Após terminar sua discussão importante e ao mesmo tempo trivial com Julius, Subaru deixou o Pavilhão Pluma d’ Água com Emilia e Beatrice.
Emilia: No pátio, você e Julius estavam conversando de uma forma bem amigável, como se pela primeira vez vocês estivessem se dando bem. Sobre o que vocês estavam falando?
Subaru: Em primeiro lugar, não vá achando que eu fui amigável com aquele cara, é um erro pensar que eu me dou bem com ele, mas… sobre o que você acha que estávamos conversando?
Emilia: Onde vamos brincar da próxima vez? Algo desse tipo…
Subaru: Por acaso estamos no primário?!
Mesmo que aquela suposição casual de Emilia estivesse certa, assumindo que Subaru e Julius fossem da mesma escola, eles estariam em grupos socias completamente diferentes. Assim como a sociedade, as escolas também seguem uma hierarquia.
De certa forma, algo como uma divisão nas classes não existia universalmente?
Subaru: Seja neste mundo, ou no outro, estas dificuldades sempre são as mesmas.
Emilia: Ei, ei, sobre o que vocês estavam falando?
Subaru: Eu estava ansioso para perguntar sobre esses eventos hostis que aconteceram recentemente. O que exatamente aconteceu antes? O que precedeu isso? O que vai acontecer em seguida? Discutimos sobre esse tipo de coisa…
Emilia: Isso não significa que vocês estão se dando bem?
Emilia inclinou a cabeça suspirando, enquanto Subaru apenas suspirou.
Ouvindo apenas as palavras triviais no fim da conversa, eles até que pareciam amigos. Mas como se tratava de Julius, isso não seria possível. Julius não era um amigo, e sim alguém muito irritante.
Subaru: Bem, aquele cara definitivamente não é um amigo, não tenho dúvidas disso.
Emilia: Sinceramente…
Emilia se virou para Beatrice, que apenas suspirou silenciosamente em resposta. Subaru ficou meio incomodado com a forma como as duas se entendiam claramente.
De qualquer maneira, sua conversa com Julius no pátio tinha sido sobre Reinhard, Wilhelm, e a relação deles com Heinkel Astrea.
Portanto, se Subaru revelasse o verdadeiro conteúdo de sua conversa para Emilia, ele se sentiria culpado. Além de estar revelando assuntos particulares da família Astrea, ele não queria causar estresse desnecessário em Emilia. Afinal, aquela era uma situação complicada, e sem muito o que fazer.
A história da família Astrea não era algo que estranhos pudessem se envolver facilmente.
Julius estava diretamente envolvido na história, e estando ciente da preocupação de Subaru, ele confiou em revelar o que sabia a ele.
— Mesmo assim, Subaru ainda se sentia desconfortável com isso.
Emilia: Então, Subaru… embora seja bem agradável fazer um passeio como esse, o que você está planejando? Pretende procurar o Akashi, como o Reinhard havia dito que faria?
Enquanto Subaru lutava contra sua ansiedade, Emilia casualmente sorriu e soltou este comentário.
Subaru, pego de surpresa, momentaneamente ficou sem palavras, ele encolheu os ombros, enquanto piscava rapidamente.
Subaru: Isso me machuca. Eu apenas tinha o puro desejo de caminhar por esta bela cidade com Emilia-tan. Sim, eu pretendo procurar o Akashi, mas não vou sair correndo esperando que eu encontre alguém que magicamente me diga onde ele está. No máximo, eu quero aproveitar e apenas leva-la para perto de uma fonte, para que possa apreciar sua beleza enquanto você está toda molhada de água.
Emilia: Subaru, você é realmente bem teimoso para dizer uma coisa dessas. Até eu sei que algo tão trivial não é sua verdadeira intenção.
Emilia reclamou, enquanto fazia beicinho, enquanto Subaru, desconfortável, colocou a mão na testa. Ele olhou para Beatrice, como se estivesse pedindo ajuda, entretanto, a garotinha que caminhava entre os dois apenas o observava com a mesma expressão de Emilia. Sem qualquer apoio, Subaru ergueu as mãos em sinal de rendição.
Subaru: Ok, eu desisto… não vou mais jogar água em você, Emilia-tan.
Emilia: Su-ba-ru.
Ao ouvir seu nome ser chamado em tom de raiva, Subaru baixou suas mãos e dessa vez ele realmente desistiu.
Emilia: Subaru, seu danado, malcriado.
Subaru: Você viu através do que eu disse, Emilia-tan. Embora, como fui seu mentor, eu deveria ser recompensado…. certo, certo, vou falar sério agora…
Emilia: Sinceramente….
Em resposta a Emilia, que levantou sua mão em um gesto de “vou bater em você”, Subaru foi capaz apenas de sorrir.
Subaru: Eu não tava tentando esconder nada, eu apenas queria guardar a surpresa. Agora mesmo, nós estamos indo para o parque da cidade de Pristella, onde ontem, eu inesperadamente conheci a Cantora.
Emilia: Uau, a Cantora? Ela vai estar aqui hoje?
Subaru: Seus olhos brilhantes são adoráveis… Sim, eu tenho as informações de contato da famosa Cantora. Embora eu tenha fé nas habilidades de negociação do Otto, eu também tenho fé que o azar dele nos custara essa oportunidade.
Emilia: Entendo… se nos dermos bem com a Cantora, então pedir para Kiritaka trocar o minério conosco seria como um favor pessoal.
Subaru: Isso mesmo, bem pensado.
Subaru gesticulou com os braços em formato de círculo, logo acima de sua cabeça. Emilia era tão inocente.
De fato, embora a transação não fosse tão simples e direta como Emilia havia dito, não havia necessidade de apontar seu erro.
Emilia queria apenas se dar bem com Liliana, enquanto Subaru, secretamente, poderia lidar com o resto.
Subaru: Não consigo deixar de pensar nisso… certamente Emilia-tan e Liliana terão algum tipo de reação química…
Emilia: Reação química?
Subaru: Pelo que parece, acho que Emilia-tan e Liliana vão se dar bem.
Emilia: Nós vamos? Haha, eu espero…
Pedindo desculpas mentalmente para Emilia, que apenas deseja conhecer a Cantora, Subaru já se sentia um pouco exausto, pois sabia que o encontro com Liliana seria certamente cansativo.
Mesmo esperando que Liliana estivesse no parque para cumprir seus objetivos, Subaru não queria encontra-la novamente.
É claro, se ela não tivesse lá, a tarde seria simplesmente um encontro com Emilia, embora Subaru quisesse evitar, ele não poderia negar que ele gostaria que isso acontecesse.
Subaru: Emilia-tan, você não quer navegar nas águas em um cruzeiro comigo? Acho que seria legal e fortaleceria nossos laços.
Emilia: Eu não sei o que exatamente um cruzeiro seria, mas acho que você ficaria enjoado se o fizéssemos, isto certamente o cansaria, então é melhor não.
Beatrice: Sem falar que, o parque está bem a nossa frente, de fato. Agora não é hora de desistir, eu diria.
Beatrice, de maneira desconfortável, puxou Subaru pela mão, o conduzindo enquanto ela andava.
Dessa vez, eles conseguiram chegar ao parque sem nenhum contratempo. Subaru desistiu de qualquer tentativa de resistência após ver a entrada do parque.
A fonte localizada no centro do parque da cidade mostrava um espetáculo inesperado. O público reunido era ainda maior que ontem.
Subaru: Como chegamos mais cedo que ontem, eu estava preparado pra possibilidade de que Liliana não estar aqui…
Vendo todo aquele público reunido, aquele pensamento não passou de uma mera preocupação.
O público hoje parecia bem mais animado, gritos e aplausos podiam ser ouvidos da plateia, uma atmosfera alegre dominou o parque.
Subaru: Aplausos e gritos?
Beatrice: Hoje parece bem mais animado que ontem, de fato.
Estando tão confusa quanto Subaru, Beatrice inclinou sua cabeça para o lado.
Embora a música de Liliana tenha sido transmitida pela manhã através do dispositivo magico, suas canções são geralmente calmas e pacificas, lentamente afastando o público da realidade. Era exatamente por isso, que a presença dessa multidão frenética e agitada era algo estranho.
Era esperado a presença da multidão, mas aquilo era definitivamente inesperado.
Emilia: Todo mundo parece estar se divertindo. Ela realmente merece o título de Cantora.
Embora Emilia estivesse ansiosa para passar pela multidão e dar uma olhada na Cantora, Subaru tinha um mau pressentimento sobre a situação.
À medida que eles se aproximavam da multidão, Subaru teve uma sensação desconfortável de arrependimento.
Entretanto, ele não poderia expressar verbalmente aquele sentimento, Subaru também não tinha desculpas para parar agora.
Sem falar que, Emilia estava ansiosa para presenciar aquele show e conhecer a Cantora. Subaru não poderia trair aqueles lindos olhos ametistas que brilhavam de expectativa.
Em seguida, o fanatismo da multidão se transformou em uma grande onda de aplausos.
A causa daquela confusão estava chegando ao fim. O local onde a multidão estava concentrada estava finalmente se tornando visível, então…
Liliana: Essa dança foi realmente incrível! Depois de ver uma dança extraordinária dessas comecei a enlouquecer!
Priscilla: De jeito nenhum, sua performance e seu canto foram os que mais chamaram atenção. Já faz tempo que eu não vejo tamanha demonstração de habilidade.
Lá, conversando e apertando as mãos uma da outra, estava a Cantora e uma mulher vestindo um vestido carmesim.
A intuição de Subaru estava certa.
Hoje, Subaru novamente testemunhou uma plateia derramar lagrimas sobre a performance de Liliana.
Se alguma coisa fosse diferente de ontem, seria a presença de Priscilla, que estava ao lado de Liliana, recebendo elogios como “sua dança foi incrível”, “impressionante” e “com certeza eu voltarei”. Priscilla, que havia recebido todos aqueles elogios generosos, abanou-se, e abriu os braços em resposta.
Depois daquela interação com os fãs, os únicos que sobraram eram Subaru, Emilia e Beatrice.
Liliana: Ah, ei! Veja só se não é o senhor Natsuki e a dona Emilia! A senhorita garotinha do senhor Natsuki também está aqui! O que vocês estão fazendo aqui?
Beatrice: Eu não sei ao certo quem é essa senhorita garotinha. Subaru, faça o favor de me explicar.
Subaru: Por que você não deixa ela, que tirou esse nome do nada, explicar? Aqui, pegue, vou lhe dar uns doces bem saborosos, então se comporte.
Beatrice: Você não vai, mmm…, me enganar dessa forma, eu diria, mmm…
Sentado ao lado de Beatrice, que estava ocupada com os doces em sua boca, estava Subaru, que se voltou para Liliana, cujas tranças em formato de rabo de cavalo balançavam agitadamente como o rabo de um cachorro. Embora Emilia tivesse arregalados os olhos ao ver isso, a apresentação do comportamento estranho de Liliana só estava começando.
Subaru: Mesmo que tenha se passado apenas um dia, aqui está você… fazendo outro grande espetáculo. Kiritaka expulsou você de novo?
Liliana: Eeeh! Bem, acho que sim. Aquele cara me fez um pedido tão sério, então eu resolvi atender. Não é esse o dever de uma mulher exemplar, bem, ao menos é o que eu acho.
Subaru: Então, mesmo depois de ser expulsa, você achou que fazer um espetáculo seria uma ótima ideia…
Liliana estufou seu peito magro, e alisou um bigode inexistente. Ao lado dela, estava Priscilla de braços cruzados, apoiados sobre o peito. Ao ver Subaru, ela o olhou com um ar de desprezo.
Priscilla: O que você está fazendo? Mesmo que tenha sido seduzido pelo meu charme, encarar-me dessa forma é extremamente rude. Homens obcecados pela minha beleza, podem no máximo, inalar meu perfume para alimentar seus sonhos doces.
Subaru: Eu não vi a sua dança, e mesmo se tivesse, eu não ficaria nem um pouco animado. Eu apenas gosto de garotas delicadas como a Emilia-tan, esse seu corpo atraente não faz efeito em mim, no máximo, faria no Akashi. Se ele estivesse aqui agora, certamente estaria babando por você, aquele pirralho ainda está na fase em que não pode ver um rabo de saia que já ganha uma quarta esp—... melhor deixar essa parte de lado.
Priscilla: Eu não julgaria seu amigo criminoso, preferir uma meia-bruxa a mim é um sinal que você não tem jeito. Obviamente, não tenho a mente aberta para aceitar tais gostos estranhos. Além disso, se você não consegue ao menos entender a verdadeira beleza, então sua visão só pode ser colocada como irremediavelmente míope.
Subaru sentiu que não adiantava discutir com ela. Seus valores eram muito diferentes. Ele não poderia utilizar do senso comum contra Priscilla, que genuinamente acreditava que o próprio mundo pertencia a ela. De qualquer forma…
Emilia: “Uma dança incrível”, isso significa que… Priscilla estava dançando?
Priscilla: Sinta-se arrependida por ter perdido. Dançar não é algo que eu faço levianamente. Ou seja, a música dessa artista realmente tinha algo a oferecer.
Desta maneira, Priscilla apresentou Liliana para Emilia.
Subaru ficou chocado com a resposta dela, enquanto Liliana revirava os olhos. Ignorando Liliana, que começou a fingir que estava espumando pela boca, Subaru encarou Priscilla.
Subaru: Você… dança para as pessoas? Isso é completamente inesperado.
Priscilla: Então, como você justificaria a agitação daquela multidão de idiotas? Apesar da música dessa artista ser incrível, sem a presença da minha dança, a audiência se transformaria em meras marionetes que apenas poderiam escutar. Embora isso seja uma forma de diversão, eu não gosto disso. Os tolos continuarão tolos e os ignorantes continuarão ignorantes. Por que não adicionar cor ao meu dia e ao deles?
Subaru: Em outras palavras… os tolos que se entregam a tolice serão mais felizes?
Priscilla: Haha, para um plebeu, você é bem hábil em compreender as coisas.
Sentir-se grato pelo elogio de Priscilla seria impossível.
Além disso, Priscilla não deu sinais de lembrar de que no hotel, ela havia esquecido completamente da existência de Subaru. Ele simplesmente se contentaria com Priscilla lembrando-se apenas de Emilia.
Liliana: Mas, mas, dona Priscilla e dona Emilia… tantas pessoas incríveis reunidas aqui, eu realmente gosto disso.
Liliana resistiu a atmosfera tensa, fazendo este comentário.
Ela percebeu a rivalidade entre os dois, e se fez de mediadora, ao invés de Subaru, que fazia de maneira desajeitada. Talvez suas características estranhas e sua cabeça oca fossem apenas uma máscara.
Liliana: Hehehe, minha música foi tão bonita assim? Sinceramente, isso me deixa constrangida.
Subaru: Não, essa é realmente a real natureza dela…
Liliana deixou seus elogios lhe subirem a cabeça e caiu inquieta em constrangimento. Subaru percebeu que havia a superestimado, ele então cruzou seus braços desapontado. De repente, ele percebeu que não havia ninguém ao lado de Priscilla.
Subaru: Você está sozinha? Sem o Al, ou aquele maldito bastardo, ou o mordomo fofo?
Priscilla: Eu deixei Schult dar um passeio, mas aparentemente ele se perdeu. Ele se esforça muito, mas é inútil em tudo o que faz, esse é o tipo de garoto fofo que ele é. Al fica reclamando constantemente, então eu o mandei procurar Schult, quanto ao maldito bastardo, não tenho certeza, talvez esteja em um bar ou coisa do tipo.
Subaru: “Maldito bastardo” aparentemente, ao menos nisso concordamos.
Subaru foi pego de surpresa por aquela resposta séria e inesperada. Heinkel foi mal recebido até mesmo em sua própria facção.
Embora era completamente entendível o porquê desse tratamento, por que Priscilla se daria ao trabalho de convidar alguém como ele para sua facção?
Subaru: Embora… ela definitivamente tinha dito algo como “tê-lo por perto será interessante”.
Priscilla: Você parece entender bem. Eu o escolhi por razões insignificantes. Aqueles que vem até mim e tentam se promover são bem-vindos, desde que eu encontre um propósito para o meu entretenimento. Se eles se tornarem um obstáculo, podem ser descartados a qualquer momento. Esse homem, é na melhor das hipóteses, esse tipo de pessoa.
Subaru: Bem, como dizer… Ele não parece atender as suas expectativas de nenhuma forma.
Parecia que foi exatamente por isso que Priscilla teve aquele ataque de raiva, ele não havia atendido a suas expectativas, mas talvez Priscilla já tivesse esquecido daquele acontecimento.
Subaru: Mas você não acha perigoso ficar sozinha? Em uma hora dessas, eu nunca deixaria Emilia-tan sair sozinha.
Priscilla: “Meus servos estão ausentes, logo eu estou em desvantagem pois estou em perigo”. Uma forma tão errada de pensar… adequada somente àqueles que só viram as minhas costas.
Subaru: Ah, sério?!
Foi um julgamento um tanto depreciativo das capacidades de Al. Entretanto, após ver Priscilla em ação, essa perspectiva era compreensível.
Durante o café da manhã, a habilidade de combate que Priscilla havia demonstrado era superior em relação a maioria dos humanos.
Subaru: Falando nisso, uma vez eu já levei um chute na mandíbula.
Durante os loops que ocorreram na capital, em um deles, Subaru irritou Priscilla o suficiente ao ponto de receber um chute no rosto. Seu corpo voou tão alto que bateu no teto e caiu na sala ao lado. Foi uma dor severa, como se sua mandíbula tivesse sido quebrada.
Subaru: Então, você deixou Al de lado e veio ver a Liliana?
Priscilla: Esta mera paisagem urbana conseguiu aliviar meu tédio. Ao contrário da estreita estrutura da capital, esta cidade tem vários lugares que valem a pena serem vistos. Enquanto eu explorava, uma linda musica fluía em minha direção.
Liliana: Bom, no início, quando a dança criou toda aquela agitação, eu não tinha ideia do que iria acontecer. Às vezes algumas pessoas imprudentemente se juntavam a performance, embora, na maioria das vezes, minha música causou um impacto neles, fazendo-os mudar de ideia.
Subaru: Você realmente não se comporta de acordo com o seu título…
Envolver-se em uma música como aquela era muito ousado. Mais surpreendente ainda foi Priscilla entrar com uma dança. O fato do público ter ficado tão agitado com a dança significava que ela estava no mesmo nível da música.
Priscilla: Embora seja um exagero dizer que você possa conquistar mentes e corações assim como eu, inegavelmente, sua voz tem algum valor. O que você acha de se juntar a mim? Deixe a minha influencia lhe trazer status, permita-me oferecer-lhe a honra de cantar na minha mansão.
Em outras palavras, Priscilla gostou bastante da música de Liliana, ao ponto de lhe fazer uma exigência irracional. Embora isso fizesse Liliana a cantora pessoal de Priscilla, consequências sombrias viam junto, se a sua raiva por ser incapaz de vencer Liliana alcançasse o mesmo nível de apreço que Priscilla tinha pela música da Cantora, o que Priscilla faria? Aquela era uma terrível consequência caso Liliana aceitasse. Então, ela respondeu…
Liliana: Muitíssimo obrigada! É muito gratificante ser avaliada dessa forma, me deixa muito feliz! Maaaaas! Por favor, permita-me recusar…
Ele não sabia da terrível raiva da Priscilla. Com aquela ignorância assustadora, ela rejeitou casualmente, com um estranho entusiasmo, a proposta de Priscilla.
Priscilla: Você recusou… Por quê?
O tom de voz de Priscilla mudou, e seu olhar ficou sombrio. Subaru, que não tinha nada a ver com a discussão entre elas, sentiu um arrepio na espinha. A atmosfera daquela situação era extremamente perigosa.
Como se estivesse em seu próprio mundo, livre de qualquer preocupação, Liliana apenas acariciou a caixa que continha seu instrumento.
Liliana: Eu sou Liliana, uma barda viajante. Embora é verdade que no momento me pedem para que eu fique nesta cidade, eu sou uma viajante, que eventualmente voltara a vagar com o vento. Não estou presa a ninguém e nem a lugar nenhum, é assim que é minha profissão, é um estilo de vida que foi decidido há muito tempo.
Priscilla: Portanto, meu convite foi recusado.
Liliana: Seja minha mãe, ou a mãe dela, ou a mãe da mãe dela, minha família sempre trilhou este caminho. Somos pessoas que optaram por abandonar os bens materiais, para viver através da música, catando no coração dos outros. Assim como não se pode parar o vento, ninguém pode parar minha música. Portanto…
Priscilla observava Liliana, calada enquanto ouvia a jovem.
Liliana: Embora seu convite me deixe muito feliz, por favor, permita-me recusar. Afinal, nem mesmo eu sei aonde a minha música vai parar, viajarei com o vento, cabe a ele decidir pra onde irei.
Erguendo seu instrumento, falando orgulhosamente, Liliana falou sem a menor hesitação. Sua expressão, que era geralmente traiçoeira, havia desaparecido, assim como sua aura inocente que apenas dava nos nervos das outras pessoas. Era simplesmente uma barda – A cantora que queria preservar sua história na música.
Após ouvir a resposta de Liliana, Priscilla ergue uma das mãos e fechou um dos olhos. Com o seu outro olho, ela direcionou um olhar carmesim escaldante para Liliana. Então, ao ver a expressão inabalável de Liliana, Priscilla suspirou.
Priscilla: Excelente. Essa determinação é louvável, eu a permitirei. Parece que quem agiu de forma vulgar fui eu.
Liliana: Não, não, de forma alguma. Eu realmente sinto muito.
Liliana deu uma resposta sincera a Priscilla, cuja boca estava prestes a formar um sorriso. A forma como as duas interagiram deixou Subaru estupefato. Vendo sua expressão confusa, Subaru franziu a testa.
Priscilla: O que foi plebeu?! Você parece incomodado.
Subaru: Não é nada além de surpresa… Pensei que você fosse dividir Liliana em dois depois que ela recusou, então eu comecei a tremer…
Priscilla: Esta é uma preocupação ridícula.
“Não tem como algo desse tipo acontecer” ao menos foi o que Priscilla deu a entender. Entretanto, antes de ouvir os pensamentos de Liliana, Priscilla sem dúvidas iria matá-la. Antes que Priscilla toma-se essa decisão conscientemente, felizmente as palavras de Liliana a fizeram mudar de ideia, ao menos foi assim que Subaru interpretou.
Emilia: Mas eu também fiquei um pouco surpresa… Priscilla parece o tipo de pessoa que “Eu vou conseguir o que eu quiser”
A mina terrestre que Subaru fez ao máximo para evitar, foi inesperadamente acionada por Emilia. Emilia, sem rodeios, deixou escapar sua impressão de Priscilla. Subaru involuntariamente endireitou as costas e encarou Priscilla, contudo, ela apenas fechou seus olhos, e…
Priscilla: Que palavras tolas, meia bruxa. Como alguém como você pode julgar o meu caráter? Há um limite para o número de insultos que eu suportarei.
Beatrice: Mas que garota imperdoável, de fato. Se você tem tempo para refletir sobre a deficiência dos outros, então você deve ter tempo para refletir sobre si mesma e sobre seu próprio comportamento, eu suponho. Betty acha que isso seria melhor para ambas as partes, de fato.
Emilia: Beatrice…
Enquanto ouvia a forma como Priscilla ridicularizava, Beatrice segurou a mão de Emilia. Priscilla apenas ergueu as sobrancelhas para Beatrice, como se apenas agora estivesse se dando conta de sua existência.
Priscilla: Uma garotinha ousa falar dessa forma. Minha benevolência não é determinada pela idade. Se você acha que será poupada da minha ira apenas por sua juventude, então é melhor mudar de ideia agora.
Beatrice: Sua intromissão na vida dos outros é realmente desnecessária, eu diria. Cuidado com quem você chama de garotinha, ser enganada pela aparência de Beatrice vai lhe custar caro.
Uma chama surgiu entre Priscilla e Beatrice.
As duas garotas vestidas em vestidos extravagantes pareciam estar terrivelmente irritadas.
Embora Subaru não duvidasse nem por um segundo que Beatrice ganharia, ele sabia que era inevitável que esses conflitos acontecessem quando as candidatas da seleção real se encontrassem. Era o tipo de relacionamento que elas tinham.
Subaru: Não seja tão teimosa Beako, Priscilla é muito inconsistente, discutir com ela é perda de tempo.
Beatrice: Subaru, não interrompa Betty, de fato. Você não se irrita tendo Emilia sendo menosprezada dessa forma? Mostre-me sua masculinidade, de fato.
Subaru: Você poderia não dizer coisas tão terríveis?! Sem falar que…
Subaru estava surpreso, Beatrice raramente se preocupava com outras pessoas sem ser Subaru. No entanto, agora ela estava com raiva por causa de Emilia. Até mesmo Emilia, estava surpresa.
Emilia: Beatrice, eu estou bem.
Tirando a mão de Beatrice do caminho, Emilia gentilmente tocou na cabeça da garota. Por um instante, uma expressão chorosa pôde ser vista sobre o rosto de Beatrice. No instante seguinte, Beatrice voltou a sua expressão normal, e virou-se para Priscilla.
Beatrice: Sinta-se grata por ter sido poupada, eu diria.
Priscilla: É assim que você deveria se sentir, agradeça ao seu lindo rosto.
Embora no final Priscilla tenha elogiado a aparência de Beatrice, ela estava tão enfurecida que acabou nem se dando conta. “Vou deixar essa passar porque você é fofa” Aquela era uma explicação estranha, que Subaru não entendia.
Subaru: Você é realmente uma mulher irracional…
Priscilla: Mas é claro. Você se acha tão orgulhoso ao ponto de ver através de qualquer mulher, e até de mim?
Subaru: Você tá dizendo que é minha culpa…? O que começou esse incidente foi você dizer a Liliana “Eu quero você”.
O raciocínio de Priscilla para permitir que Liliana escapasse da palma da sua mão ainda era um mistério. Subaru dirigiu um olhar curioso sobre Priscilla. Inesperadamente, ela cobriu a boca com o leque e…
Priscilla: Absolutamente tudo nesse mundo já é meu. Não há necessidade de monopolizar tudo o que é belo e nobre na palma da minha mão. Essas coisas têm que existir, e desde que existam, não há problema.
Subaru: ……
Priscilla: Este mundo é como se fosse meu quintal, então, no fim das contas, não importa onde um pássaro vai cantar. Colocá-lo em uma gaiola? Seria vulgar. Protege-lo das mãos de um inimigo? Seria vulgar. De fato, todas essas atitudes seriam bem problemáticas.
A forma como Priscilla via o mundo era o suficiente para derrubar qualquer suposição lógica de Subaru. Ele estava simplesmente sem palavras.
Não significava que Subaru não entendia o que ela estava dizendo. Contudo, ela enxergava as coisas de uma forma muito diferente dele, por isso, ele nunca seria capaz de entendê-la.
Francamente, Subaru achava aquilo horrível, mas talvez pudesse ser visto de outra forma. Talvez esse sentimento terrível possa inspirar admiração nos outros. Talvez seja por isso que Al escolheu seguir Priscilla.
Liliana: Ei, ei, ei! Agora que todos se acalmaram, deixem-me servir com embaixador e mostrar minha boa vontade enquanto eu mostro a minha voz! Sim, é o que eu farei!
Assim, se metendo no meio daquela atmosfera tensa, Liliana abruptamente seguiu de acordo com a sua própria proposta. Ela pegou seu instrumento e começou a tocar um acorde rápido nas cordas, enquanto começava a mover seu corpo no mesmo ritmo da música.
Liliana: Apenas desta vez, dona Priscilla, não precisa se juntar com a dança, apenas aproveite a música. Abrirei fogo com toda a paixão da Cantora! Escutem com atenção!
As palavras de Liliana despertaram interesse no rosto de Priscilla.
Liliana: Dona Emilia parece ter chegado bem na hora que a minha primeira música acabou. Espero que ao invés de me ver como uma cantora cuja característica marcante é a beleza, me veja como alguém que ganhou um pouco de dinheiro apenas com suas habilidades.
Emilia: Uou! Sério?
Liliana: Embora eu não seja uma das melhores musicistas, espero que fique satisfeita.
Independentemente do que Liliana havia dito, sem duvidas, Emilia estava interessada em ver sua performance. Por isso, Emilia que já havia se emocionado apenas ouvindo o final da música, estava ansiosa pela performance da Cantora.
Percebendo a sútil sensação de distância entre Emilia e Priscilla, Liliana acenou discretamente para Subaru e disse em voz baixa…
Liliana: Senhor Natsuki, senhor Natsuki. É só a minha opinião, mas…. A dona Emilia e dona Priscilla não se dão muito bem?
Subaru: Não se trata de uma questão de opinião, basta olhar a forma como elas conversam. Além disso, Priscilla não se dá bem com ninguém, com Emilia não seria diferente.
Liliana: Isso é muito sério!
Liliana parecia chocada, seu cabelo balançava como o rabo de um cachorro. Seus nervos estavam tão ligados ao cabelo? Subaru queria agarra-lo para que parasse de se mexer.
Liliana: Bem, bem, bem. Deixe-me cortar esse clima tenso e unir as duas em um mundo de charme e música. Ah! Por acaso você teve algum tipo de pensamento perigoso quando eu disse “cortar”? Isso não é bom!
Subaru: É cansativo quando você diz coisas inspiradoras e não inspiradoras na mesma frase, não faça mais isso.
Subaru ficou admirado com Liliana, apesar de parecer uma louca, uma louca que conseguia lidar com os outros. Aliviando a tensão do ambiente apenas com música, de forma simples e direta.
Ambas tinham interesse em ver Liliana cantando. Nem mesmo Priscilla seria cínica com Emilia enquanto escutava a cantora que ela tanto admirava.
Liliana: Depois que a música acabar e elas voltarem a conversar, não deveríamos preparar algo para elas comerem e beberem? Alguns lanchinhos certamente vão dar uma amenizada no clima e diminuir a distância entre elas, você não acha?
Subaru: Não, eu não acho.
Liliana: Depois que a música acabar e elas voltarem a conversar, não deveríamos preparar algo para elas comerem e beberem? Alguns lanchinhos certamente vão dar uma amenizada no clima e diminuir a distância entre elas, você não acha?
Subaru: Isso é um tipo de imitação em que eu não posso avançar a menos que diga “sim”?
Liliana novamente apresentou aquela mesma falsa escolha para Subaru, em termos práticos, Subaru não tinha escolha, ele acabou desistindo e escolhendo o “sim”. Finalmente, a expressão de Liliana tornou-se aberta novamente para comunicação. Subaru não havia considerado o alto nível de dificuldade que seria estabelecer a comunicação entre a espécie humana e a espécie da Liliana.
Subaru: Tudo bem, eu vou comprar alguns lanchinhos enquanto a Liliana canta. Emilia-tan, eu voltarei em breve, então não brigue com ninguém e espere aqui, ok?
Emilia: Sério…. Você não precisa se preocupar tanto, nada vai acontecer. Eu não quero brigar com a Priscilla.
Subaru alertou Emilia, apenas por precaução. Embora ele não duvidasse de Emilia, apenas a presença de Priscilla seria suficiente para o início de uma discussão.
Subaru: Beatrice, se algo acontecer com Emilia-tan, conto com você.
Beatrice: Eu sei, se essa garota tentar falar novamente, a transformarei em cinzas, eu diria.
Subaru: Você também não vai brigar, certo?
Confiando essa tarefa a Beatrice, Subaru preparou-se para deixar o parque, mas antes disso…
Subaru: Priscilla, tem algo que você não coma?
Priscilla: Que inesperado… um plebeu como você mostrando um pouco de consideração. Bem, nesse caso, prepare algo interessante. Se você trazer algo sem graça, vou pegar você pela cabeça, e te jogarei no chão.
Subaru: Adivinhar o que você gostaria de comer é como jogar pedra-papel-tesoura, e você ainda tem que impor essa condição cruel?!
Subaru pensou em dar a primeira iguaria que encontrasse. Priscilla sendo Priscilla, franziu a testa ao ouvir a resposta.
Priscilla: Pedra, papel… tesoura? Ela inclinou a cabeça, confusa.
Uma vez que ela já esqueceu Subaru em outra ocasião, talvez ela já tivesse esquecido da condição que ela impôs. Subaru não tinha ideia do que dizer, ela era realmente impossível de se lidar.
Emilia: Subaru, tenha cuidado.
Beatrice: Se alguma coisa acontecer, chame Betty, de fato.
Subaru despediu-se acenando a mão, enquanto se afastava dos olhares de Beatrice e Emilia. Então, ele correu para fora do parque.
Logo em seguida, a melodia de Liliana começou.
Ouvindo-a, Subaru pensou em voltar ao parque o mais rápido possível. Ele também queria presenciar a espetáculo, então, ele acelerou o passo.
Passou-se dez minutos desde que Subaru deixou o parque.
Subaru: Eu sou tão inútil, sério.
Após sair da loja, Subaru olhou para o que tinha dentro de sua bolsa e suspirou. A fim de obter os lanches adequados, Subaru foi até a primeira loja que julgou como apropriada e rapidamente concluiu suas compras. Embora intrigado com uma famosa iguaria de Pristella, um raro produto chamado “Geleia de Gina”, ele não teve coragem de levar para Priscilla.
Isso soaria como “medo de prejudicar a relação entre as duas facções”, mas na verdade, o medo que Subaru tinha era de Priscilla.
Subaru: Mas eu me pergunto se teria o mesmo gosto da Geleia Unagi. Embora eu tenha vergonha de não ter coragem pra confirmar, também não é o fim do mundo.
Subaru assobiava, enquanto corria pela estrada em direção ao parque, em um ritmo acelerado.
Ele havia contado dez minutos desde que havia saído de lá, não houve nenhuma mudança em seu vínculo contratual com Beatrice, mesmo assim, seu orgulho masculino o incentivava a voltar o mais rápido possível, mas…
Subaru: Gah, me desculpe.
Enquanto ele virava rapidamente por uma esquina, ele quase se esbarrou em alguém. Embora Subaru tenha conseguido se desviar rapidamente, ele virou a cabeça apenas para ter certeza que nada aconteceu.
Subaru: Desculpe, eu não acho que esbarrei em você, mas você tá bem?
???: Ei, moleque, você tá se desculpando? Então você deveria mostrar mais sinceridade!
O homem com quem Subaru quase colidiu respondeu com uma voz áspera, sua expressão mudou quando ele viu Subaru. Ao mesmo tempo, Subaru também ficou surpreso.
Subaru: Veja só, é você Chin? Por que continua fazendo as mesmas coisas idiotas mesmo depois de ser contratado por Felt?
Rachins: Você é um pé no saco! Eu já disse que não é Chin! E o que diabos você está fazendo aqui?!
O homem zangado que cuspiu essas palavras, era o mesmo mensageiro de ontem que fez bagunça ao entregar sua mensagem. De acordo com o que Felt havia dito, ele teria sido instruído a passar a noite em outro hotel da cidade.
Subaru: Você está sozinho, cadê o Ton e o Kan? (Gaston e Camberley) Isso é estranho.
Rachins: Estranho, ou seja o que for, o que diabos você sabe sobre mim? Não há nada entre nós, então por que você fica tentando conversar?! Você é um puta cara chato, vamos, mexa-se!
Subaru: Você é muito frio, mesmo tendo uma relação de vida ou morte comigo.
Rachins: Não sei do que cê tá falando!
Rachins, que não estava familiarizado com Subaru, fez uma cara irritada, enquanto tentava evita-lo.
Até o próprio Subaru não entendia direito o motivo daquela relação. Talvez o cérebro de Subaru associasse o trio Tonchinkan como um inimigo mortal.
Muitas pessoas neste mundo eram ridiculamente fortes, enfrentar caras como eles deveria fazer Subaru respirar aliviado. Subaru já havia morrido para eles… ele definitivamente tinha ficado mais ousado.
Rachins: De qualquer forma, não me atrapalhe! Estou trabalhando agora!
Subaru: Você… que costumava brigar e mexer com as pessoas, agora está trabalhando… Estou feliz por você.
Rachins: O que diabos há de errado com você?!
Enquanto Subaru fingia chorar, Rachins se desviou dele e dirigiu-se a multidão. Tendo sido tratado de uma forma tão fria, Subaru coçou a cabeça e refletiu. Se você tivesse o mau habito de não tomar iniciativa e falar com as pessoas, haveria uma sensação de distância.
Vendo Rachins desparecer no meio da multidão, Subaru voltou-se em direção ao parque, no entanto, seus pés pararam subitamente.
Subaru: Hmm?
Subaru virou sua cabeça e começou a ficar desconfiado. Diante de seus olhos, naquele momento, estava o motivo pelo qual ele havia parado, todos também tinham subitamente parado.
A multidão a que Rachins se dirigiu estava paralisada, e inadvertidamente Subaru fez a mesma coisa. Rachins então, abriu caminho para fora da multidão.
Rachins: Qual é o problema de todo mundo! O que vocês estão olhando tanto?!
Enquanto insultava as pessoas, Rachins olhou para onde a multidão estava olhando, todos estavam olhando para o telhado de um enorme edifício.
Uma construção excepcionalmente alta, que funcionava como uma torre do relógio, com um sino e um cristal magico do tempo que indicava a hora do dia. Aquele era um achado bem comum em qualquer metrópole. Qualquer cidade que se preze teria várias dessas torres do relógio.
Na cidade de Pristella, também havia várias torres do relógio espalhadas, aquela era apenas uma de muitas, entretanto…
???: Céus… Por favor me desculpem, eu sinto muito.
Lá, uma figura estava observando, olhando pela janela do topo da torre do relógio, perigosamente perto da borda.
A forma como aquela figura se vestia chamou a atenção de todos ao redor, a voz da figura tremeu, como se estivesse banhada por todo o peso daquela atenção.
???: Muito obrigada a todos. Eu apenas preciso de mais um tempinho, então por favor, peço a vocês que me deem um momento.
Apesar de serem palavras de desculpas, não pareciam ser palavras genuínas, era como se a figura os tivesse desprezando, apenas priorizando seus próprios interesses.
Aquela voz trêmula partiu-se, agudamente. Apenas escuta-la era doloroso aos ouvidos, e havia uma necessidade feroz de acabar com este desconforto imediatamente.
A razão para aquela sensação estranha, talvez pudesse ser justificada pela aparência desagradável daquela figura.
A cabeça, não, o corpo todo, estava completamente coberta em bandagens, apenas seus olhos deslumbrantes estavam a mostra. Seu corpo vestido em uma jaqueta preta, ambos os pulsos estavam enrolados em uma longa corrente, cujas extremidades balançavam pelo chão, enquanto a figura caminhava pela borda da torre.
Ela fez um gesto estranho para a multidão, talvez um sorriso, mas as bandagens distorciam demais sua boca, ao ponto que a expressão fosse confortante.
???: Minhas desculpas, sou o Arcebispo da Ira do Culto da Bruxa.
Depois de dizer aquele título terrível, a figura disse seu nome.
???: Meu nome é Sirius Romaneé-Conti
Ela falou, enquanto sorria maliciosamente.
Aquelas palavras haviam sido ditas tanto com intimidade quanto com educação.
Ao ouvir o que a silhueta enfaixada disse, a multidão podia apenas olhar para cima, perplexos em meio ao silêncio.
Aquela silhueta que se encontrava vários metros acima deles tinha uma aparência peculiar e chamativa. Sua voz era estridente mas incrivelmente cativante.
No entanto, tais característica notáveis eram secundárias quando comparadas a algo ainda maior.
O motivo pelo qual ninguém ousava tirar os olhos da silhueta era, na verdade, extremamente simples. Não seria exagero dizer que era por causa de nossos instintos biológicos.
— Ninguém seria tão tolo ao ponto de descuidadamente desviar o olhar de um inimigo potencialmente letal.
“Hã, quê?”
“O que foi que esse cara disse?”
“É uma piada né? O Culto da Bruxa, o que há com…”
A multidão começou a entender gradualmente após um leve atraso.
No entanto, ninguém agiu. Todos simplesmente questionaram aqueles ao seu redor, como se duvidando do que acabaram de ouvir.
Rachins: O que foi que esse desgraçado disse agorinha? Você ouviu?!
Rachins, que correu de volta para Subaru, reagiu da mesma forma.
Ele passava pela multidão e se aproximava de Subaru enquanto ficava de olho na torre do relógio, já Subaru, meio separado da multidão, não deixou seu olhar vacilar por nem mesmo um segundo.
Uma catástrofe definitivamente iria ocorrer assim que ele parasse de olhar.
Levando em conta a identidade da silhueta, isto era um fato inegável.
— Isto é, aquela figura era um ser da mesma laia que Petelgeuse.
Subaru: Além disso, se proclamando um Romanee-Conti…?
Aquela silhueta enfaixada disse seu nome, Sirius Romanee-Conti.
Por mais ridículo que seja, Romanee-Conti era o sobrenome de Petelgeuse, embora seja impossível aquele espírito maligno ter parentes de sangue.
Subaru: Não me diga que todos os cultistas tem o mesmo sobrenome.
Uma família inteira de Romanee-Contis seria um pesadelo de se lidar.
Uma religião perversa pregando os ensinamentos da bruxa, tudo sob o nome de Romanee-Conti? Era distorcido e desagradável só pensar no assunto.
Ao mesmo tempo, uma onda inacabável de raiva se formava dentro de Subaru.
Embora não seja a Gula que Subaru está à procura, se era alguém que poderia dar a ele alguma pista sobre seu paradeiro, então…
Subaru: — Vou tentar capturar ele e fazer com que explique tudinho.
Embora difícil, isso poderia abrir um caminho para achar a Gula.
Determinado, Subaru acalmou seu coração em chamas e focou em buscar sua conexão com Beatrice, Beatrice apareceria para Subaru assim que fosse invocada.
Era um efeito do contrato entre contratante e espírito.
Nas profundezas de seu ser, Subaru se agarrou à conexão deles, se preparando para usá-la, até que…
Sirius: — Certo! Já é o bastante!
Subaru: —?!
Assim que estava prestes a chamar Beatrice, uma voz estridente e seca ecoou.
Aquela voz dava a impressão de que podia permear a cidade toda. A silhueta enfaixada bateu palmas e Subaru abriu seus olhos, vendo que a pessoa estava olhando para a multidão sob ela.
Sirius: Levou 22 segundos para todos ficarem em silêncio. Mas agradeço pela atenção de todos vocês. Estou muito feliz. Além disso…
Apesar do quão irônicas eram estas palavras, a pessoa enfaixada, Sirius, ficou de braços cruzados enquanto seu corpo todo tremia. Embora ele parecesse extremamente feliz, a fricção entre as correntes que saíam de seus braços e as paredes da torre do relógio criavam um ruído desconfortante.
Sirius: Você e você aí, os dois carinhas ali, e você também. Sinto muito, mas por favor não fiquem irritados. Sinto muito por ocupar o tempo precioso de todos. Perdão e obrigado.
Subaru: Não se…
Sirius se contorceu, como se estivesse genuinamente reclamando.
Subaru estava preparado para gritar “Não seja ridículo”, mas, antes destas palavras saírem de sua boca, percebeu que, quando Sirius disse “não fiquem irritados” e apontou para cinco pessoas, ele havia sido incluído.
Olhando em volta, ele viu as outras pessoas as quais Sirius apontou, todas pareciam ter um certo nível de habilidade. Um homem-fera com uma espada na cintura, uma mulher com uma venda, e Rachins, que estava pálido.
Aqueles escolhidos eram todos pessoas que haviam se preparado para agir contra Sirius de alguma forma. Era um aviso de que haviam sido descobertos.
Subaru percebeu que suor frio havia começado a escorrer por sua testa e parou de tentar chamar por Beatrice.
Ele há muito tempo já havia compreendido o quão aterrorizante era um ataque do Culto da Bruxa, e sabia que sobreviver era a prioridade. Na praça ao redor de Subaru, haviam pelo menos trinta pessoas reunidas.
Se não conseguisse encontrar uma vantagem de alguma forma, então já era tarde demais.
Subaru piscou em direção aos outros quatro que foram mencionados por Sirius, estabelecendo contato visual.
Tanto o homem-fera quanto a mulher vendada notaram, assim como um cidadão com uma aparência perspicaz. Rachins desviou seu olhar de Subaru, seu rosto contendo vagos traços de confusão.
Rachins era aquele com a mais potente carta na manga. O poder para invocar Reinhard.
Ontem Reinhard havia recordado Rachins de que, caso algo acontecesse, era só sinalizar. O que quer dizer que havia um sinal pré-estabelecido entre os dois e, assim que Rachins o usasse, Reinhard apareceria. Contanto que Reinhard fosse ao local, seja quem for, Culto da Bruxa ou Sirius, qualquer inimigo seria eliminado sem sombra de dúvidas.
No entanto, certamente haveriam baixas assim que Rachins desse o sinal. Esse provavelmente era o motivo por trás da hesitação de Rachins.
Se ignorarem os sacrifícios, então esta seria a melhor forma de lidar com Sirius.
Mas eles precisavam arriscar assim imediatamente? Os sacrifícios valeriam à pena?
Sirius: Certo, agradeço. Parece que todos se acalmaram um pouco. Entendo o porquê por trás da apreensão de vocês. Ouvir o nome “Culto da Bruxa” não deu uma impressão muito boa, não foi? Então, não planejo fazer nada muito especial. O motivo pelo qual estou ocupando o precioso tempo de todos hoje é porque necessito confirmar uma coisa.
“Confirmar… uma coisa?”
Sirius: Sinto muito, por favor não conversem muito. Minha cabeça não está muito boa, se todos falarem ao mesmo tempo, não conseguirei acompanhar. Então eu ficaria bem triste. E isso não seria bom, seria? Se há algo incomodando algum de vocês, por favor me digam. Estou ocupando o tempo de todos e isto me deixa com uma sensação de culpa, então, não importa que pergunta seja, irei responder. Tudo bem?
Sirius, do começo ao fim de seu monólogo, falava de um jeito racional e com intimidade, mas esta atitude era desconfortante, o que era de se esperar, levando em conta o senso de repulsa que as pessoas iriam sentir em relação à uma pessoa toda enfaixada com apenas seus dentes e olhos visíveis.
Provavelmente todos pensavam desta forma. Mesmo frente à sugestão de Sirius, a multidão permaneceu em silêncio e olhando para aqueles ao redor. Nesse caso…
Sirius: Com todo o devido respeito, posso fazer uma pergunta a vocês?
Já que ninguém havia levantado a mão, Natsuki Subaru tomou a iniciativa.
Subaru, percebendo que encontrava no centro de uma onda de surpresa, manteve seu olhar atentamente fixado em Sirius, que o olhava lá de cima.
Sirius: Sim, por favor, vá em frente. Agradeço. Foi você que ficou um pouco irritado agora há pouco, então estou muito feliz que esteja disposto a falar comigo. O que quer saber?
Subaru: Mesmo eu não sabendo o que tá rolando aqui, tem umas garotas esperando por mim. Quatro, pra ser mais exato. Seria uma boa se você deixasse a gente ir logo.
Sirius: Minha nossa! É de fato terrível, sinto muito. Mas eu não esperava isso de você. É o sonho de todo homem ter quatro garotas em sua vida? Isso é mau. Não é triste deixar algumas delas chorando? Temos que pôr um fim a esta deslealdade impermissível que absolutamente não pode ocorrer e que deve ser totalmente proibida.
Subaru: E-Ei?
A voz de Sirius foi ficando cada vez mais enérgica no meio de seu discurso, virando um sussurro em seguida. No entanto, ao ouvir a voz confusa de Subaru…
Sirius: Não, não, acabei me deixando levar pelas minhas emoções. Sinto muito. Embora eu tente manter a calma, isso sempre acaba acontecendo. Agradeço por se preocupar comigo. Bem… você perguntou quando eu deixaria todos irem?
Subaru: …Ah, isso aí. A gente adoraria muito.
Sirius: Sinto muito por incomodá-los, sinto muito mesmo. Mas está tudo bem. Embora eu esteja no Culto da Bruxa, sinceramente, odeio perturbar as pessoas. Meus camaradas normalmente dão trabalho às pessoas, sinto muitíssimo por isso também.
Inesperadamente, estabelecer diálogo com ele era até que fácil, então Subaru, meio suspeito, começou a refletir sobre o arcebispo.
Sua atitude branda, seu modo de falar extremamente cortês, o diálogo que tiveram entre eles — Levando tudo isso em consideração, será que Sirius era uma mulher?
As faixas deixavam seu rosto impossível de se ver e seu corpo estava coberto por um casaco grande, o que dificultava o reconhecimento. Sua voz era aguda, mas, ao invés de soar feminina, soava mecânica, então era difícil usar isso como critério também.
Talvez seja uma mulher, Subaru não se importava.
Na verdade, julgando pela conduta e atitude de Sirius, não havia nenhuma ameaça em particular.
Sua aparência anormal e a forma como se apresentou fizeram com que várias pessoas ficassem de guarda, mas, ignorando estes fatores, era mais fácil de conversar com ela do que com a Priscilla.
Na multidão que o cercava, a atmosfera pesada que havia se formado começou a dissipar-se gradualmente, os olhares das pessoas começaram a conter curiosidade, como se esperando que ela se explicasse.
Subaru fez o mesmo, embora ainda um pouco nervoso.
Sirius: Agradeço. E sinto muito. Parece que assustei a todos. Mas estou muito feliz que todos vocês estão dispostos assim a me ouvir.
Subaru: Não é como se a gente não fosse te perdoar. Mas vamos logo ao assunto.
Sirius: É mesmo, agradeço por me recordar. Vamos ao assunto. Me revelei na frente de todos para afirmar algo.
Sirius tremia enquanto esfregava suas duas correntes uma contra a outra, criando um som áspero.
Na realidade, ao invés de ser desconfortante, esse ato parecia divertido. Ela parecia muito mais um bobo da corte ou uma performista do que alguém perigoso.
O rosto de Subaru relaxou-se com um sorriso e sua apreensão se foi.
Ele não achava mais necessário chamar Beatrice. Ele só esperava poder ouvir logo o que Sirius tinha a dizer e ir embora.
Subaru: Então, o que é que você quer afirmar?
“É, é, acelera aí e conta pra nós!”
“É, estou quase atrasado para o meu trabalho!”
Assim que Subaru a pressionou, um pandemônio de conversas iniciou-se.
Um homem apontou para a torre a qual Sirius estava e começou a gargalhar.
Enquanto o redemoinho de risos se espalhava, Subaru não tinha opção a não ser relaxar ainda mais. Sirius pareceu ceder à atmosfera e então colocou uma mão na cabeça.
Sirius: Me desculpe, eu sinto muito. Muito mesmo. Eu sei que todos são ocupados. Colocarei um fim ao meu discurso em breve, então por favor não se distraiam.
Subaru: Então conta logo pra gente!
Sirius: Certo! Bem, irei dizer. O assunto que quero afirmar é bem simples. Sendo direta, há algo que quero afirmar sobre... Amor. Ahhh, que constrangedor!
Mesmo com as faixas já ocultando quaisquer traços de seu rosto corando, Sirius cobriu seu rosto com a mão, tentando esconder sua vergonha. Enquanto todos riam de forma silenciosa e infecciosa, a aparência de Sirius havia começado a parecer cada vez mais fora do lugar.
Sirius: Embora eu esperasse que iriam rir de mim, ainda assim me incomoda um pouco. Agradeço por me ouvirem. Agradeço, e também tenho um pedido.
Subaru: Pedido?
Sirius: Eu acho que, se todos ficarem comigo mais um pouco, eu posso afirmar esse amor. Sinto muito por dizer coisas tão egoístas.
Sirius começou a gaguejar, esfregando suas mãos e correntes umas contra as outras enquanto fazia sua sugestão.
Frente à uma visão tão adorável, a multidão reagiu com um “Que, isso é tudo?”. Subaru também cruzou seus braços e acenou com a cabeça enquanto sentia a alegria espalhar-se por toda a multidão.
Sirius, com seus olhos brilhando de alegria, começou a bater palmas.
Sirius: Sério? Agradeço, muito obrigada! Sinto muito. Este mundo é realmente muito gentil. Cheio de amor e afeto. Sempre que entendo isto, não tenho escolha a não ser querer expressar minha gratidão. Pessoas são capazes de compreender e importar-se umas com as outras. Talvez eu sempre fale “Agradeço” e “Sinto muito” para poder confirmar isto.
“É, é, a gente entende! Sirius! O que vem agora—?”
Sirius: Ah, sinto muito!
A aventureira vendada animou Sirius. Ela percebeu seu olhar e começou a rir junto a ela, como se tivesse ouvido a voz de uma colega de sala que foi sua amiga por dez anos.
Então, como se finalmente tivesse se lembrado de seu próposito, Sirius retornou para a torre do relógio e esticou sua mão. Então…
Sirius: Sinto muito por deixá-lo esperando. Bem, venha cá.
???: ———!
Ela falava com um jeito amigável enquanto puxava alguém pela janela.
Uma pequena silhueta gemeu e debateu-se nos braços dela — um garotinho que havia sido acorrentado completamente.
Ele tinha apenas cerca de dez anos, e seu corpo inteiro, de seus calcanhares aos seus ombros, foi envolto por uma corrente. A corrente também estava servindo de mordaça, os cantos de sua boca estavam sangrando. Estava livre apenas do pescoço para cima, chacoalhando sua cabeça em desespero e chorando como se implorasse por algo.
Sirius: Sinto muito por assustar tanto você. No entanto, como um homem, chorar desse jeito não é bom. Embora eu queira manter isso um segredo, parece que você está prestes a se molhar todo. É constrangedor, e é uma tristeza que todos irão poder ver.
???: Hmm! Mmgh!!
“Sim—! É tão constrangedor!”
“Se você é um homem, não chore!”
“Homens choram apenas 3 vezes na vida, e mesmo assim é só por um momento.”
Enquanto Sirius consolava o garoto aos prantos, a multidão sob eles zombavam dele.
Todos já haviam passado por um período de tempo no qual choraram por coisas insignificantes, então as provocações não eram maldosas, mas a falta de consideração deles era evidente.
Sirius: Certo, já é o bastante, pessoal! É verdade que esta criança é meio desajeitada, mas ele na verdade é bem corajoso. Não é mesmo, Lusbel?
Lusbel: ———!
O jovem acorrentado provavelmente não era leve, mas Sirius o segurava com uma mão enquanto acariciava sua cabeça com a outra e voltava-se novamente ao público.
Lusbel, como o garoto aparentemente se chamava, desesperadamente se debatia tentando afastar sua cabeça do rosto de Sirius.
Era uma cena um tanto engraçada, e, embora seja humilhante para o garoto, a multidão riu inconscientemente.
Sirius: Excelente. Bem, por favor prestem atenção. Perdão. Este aqui é Lusbel, um garoto de nove anos que vive em Pristella. Ele faz parte da família Kallard, então seu nome completo é Lusbel Kallard.
Lusbel: Mmph! MMPH!!
Sirius: O nome de seu pai é Muslan Kallard. O senhor Muslan trabalha para manter a estabilidade dos canais. Ina Kallard, a mãe do Lusbel, está grávida. Sua barriga acabou de começar a ficar maior, então Lusbel está ansioso para ter um irmãozinho ou uma irmãzinha. A família Kallard vive na Terceira Rua. Eles vão ao parque da cidade frequentemente com uma amiga da família, Tina. Lusbel e Tina são amigos de infância e se amam com ternura. O sonho de Lusbel é que Tina fique ao seu lado e o apoie. Tina é uma garota com cachos loiros e claros, e se espera que sua beleza floresça enquanto amadurece. Tina também quer apoiar o sonho de Lusbel. Após ouvir a canção “Delphin Traído pelo Pôr do Sol”, Lusbel queria se tornar um aventureiro assim como Delphin. É um sonho digno de elogios para um garoto nessa idade. Embora hajam pessoas que ririam desse sonho infantil, eu não faria isso nem pensar. Quem seria capaz de rir do seu espírito masculino? Creio que a Tina pense o mesmo, que é o motivo por apoiá-lo de corpo e alma. Certo, embora o sonho do Lusbel seja se tornar um aventureiro, ele também está ansioso para se encontrar com o bebê dentro de sua mãe. Seu plano original era embarcar em uma jornada em busca de aventuras imediamente, mas ele adiou isto por consideração por seu irmão ou irmã ainda não nascido. Por causa da grande diferença entre suas idades, aquela criança provavelmente receberia muito amor. Lusbel também é um bom garoto que se importa com os outros, então acho que seria um belo irmão. Eu ficaria muito grata se todos pudessem apoiar os sentimentos do Lusbel também. Ah, claro, não podemos nos esquecer da Tina. Na realidade, a pessoa que eu planejava trazer aqui no começo era ela ao invés do Lusbel, porque acho que, quando se trata do amor que quero afirmar, garotas estão mais próximas a ele do que garotos. No entanto, meu coração ficou impressionado com as súplicas desesperadas do Lusbel. Sinto muito, não sou uma pessoa assim tão inflexível. Então mudei de ideia… ah, se bem que, ser temperamental é apenas minha atitude de sempre. Quando falo de amor, eu falo do fundo de meu coração. Ah, que constrangedor. Sinceramente, assuntos meus não importam. Devíamos nos focar no Lusbel e na Tina. Já que eles já se amam tanto, não sei o quanto irão gostar um do outro no futuro, então separá-los iria me deixar muitíssima triste. Então decidi que iria respeitar os sentimentos do Lusbel e ajudá-lo. Mesmo que Lusbel tivesse ficado levemente assustado e até mesmo chorado um pouco, ele é uma criança corajosa. Agradeço, e sinto muito. Terminei de falar de forma a ser conveniente para todos.
Lusbel: Mmph! Mmmph! Mmgh!
Após ouvir sobre a vida daquela criança — de Lusbel, todos entenderam e concordaram.
Pelo visto, embora misturada com um pouco de vergonha, a coragem de Lusbel era de fato louvável. Com isso em mente, Subaru queria bater em si mesmo por pensar em coisas humilhantes e ridículas.
Mas esta não era uma ocasão para se culpar. Demonstrar apoio ao garoto era muito mais importante que passar o tempo sendo autodepreciativo.
E então…
Subaru: Lusbel, não chore! Você é o melhor!
Subaru gritou com vontade, elogiando a coragem nas lágrimas do jovem.
Sabendo da coragem genuína soterrada sob estas lágrimas, como ele poderia rir desta vergonha? Rachins, que estava ao lado de Subaru, começou a encorajar o garoto também.
Rachins: É, não chora mais! Você é um homem, não é?! Se for, mostra o teu lado bom, garoto!
“Sim, ouça bem, Lusbel! Você é o orgulho de Pristella!”
“Lusbel—! Incrível—! Você será um grande homem!”
O povo o animava, todos ali presentes começaram a bater palmas.
Não era só uma situação onde elogiavam a dedicação e coragem do jovem garoto, mas uma que também mostrava a gentileza humana.
Não importa o quão acabado ou desesperado você possa parecer, o que importa é sua vontade de proteger aqueles que valorizava, e aquela luz que era o que fazia as pessoas se sentirem atraídas a você. Eles podiam apenas rezar para uma revelação dessas.
Sirius: Ah… agradeço, muito obrigada! Ah, isto é incrível! Eu acreditei que todos nós seríamos capazes de entender. Eu sabia que todos iriam louvar a coragem do Lusbel-kun, porque ele demonstrou a vontade do amor juntamente com ela! Se vocês o conhecessem, iriam amá-lo. Por causa desta compreensão mútua, todos agora tem uma compreensão aprofundada do amor de cada um!
“Sirius—! Obrigado, muito obrigado!”
“Lusbel—!
Os olhos de Sirius se arregalaram e lágrimas começaram a escorrer livremente. Ao ver as faixas ao redor de seus olhos ficarem molhadas por conta das lágrimas, Subaru sentiu algo quente em seus próprios olhos.
Seu ombro havia sido cutucado levemente. Rachins, ao seu lado, estava rindo de Subaru, que estava chorando. No entanto, embora ele estivesse rindo, Subaru não deixou as lágrimas nos olhos de Rachins passarem despercebidas.
Ao olhar em volta, as pessoas ao ser redor também pareciam compartilhar das mesmas emoções. A Copa do Mundo veio à mente de Subaru. Quando o mundo todo competia entre si e as pessoas se juntavam com desconhecidos para compartilhar com eles sua alegria.
E agora, com aquela paz e compreensão se espalhando gradualmente, havia, de fato, um laço sólido.
Sirius: Nossa incompetência em entender uns aos outros cria barreiras entre nós. Nossas mentes não serem capazes de simpatizar, leva-nos a hostilidade. Nossa incompetência em tirar conclusões nos faz desistir uns dos outros. Isso tudo é de partir o coração. Na realidade, é uma tragédia. Mas agora, pessoal, vocês estão tristes? Vocês se sentem de coração partido?
“Nem um pouco! Tristeza ou o que quer que seja, nenhum de nós se sente assim!”
Sirius: Agradeço! Então, vocês se sentem felizes? Todo mundo se sente feliz?
“Claro! Já faz tanto tempo desde que me senti tão feliz assim! Obrigado, Sirius! Você perseverou, Lusbel!”
De repente, um redemoinho de aplausos se formou, dando origem a um círculo de gratidão ao exaltado Lusbel. Agora o foco de todos ali presentes estava em um único lugar, tudo graças aos dois lá na torre do relógio.
Lusbel se contorceu e choramingou, finalmente abrindo sua boca, ignorando a corrente e gritando com seus dentes lascados.
Lusbel: Gu, gah! Acordem, por favor—! Me… salvem! Socor… hk!
Sirius: Eu quero elogiar sua coragem e seu amor, Lusbel! Por favor olhe lá para baixo. Todo mundo, tantas pessoas estão afirmando seus sentimentos! Ah, obrigada! Sinto muito, Lusbel. Embora você tenha sido uma segunda opção, eu só gostaria de afirmar esta cena. Ahh, ahh, o mundo é tão gentil!
Sirius segurou Lusbel firmemente nos braços.
Esta beleza deu origem a aplausos retumbantes. Subaru colocou sua mão na boca e assoviou. O alvo de todo esse clamor, Lusbel, os encarou com surpresa.
Era um homem que havia se esforçado ao seu máximo. Mesmo não tendo mais forças para sequer chorar, nem mesmo uma única pessoa ria dele.
Sirius: Afinal de contas, aí está. Nós temos amor. Ele existiu, bem aqui. Os corações de todos são apenas um, e em um cenário de alegria ainda. Não precisamos de tragédia. Estamos fartos de um mundo que nos faz chorar. Ninguém quer um mundo assim. Se nossos corações querem se conectar, então eles deviam fazer justamente isso através do compartilhamento de alegria e felicidade. Seja tragédia! Ou seja ira! Não precisamos de nada disso!
“Isso aí! Tragédia ou o que for, não queremos nada disso!”
Sirius: Ah, essa ira proibida que faz os corações estremecerem tanto! Fúria, emoções ardentes! Se esse pecado ardente está enraizado em nossos corações, se não somos capazes de remover tal retribuição, então devemos preenchê-la com alegria! Neste exato momento, os corações de todos estão conectados como se fossem um!
Sirius gritou com vontade, mais uma vez erguendo Lusbel em direção aos céus.
Mas ela não parou por aí. Banhando-se na admiração de todos, jogou Lusbel.
Sirius: Por favor, Nos deem! Aplausos retumbantes!
Sirius deu o melhor palco possível a Lusbel, que planava pelo ar.
Observando o jovem garoto cortar os céus, como se voando em direção ao Sol, Subaru liderou a multidão a outra salva de palmas.
Aplausos retumbantes e trovejantes, uma bênção dos deuses a Lusbel, que deslizava pelos céus.
Aquele pequeno corpo girando e girando, mas assim que alcançou o auge de sua trajetória, começou a inclinar-se para baixo. Lusbel estava indo direto de encontro ao chão.
A multidão em pânico abriu caminho no lugar onde ele iria cair. Era a entrada triunfal de um herói.
Aplausos sem fim, louvor pelo garoto em queda livre.
“MMMMMM!!”
Erguendo sua cabeça e vendo o chão se aproximando dele, Lusbel gemeu.
Ele desesperadamente debatia seu pequeno corpo que deveria estar exausto, querendo fazer o que quer que seja para evitar aquele chão sólido, lutando incansavelmente até seu último suspiro.
Todos estavam com lágrimas nos olhos, contemplando a tenacidade inflexível da humanidade. Então…
Sirius: — Ah, o mundo é tão gentil!
Antes do feroz impacto, Sirius soltou um grito.
Os aplausos da multidão, que haviam ouvido aquela voz, foram ficando cada vez mais altos—
Como se ovos tivessem caído no chão, o som de algo rachando ecoou, com isso, o campo de visão de todos foi se tornando vermelho.
O corpo havia sido esmagado pelo chão sólido, o corpo de Lusbel, que uma vez conteve o sopro da vida, se tornou uma mancha de carne naquela praça.
— Mas, logo após presenciar esta cena…
Crack.
O som de ovos rachando ecoou como uma salva de palmas. A praça tornou-se uma piscina escarlate.
E então as cortinas se fecharam.
Liliana: Depois que a música acabar e elas voltarem a conversar, não deveríamos preparar algo para elas comerem e beberem? Alguns lanchinhos certamente vão dar uma amenizada no clima e diminuir a distância entre elas, você não acha?
Subaru piscou quando viu a garota bronzeada em sua frente.
Ela tinha um jeito desajeitado e provocativo, colocando sua língua para fora e coçando sua bochecha.
Como se estivesse hipnotizado, ele virou-se para o lado e deparou-se com uma garota sorridente de cabelos prateados que estava por perto, e uma mulher de cabelos avermelhados com uma atitude impudente. E então uma garotinha que estava segurando sua mão—
Liliana: …Ah, ah, o que tá acontecendo? Fui ignorada? Você tá me ignorando!? P-Por favor pare com isso, não olha pra mim com toda essa amargura. Ah, ah, para, para… n-não suspire desse jeito logo depois de ouvir minha música… não fique com essa cara de decepcionado, me perdoa… hk
Frente a esse silêncio, a garota em sua frente, Liliana, estremeceu por completo como se estivesse se lembrando de algo que não queria lembrar.
Ao ver esta situação, Subaru disse repentinamente…
Subaru: …Não tô me sentindo muito bem.
Liliana: Hã?! Como que isso tá acontecendo?! Olhando para o rosto de uma garota com tanta vontade, assim tão de perto, e a primeira coisa que você diz é que não tá se sentindo bem! Eu, Liliana, estou envergonhada do senhor Natsuki assim como sua mãe deve se sentir!
Liliana fingiu estar prestes a chorar, desviando seu rosto, porém ainda de olho na reação de Subaru, ele não conseguia nem prestar atenção na atitude irritante dela. Ele estava se sentindo tonto, não aguentou mais e desmoronou.
Emilia: Subaru? Algo de errado?
Beatrice: O que aconteceu, eu diria? Subaru? Subaru?”
Beatrice, que estava segurando sua mão, e Emilia, que estava ao seu lado, olharam para Subaru preocupadas. Subaru havia ficado tão pálido que as duas não tinham escolha a não ser segurar o fôlego.
Subaru: —Não tô me sentindo muito bem.
Já fazia um ano desde que ele usou o seu Retorno Através da Morte, e o acontecimento aterrador que precedeu sua『Morte』o deixou à beira de vomitar enquanto segurava seus joelhos que não paravam de tremer.
E então a espiral da『Morte』se inicia novamente.
Desta vez, o palco do ciclo de pesadelos era a cidade de Pristella.
— Mais uma vez, as cortinas se abriram.
..."Continua..."...
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Atualizado até capítulo 61
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