinha se espalhado por toda sua perna.

Julius: Não foi Felix que lhe curou, nem nenhum tipo de magia d’água. Sua perna… a que tinha sido arrancada… se consertou por conta própria. E nem ao menos parece estar doendo.

Era como Julius tinha dito.

Sua perna direita não doía e não tinha nenhuma sensação estranha. Seu primeiro instinto foi se perguntar se aquilo era apenas uma ilusão, dando apenas a impressão que sua perna estava conectada, no entanto esta ideia foi descartada, pois ele podia mover livremente seus joelhos e os dedos dos pés.

Cada ferimento em sua perna tinha ficado preto, a escuridão era visível em seus vasos sanguíneos, estendendo-se desde a parte inferior até o topo de sua perna direita.

Julius: Subaru, novamente, quero ter certeza.

Depois de ver a mudança drástica em sua própria perna, Subaru não conseguia nem falar. Diante da pergunta de Julius, Subaru levantou lentamente a cabeça, e então…

Julius: Você realmente… Você está realmente bem?

A coisa mais assustadora sobre o reimplante da sua perna direita era que… não havia nem um obstáculo que o impedia de se levantar e andar da forma como ele queria.

Garfiel: O cara lá, o tal do Felix, falou que a perna do chefe não estava nem ferida e nem doente, mesmo que meu incrível eu tentasse usar magia de cura, não ia adianta de nada. Não parece ser algo curável. 

Enquanto enrolava a perna de sua calça, Subaru conseguia ver sua perna coberta por vasos sanguíneos negros. Aqueles novos padrões na sua pele eram bem flexíveis, a textura era relativamente próxima a pele normal. Se ele ignorasse a cor, ele poderia chamar aquilo de pele normal, mas….

Julius: Você reimplantou por conta própria?… É a única coisa que me parece ser plausível, seria difícil de acreditar em você dizendo que se reimplantou sozinho.

Nem é preciso dizer, que Subaru não possuía poderes regenerativos para reimplantar sua perna. Aquela era a segunda vez que ele tinha perdido a perna, e de acordo com as memorias que ele tinha da primeira vez, sua perna não tinha se regenerado por conta própria. Claro, o que ele deveria fazer agora era pensar no porquê isso tinha acontecido, mas ele conseguia pensar em apenas uma coisa.

Subaru: É por causa do Sangue que aquela maldita da Capella derramou na minha perna…?

Quando sua perna foi arrancada, ele caiu em um estado crítico de confusão, devido a isso, suas memorias estavam turvas, ele não podia concluir com certeza se esse era de fato o caso. Entretanto, Subaru não tinha dúvidas de que viu Capella cortar o próprio pulso e pingar gotas de seu próprio sangue em seu ferimento. Na hora, ela também tinha mencionado algo incrivelmente preocupante, sim, era sobre…

Subaru: A Crusch…. ela passou pela mesma coisa que eu.

Julius: Você quer dizer que… aquela criatura pingou seu sangue nas feridas dela? É um ato bem desagradável. Talvez tenha algum significado como um ritual… causando um grande dano de imediato…? Ou talvez seja uma maldição, que não funciona sobre as leis da magia normal.

Subaru: Maldição…. sim, acho que é isso mesmo. A maldição do sangue… não, era algo diferente… algo como…. Sangue de Dragão? Sim, sangue de dragão, foi isso o que ela disse.

Enquanto ele olhava para um Julius confuso, Subaru vasculhou em suas memorias turvas, e não pôde deixar de bater palmas quando obteve sucesso.

Enquanto torturava Subaru utilizando de seu sangue, Capella mencionou que seu próprio sangue estava misturado com Sangue de Dragão. Além de fornecer evidencias importantes, aquilo não parecia ser uma mentira, um blefe nem uma piada.

Julius: Sangue de Dragão… isso significa que ela o recebeu da família real?

Subaru: Eu não sei sobre os detalhes, mas… a família real tem realmente algo tão conveniente em mãos?

Julius: Foi um dos tesouros garantidos ao reino de Lugunica pelo pacto com o dragão Volcanica, o seu sangue é famoso por ser poderoso o suficiente para até mesmo tornar terras estéreis novamente férteis.

Subaru: O todo-poderoso Sangue de Dragão… Não sei o quão relevante isso é, ou as consequências disso.

Considerando que Capella se autoproclamava como “Lugnica”, aquele era certamente um item de seu interesse, especialmente levando em consideração que de acordo com Wilhelm, “Emerada Lugnica” foi uma figura histórica que realmente existiu.

Ela não poderia ser da família real, ou poderia? Subaru não acreditava que ela pertencesse a família real, entretanto, o fato de seu sangue estar misturado com Sangue de Dragão ainda levantava dúvidas.

Julius: De qualquer forma, é bom saber que possivelmente está relacionado com o Sangue de Dragão, Felix talvez seja capaz de ajudar sabendo desta informação.

Garfiel: Pera aí, chefe, não vai com ele, não.

Subaru queria correr e espalhar aquela informação o mais rápido possível, contudo Garfiel de braços cruzados, encostado na parede, interrompeu-o, jogando um balde d’água metafórico em sua cara. Em resposta ao olhar de Subaru, Garfiel apenas baixou a cabeça.

Garfiel: O chefe ainda num viu, quanto menos gente ver melhor.

Subaru: … O que exatamente você quer dizer?

Garfiel: É exatamente o que você tá achando que é. Aquela mulher num gostaria que você a visse.

Garfiel afastou-se do olhar de Subaru. Ficando cada vez mais inquieto, Subaru voltou-se para Julius, que da mesma forma que Garfiel, apenas balançou a cabeça.

Julius: De fato, temo que no momento a dona Crusch queria evitar os olhares de outras pessoas. Como ela é uma pessoa muito nobre, ela não quer que os outros a vejam nesse estado lastimável de fraqueza.

Subaru: É realmente…. só porque… ela está em um estado de fraqueza?

Julius não disse nada. Ele simplesmente desviou silenciosamente o olhar de Subaru. Aquele pequeno gesto já respondia tudo.

Subaru: É tudo culpa minha.

Julius: Subaru, isso é…

Subaru: É tudo culpa minha! Eu mais do que ninguém deveria saber o quão perigoso e desprezível eles podem ser! Eu deveria ter previsto que isso poderia acontecer!

O que estava acontecendo com Crusch? Quanto mais ele imaginava, mais horrorizado ele ficava.

Aqueles pensamentos traziam um remorso muito forte para Subaru… aqueles pensamentos eram resultado da raiva que ele tinha da sua própria incompetência. Subaru conhecia bem a natureza terrível dos Cultistas da Bruxa. Não era apenas Petelgeuse, antes de entrar no prédio da Prefeitura, Subaru tinha dado de cara com Sirius e logo em seguida tinha encontrado Regulus. Após esses encontros, como Subaru pôde subestimar tanto Capella? Teria sido arrogância da sua parte ter decidido lutar mesmo em clara desvantagem? Tudo isso só tinha acontecido por causa do seu julgamento.

Subaru: T-Tudo minha..

???: Já chega. Não sei se você está chorando ou reclamando, mas de qualquer forma, está se tornando um incômodo, você se importaria de parar?

Subaru, assumindo toda a culpa, estava prestes a se fundar em um mar de aversão a si próprio. Naquele momento, uma voz o afastou daqueles pensamentos sombrios, entretanto, não era uma voz gentil, e sim uma voz apática, que veio acompanhada de um olhar frio e vazio.

Ele então voltou-se para a entrada da sala. Diante de todos os presentes, com as mãos entrelaçadas e com um rosto gentil, estava uma empresária de cabelos roxos. Entretanto, a forma como ela olhava para Subaru só poderia ser descrita como “mortal”.

Subaru: Anastasia…

Anastasia: Não me entenda mal, eu compreendo perfeitamente a decepção de perder uma batalha, mas se tudo o que você faz é reclamar e ficar deprimido, você só estará agindo como um tolo, perturbando todos a sua volta. Mesmo que voce continue reclamando, o resultado da batalha não vai mudar.

Anastasia então reprendeu Subaru, que ainda estava abalado pela derrota. Por um instante, Subaru estava atônito ao ponto que não conseguiu processar as palavras que lhe foram ditas. Quando ele estava prestes a reagir, ele se deu conta que sua mente estava tomada pela raiva, então…

Julius: Dona Anastasia, por favor, retire esta sua declaração, Subaru foi o que teve mais contato direto com o Culto da Bruxa. Mesmo se ele estiver reclamando, ou deprimido…

Anastasia: Isso é muito estranho vindo de você, Julius. Você geralmente se foca no assunto em questão, e não fica agindo de forma tão infantil… Se você veio aqui apenas para brincar com seus amigos, então Joshua é mais conveniente no momento.

Julius, que tentou defender Subaru, desabou sobre aquele olhar frio. A raiva de Subaru diminuiu um pouco, mas ele ainda estava confuso acerca da atitude Anastasia.

Então, enquanto brincava com o cachecol feito de pele de raposa branca, ela olhava para Julius, Garfiel e Subaru, que estavam sem palavras.

Anastasia: Ei, Julius, as coisas com a Crusch parecem meio complicadas no momento? Não parecem? Por que você não vai e vê se pode ajudar de alguma forma? E você, menino loiro, se importaria de acompanha-lo?

Após pedir que Garfiel e Julius saíssem da sala, Anastasia olhou fixamente para Subaru.

Agora com somente duas pessoas, Anastasia poderia confrontar diretamente Subaru.

Anastasia: Não se preocupe, não farei nada desagradável.

Anastasia então prometeu, com um sorriso indelicado. Julius fez uma reverencia e saiu, Garfiel estava logo atrás dele, com um olhar cauteloso em Subaru, que ele manteve até sair da sala, despedindo-se com um aceno.

Anastasia: Garfiel parece ser uma criança bem obediente. Até ele sair, ele estava com um olhar fixo de preocupação em você Natsuki, ele parece cuidar bem das pessoas.

Subaru: Tenho certeza que você não quis ficar sozinha só pra ficar batendo papo.

Anastasia começou a falar sobre Garfiel depois que ele saiu. Essa mesma situação já tinha acontecido antes, onde ela tinha tentado pegar Subaru de surpresa. Subaru virou-se, vendo Anastasia acariciando seu cabelo enquanto olhava ao redor daquela sala semidestruída, ela então pegou uma cadeira e sentou-se.

Anastasia: Sinceramente, ter uma conversa tranquila com o Natsuki realmente me lembra… da véspera da batalha contra a Baleia Branca.

Subaru: Naquela época, tínhamos um plano formulado que nos conduziria a vitória. Agora… nem sinal disso… Nós recuperamos a Prefeitura, mas parece que a situação não melhorou…

Anastasia: Sim, a situação não mudou. Não, na verdade ficou ainda pior, nem um plano de ação para seguir nós temos…

Subaru se deu conta de que aquela voz calma tinha, por um segundo, se afiado como a lâmina de uma faca. Ele não pôde deixar de endireitar suas costas, enquanto Anastasia olhava para sua perna.

Anastasia: Está tudo bem com a sua perna? Pelo que eu tinha ouvido, ela tinha sido triturada.

Subaru: Embora a aparência seja meio nojenta, felizmente eu consigo correr e pular sem problemas.

Anastasia: Bem, ser capaz de correr e pular sem problemas é a prioridade agora, afinal, ainda haverá muito o que fazer, mas até lá…

Após abordar ligeiramente acerca do ferimento de Subaru, ela respirou fundo. Subaru franziu a testa, ele se deu conta de que ela finalmente abordaria o ponto principal. Ela então apontou a mão para o teto, não, através dele.

Anastasia: Você chegou a ouvir a terceira transmissão?

Subaru: Não, eu acabei perdendo. Sobre o que eles falaram?… Foi algum tipo de exigência, certo?

Anastasia: O Natsuki perdeu duas das três transmissões, que descuidado.

Anastasia riu baixinho, levando a mão até a boca. Subaru contraiu os lábios, frustrado. Anastasia manteve a mão sobre a boca, enquanto estreitava os olhos.

Anastasia: A exigência que eles fizeram… parece que apenas Natsuki e eu podemos entender.

Subaru: Apenas eu…. e você?

O que exatamente ela queria dizer? A mente de Subaru estava cheia de perguntas. Ele nunca sentiu que os dois tinham algo em comum, afinal por causa daquela situação, aquela era a primeira vez que eles interagiram daquela forma. Com um relacionamento tão superficial, o que exatamente eles…

???: Meu Deus, Ana, sabe… às vezes você fala de uma forma desmoralizante, servindo apenas para irritar os outros. Esse não é exatamente o caso?

Subaru: ——!?

De repente, a voz de uma terceira pessoa ecoou nos ouvidos de Subaru. A voz não pertencia nem a ele nem a Anastasia, era uma voz que parecia mais leve e neutra.

Subaru olhou em volta, confuso, no entanto, tirando ele e Anastasia, não havia nenhuma figura presente nos arredores. Julius e Garfiel tinham saído, e, aparentemente, não haviam retornado. De onde diabos tinha vindo aquela voz?

Anastasia: Você fala de mim, mas não está fazendo o mesmo que eu? Olhe para o pobre Natsuki, ele está em um estado crítico de confusão agora.

???: Entendo… isso não é bom.

Subaru: Isso… Quem é…?!

Anastasia conversava com aquela terceira voz como se fosse a coisa mais natural do mundo, em vez de tentar aliviar a confusão de Subaru, ela apenas o observava se indagar “O que está acontecendo?!”

???: Você parece ter se assustado um pouco, minhas desculpas.

Subitamente, o dono daquela voz intrometeu-se na cena. Não, aquela terceira voz não se intrometeu, estava na sala desde o começo. De fato, tinha entrado na sala com Anastasia.

Echidna: Eu sou Echidna. Bem, na verdade eu sou um espirito artificial.

Subaru: Echi—!?

Aquela coisa sorriu habilmente para Subaru, que estava ocupado tentando se livrar do choque. Lábios curvando-se em ambos os lados, olhos se estreitando ligeiramente, aquilo… provavelmente era a imitação de um sorriso.

– Enrolado em volta do pescoço de Anastasia, seu cachecol que aparentava ser feito de pelo de raposa artificial agora brilhava. A bruxa cujo nome ele não poderia esquecer acabou de se revelar na forma de um espirito.

...Continua......

Capítulos
1 A Linhagem do Farsante
2 Perspectivas de Cada Um
3 Pé na Estrada
4 A Cidade das Comportas, Priestella
5 O Pecador Zarpa
6 O Valor de uma Cantora
7 Uma Reunião Surpreendente, uma Reunião Predestinada e uma Reunião Não Intenciona
8 Jantar Pacífico
9 O Demônio da Espada sob a Lua
10 Penetras
11 Circo de Tragédia
12 Solução Ideal
13 Situação Interrompida
14 Teatro do Leão
15 Ruídos
16 Gorgeous Tiger
17 O Custo de um Erro
18 Estratagema na Prefeitura
19 Emboscadas e Surpresas
20 Reagrupar
21 A Cavalaria e o Homem que Chegou Atrasado
22 Devaneios Heroicos
23 O Mais Novo Herói e o Mais Antigo Herói
24 Uma Maldição Inescapável
25 Um Estado de Espírito
26 Aquele que Você vai Amar um Dia
27 Malícia em Trapaça
28 Malícia em Trapaça parte 2
29 Uma Cidade de Conflito
30 O Desafiante do Deus da Guerra
31 Onde Reside o Coração
32 Regulus Corneas
33 Vítima do Território
34 Enaltecimento de um Guerreiro
35 Os Arrependimentos de Liliana Masquerade
36 Liliana Masquerade
37 Um Banquete de Jantar Repulsivo
38 Eclipse
39 Theresia Van Astrea #1
40 Theresia Van Astrea #2
41 Os Frutos da Batalha por Priestella
42 Um Cavaleiro Sem Nome
43 O Sábio da Torre de Vigia
44 Caminhos Distintos
45 Rumores de um Futuro Incerto
46 Devastação
47 Aqueles que Trazem a Ruína
48 Death Ballet
49 Palácio Carmesim
50 O Peso da Desconfiança e dos Corações Determinados
51 A Praga Que Envenena o Mundo
52 Entre a Agonia e o Desespero
53 Aquele que Simboliza a Guerra
54 Contagem Regressiva
55 Deus da Guerra
56 Aquele que Trouxe a Condenação
57 Morte e Conquista, Parte 1
58 Morte e Conquista, Parte 2
59 Desejos e Vontades Herdadas
60 Decisão
61 Arco EX (6)
Capítulos

Atualizado até capítulo 61

1
A Linhagem do Farsante
2
Perspectivas de Cada Um
3
Pé na Estrada
4
A Cidade das Comportas, Priestella
5
O Pecador Zarpa
6
O Valor de uma Cantora
7
Uma Reunião Surpreendente, uma Reunião Predestinada e uma Reunião Não Intenciona
8
Jantar Pacífico
9
O Demônio da Espada sob a Lua
10
Penetras
11
Circo de Tragédia
12
Solução Ideal
13
Situação Interrompida
14
Teatro do Leão
15
Ruídos
16
Gorgeous Tiger
17
O Custo de um Erro
18
Estratagema na Prefeitura
19
Emboscadas e Surpresas
20
Reagrupar
21
A Cavalaria e o Homem que Chegou Atrasado
22
Devaneios Heroicos
23
O Mais Novo Herói e o Mais Antigo Herói
24
Uma Maldição Inescapável
25
Um Estado de Espírito
26
Aquele que Você vai Amar um Dia
27
Malícia em Trapaça
28
Malícia em Trapaça parte 2
29
Uma Cidade de Conflito
30
O Desafiante do Deus da Guerra
31
Onde Reside o Coração
32
Regulus Corneas
33
Vítima do Território
34
Enaltecimento de um Guerreiro
35
Os Arrependimentos de Liliana Masquerade
36
Liliana Masquerade
37
Um Banquete de Jantar Repulsivo
38
Eclipse
39
Theresia Van Astrea #1
40
Theresia Van Astrea #2
41
Os Frutos da Batalha por Priestella
42
Um Cavaleiro Sem Nome
43
O Sábio da Torre de Vigia
44
Caminhos Distintos
45
Rumores de um Futuro Incerto
46
Devastação
47
Aqueles que Trazem a Ruína
48
Death Ballet
49
Palácio Carmesim
50
O Peso da Desconfiança e dos Corações Determinados
51
A Praga Que Envenena o Mundo
52
Entre a Agonia e o Desespero
53
Aquele que Simboliza a Guerra
54
Contagem Regressiva
55
Deus da Guerra
56
Aquele que Trouxe a Condenação
57
Morte e Conquista, Parte 1
58
Morte e Conquista, Parte 2
59
Desejos e Vontades Herdadas
60
Decisão
61
Arco EX (6)

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