O Custo de um Erro

???: Me desculpem, eu não esperava convidados, então não tive tempo de limpar.

Mimi: ~Hmm, nós não nos importamos~ está muito limpo. O quarto de Mimi é bem mais caótico.

???: Ah, isso não é bom para uma garotinha como você.

A mulher acariciou casualmente Mimi, que estava sentada no sofá balançando os pés casualmente, parecendo muito confortável.

Imerso nessa cena, Garfiel olhou silenciosamente para a mulher. Seus longos cabelos loiros caíam até a cintura, sua pele era branca como a neve, seu corpo esbelto mantinha a suavidade de uma mulher que aparentava ter 25 anos, embora ele acreditasse que ela tinha mais que 35. E seu rosto macio exibia um par de claros e calmos olhos verde-esmeralda.

Não importava como toda a situação parecesse, isso não correspondia às expectativas de Garfiel, que agora era a fonte de sua confusão,

???: Senhor Tigre, o chá não está do seu gosto? Desculpe, não perguntei o que você gostaria de beber…

A mulher que se apresentou como Reala Thompson, franziu o cenho para o silencioso Garfiel, que foi abalado pela sua voz. Ele olhou para seu chá preto intocado e rapidamente pegou a xícara enquanto a examinava.

Garfiel: Ah, não, eu estava apenas pensando em como aqui é um lugar anormalmente grande, apenas isso, mas o chá está realmente muito bom.

Reala: Ah, é mesmo? Fico feliz que tenha gostado, minha família é bastante grande então é bem mais confortável ter um espaço maior, mas isso torna a limpeza mais difícil. Lamento, parece que fui descuidada de novo.

Reala aceitou os pedidas de desculpas de Garfiel e respondeu com sua voz doce e suave.

O grande pátio em sua casa e o acabamento requintado refletiam sua declaração. Seu sorriso, seu tom de voz. Deixando ele em estado de Nostalgia.

No entanto, vendo a reação da mulher, Garfiel sentiu uma dor percorrer seu peito.

Reala não disse uma só palavra sobre o olhar de Garfiel. Este detalhe por si só prendeu o coração dele.

A mulher que afirmava ser Reala Thompson parecia exatamente com Reshia Tinsel, mãe de Garfiel, que estava claramente gravada em sua mente.

Eles haviam sido separados ainda quando Garfiel era um bebê, e as memórias que ele tinha dela eram vagas. Mas mesmo assim, ele se recordava dela desde que passou pelos testes detestáveis no santuário. Lá ele testemunhou a despedida de sua mãe.

Seu rosto, sua voz, seu amor, Garfiel conhecia todos eles da Provação. E naquela Provação que Echidna havia mostrado a ele, a infeliz morte que sua mãe sofreu após sua partida do Santuário. Então para Garfiel, ver sua mãe novamente era um sonho impossível.

No entanto, a presença daquela mulher fazia ele sentir algo que não sentia desde quando era bem novinho, um sentimento bom, de conforto e carinho.

Reala: Senhorita Mimi, seus ouvidos parecem tão macios. Posso tocá-los?

Mimi: Claro, por favor, vá em frente.

Reala estendeu a mão alegremente, acariciando os ouvidos de Mimi com um olhar de satisfação. Mimi respondeu com um sorriso, parecendo o de uma jovem criança inocente. Para Garfiel, essa mulher simplesmente não tinha um senso de cautela, colocando dois estranhos dentro de sua casa. Tais atitudes foram, para Garfiel, todas associadas à maternidade.

Sua mãe, Reshia, era uma pessoa bastante infeliz. Os pais dela perderam tudo o que tinham por causa das dividas, e a venderam para um grupo de comerciantes de escravos, que foram emboscados por bandidos Demi-Humanos, os quais fizeram de Reshia sua concubina.

Em algum lugar ao longo do caminho, ela ficou grávida de Frederica. E os bandidos a venderam mais uma vez para outro bando de ladrões, e ela conviveu um bom tempo com eles.

Frederica cresceu dentro daquele regimento de ladrões. Embora raramente falasse desses tempos, ela considerou a partida de Reshia um motivo de agradecimento, o que levava a crer que foi uma época bastante dura para ambas.

Sofrendo infortúnio atrás de infortúnio, ela foi resgatada pelo curioso Roswaal.

Roswaal lhe fizera uma proposta; ele os levaria para o santuário, onde receberiam segurança e abrigo. E lá Ryuzu se tornou sua guardiã.

O tratamento da vida para com ela, só poderia ser dito como “cruel”.

No entanto, a personalidade de sua mãe era desconhecida para aqueles que apenas ouviam as histórias. Quem realmente conhecia sua mãe nunca daria a sua vida uma avaliação tão infeliz.

Ryuzu: Oh, Reshia, aquela criança sempre foi otimista em relação ao futuro. Apesar de sofrer muito, o que faria qualquer um desistir da vida, ela sempre dizia: "Talvez alguma coisa boa aconteça amanhã. Mesmo que hoje tenha sido difícil, amanhã talvez, algo de bom aconteça". Ela sempre ansiava pelas pequenas coisas felizes da vida, como uma criança.

 Frederica: Nossa mãe pode até ter sido uma mulher tola, que não soube enfrentar seus problemas de frente, e desistiu facilmente de seus objetivos, mas… ela era incrivelmente gentil e guerreira, ela é a pessoa que mais admiro nesse mundo. Tenho orgulho de ser sua filha, do fundo do meu coração.

Roswaal: Hmm? Reshia? Sua mãe? Isso meeesmo, embora eu nunca tenha tido a oportunidade de conversar muito com ela cara a cara, posso dizer que ela era incompreensível. Ou melhor, incrível? Ela era muito mais sensível e sempre foi alegre, encontrando felicidade em todas as piores situações.

Ryuzu… Frederica… e até Roswaal falaram dela com carinho. Essa era a imagem que todos que a conheciam tinham em suas memórias.

Se tudo o que diziam fosse realmente o caso, ela não teria partido em busca de seu pai e, logo em seguida, ter passado por mais um infortúnio levando a sua morte. Onde estava sua felicidade nisso?

– Ela nunca havia encontrado a resposta para sua felicidade.

Garfiel: Se eu não encontrar, é melhor desistir…

As unhas se cravaram na palma de sua mão enquanto ele fechava o punho fortemente.

Ele deveria ter desistido. Ter se desapegado a essa esperança. Levou muito tempo, mas ele finalmente estava começando a aceitar isso. E, no entanto, ela estava ali. Por que agora? Por que ela estava ali? Com essa atitude alegre e despreocupada?

Garfiel ficou em silêncio enquanto Mimi e Reala brincavam. A fim de impedir que ela notasse, ele se resignara a observar secretamente suas expressões e comportamentos. Nada parecia artificial. O comportamento de sua mãe de tratá-lo como um estranho era completamente natural. Será que essa era sua resposta?

Ela finalmente teve uma vida boa. Esquecendo-se de Garfiel, ela levou uma vida feliz.

“Eu não importo mais com você”, foi a resposta de sua mãe para–

Fred: Mãããee.

Irmã: Mãe, estou com fome.

Garfiel permaneceu em silêncio enquanto o irmão e a irmã se juntaram a eles na sala de estar após irem se trocar no quarto.

A irmã lançou um olhar severo para Garfiel e depois se aconchegou na saia da mãe.

Irmã: Mãe, diga aos convidados para irem para casa, assim podemos comer logo.

Reala: Hã? Do que você está falando? O senhor Tigre e Mimi salvaram Fred quando ele quase se afogou.

Irmã: Hmm, sobre isso… não poderia ter sido o Tigre que tenha feito isso? Talvez ele tenha feito isso para vir até nossa casa e se aproveitar de nossa generosidade. Talvez ele queira dinheiro.

Reala: Ei, isso está indo longe demais. Mas pensando bem, você pode estar certa, devemos agradecê-lo pelo que fez por Fred… devemos dar dinheiro a ele?

Irmã: Mãe?!

A irmã que percebeu que suas palavras estavam prestes a se tornar a falência de sua família, entrou em pânico. Por outro lado, Reala, que não conseguiu entender o motivo do discurso de sua filha, olhou em volta confusa.

Aquela interação sorridente entre mãe e filha tornava a respiração ainda mais difícil do que andar descalço sobre espinhos.

Então, esvaziando o chá em um só gole, Garfiel baixou a xícara em um estrondo.

Garfiel: Já que meu eu incrível não parece ser bem vindo aqui, é melhor irmos embora.

Mimi: Haauuuh, por quê?

Garfiel: Não há um motivo específico.

Embora ele quisesse ir embora, Mimi continuou a resistir. No entanto, como se ele não tivesse ouvido o que ela havia dito, Garfiel a carregou. Quando ele se levantou para sair, Reala parecia perturbada, enquanto sua filha sorria maliciosamente para ele.

– Garfiel respeitava seus sentimentos, e com esse pensamento,

Fred: Não vá, Gorgeous tiger…

Agarrando a barra da calça de Garfiel, o irmão mais novo impediu sua ida. Por um segundo, por razões que desconhecia, Garfiel hesitou em afastar as mãozinhas. Mas…

Irmã: Fred! Francamente, você é…

Enquanto Fred defendia que o suspeito ficasse, a irmã, indignada, colocou a mão na cintura enquanto discutia com o irmão. Reala bateu palmas, chamando a atenção de todos.

Reala: Todo mundo. Olha, não é legal não se dar bem. Você está pressionando nossos convidados os mandando embora, não os force a fazer o que não querem, é falta de educação, além disso, Fred parece querer que eles fiquem.

Irmã: Mas, mãe…

Reala: Sr. Gorgeous Tiger e Mimi, fiquem um pouco mais, sim? Ficaria muito feliz em compartilhar o jantar junto com vocês. A refeição de hoje a noite é o meu prato favorito.

Fred: Mãe, toda a comida que você prepara acaba sendo sua favorita…

Reala: Hmmm, isso não deveria ser óbvio? Mamãe sempre dá o melhor de si para preparar todas as refeições para vocês.

Embora sua habilidade não fosse visível, ela certamente teve todo um esforço para fazer o seu melhor. Todos os presentes exibiam uma expressão de pânico, Garfiel mais que qualquer outra pessoa.

Esta atmosfera harmoniosa cortou o coração de Garfiel.

As palavras que Reala havia falado lançaram sobre ele uma sensação única de felicidade e impotência. Aceitar seu convite seria a pior coisa que Garfiel poderia fazer agora.

Garfiel: Desculpe, agradeço, mas alguns de meus companheiros estão esperando por mim. Eles ficarão preocupados se chegarmos atrasados, então temos de ir em breve.

Suprimindo a dor no peito, Garfiel rezou para que sua voz não tremesse.

Com a resposta dada, a irmã fez uma expressão rígida, e Reala franziu a testa, fechando os olhos…

Reala: Eu entendo… não faz sentido fazê-lo ficar se isso incomoda…

Isso foi o que mais machucou Garfiel hoje. Ele colocou a mão no peito, vendo se ele não havia sido rasgado. Olhando essa reação–

Mimi: Vamos, Garf!

Mimi, que até então se recusou a sair, agarrou as mãos de Garfiel delicadamente e começou a levá-lo embora. Garfiel obedeceu silenciosamente. E então, quando estavam prestes a tocar a maçaneta –

???: Estou em casa! Oh, nós temos convidados hoje?!

A figura do outro lado da porta era um cavalheiro com uma barba magnífica. Ele parecia ser um homem de mão de obra detalhada e emitia uma atmosfera energética.

Na presença do homem, as crianças surgiram e pularam em direção a ele.

Pai: Eu nunca vi o rosto de vocês antes.

Fred: Pai, esse é o nosso Gorgeous Tiger.

Irmã: Ele é um canalha suspeito.

Pai: O quê?

Diante das atitudes fortemente contrastantes de seus filhos, o homem inclinou a cabeça em angústia e confusão. Ele se virou para Reala, que ficou quieta na sala. Sob o olhar amoroso do homem, ela começou a explicar a situação com serenidade.

Garfiel a essa altura já havia atingido seu limite.

Garfiel: Não era nada demais, já estávamos indo de qualquer maneira.

Dizendo isso, Garfiel agarrou Mimi e apressadamente correu para fora da sala, em direção a porta da frente como se estivesse fugindo. 

Fred: Gorgeous Tiger!

Por trás, uma voz triste chamou Garfiel. No entanto, ele não deu ouvidos ao chamado.

Quem era o Gorgeous Tiger? Ele era Garfiel, não o Gorgeous Tiger. Um tigre era uma criatura forte e poderosa que não se deixava ser abalada por nada. Onde estava aquele tigre agora?

Mimi: Garfiel, minhas mãos estão doendo!

Estando focado em seus pensamentos, Garfiel não percebeu o chamado.

Quem despertou-o de seus pensamentos foi o grito de dor de Mimi.

Ele não percebeu até que Mimi se libertou de seu aperto, extraindo a mão de suas unhas afiadas, que estavam cravadas nela. Sua pequena mão agora estava inchada e azul.

Garfiel: D-Desculpe, agora meu incrível eu…

Mimi: Gar~f, você estava estranho dentro daquela casa. Minha mão está doendo muito.

Mimi murmurou consigo baixinho, e ouvindo, Garfiel bateu na testa com a mão.

Eles caíram em um silêncio desagradável enquanto o ar úmido da cidade das comportas acariciava seus rostos. O sol havia ido embora há muito tempo e a cidade estava coberta por uma luz mágica.

A luz do sol que era refletida na superfície da água foi substituída pela luz das lâmpadas mágicas, mas ele não estava no clima para curtir aquela cena anormal e de beleza tranquila.

???: Ei, vocês dois aí, esperem!

Alguém se aproximou de Garfiel e Mimi com respiração ofegante. Finalmente chegando na frente dos dois, a luz ofuscante revelou o rosto do homem que encontraram a pouco, ele colocou as mãos nos joelhos ofegando violentamente.

Pai: Ah, finalmente me recuperei… eu realmente não tenho mais o fôlego que eu tinha anos atrás. Graças ao trabalho estou fora de forma.

Garfiel: O senhor precisa de alguma coisa?

Garfiel indicou claramente que não estava interessado nas palavras do homem.

A existência desse homem, embora não tanto quanto Reala e os seus filhos, deixou Garfiel angustiado. Sua voz estava cheio de aspereza, mas o homem não deu bola para isso e colocou a mão na cabeça parecendo constrangido.

Pai: Não, ouvi de minha esposa que vocês salvaram meu filho. Seria totalmente injustificável se eu não considerasse agradecê-lo retribuindo de alguma forma.

Garfiel: … Não é necessário. Se você falar de um jeito exagerado assim, meu incrível eu ficará envergonhado.

Pai: Tudo que envolva meu filho, não importa o que seja, é de extrema importância, ainda mais quando o assunto se trata da vida dele. Eu gostaria de fazer alguma coisa para agradecer, então se vocês precisarem de alguma coisa… Ah, claro, sinto muito. Meu nome é Garek Thompson. Sou o diretor metropolitano de Pristella, então… se quiserem alguma coisa é só me dizer.

Garfiel: Não se preucupe, nós estamos…

Um homem que sabia o que realmente estava acontecendo– Garfiel, que queria partir o mais rápido possível dali, parou de repente.

Se Garek realmente conhecesse Reala, então talvez ele soubesse da verdade.

Garfiel: Eu tenho apenas uma pergunta para fazer… você poderia responder?

Garek: Claro, pode perguntar, se estiver ao meu alcance, eu responderei.

Garek respondeu Garfiel com um sorriso de benevolência.

Garfiel: Qual é o verdadeiro nome de sua esposa?

Assim que Garfiel fez sua pergunta, a atmosfera mudou.

Garek ponderou a pergunta de Garfiel silenciosamente durante alguns instantes, antes de responder com um tom de voz diferente,

Garek: Como assim? O que você quer dizer?

Garfiel: Quero dizer, qual o nome verdadeiro dela? No significado literal. Brincar com palavras não é meu estilo. Então, diga-me, sua esposa, por acaso o nome verdadeiro dela é Reshia?

Garek: Ah…

Ele respondeu sem jeito à pergunta direta de Garfiel, demorando um momento para engolir antes de responder.

Garek: Você sabe alguma coisa sobre ela?

Garfiel: Meu incrível eu também quer saber mais sobre ela.

Garfiel respondeu sinceramente à pergunta de Garek.

Garek abaixou a cabeça pensativo em silêncio, Garfiel agarrou a mão de Mimi que olhava pra ele sorrindo, como sempre.

Garek: Parece que vou precisar contar a história desde o início.

Enquanto Garfiel olhava o sorriso de Mimi, Garek falou com um suspiro.

Sua voz estava carregada parecendo estar impotente e fadigado. Garfiel franziu a testa, esperando ansiosamente pelas próximas palavras do homem.

Garek: Minha esposa, Reala, não tem memórias de 15 anos atrás, antes de nos conhecermos.

Garek e Reala se conheceram antes de ele se tornar o diretor da cidade, quando ele ainda era um comerciante normal enraizado em Pristella.

No caminho de volta de suas negociações, Garek, que voltava de carruagem, teve sua passagem bloqueada por um penhasco desabado. Tendo enfrentado tal angústia por ter que pagar um empréstimo, e tendo enfrentado um acidente infeliz, Garek não pôde deixar de se sentir irritado com toda a situação. E no meio disso, ele encontrou uma mulher que havia sido enterrada viva. Era de fato um milagre, não podia ter outra explicação.

Recusando-se a ir pelo caminho mais longo, Garek se questionava desesperadamente se ainda poderia prosseguir pela sua rota original.

Por volta dessa época, a chuva forte parou, e o campo de visão de Garek foi devolvido. Pouco depois do penhasco ter desabado, Garek apareceu, salvando a vida da mulher que por pouco tempo ficou soterrada antes de ser resgatada.

Como resultado das várias coincidências sobrepostas, Garek resgatou a mulher, que ainda respirava, do perigo.

Ela estava coberta de lama, e ele não encontrou nenhum pertence dela por perto, nem ao menos uma mala. Ele a carregou e, levantando a mulher inconsciente para sua carruagem de dragão, Garek imediatamente correu para uma cidade próxima, onde ela foi levada às pressas ao hospital. Durante esse meio tempo, Garek aguardou sua reabilitação.

Garek: Na época sua condição era incrivelmente instável. Ela teve febre alta e sofreu vários ferimentos e fraturas devido ao deslizamento de terra. Seu coração até parou em um certo momento do tratamento.

Tanto o Instituto de Cura quanto Garek vinham lutando para ajudá-la, orando dia após dia com otimismo por sua recuperação. Por que Garek queria tanto salvá-la? Realmente ele acreditava que havia uma razão, um bom motivo, que explicava seu esforço junto com suas ações.

Ele agradeceu os esforços de todos do fundo do seu coração.

Garek: O trabalho duro valeu a pena, e embora ela estivesse muito ferida, ela finalmente acordou. Demorou mais ou menos uma semana… fiquei na cidade esperando por ela.

O fracasso das negociações tornou o futuro da empresa de Garek sombrio.

Nessa situação, perder tempo equivale ao desperdício de dinheiro. Garek não sabia por que estava se contendo e evitando suas viagens. E então, depois de uma semana, a mulher despertou.

Depois de acordar, ela falou com a multidão reunida ao seu redor com uma voz trêmula e fraca.

Garek: "Quem sou eu?". Essas foram as primeiras palavras dela.

A mulher tinha esquecido o próprio nome. Não, não apenas o nome. Ela esqueceu tudo.

Quem era? De onde veio? Por que estava ali? O que aconteceu antes do penhasco desabar? Não sabia.

Ela não tinha lembranças de nenhum dos membros de sua família e não teve escolha a não ser ficar. Tudo o que ela tinha eram as roupas que ela estava usando durante o acidente. Vindo de um emblema costurado a elas, as únicas letras perceptíveis de seu nome eram “Re”.

Garek: Dei o nome de  "Reala" a ela, já que significava o momento de uma flor desabrochando. Planejei cuidar dela até que seus ferimentos melhorassem e cicatrizassem.

Suas feridas cicatrizaram pouco a pouco e o dia de sua alta não foi longe.

Reala, mesmo sem ter para onde ir, continuou sendo uma mulher alegre. Ela tratou a tristeza do acidente como se nunca tivesse acontecido, e sempre recebeu todos ao seu redor com sorrisos contagiantes.

Em sua situação, era impossível não se sentir desconfortável.

A perda das próprias memórias era o equivalente ao próprio desaparecimento, a perda de si mesmo. Mas mesmo assim, ela ainda sorria porque sentiu que precisava fazer isso. Ou talvez porque se preocupava com as pessoas ao redor.  Mas o motivo mais Importante era que ela não considerava-se infeliz.

Garek: O nervosismo de se confessar pra ela ainda é um sentimento fresco em minha memória. Provavelmente foi a maior ansiedade que senti em minha vida. Então, após ela se recuperar, mesmo estando nervoso, eu propus casamento a ela.

A razão pela qual Garek se importou tanto com ela desde o início era porque ele se apaixonou por ela, desde o momento em que ele a havia resgatado naquela estrada tortuosa.

Aceitando a proposta dele, Reala veio com Garek para Pristella.

Garek: Meus negócios não iam bem até eu encontrar Reala. As pessoas dizem que isso foi por causa do meu talento, mas eu discordo. Foi tudo graças à Reala. Fui abençoado por ter uma mulher tão maravilhosa como ela ao meu lado. Então, agora sou realizado, posso ser um bom empresário, para ser um melhor pai.

Garfiel: …

Garek: Amo ela e nossos filhos. Eu costumava me importar sobre o passado dela… mas, no momento, isso para mim não importa, ela para mim agora é a pessoa mais importante que passou pela minha vida.

Garek, que havia terminado de contar seu passado com Reala,  transmitiu seus sinceros sentimentos a Garfiel.

Garfiel, que ficou em silêncio do começo ao fim, ouvindo atentamente, olhou para o céu. Na escuridão, as estrelas estavam espalhadas por toda parte.

A gloriosa lua cheia e as estrelas provavelmente desprezavam seus pensamentos atuais.

Garek: Lamento por dizer isso repentinamente, mas preciso perguntar…

Sua linha de visão caiu do céu para Garek.

Garek: Qual a sua relação com a minha esposa, Reala? – Isso para Garfiel era cruel demais.

Os olhos gentis de Garek mantinham uma firme determinação enquanto olhava Garfiel.

O turbilhão de emoções ainda não formadas em seu peito apertado estavam à beira do colapso.

Respirando e expirando.

Sentindo seu batimento cardiaco rápido junto da tontura. Uma explosão de dor em sua cabeça o fez sentir ansia de vômito.

O redemoinho de emoções ainda não estava totalmente formado em seu sufocado peito que estava à beira do colapso.

 – Mimi apertou sua mão com força.

Garfiel: Eu…

Garek: …

Garfiel: … não tem nenhuma relação com sua esposa…

Dizendo isso em voz alta, o coração de Garfiel afundou em desespero. Garek, que estava na frente dele, abaixou a cabeça como se tivesse cometido um erro e não quis olhar Garfiel no rosto, falando com uma voz trêmula.

Garek: Desculpe, sinto muito.

Com um olhar de dor não natural, ele se curvou. No entanto, Garfiel não queria ver a reação de Garek. Ele já tinha ouvido o suficiente, ele queria fugir dali para bem longe daquela dor. Queria parar de se machucar.

O que deu errado? De quem é a culpa? Quem ele deve culpar? Era culpa sua ou de Garek? Quem ele deveria atacar? O que ele deveria fazer para parar com a dor em seu coração?

???: Oh, querido, ainda bem que o Sr. Tiger e Mimi ainda estão aqui. Que bom que conseguiu segurá-los.

Essas palavras ecoaram com uma voz estridente, que para Garfiel era tão afiada quanto uma faca.

Garek: Reala… o que está fazendo aqui?

Reala: Bem… você saiu com tanta pressa. Não queria que saísse de mãos vazias.

Reala piscou sorridente e passou por Garek chocado. Então, ela se aproximou de um Garfiel atordoado, estendendo a mão.

Reala: Esta é a sobremesa, um suflê. Embora não seja algo muito grandioso, ainda me orgulho disso. Espero que aceitem.

Garfiel: … Ah…

O sorriso dela não apresentava nenhum traço de malícia. Teimosamente, Garfiel se recusou a falar. Sua conversa a pouco com Garek havia aberto várias feridas. Quem entendeu isso também saberia como agir. E ainda assim,

Mimi: Uooh, sobremesa é sempre muito bom. Incrível! Vou dividir com Garf e a senhorita!

Reala entregou o recipiente a uma Mimi sorridente e indiferente. Garek pareceu chocado e Garfiel ficou sem palavras. No entanto, Reala riu alegremente da reação de Mimi.

Reala: Estou tão feliz que você gostou. E, por favor, experimentem juntos.

Mimi: Ok, entendi!~

Depois de pegar o recipiente com a mão que não estava sendo apertada por Garfiel, Mimi acenou dizendo adeus enquanto dava um tapinha nas costas de Garfiel. Provavelmente insinuando a despedida.

Mimi: Bem, agora estamos realmente indo, Garf e Mimi precisam ir! Nos veremos mais tarde!~

Reala: Tudo bem, tomem cuidado na volta, que os anjos os protejam. Tomem cuidado para não cair na água, Sr. Gorgeous Tiger!

Sorrindo, Mimi se virou e acenou energicamente. Apenas os dois homens ficaram com expressões de dor nesta despedida sorridente.

Mimi conduziu Garfiel pelos canais de água.

Mimi e Garfiel não trocaram palavras mesmo após o desaparecer de Reala.

Garfiel: Ei, Anã.

Mimi: Por aqui!~ Aqui!

Garfiel queria falar com Mimi, mas seu chamado foi interrompido.

Mimi, que segurava a mão de Garfiel, saltou rapidamente para um prédio de pedra de três andares, subindo com o uso de apoios de pés.

Garfiel foi puxado junto, é claro que foi forçado a tomar o mesmo ritmo que ela.

Com alguns saltos, os dois chegaram ao topo do edifício.

Mimi: Hmm~ Isso é tão bom!~

Garfiel: "Tão bom", uma ova. Por que viemos até aqui…?

Enquanto Mimi se aconchegava no telhado apreciando a brisa, Garfiel a encarou e percebeu que o sorriso dela havia sumido enquanto o observava.

Ele se viu refletido nos olhos redondos dela, e não conseguiu compreender o mal estar que afobava seu coração.

Mimi: Garf, você quer chorar?

Garfiel: Hã? O que cê está dizendo? Por que o meu incrível eu iria chorar?

Mimi: Eu sei que Garf é forte, mas você não precisa agir assim sempre, ainda mais em um momento como esse. Reala é a mãe de Garf, certo~?

Garfiel ficou em silêncio à pergunta inesperada de Mimi e prendeu a respiração.

Ela sem dúvidas entenderia com precisão o fluxo das coisas se conhecesse o passado de Garfiel. Chegaria em uma conclusão facilmente. No entanto, Mimi não sabia nada sobre Garfiel, muito menos de sua família. Sua habilidade de discernir a verdade era impressionante.

O fato dela abordar o assunto obviamente abalou Garfiel, que hesitou.

Garfiel: Por que… cê acha isso?

Mimi: Garf e Reala cheiram muito~ parecidos. E seus filhos também cheiram um pouco como Garf. Garf também agiu estranho com eles, então Mimi queria saber se esse é o caso?

Sua suposição não era baseada em raciocínio, era baseado em algo inato, portanto, ela podia ver a verdade pelo que era.

Com as pernas cedendo, Garfiel olhou atordoado para as estrelas. As estrelas e a lua permaneceram inalteradas, retribuindo o olhar de Garfiel.

Mimi: Então, Mimi está certa, não é? Reala é a mãe de Garf?!

Garfiel: Meu incrível eu não sabe ao certo. Será que ela ainda é realmente minha mãe?

Nas palavras de Mimi, Garfiel cobriu o rosto com a mão. Ele não sabia qual parte disso era verdade. Reala era inconfundivelmente Reshia.

Exatamente como Garek havia dito, Reala havia se esquecido de tudo sobre seu passado, há 15 anos atrás. Ela encontrou um novo começo para sua vida. Casou-se e teve filhos.

Garfiel: Ah, agora pensando bem, se fosse esse o caso, eles seriam meu irmão e irmã mais novos.

Ela tinha acabado de perceber que aqueles dois tinham uma relação parecida com a que ele tem com sua irmã Frederica. Em outras palavras, aqueles dois eram seus adoráveis meio-irmãos mais novos. Eles tinham um tipo de relacionamento que ele ansiava desde quando era pequeno.

– Não seria legal se ele pudesse desfrutar desse relacionamento sem as circunstâncias que o cercavam?

Mesmo se Garfiel contasse quem ele realmente era, nada mudaria, Os 15 anos que ele permaneceu sem a mãe não iriam ser alterados.

Mesmo se ele dissesse tudo, os 15 anos como Reala não seriam alterados.

E isso poderia faze-lá se sentir apenas culpada carregando remorso. Frederica e Ryuzu não tinham ideia de que Reshia havia sobrevivido. Se Garfiel não dissesse nada a elas, nenhuma das duas nunca saberiam.

A família de Reala também nunca se preocupara com seu passado. Se eles soubessem da verdade, aqueles tempos felizes provavelmente seriam perdidos em vez de preservados.

Fazer isso seria apenas para o próprio egoísmo de Garfiel. Ele não conseguia e não tinha coragem de cravar isso profundamente em sua consciência.

Tigre, onde você está? Mostre-me qual o caminho certo.

Se ele pudesse enfrentar tudo isso sozinho, onde ele encontraria essa força?

Diga, tigre… a existência de um verdadeiro tigre era a mais forte que qualquer outro ser no mundo.

Segurando sua cabeça, corroendo-se por completo, lamentando os sentimentos conflitantes enquanto se misturavam.

Mimi: Está tudo bem, Garf…

No momento seguinte, ele percebeu que sua cabeça estava sendo gentilmente acariciada.

Mimi agarrou o Garfiel agachado por trás,  envolvendo-o em um abraço. Descansando o queixo na cabeça dele, sua pequena palma acariciou a cabeça de Garfiel. Acariciando e penteando seu cabelo de frente para trás, aquela sensação gradualmente aliviou a dor e a agitação presentes em sua mente.

Garfiel: O que… o que cê está fazendo…

Mimi: Hmm, se Garf precisa chorar~, acho que isso é o certo. Eu acho que os garotos costumam chorar em um exato lugar. Embora eu tenha me esquecido onde, mas me lembro da senhorita me contando sobre isso.

Por um momento, ela parecia ter dado uma resposta correta, mas a linha de pensamento de Garfiel se dispersou. Para evitar que seu coração o denunciasse, e que sua voz tremesse, Garfiel escolheu suas palavras com cuidado.

E segurando Garfiel, Mimi soltou uma risadinha.

Mimi: Bem, embora eu não tenha certeza, essa e a sensação de sentir uma mulher colando seus peitos sobre um homem? É assim? Está tudo bem chorar sob os peitos de uma mulher.

Garfiel: Quem se interessaria por uma anã que nem você?

A mulher a qual Garfiel estava interessado era uma empregada de personalidade dura e difícil. Uma mulher que quase nunca era gentil quando ele queria, mas gentil quando ele menos esperava.

A garota ao seu lado não se parecia nem um pouco com ela, ainda assim, Mimi ainda continuava sorrindo.

Mimi: Está tudo bem, mesmo que Garfiel não esteja interessado em mim, Mimi está interessada em Garf~, então, você pode chorar mesmo assim.

Que bobagem. Garfiel não tinha intenção de chorar ali. Afinal, um tigre de verdade não chora. Ele enfrenta tudo e a todos, sem que o deixem afetá-lo.

Então… tigre, onde você está? Volte imediatamente para o meu coração. Uive seu rugido feroz, vença esse recuo superficial, faça-me acordar.

Caso contrário… caso contrário será tarde demais.

Garfiel: Mãe…

Não, pare… chega, chega de falar.

Chorando com uma voz tão fraca e patética. Não fale de forma fraca.

Ele era um tigre, o mais poderoso, o mais forte, ele era mais forte do que qualquer um em tudo. Contudo…

Garfiel: Mãe… Mãe… Mamãe!

Mimi: Isso, bom garoto!

Garfiel: Por quê, por que você me esqueceu?? Depois de tanto tempo nos encontramos e ainda assim…

Mimi: Está tudo bem, bom garoto, bom garoto.

Garfiel: Mãe… Mamãe, mamãe, por quê?

Tigre, onde está você?

O que ele fazia lembrar agora? Estrelas, lua, céu, digam-me… O que ele fazia lembrar agora?

Se ele não pudesse ser um tigre rugindo, então, agora ele meramente lembrava—

...

Mimi: Entendi!

Garfiel: Cê é um incômodo, para de ficar dizendo isso!

Na manhã seguinte, parecendo estar em um estado bastante deprimido e ruim, Garfiel caminhou pelas ruas de Pristella com Mimi.

Rindo da resposta de Garfiel, Mimi sorriu tocando seu peito sob o manto, que estava manchado com as lágrimas e a saliva de Garfiel. O fedor chegou ao ponto de fazer arder ao nariz dele.

Para Mimi que tinha o mesmo olfato aguçado, o fedor deve ter sido insuportável, mas quando Garfiel a aconselhou a lavá-lo ela apenas respondeu com…

Mimi: Mhhh, Tudo bem, não se preocupe! Quando voltarmos pro hotel, posso trocar de roupas~. A senhorita vai ficar muito brava por eu não ter voltado ontem à noite. Hetaro e Tivey também~!

Garfiel: … Desculpe.

Mimi: Mimi não está preocupada com isso!~ Mimi só dirá que garf é um menino bom quando está desabafando enquanto chora!

No pedido de desculpas sincero de Garfiel, Mimi olhou mostrando um sorriso inocente. Na noite anterior, Garfiel compartilhou com ela sua segunda despedida de sua mãe.

Depois de ter sido atingido por uma série de feridas emocionais, ele acabou vergonhosamente chorando sobre o peito de Mimi no telhado.

E, ainda mais embaraçoso que isso, o choro o esgotou tanto que ele acabou adormecendo no lugar. Na manhã seguinte, um barulho alto e estridente da cidade o fez acordar, no colo de Mimi.

Quando o dono do telhado os encontrou, ele finalmente pôde se recompor mantendo sua postura e, como sempre, Mimi manteve sua atitude usual.

Foi difícil encontrar desculpas, então eles escapuliram do telhado envergonhados.

Mimi: Você se sente melhor?

Garfiel: Pode-se dizer que sim…

Garfiel franziu a testa incomodado com o fato de ser incapaz de expressar sua verdadeira gratidão a ela. Mas mesmo assim, Mimi ignorou sua fraqueza, deixando ele sem ter ideia do que dizer.

Ele se lembrou da noite anterior, quando Mimi deixou escapar pelo calor do momento que estava interessada nele.

Antes ele pensava que Mimi estava o acompanhando, apenas por estar sentindo companheirismo devido à sua herança não humana compartilhada, mas ela o seguiu tendo intenções românticas.

E, mesmo tendo feito sua confissão, além de ser ignorada, ela continuou agindo da mesma forma que sempre agiu.

Ele havia feito o mesmo com Ram, embora ele tenha sido rejeitado várias vezes, agora, quando a situação inverteu, ele ficou confuso.

Mimi: Bem, e então, o que devemos fazer essa manhã? Ir até sua mãe fazer uma visita?

Ele foi sacudido de seus pensamentos ao ouvir as palavras de Mimi.

Garfiel: Ei, espere, espere. Por que deveríamos ir vê-la agora?

Mimi: Porque Reala é a mãe de garf, ela não deveria saber disso também, afinal de contas?

Garfiel: Essa anã realmente não sabe ler as entrelinhas…

Mimi podia usar seu instinto para identificar a parte mais importante de seus relacionamentos, mas ela desconhecia as sutilezas envolvidas. Agora ele estava em uma situação difícil, Garfiel ainda não tinha certeza de seu relacionamento com sua mãe. Era uma situação complexa que ainda estava em conflito dentro dele.

Pensando nisso, ele concluiu imediatamente que era inútil tentar explicar e acabou desistindo. E percebendo que isso também era um problema,

Garfiel: Está tudo bem… Não há necessidade de deixá-la saber que meu eu incrível é filho dela.

Mimi: Realmente está tudo bem?

Garfiel: Sim, está… eu vou deixar essa tarefa para minha irmã…

Ele provavelmente informaria sua irmã racional sobre toda a situação.

Depois que o choque e a confusão passassem, ela provavelmente chegaria à uma conclusão, até mais rápido que ele, e certamente encontraria um modo para lidar com isso.

E mesmo que a conclusão de ambos seja diferente, ela ainda tinha o direito de saber que sua mãe ainda continua viva. Mas seria certo que ela suportasse a mesma dor que ele?

Garfiel: Só tendo um momento só nosso podemos tomar uma decisão.

Mimi: Então é assim que as coisas funcionam~, Mimi só acha que todas as mães precisam ser felizes~.

Garfiel: Coisas sobre mães… Cê entende sobre esses assuntos?

As orelhas de Garfiel estremeceram ao ouvir a declaração inesperada de Mimi. O tigre fez a pergunta curioso e ela acenou com a cabeça com uma atitude onipotente respondendo um “Sim~”.

Mimi: Mimi, Hetaro e Tivey nunca conheceram a mamãe e o papai. Eles provavelmente pensaram que ter filhos “Trigêmeos” e criar uma família super grande era muito trabalhoso~. Então eles nos deixaram em algum lugar~. E aí fomos resgatados pelo chefe, e por isso consideramos o chefe como família, e a senhorita também é nossa família.

Garfiel: Então… você realmente tem uma grande família.

Sem saber o motivo, repentinamente ele sentiu que a atmosfera havia melhorado enquanto ele acariciava a cabeça de Mimi.

E no mesmo instante,

Mimi: Waaaa!

Mimi rapidamente fugiu de sua mão.

Garfiel encarou o rosto avermelhado dela ao mesmo tempo em que ela se virava com um resmungo enquanto esfregava a cabeça, no lugar onde Garfiel havia tocado.

Mimi: Desde ontem, ficar muito perto de Garf parece muito estanho.

Garfiel: Certo, desculpe… Cê quer que eu vá embora…?

Mimi: Eu também não quero isso~ Só não fique muito perto, nem muito longe. Acho que assim é melhor.

Ela se afastou com pequenos passos para o lado, parando longe de seu alcance.

Garfiel franziu a testa, confuso, enquanto Mimi dava sua risada habitual. Agora mesmo seu rosto parecia formigar com um pouco de vermelhidão.

Mimi: Ah, ei, vamos comer o suflê!~

Garfiel: S–Sim, vamos…

Com pressa em mudar de assunto, Mimi tirou a caixa de sobremesas da bolsa. Era o recipiente dado por Reala antes dos dois partirem na noite anterior.

Momentaneamente, uma dormência de dor em seu coração fluiu pelo peito de Garfiel ao ver Mimi segurando os lanches levando um em sua direção, o aroma flutuando suavemente sob seu nariz era extremamente agradável.

A sobremesa era parecida com um pão normal, junto com um tempero doce adicionado à massa, recheado com creme e pasta de feijão.

Havia dois suflês grandes e redondos dentro da caixa, um para Mimi e o outro para Garfiel, que apreciavam seu café da manhã.

Mimi: Oba! É fofo! Delicioso!~Super, super delicioso!~

Garfiel: Ah, é realmente delicioso.

Garfiel concordou com as descrições de Mimi que batia palmas.

A sobremesa estava excessivamente doce, mas não muito açucarada a ponto de se tornar enjoativa, juntamente com a massa fofa e macia. Se comessem recém-assado, provavelmente teria sido ainda mais gostoso. Esta era a culinária especializada de sua mãe.

Nesse caso, Garfiel teria mais chances de prová-la.

Mimi: Garf!~?

Garfiel: …

Com as preocupações de Mimi, Garfiel empurrou seus desejos para longe.

Agora, ele voltou seus pensamentos para seus amigos, que estavam esperando por ele. Assim como Mimi, Garfiel passou a noite fora sem a permissão de ninguém.

Por causa disso, ele com certeza seria seriamente repreendido e punido–

???: Olá, olá? Tudo bem? Todos conseguem me ouvir? Se puderem melhor pra vocês! E os que não podem, apodreçam e morram, já seria de grande ajuda! Gahahahaha–!

Garfiel: O quê?!

Mimi: Hmm~?

Depois de darem um passo à frente, uma vez repentina atingiu agredindo seus tímpanos.

Os dois se entreolharam e olharam para o céu ao mesmo tempo, onde o som parecia surgir.

Garfiel: Essa voz parece…

???: Bem, bem, bem, ouve algum idiota que morreu com o choque ao ouvir minha linda voz? Se não, bem, isso realmente não importa muito agora, mas se houver alguém que se atreva a ignorar essa adorável dama, meu humor irá ser arruinando!

Ignorando Garfiel, a voz aguda e irritante continuou a transmitir suas falas odiosas.

Os outros que caminhavam pelas ruas durante aquela manhã, também olharam para o céu, estupefatos, ao ouvirem uma voz chocantemente alta.

Garfiel, cujo sentido de audição era diferente de um humano normal, poderia dizer que essa voz não estava sendo transmitida de uma fonte; em vez disso, ela permeou pela cidade toda, espalhando-se para todos os lugares, como se fosse um eco.

Mas saber disso agora, não respondeu nenhuma das dúvidas deles.

???: Vocês, criaturas insuportavelmente chatas, só servem para estragar meu humor. Não há valor algum neste lugar. Vocês não passam de lixos que gostam de se gabar. Limpem suas mentes nojentas desses seus pensamentos horrivelmente ridículos e, por favor, encontrem imediatamente uma lata de lixo e enfiem suas cabeças feiosas dentro delas! Por favor! Morram logo! Morram de uma vez! Por favor! Gahahaha!

– a dona dessa voz tinha uma das almas mais podres e vis já vistas.

Garfiel: Que tipo de brincadeira é essa? Pare com toda essa porra!

Mimi: Garf… eu sinto que isso é super, super desconfortável…

Enquanto Garfiel se irritava e amaldiçoava a voz misteriosa, Mimi mostrou uma expressão de desagrado e inquietação.

Vendo essa reação, Garfiel tocou a cicatriz em sua testa cerrando os dentes. Essa expressão não combinava com ela, e ele não queria vê-la assim.

???: Bem, bem, então já que as criaturas de carne podre não conseguem compreender, irei explicar. Eu tenho o controle do rádio – ou seja, ou seja, ou seja?!–

Garfiel: Vamos lá, diga qual o significado?

???: Isso mesmo!––– Eu! Não, Nós temos o controle da prefeitura. Ah, aliás, soube que existem várias torres de controle espalhadas pela cidade. Lamento dizer, mas todas elas também são nossas a partir de agora!

Garfiel: Torre de controle… aquelas que mano Otto havia dito?

Garfiel entendendo as intenções da dona daquela voz, sentiu a ameaça, prendendo a respiração.

Antes e depois de chegar à cidade, Garfiel foi instruído pela estrutura de Pristella feita por Otto.

O portão de água sempre funcional de Pristella poderia prender qualquer inimigo que tentasse invadir a cidade, se eles fossem atraídos para dentro.

E no comando do funcionamento daquele portão, as quatro torres de controle localizadas em cada canto da cidade estavam sendo controladas por esse repentino anfitrião vil que possuía o caráter mais podre possível. Toda a população da cidade foi feita de refém.

Chegando à mesma conclusão que Garfiel, os outros ao redor começaram a ser tomados pelo pânico e a ansiedade. Todos gritaram ao mesmo tempo, e a cidade toda estremeceu enquanto ressoava em gargalhadas tóxicas e zombeteiras.

???: Kahahahaha! Só agora estão percebendo que logo serão dizimados! É chocante ver como vocês são estúpidos! É demais para mim! Ah, lixo, seus sacos de lixos! Gahahahaha!

Garfiel: …

???: Ah, assim não vai dar certo. Se eu não der meu nome, vocês todos vão se esquecer da realidade que os cerca, não é? Sendo assim, permitam-me que a misericórdia dessa dama gentil lhes dêem a resposta para suas dúvidas.

Na cidade em pânico, Garfiel segurou as mãos de Mimi com força. E atentamente ouviu a apresentação do inimigo.

??? :Eu sou o Arcebispo do Pecado da Luxúria do Culto da Bruxa…

Garfiel: Culto da Bruxa!

???: Capella Emerada Lugnica! Gahahaha! Me adorem! Me respeitem! E, por fim, chorem! Agonizem! Implorem! e morram tragicamente como bons vermes que são! Seus pedaços de carnes podres! Kyahahaha!

Ao ouvir a transmissão, Garfiel foi obrigado a tomar uma escolha.

Embora a transmissão do autoproclamado Arcebispo tenha gerado pânico, as ações dos cidadãos de Pristella foram bastante ordeiras. Mesmo no meio dessa turbulência, eles mantiveram os procedimentos de emergência em mente e seguiram para os abrigos espalhados ao redor da cidade.

Os pedestres tentaram levar Garfiel e Mimi para para um abrigo. No entanto, eles se recusaram a ajuda e, ao invés disso, escolheram ir para um outro lugar.

Isso obrigou Garfiel a fazer uma escolha.

E a resposta dessa escolha,

Reala: Oh, Sr. Tigre!

Correndo em direção a um abrigo, Reala avistou Garfiel e veio em sua direção ao reconhecê-lo, aliviada por encontrar um conhecido.

Garfiel suportou a dor de sua voz e presença, deixando-a se aproximar.

Desde o momento em que Garfiel se recusou a ser conduzido até um abrigo, sua escolha foi iminente.

Afinal, onde ele deveria estar? Perto de Subaru e Emilia, ou com a mãe, cuja existência e segurança ele se esforçou para confirmar?

Racionalmente, Garfiel sabia que deveria ter voltado imediatamente para onde seu grupo o aguardava.

Mesmo assim, ele usou como desculpa que uma vez que esse abrigo fosse perto, ele poderia confirmar a segurança dela.

Reala: É ótimo ver que você e a senhorita Mimi também está bem, essa transmissão me deixou preocupada.

Mimi: Ah!~ Nada nos aconteceu~! O suflê de ontem estava delicioso!~ Obrigado pela gostosa guloseima!~

Reala: Ah, que bom que gostou.

Mimi não se opôs a nenhuma das ações e escolhas de Garfiel e o seguiu fielmente.

Claro que ela gostaria de retornar para Anastasia e seus irmãos. Para ela, obviamente a segurança de Reala era assunto relacionado a outra pessoa, e ela não tinha obrigação nenhuma de fazer isso.

Enquanto ouvia suas próprias desculpas conscientemente, Garfiel tendo finalmente confirmado a segurança de Reala, estava livre para partir. Agora, ele precisava voltar imediatamente para o lado de Emilia para defendê-la a todo vigor com sua força.

Quando o Culto da Bruxa aparecesse Garfiel protegeria Emilia e lutaria em seu lugar.

Esse foi o acordo que ele firmou com Subaru, que ele absolutamente não violaria.

Mesmo que ele não pudesse se proteger como um tigre, ele não poderia deixar de se honrar e muito menos se esquecer em seu papel de homem.

Garfiel: Parece que está bem, então eu…

Reala: Espere… Sr. Tigre, você…

Enquanto ele se preparava involuntariamente para partir, a atitude repentina e involuntária de Reala o assustou.

Reala: Você por acaso viu meus filhos hoje? Eles partiram de manhã e pelo que parece eles não estão neste abrigo.

Olhando para cima e para os lados, Garfiel apressadamente examinou os arredores, incapaz de ver a figura das duas crianças em lugar algum.

Reala: Até mesmo meu marido… Não, deixa pra lá, eu disse algo supérfluo, não quero…

Garfiel: O que é? Meu incrível eu ficará incomodado se você esconder alguma coisa num momento como esse.

Reala: A transmissão veio da prefeitura, onde meu marido trabalha… então imagino que tenha acontecido alguma coisa lá…

A prefeitura era um prédio alto localizado no centro da cidade, onde a transmissão foi feita.

Garfiel soube que aquele lugar estava encarregado de fazer as funções da cidade, e agora o Arcebispo havia dito que havia o tomado.

Lá era onde Garek provavelmente estava.

Garfiel: Haah…

A notícia chegou abruptamente ao coração de Garfiel em ritmo de um alarme.

Os irmãos e Garek estavam em uma situação desconhecida no meio do caos e talvez em perigo. A confirmação de segurança de Reala o levaria a outro impasse ao descobrir as circunstâncias de sua família.

Garfiel: Chefe, dona Emilia…

Seus rostos, assim como os de Otto e Beatrice, passaram pela mente de Garfiel. Ele precisava retornar e se tornar a força deles.

Mas, como se perseguindo essa mesma ideia, o rosto de Garek e dos irmãos também surgiram em sua mente.

Reala: Lamento tê-lo incomodado, Sr. Tigre. Por favor, esqueça o que eu disse.

Garfiel: –––

Reala: A pouco eu só estava assustada. Meu marido e meus filhos estão bem cientes dos procedimentos de evacuação de emergência da cidade.

Reala abriu um sorriso forçado, mas suas mãos estavam entrelaçadas como se estivesse rezando.

Não havia dúvidas de que seus gestos demonstravam relutância e preocupação. E ela estava apenas escondendo seu medo para evitar a preocupação de Garfiel.

Um silêncio tomou conta do grupo. Sem falar nada, rangendo os dentes, Garfiel estava pensativo. Mimi o encarou, também em silêncio, esperando sua decisão. Sem falar, ela apenas continuou segurando sua mão.

Garfiel: Não se preocupe, deixe seus filhos e seu marido conosco.

Reala: Ah? Sr. Tigre?!

Essa resposta inesperada deixou Reala extremamente surpresa. Acenando para ela incrédula, Garfiel baixou seu olhar para Mimi.

Garfiel: Na verdade, isso é um problema meu, então você deve voltar.

Mimi: Oi-ya!~

Garfiel: Ow?!

Ao ser instruída a voltar, Mimi pisou no pé de Garfiel, que gritou alto de dor. Mimi aproveitou o momento para se levantar.

Mimi: Garf disse algo tão bonito, então como Mimi poderia ficar apenas de braços cruzados e não corresponder a ele?~ Estou, definitivamente, ~ indo com você!~

Garfiel: Anã… Não. Tudo bem, Desculpe.

Mimi: Neste momento, você deveria estar oferecendo sua coragem!

Garfiel: – Sim, obrigado!

Mimi: De nada!

Com uma risada alegre e doce, Mimi contagiou e atraiu Garfiel para uma risada também.

E então voltando-se para a Reala ainda atordoada, Garfiel falou…

Garfiel: Meu incrível eu estará procurando pela sua família, então fique aqui com todos os outros, segura, e espere por nós.

Reala: M-Mas… por que você faria isso por mim?

Por que ele estava fazendo isso por ela?

O olhar vacilante e relutante de Reala questionou a decisão de Garfiel. E para isso Garfiel sorriu retribuindo como resposta.

Garfiel: Porque meu eu incrível é um grandioso tigre dourado! Gorgeous Tiger!

Mimi: Então, Mimi também é Gorgeous Mimi!~

Gritando suas falas estúpidas, sua irreflexão chocou as pessoas reunidas ao redor.

Com o choque de Reala, Garfiel e Mimi, com um giro valente, correram para fora do abrigo.

Mimi: O que faremos, Garf?~

Garfiel: Use o cheiro deles para encontrá-los. Aqueles dois e Garek, você ainda se lembra do cheiro de cada um deles claramente, não é?

O problema era que o fluxo de água estava por toda parte e a cidade era muito grande.

Para encontrar seus cheiros com precisão, as condições ambientais precisavam estar certas. Mesmo nesta cidade populosa, o poderoso sentido do olfato não poderia fazer absolutamente nada.

Apesar disso, os sentidos animais dos dois os ajudaram e serviram muito bem.

Assim que viram Reala partir em segurança, conseguiram localizar o cheiro dos irmãos.

Durante este período, a evacuação dos cidadãos na cidade ocorreu conforme instruído. Agora Pristella de maneira bem desagradável, parecia uma cidade fantasma. Naturalmente, na maioria dos casos como este, era normal encontrar o lugar em uma situação como essas.

No entanto, a ausência desse tipo de comportamento foi devido a notoriedade do nome do Culto da Bruxa.

Mimi: Hmm~ É isso? Garf~, estou sentindo o cheiro deles!~

Garfiel: … Certo, então a direção é…

Garfiel os rastreou enquanto quase provavelmente havia encontrado sua localização. Eles pareciam ter traçado a mesma rota feita ontem do terceiro ao primeiro distrito.

Então um pensamento passou pela sua mente.

Garfiel: … Aqueles dois foram para o parque em busca da Cantora.

Fred ontem havia dito que ele saiu tarde demais e por isso não conseguiu encontrá-la a tempo. Tendo aprendido isso, ele saiu cedo esta manhã, determinado a finalmente alcançá-la.

E desta vez sua irmã o acompanhou.

Garfiel: Nesse caso, se formos até o primeiro distrito…

Se eles fossem até lá, eles poderiam encontrá-los rapidamente.

Garfiel animou-se ligeiramente achando que sua situação havia mudado a seu favor, isso até ele farejar outra coisa –

Mimi: Esse é o cheiro do pai deles?

Mimi chegou à mesma conclusão que Garfiel.

Ou seja, um obstáculo surgiu no meio dos irmãos. Garek havia se dirigido para a prefeitura através desse mesmo caminho, momentos antes do caos acontecer.

O momento da escolha decisiva recaiu sobre Garfiel.

Se ele fosse para o primeiro distrito, ele poderia encontrar os irmãos e trazê-los em segurança até Reala. Se eles estiveram na presença da cantora durante sua apresentação, certamente estariam seguros agora.

No entanto, a prefeitura era um caso diferente.

Com o passar do tempo, as pessoas que se encontravam lá dentro, onde o Culto da Bruxa havia feito seu ataque, corriam um perigo cada vez maior.

E Garek, sendo uma das vítimas, estava em um lugar onde, a qualquer segundo, poderia acabar sendo morto instantaneamente, aumentando a possibilidade de não o salvarem.

Mimi: Garf~… o que nós fazemos?

Uma escolha mais uma vez passou pelas mãos de Garfiel.

Ele poderia decidir confirmar a segurança das crianças, e logo em seguida ir se reunir com Subaru. Mas nesse caso, ele estaria deixando Garek para trás na prefeitura.

Qual seria o relacionamento de Garek e Garfiel?

Ao contrário de Reala e de seus filhos, Garek não tinha nenhuma relação direta com Garfiel. Se o sangue foi usado de base para o resgate, sua obrigação de salvar o pai de seus meio-irmãos deixaria de existir.

Mas o que seria de Reala se ela o perdesse?

Ela passaria anos de luto junto com seus filhos, tudo porque Garfiel desistiu de salva-lo, tomando a decisão errada. Essa família certamente choraria sem fim.

Garfiel: … É na câmara municipal onde o Arcebispo está, certo?

Mimi: Sim!~

Garfiel: Essa torre de controle é um lugar bem perigoso, mas se pudéssemos capturar o Arcebispo e matá-la, então…

Mimi: Todos serão salvos?! Incrível! Muito incrível, Garf!~

Saltando sob o local, Mimi comemorou e felicitou os comentários de Garfiel.

No entanto, no instante seguinte ela imediatamente parou de saltar.

Mimi: Embora eu saiba que não seja um grande problema… eu meio que me sinto inquieta.

Garfiel: Inquieta…?

Mimi: É muito perigoso. É esse o tipo de sentimento que sinto. Não está completamente claro. Mas é o que sinto.

Ela não tinha base para confirmar o perigo, mas sentiu essa emoção.

Com essa atitude, Garfiel se sentiu desconcertado e menos confiante.

Até o momento, Mimi o apoiava em todas as suas ações e decisões sem questionar.

Garfiel: Que vergonha… esperar que as pessoas ajam de acordo com minhas expectativas… sou patético.

Mesmo que elas o apoiem, não quer dizer que elas concordem ou apenas aceitem o que estiver acontecendo. Mimi também queria ter um papel significativo nessa situação, além de apenas apoiá-lo.

Mimi: Garfiel, o que posso fazer agora?

Garfiel: Seria idiota ignorar seu instinto de inquietação, o chefe e os outros não vão me condenar por isso, mas…

A força mais forte de Emilia não podia fugir de medo em uma situação como essa.

E por mais que eles lutassem agora, as coisas não se resolveriam tão facilmente. Para salvar a cidade, eles precisariam enfrentar a prefeitura eventualmente.

Garfiel: Primeiramente, precisamos confirmar a situação na Câmara municipal. Precisamos confirmar se há sentinelas por perto e se o interior é seguro.

Mimi: Isso é o que chamam de investigação?~ Oooh! Entendo~, vamos fazer um reconhecimento!

Embora Mimi ainda estivesse um pouco tensa, ela concordou ansiosamente.

Vendo ela sacar uma varinha que adorava usar, de seu manto, Garfiel também puxou os escudos pratas presos em sua cintura e os prendeu em seus pulsos.

Como seus braços estavam cobertos pela armadura, ele se declarou pronto.

Garfiel: Vamos!

Mimi: Tudo bem!

Com essa resposta, uma breve palavra de Garfiel, os dois se dirigiram para a prefeitura.

De acordo com as informações de Subaru, o Arcebispo do Pecado da Preguiça tinha vários lacaios lutando ao lado dele. Embora não pudessem se igualar aos Arcebispos, aqueles que tinham experiência em combate eram capazes de representar uma ameaça.

Na estrada, durante o caminho, Garfiel alertou Mimi sobre isso enquanto viajavam com cautela até o lugar.

Garfiel: Que estranho… o que está acontecendo?

Ao chegarem no lugar, eles não conseguiram ver nem mesmo um cultista que fosse.

Mesmo se estivessem escondidos, eles não seriam capazes de enganar os narizes de Garfiel e Mimi.

Garfiel: É como se pensassem que não precisam de um guarda agora!

Quando se lembrou da voz da transmissão, a força do ódio de Garfiel aumentou.

O inimigo abaixou a guarda, talvez imaginando que não receberia um ataque direto imediato. Sem um sinal de alerta, eles presumiram que a vitória já havia sido alcançada e que o controle do prédio foi tomado garantindo a segurança das pessoas.

Mimi: Hmm?

Enquanto Garfiel rangia os dentes, Mimi exclamou um murmúrio suave parecendo pensativa.

Parecendo subjulgada, ela cutucou as costas de Garfiel, perturbada, contraindo seu nariz constantemente.

Garfiel: O que é?

Mimi: Não sei~, mas sinto algo de errado. Garf, algo está errado.

Garfiel: Não hesite agora!

Agarrando as barras da calça de Garfiel, Mimi falou palavras desanimadas. Garfiel gritou com ela, que queria recuar depois de chegar até aqui.

Se eles saíssem agora, a possibilidade da família de Reala sofrer uma perda juntamente com a tragédia era enorme.

Garfiel: Você pode ficar aqui se não quiser ir. Meu incrível eu vai ficar bem, irei esmagar a cabeça do Arcebispo facilmente.

Mimi: Garf!

Com toda velocidade, Garfiel saltou de seu esconderijo depois de observar bem os arredores.

Da praça ao longo do canal, ele planejava pular imediatamente para o prédio da prefeitura.

A distância estava diminuindo. A atmosfera permaneceu inquieta. A arrogância dos dois era real, uma piada.

Nada havia acontecido. Restavam dez passos. Nove passos. Oito passos. Sete passos. Ele escalou uma parede, encontrando uma rota mais simples até o prédio. Seis passos. Cinco…

Mimi: Garf!

Mudando repentinamente de direção, Garfiel redirecionou toda sua energia para suas pernas, saltando não para frente onde seria seu destino, mas sim para o lado.

Uma luz forte brilhou na ponta de uma lâmina silenciosa repentina que foi refletida no olhar de Garfiel. Essa energia destrutiva permanecia firmemente silenciosa.

Os degraus de pedra que foram cortados no lugar de Garfiel eram bem visíveis. Uma fumaça branca flutuante se esgueirou sobre o chão onde o impacto com pedra e ferro foi causado.

Se não fosse pelo grito de advertência de Mimi, agora Garfiel provavelmente estaria morto.

Um belo e requintado golpe foi direcionado à cabeça de Garfiel. Se aquele golpe artístico tivesse acertado seu alvo, a cabeça de Garfiel estaria agora exposta para a exibição na praça.

Um suor frio escorreu pela sua testa.

Naquele instante, Garfiel pousou no chão e se virou para encarar o responsável por desencadear o golpe.

Diante de seus olhos, duas figuras apareceram de repente.

Uma delas era um homem gigante, que segurava vagarosamente uma grande espada em cada mão. A outra parecia ser uma mulher esguia e delicada, que segurava uma longa espada.

Ambos usavam dois mantos pretos, sendo assim, Garfiel foi incapaz de identificar seus rostos.

Garfiel: … Não é o jeito certo de dar uma saudação, sabe?

Coçando a nuca, que era de suor frio causado pelo choque, Garfiel falou tentando desviar a atenção deles de determinar sua força de combate.

No entanto, nenhum dos dois respondeu ao chamado de Garfiel. Ao invés disso,

Mimi: Garf, esses dois…

Fazendo um círculo em volta deles, Mimi sentiu o perigo e se juntou a Garfiel.

Garfiel nem se atreveu a tirar seus olhos das duas figuras, ignorando Mimi e mantendo seu olhar fixamente.

Garfiel: Sim, eles são fortes…

A voz de Mimi estremeceu nervosamente, enquanto Garfiel respondeu colocando a mão sobre seu ombro, apoiando-a.

Os outros dois que estavam à sua frente pareciam fantasmas sinistros e sombrios.

Os níveis sobrenaturais de perigo que os dois exalavam eram impossíveis de se medir precisamente.

Obviamente, a força do inimigo superou muito a normalidade.

Eles eram superiores a máquina assassina que Garfiel enfrentou uma vez.

Garfiel: São apenas duas pessoas…?

Garfiel olhou em volta para confirmar sua dúvida. Não havia mais nenhuma sombra à espreita.

Os únicos guardas eram os dois diante deles. Eles ocultaram sua existência de Garfiel até agora, aqueles com força já haviam escolhido parar de se esconder, portanto qualquer outra presença com potencial não existia ali.

Ou seja, os dois presentes ali eram a barreira que eles precisavam derrubar para reconquistar a prefeitura. E entendendo isso,

Garfiel: Heh, interessante.

Mimi: Garf?

Garfiel: Se vencermos, podemos romper esse impasse!

Seu coração se agitou em euforia quando ele se recusou a deixar seu medo controlar seu coração. Ele tocou seu peito com um escudo enquanto falava em voz alta. Mesmo quando sua mente começou a se acalmar, faíscas de excitação começaram a saltar de dentro dele.

No entanto, agarrando as costas dele, Mimi gritou.

Mimi: Não, não, não, Garf! Não podemos, essas duas pessoas… eles são super fortes! Apenas Mimi e Garf absolutamente não darão conta! Não podemos vencer! Não conseguiremos!

Garfiel: Se venceremos ou não, não saberemos se não tentarmos. Eu absolutamente não concordaria com isso. E além disso…

Vendo Mimi desanimada, Garfiel fez beicinho com a boca, com os olhos cheios de raiva para os dois hostis à frente.

Garfiel: Mesmo se fugirmos com o rabo entre as pernas, eles vão nos alcançar.

Mimi: Então, então, vamos uma vez! Vamos golpeá-los uma vez, desviar e fugir. Se formos só nós, não conseguiremos, temos que sair! Sem o chefe e o Julios não dá!

Com as falas frenéticas de Mimi, Garfiel mordeu os lábios.

Na verdade, Garfiel entendeu que Mimi estava certa. Eles não podiam corresponder à força dos dois.

Enfrentar esse tipo de inimigo desse nível, individualmente, era suicídio.

Então, como não havia outro jeito, pensar em desistir era o caminho certo?

As duas figuras à sua frente formavam uma barreira esmagadoramente forte. Contendo um poder avassalador que bloqueavam o caminho.

Garfiel sendo derrotado por Reinhard, estava longe de ser o mais forte.

Com a consciência de que devia se tornar o escudo mais forte, você deve percorrer o caminho mais desafiador para que você possa reivindicar ser o tigre mais forte durante sua trajetória.

Se ele se retirasse daqui agora, Garek seria–

E mais uma vez, agarrando a bainha da calça de Garfiel, dominada por pensamentos torturosos, estava Mimi com uma expressão inquieta. Garfiel relembrou sua noite suave e calma, onde ela havia sido sua guardiã.

Só então, seus sentimentos teimosos começaram a derreter gradualmente.

Garfiel: …Tudo bem, vamos fazer o que você disse. Depois do ataque fugiremos e iremos procurar alguém para nos ajudar. Está bem?

Mimi: Sim, sim! É isso mesmo! Vamos fazer isso!

Diante da coragem inabalável e estimulante de Garfiel, Mimi falou com alegria.

Tendo unificado suas opiniões, os dois se viraram para enfrentar as figuras defensivas diante deles, que permaneceram em silêncio.

Essa breve briga proporcionaria uma oportunidade perfeita para lançar uma nova ofensiva. Eles se contiveram por causa da honra? Compaixão?

Garfiel: Vamos!

Mimi: Hah!

– Sendo cautelosos, agora, era a hora e o momento para esmagá-los.

Sem precisarem de nenhum sinal, Garfiel e Mimi avançaram ao entrarem na briga em conjunto. Garfiel voou em direção a mulher e Mimi atacou o gigante.

Quando Garfiel se aproximou dela em alta velocidade, a mulher gentilmente alterou a parte superior de seu corpo, e no momento seguinte, estava balançando a lâmina para baixo, com toda precisão, em uma velocidade alarmante.

O forte clarão de sua espada cortou o ar com uma nitidez que fascinou Garfiel e fez com que ele se desconcentrasse momentaneamente.

Garfiel: Hah!

No entanto, ele não era tão bobo a ponto de deixar que a lâmina o atingisse.

Se recompondo, ele protegeu seu corpo colocando seu pulso unificado com o escudo na frente da lâmina, e aproveitou a oportunidade para desencadear um chute nela. No entanto, ela rapidamente evitou seu chute e atacou novamente, sua forma ágil e aterrorizante foi bloqueada pelo escudo de Garfiel.

Com o pescoço fora da linha de perigo da lâmina, Garfiel o protegeu com sua mão esquerda. Imediatamente depois, ele a chutou, seu corpo leve saiu voando logo em seguida.

Garfiel: Haah!

Olhando para a forma da mulher que ele facilmente causou dano, Garfiel sentiu uma leve sensação de alegria.

E virando-se, ele viu a forma do gigante, que desempenhava um papel de adaptabilidade e contra-atacava os ataques mágicos de Mimi.

Fazendo-o recuar, Mimi parecia ter escapado das lâminas do homem com sucesso.

O gigante não tinha velocidade para poder competir com Mimi enquanto corria, e essa mulher não tinha habilidades suficientes para lutar contra Garfiel, nesse caso…

Garfiel: Se pudermos derrotar pelo menos um!

Se ele pudesse eliminá-la agora, atacar o outro inimigo seria mais fácil. Derrotar a mulher encapuzada agora tornaria a luta contra o gigante muito mais fácil, e aumentaria suas chances de vitória.

Garfiel saltou para a frente, em direção a mulher desmaiada sobre o chão de pedra, ao sentir a aproximação, a espada colidiu contra o pulso esquerdo de Garfiel.

Ele havia trazido seu pulso esquerdo contra o corpo dela, de forma esguia e frágil. Ela não poderia ter a mesma capacidade de regeneração que Elsa.

Garfiel: Peguei você!

Ele seria capaz de retirá-la do campo de batalha.

No momento em que Garfiel confirmou isso e levantou a voz, a sombra da morte veio por trás.

– O gigante que deveria estar longe, aproximou-se furtivamente de Garfiel, trazendo consigo o fedor da morte. Garfiel agiu instintivamente como uma mola sendo jogada com toda a força contra o chão.

Interrompendo imediatamente seu ataque, ele inclinou seu corpo para trás, saltando para longe do local.

No entanto, outro ataque que veio de suas costas  acertou o pulso esquerdo de Garfiel, que perdeu o sustento do corpo e caiu no chão com um grito.

Garfiel: Aah!?

Garfiel que foi engolido através do choque, gemeu violentamente ao ser acertado por um golpe inimaginável.

Agora, ao saltar do chão, seu corpo, preso no ar, pela segunda vez enfrentou um ataque ultrajante.

Visando Garfiel, que estava deslizando pelo ar, em trajetória paralela ao solo, o gigante e a mulher mergulharam em sua direção ao mesmo tempo.

Com a ajuda de seus escudos gêmeos, ele montou uma defesa contra o impacto – mas foi lançado voando pelo impulso.

Garfiel: Aaaah!

Garfiel foi imprensado entre os dois ataques ao mesmo tempo.

Ele visou a espada que veio balançando na frente dele, que se defendeu com um escudo, e usou o outro para bloquear a espada gigante atacando suas costas. Com um chute forte no chão, ele mal conseguiu se esquivar e escapar dos ataques desencadeados pelos dois.

A espada usada pela mulher surgiu repentinamente mais uma vez, a qual ele impediu o ataque, usando seus dois escudos. Faíscas voaram seguidas por um golpe, varrendo o alvo de cima para baixo.

Garfiel: Ah!

Seus ossos racharam e a força e resolução do golpe manchou a visão de Garfiel de um vermelho ensanguentado. Embora ele tenha sofrido o impacto daquela espada, aquela lâmina em instantes seria capaz de tirar sua vida.

Um grito de agonia seguiu o sangue saindo de sua boca enquanto seu corpo voava para a parede, mal conseguindo evitar o perigo de ser feito em pedaços. No entanto, os inimigos de pretos não permitiram nem uma reação sequer.

Sem palavras, eles atacaram Garfiel.

Embora a intensidade desse golpe não pudesse ser comparado com a dor anterior, a nitidez da espada da mulher mascarada, quando ela invocou um poder que deveria estar fora de seu alcance, foi desencadeada de forma linda e perfeita, mesmo tendo tamanho comprimento aquela lâmina, esbelta e elegante, iria dividi-lo ao meio.

E igualmente a esgrima, o estilo de batalha do gigante era rude e cruel.

No entanto, esse tipo de brutalidade não era impulsivo e por acaso, era a brutalidade de alguém que poderia otimizar e controlar perfeitamente seu poder destrutivo. A maioria das pessoas normais quase não eram capazes de segurar nem uma espada sequer, mas ele facilmente segurava duas delas, cada uma em um de seus braços gigantes.

Garfiel: Ah, ah, hah, ah, haaah!

Um redemoinho de aço cortou o vento, fluindo como água corrente.

Embora o estilo dele fosse diferente da mulher, a eficácia de sua dinâmica era compatível com a habilidade avassaladora dela, deixando Garfiel em fuga apenas se defendendo com seus escudos de aço.

Desesperadamente, pulando para trás nos degraus de pedra, esquivando-se de um ataque cortante atrás do outro, enquanto sentia um forte assobio do vento raspar sua cabeça, ele só poderia confiar no seu instinto para resistir aos ataques com seus escudos, esquivando-se, abaixando-se, fugindo.

– Mas se eles continuassem a insistir, mais cedo ou mais tarde ele perderia a resistência e seria decapitado.

As duas figuras pressionaram Garfiel, e com isso ele suspirou pesadamente, não vendo nenhum raio de esperança. Todos os seus esforços daqui em diante eram apenas para evitar um acidente fatal.

Quando ele se exaurisse, sua atenção provavelmente não conseguiria acompanhar a situação. E seu eu distraído sofreria um golpe fatal.

Um combate magistral, com ataques precisos e magistrais.

Se houvesse um descuido, eles facilmente e simplesmente poderiam matá-lo. Quanto mais tempo passava, mais rotas de fuga se fechavam para ele.

Tomar uma decisão agora era importante.

A única maneira de sair desse dilema era revelando suas presas. Naquele momento, Garfiel encontrou a única vantagem que poderia usar.

E esse pensamento o reviveu brevemente acendendo uma chama de esperança dentro de si.

No mesmo instante, ele procurou uma brecha para respirar profundamente.

Garfiel: Mas o que…?

As lâminas vis e calmas da mulher fizeram cortes mortais. Ele trouxe ambos os pulsos para frente para se proteger, mudando seu corpo de direção e aumentando a distância entre ela, mas fazendo o mínimo possível para não se distanciar tanto a ponto de ser pego no ataque desencadeado pelo gigante logo em seguida.

Como esperado, o corte causado pelo gigante rachou o ombro esquerdo de Garfiel, e o joelho de sua perna direita foi quebrado. Mas em troca de um bom suspiro de ar fresco, essa dor não era nada.

Garfiel: Kah… Aaah!

Com um rugido furioso, ele libertou o calor que residia dentro de si, que fervia seu corpo.

A mesma sensação de sangue fervendo se expandiu para todo o seu corpo, além de seu campo de visão que se tornou branco juntamente com um som de estalos ecoando por baixo de sua pele enquanto os ossos se remexiam ao se espandirem dentro da carne. Seus dentes se alongaram em presas, e ele mexeu bem seus braços enquanto seus músculos cresciam rapidamente, seu corpo agora era maior que nunca coberto por pelos dourados.

Apenas a parte superior de seu corpo mudou, deixando-o em um estado de meio animal.

O cheiro de sangue afugentou sua racionalidade, mas nesta forma, seus pensamentos não eram completamente animalescos. Vendo seu oponente na frente deles se transformar, era impossível para qualquer um manter a calma.

Enfentando as duas figuras mudas, Garfiel rosnou, deleitando-se com a idéia de estilhaçar seus tímpanos, confirmando que suas unhas haviam se transformado em garras afiadas. E vendo que os passos dos inimigos congelaram, ele decidiu abrir buracos em seus corpos.

Sua pata dianteira desceu em direção à mulher, até que a forma gigantesca de um homem se pôs na frente dela.

Não importava o que fizessem. Mesmo aqueles músculos grossos do homem não seriam de grande ajuda. Nesta situação, eles eram apenas escudos de papel sob suas garras. E justamente proteger era exatamente o que o gigante pretendia fazer – ele estendeu as mãos, na ponta da outra mão de baixo, a lâmina de sua espada estava abaixada. Fazendo gestos de não defender nem atacar, e sim escolheu proteger a mulher.

Fofo. Mas agora acabou.

– Suas patas iriam rasgar o corpo do gigante, seguido pela mulher.

O processo da estratégia que havia sido planejado, foi interrompido em seu primeiro movimento.

A pata de tigre de Garfiel havia atingido o homem gigante, mas não conseguiu matá-lo. Isso porque ele agarrou a pata de Garfiel com as próprias mãos antes de atingi-lo.

O gigante descobriu a parte da frente de seu manto para revelar seus seis braços.

Com o braço forte de Garfiel suprimido, as garras de Garfiel bloquearam fortemente a ponta da lâmina quando ele agarrou a espada impedindo o ataque mortal.

E para isso,

– E aqui mais um movimento decisivo foi desencadeado pelo gigante (oito braços).

Atordoado demais para reagir, Garfiel hesitou.

Ele não podia acreditar que o gigante pudesse resistir ao seu ataque esmagador.

E chocado demais, naquele momento, Garfiel baixou a guarda e foi exposto.

Por trás das costas do gigante, a mulher saltou no ar, e se lançou sobre ele, mirando nas costas da besta.

As costas de Garfiel, coberta por pelos de tigre, eram um alvo fácil para aquela mulher que brandia sua longa espada. À medida que a espada se aproximava, Garfiel sentiu o sopro gélido da morte sobre sua nuca.

Com as patas capturas e sendo presas pelas mãos do gigante, tudo que ele poderia fazer era esperar pela sua morte.

Mimi: Esperem um segundo!

Garfiel teria sido dividido diagonalmente ao meio, se o corte da mulher não tivesse sido interrompido por uma barreira mágica azul que se desdobrava.

Seu golpe foi anulado instantaneamente pela barreira, que desapareceu quando a mulher caiu de volta no chão. A gatinha de cabelos laranjas havia salvo a vida de Garfiel a tempo.

Mimi: Garfiel, prometemos fugir imediatamente após o primeiro ataque!

Pela primeira vez, algo como reprovação coloriu a voz de Mimi.

Ouvindo o chamado dela, Garfiel ainda em sua forma bestial, sua racionalidade voltou para sua cabeça quando ele percebeu sua estupidez.

Ignorando sua ansiedade e seu instinto, sendo descuidado, e tendo sido muito desdenhoso com seus oponentes, ele se colocou em uma situação perigosa. E desse beco sem saída, Mimi o salvou.

Garfiel engoliu em seco ao presenciar tamanha força da barreira de Mimi.

A violência presente na lâmina da espada da mulher não combinava com seus gestos delicados. E graças a capacidade defensiva de Mimi, ele agora escapou com vida. Ele realmente teve muita sorte dela estar lá agora.

Garfiel: Ah, ah, hah, Aaaaahh!

Com a certeza de que agora estava seguro, Garfiel se libertou das garras do gigante. Tendo chutado o corpo do homem e vendo seu ataque sendo bloqueado por um braço, Garfiel pegou Mimi pela cintura e se afastou da batalha.

Dessa forma, ele fugiria daqui com Mimi. Seguindo o plano como planejado anteriormente, eles retomariam a luta com reforços.

Mas antes que eles pudessem se mover, a mulher os alcançou rapidamente sem esforços. Mas mais uma vez, Mimi lançou uma barreira mágica, dessa vez ainda maior que na anterior. A mulher foi novamente jogada para trás, e Garfiel juntou toda sua força e energia nas pernas para escapar.

– Ele sentiu uma respiração anormal. E a figura da mulher parou e gentilmente colocou a mão na barreira e pegando impulso com um salto, ela se aproximou.

Garfiel: O quê–!?

Um pequeno som causou um suave impacto.

Garfiel parou no meio do salto. Quando os degraus de pedra passaram voando por baixo dele rapidamente, ele percebeu que uma linha vermelha foi lançada sob o céu.

Sangue. Era o que se espalhou pelo céu.

Garfiel: Anã?

A consciência de manter sua forma semi-besta foi interrompida pelo mal pressentimento, assim fazendo Garfiel voltar rapidamente a sua forma humana. A sensação de perder seus pelos de tigre foi soterrada por uma onda de calafrios.

Em seus braços, havia a figura de uma Mimi exausta e esgotada. Ele ergueu seu olhar. Olhando para cima, para a figura voadora de uma mulher cuja sua lâmina cortou o ar.

Mais da metade de sua espada estava coberta de sangue vermelho e viscoso.

Um líquido quente pingou na parte inferior do abdômen de Garfiel. Vendo a pequena mão mortal de Mimi apertar a varinha que tanto adorava usar, mesmo estando quase imóvel de exaustão, finalmente Garfiel voltou a sua consciência.

Distraído, Garfiel foi surpreendido por um ataque repentino vindo de trás. O gigante, brandindo sua espada colossal, desferiu um golpe enquanto uma aura negra envolvia seu corpo.

Contudo, o som estridente do metal se chocando ecoou pelo ar.

Garfiel: Hã?!

Virando-se, Garfiel encarou, atônito, a cena diante de si...

???: Posso me juntar a este baile?

Diante deles, a figura de um jovem rapaz, com estatura de 1,80m, trajando um manto e capuz negros, bloqueava a espada do gigante.

Garfiel: V-Você é...!

Akashi: Faz tempo, hein? Garf.

O jovem de cabelos alvos virou sutilmente o rosto, observando seu rival e sua amiga exaustos, sujos e feridos.

Garfiel: Então você estava aqui! Sabe o quanto todos ficaram preocupados com seu desaparecimento, né?! Seu cabeça-de-algodão!

Com um salto ágil, o gigante recuou, posicionando-se ao lado da mulher. Ambos fitavam Akashi em um silêncio sepulcral.

Akashi substituiu seu sorriso confiante por uma expressão grave. Seus olhos, um azul e outro carmesim, encaravam os dois adversários, mas não se dirigiam a Garfiel e Mimi.

Akashi: Lamento, muita coisa aconteceu e não pude enviar notícias. Mas agora não é hora para isso... Mimi está gravemente ferida, tire-a daqui imediatamente!

Garfiel: O quê?! E o que você vai fazer?!

Akashi: Eu vou enfrentá-los. Mantendo-os ocupados enquanto você foge.

Garfiel: Mas e se—!

Interrompido por um alarmante "Garfiel!", ele compreendeu a gravidade da situação. Decidido a socorrer Mimi o quanto antes, virou-se de costas para Akashi, carregando a ferida Mimi em seus braços.

Garfiel: Não desapareça de novo, e cuidado. O chefe ficará furioso se você morrer de verdade.

O jovem de cabelos brancos soltou uma risada discreta, assumindo sua posição de combate.

Akashi: Até logo, Garf.

Saltando de um edifício a outro, Garfiel fugiu, suportando o peso de seu corpo e de Mimi. Seus perseguidores, tentando interceptá-lo, saltaram em direção dos fugitivos. Porém, foram repelidos por Akashi, que surgiu diante deles em pleno ar, e com um movimento horizontal de sua espada Kagotsurube Isshin, criou um clarão ofuscante, forçando os adversários a recuar para o interior da câmara municipal.

Enquanto arrastavam os pés pelo chão, Akashi apareceu subitamente diante deles, seu olhar sério e resoluto destacando-se na penumbra de seu capuz.

Akashi: Lamento, mas terão que enfrentar a mim. Vingarei o que seus líderes fizeram na praça, o que fizeram com Subaru, dona Emilia... e todas aquelas pessoas!

Mulher: ...

Akashi: Seu chefe possui uma habilidade peculiar e fascinante. Se ela não fosse uma autoridade... eu adoraria aprender ela. Agora, que tal darmos um fim àquela nossa perseguição anterior, hein? Dupla de covardes!

A poeira se erguia enquanto Akashi se posicionava diante de seus formidáveis oponentes. O gigante de oito braços, cada um empunhando uma espada colossal, exalava uma aura de pura força bruta. Ao seu lado, uma mulher de postura elegante, com uma aura que refletia a calma antes da tempestade, segurava sua espada com uma graça letal.

O gigante avançou primeiro, suas espadas descendo em um arco selvagem. Akashi, com uma serenidade perturbadora, deslizou para o lado, os movimentos do gigante parecendo previsíveis e lentos aos seus olhos. As lâminas cortaram o ar, encontrando apenas o vazio.

A mulher atacou em seguida, sua técnica era um contraste fluido com a força do gigante. Ela era como uma dançarina, cada estocada e corte executados com precisão cirúrgica. Mas Akashi estava sempre um passo à frente. Ele parou um golpe com a parte plana de sua lâmina, o som do metal contra metal cantando no campo de batalha.

O gigante, recuperando-se, tentou cercar Akashi com um turbilhão de golpes. Mas Akashi, com uma agilidade sobrenatural, saltou, girou e desviou, cada movimento seu uma resposta perfeita à violência do gigante. Era como se ele dançasse entre as espadas, um balé de morte onde ele era o único dançarino.

A mulher não desistia, suas lâminas traçavam padrões complexos no ar, buscando qualquer brecha na defesa de Akashi. Mas ele estava imune às suas artimanhas. Com um giro rápido, ele bloqueou um golpe que teria sido fatal para qualquer outro, e com um contra-ataque ágil, forçou-a a recuar.

O gigante, furioso com a facilidade com que Akashi evitava seus ataques, aumentou a intensidade de seus golpes. Mas a força bruta não era páreo para a destreza de Akashi.

Akashi: Heh!

Com um sorriso frio, Akashi desviou de um golpe duplo e, aproveitando-se do momento de desequilíbrio do gigante, desferiu um golpe certeiro que o fez tropeçar.

A mulher, vendo uma oportunidade, avançou com uma série de estocadas rápidas. Mas Akashi, sempre calmo, interceptou cada uma delas com movimentos fluidos e precisos. E então, com um movimento tão rápido que mal podia ser visto, Akashi lançou um contra-ataque que deixou a mulher sem fôlego, forçando-a a se afastar.

Akashi: Se eu manter a calma e não me enfurecer, não perderei o foco nos meus objetivos... e não fracassarei, certo?

Ele pensava nas palavras de Halibel, mantendo um sorriso confiante.

A batalha continuava, mas o resultado parecia inevitável. Akashi, o mestre espadachim, enfrentava seus adversários com uma facilidade que beirava o sobrenatural. Cada desvio, cada bloqueio, cada contra-ataque era uma demonstração de sua superioridade no campo de batalha, os treinos com Ram, Wilhelm, Halibel e Reinhard estavam mostrando resultados... o guerreiro diante daqueles dois, podia derrotá-los.

O gigante alçou voo, erguendo suas espadas ao céu antes de desabar na direção de Akashi, com a intenção de esmagá-lo ali mesmo. Contudo, como esperado, o gigante encontrou apenas o concreto, que se partiu sob o impacto, abrindo um buraco no chão.

Akashi: Vocês devem ter sido guerreiros formidáveis no passado. É uma honra derrotá-los!

Num piscar de olhos, Akashi surgiu ao lado do gigante, desferindo um chute no rosto da criatura com força suficiente para lançá-la contra a parede. O estrondo resultante foi tão poderoso que fez os arredores tremerem.

A mulher avançou rapidamente em direção a Akashi, brandindo sua espada na direção da nuca do rapaz. Com reflexos fulminantes, Akashi se virou e agarrou o pulso da mulher. De repente, ela soltou sua espada, e uma breve aura negra com veios roxos emanou de seu corpo antes de se dissipar, deixando-a imóvel no chão.

Akashi: Menos uma, agora... — ele começou a dizer.

O gigante, recuperando-se rapidamente, estava perto o suficiente para tentar atingir Akashi com um corte duplo horizontal. Akashi bloqueou o golpe com sua espada e saltou para trás, distanciando-se dos adversários que, inesperadamente, começaram a afundar no chão.

Akashi: Parem! Não vão escapar novamente!

O cristal carmesim em sua testa brilhou intensamente. Akashi ergueu a mão e lançou uma esfera de fogo na direção dos fugitivos, mas era tarde demais; as chamas atingiram apenas o chão, provocando uma pequena explosão que, porém, não abalou a estrutura do local.

Akashi: Droga...! Faltou pouco... nesse caso, terminei por aqui... — murmurou Akashi, recolocando seu capuz. Ele observou os arredores e desapareceu do campo de batalha, agora com outro objetivo em mente...

Enquanto isso...

Já tendo se distanciado do local, Garfiel notou que eles (adoradores) pareciam interessados em outra coisa, a não ser guardar a praça, ou será que isso era uma demonstração de humanidade? Isso não importava. O que ele deveria fazer agora? Após quatro longos saltos para longe da praça, Garfiel desabou em um prédio, onde verificou as condições de Mimi.

Os olhos de Mimi se fecharam, uma grande quantidade de sangue escorria de seu ferimento no peito.

Garfiel abriu suas roupas para verificar a gravidade de seus ferimentos. Ele concluiu que ainda não era um ferimento fatal. Claro, isso não era motivo para otimismo. Ela precisava de magia de cura imediatamente. Ele precisava se acalmar.

Colocando a mão sob a ferida dela, Garfiel depositou toda a mana de seu corpo para Mimi.

Garfiel era um dos poucos que poderia usar magia de cura no santuário. Ele sempre achou que isso era pouco efetivo e mais inútil, mas no caso de alguma emergência esperava poder fazer algum efeito.

Portanto, Garfiel havia concentrado todos os seus esforços mágicos em aprender como curar, e para isso ele tinha uma compreensão áspera, mas completa, de cada nível de cura.

Contanto que o ferimento não fosse fatal, ele estava confiante de que poderia fazer alguma coisa.

As feridas de Mimi precisavam de todo o esforço possível para cicatrizar. O suor escorria de sua testa enquanto ele reunia toda sua mana, direcionando para diminuir o fluxo de sangue e curar a pele cortada, além do músculos e órgãos internos feridos, desejando profundamente que tudo fosse curado, dando mana continuamente.

Continuamente, continuamente…

– A ferida não se fechava.

Garfiel: Por quê, por quê…?

Quem estava sussurrando suavemente isso em seu ouvido?

Alguém que estivesse fazendo isso, nesta situação, fazer um som tão calmo não merecia nada além da ira de Garfiel. Ele olhou ao redor freneticamente, procurando a fonte do barulho. Não havia ninguém lá. E então, ele finalmente percebeu. A voz era dele mesmo. Era sua voz.

Ah, então aquela voz suave era sua? O som feito por ele, era, era, era…

Garfiel: Feche, feche, feche, cure, cure, cure, cure…!

Exausto, ele direcionou toda sua magia de cura para o corpo inconsciente de Mimi. A onda de magia de cura fluía para o corpo dela.

Apesar disso, a ferida recusou a se fechar.

Garfiel: É mentira, certo?

Incapaz de aceitar a realidade à sua frente, Garfiel murmurou novamente com uma voz ainda mais fraca.

Imediatamente depois, ele se bateu no rosto, e mordeu os lábios com força para manter seu corpo firme. Agora não era uma hora para fazer corpo mole e uma voz suave. O que ele poderia fazer?

O que ele poderia fazer? O que ele poderia fazer? O que ele poderia fazer? O que ele poderia fazer? Ele não sabia. Mas ele não podia desistir de tudo aqui assim. Essa garota precisava ser salva de qualquer jeito.

Essa criança, que havia se machucado tentando salvá-lo, não poderia morrer assim.

Rangendo os dentes, Garfiel começou a correr com Mimi em seus braços. Uma de suas mãos se sobrepôs na ferida de Mimi tentando novamente estancar o sangramento em seu peito com sua magia ineficaz.

O cheiro do sangue. O cheiro da morte. Nessas ruas desertas qualquer pensamento sobre o que poderia ter acontecido aos arredores não passava pela mente de Garfiel.

Alguém! Alguém, por favor, salve essa criança! Qualquer um! Me diga o que fazer! Se houver algo que eu possa fazer! O que eu devo fazer para salvá-la?

Garfiel fortaleceu seu olfato.

Sentiu o cheiro de água, sangue, sentimentos elevados, carne derretida e carbonizada. Em todos esse odores horríveis, Garfiel encontrou um cheiro muito familiar passando pelo ambiente e imediatamente o farejou seguindo.

Correndo, ele correu, continuou correndo e correndo com todas as suas forças.

Ele voou para um abrigo, vendo figuras cobertas por manchas de sangue, ele deu um suspiro triste. Mas agora ele não tinha tempo para se importar com ninguém. Abrindo bem os olhos ele procurou pela pessoa que emanava o forte cheiro.

Subaru: Garfiel?!

Ele o encontrou.

Ali, naquelas instalações subterrâneas, escuras e frias, ele finalmente encontrou aquele que tanto procurou desesperadamente.

Seu mentor e condutor, Natsuki Subaru.

Para Garfiel, essa existência era milagrosa, e na pior das hipóteses possível ele era um raio de luz, a última esperança de Garfiel.

Balançando a cabeça, Garfiel oscilou para frente e para trás, devido ao peso em suas mãos e de seu próprio corpo.

Ao se aproximar, Subaru finalmente percebeu a inconsciente Mimi em seus braços.

Sob o olhar de Subaru, Garfiel abaixou a cabeça, ajoelhado, ele segurando Mimi, amaldiçoou sua própria estupidez.

Garfiel: Desculpe, chefe…! Eu sou tão inútil! Incompetente… se não fosse por ele... não teríamos fugido!

Ele foi incapaz de proteger a família que prometeu salvar, sua promessa de se tornar o escudo de Emilia não foi cumprido, seu desafio contra as forças inimigas não surtiram efeito e, no final das contas, a essa pobre garota estava à beira da morte.

Subaru: Garfiel, o que aconteceu…? "Ele" quem que você está falando? Não, agora não é hora pra isso. Felix!

Felix: Eu sei! Depressa, dê ela para mim!

Estendendo a mão, Mimi foi retirada de seus braços e colocada em uma cama, perto de Subaru. Garfiel levou um tempo para organizar seus pensamentos.

No momento seguinte, uma energia brilhosa de cura volátil transbordou, tomando a visão do ambiente. Garfiel nem poderia comparar essa magia com a sua. Se a habilidade de cura de Garfiel fosse comparável a uma gota, a de Felix seria uma cachoeira.

Testemunhando a magia que poderia reviver até mesmo uma vida perdida, Garfiel se sentiu ainda mais frustrado.

Subaru gentilmente colocou a mão sob o ombro flácido de Garfiel. Com um olhar, ele pôde perceber que Subaru havia sofrido um ferimento terrivelmente abominável no pé.

Subaru: Embora eu não possa dizer que tudo ocorreu bem, você fez um ótimo trabalho em trazê-la para Felix. Graças a você ela pode ser salva.

Garfiel: Graças a mim…?

O que Subaru estava dizendo?

Graças a ele Mimi foi salva? Que ridículo! Mimi havia sido ferida gravemente, e a causa disso tudo era Garfiel. Eles tiveram a sorte de Akashi ter surgido alí e evitado algo pior pros dois.

Primeiramente, a vida dela nunca deveria ter sido colocada em risco. Tudo isso aconteceu só pelo julgamento errôneo e patético de Garfiel, que fez a pior escolha possível.

Um vazio junto com um pensamento distorcido tomou conta do interior de Garfiel, pensamentos insolúveis de culpa e incapacidade afetaram sua consciência. O mundo jamais perdoaria a tolice de Garfiel.

Ele havia cometido um erro, e teria que pagar caro por isso. E ainda assim, os piores resultados imagináveis estavam acontecendo.

Subaru: Felix, o que aconteceu…?

Sentindo uma mudança, a expressão de Subaru mudou, ficando preocupado.

Ele se arrastou até ao lado da cama questionando o homem que lançava seus feitiços de cura.

Nessa aterrorizante torrente de magia, o curandeiro balançou a cabeça respondendo a pergunta de Subaru.

Felix: Por que…? As feridas não estão se curando! Se continuar assim, não sei se conseguirei salvá-la!

Seu grito angustiado ecoou pela sala, e Garfiel inquieto ergueu o rosto para o céu. No entanto, ele estava debaixo de um subsolo, sendo assim, o céu não tinha nada a dizer para Garfiel.

– o preço por seus erros cometidos serão pagos com sangue.

...Continua...

Capítulos
1 A Linhagem do Farsante
2 Perspectivas de Cada Um
3 Pé na Estrada
4 A Cidade das Comportas, Priestella
5 O Pecador Zarpa
6 O Valor de uma Cantora
7 Uma Reunião Surpreendente, uma Reunião Predestinada e uma Reunião Não Intenciona
8 Jantar Pacífico
9 O Demônio da Espada sob a Lua
10 Penetras
11 Circo de Tragédia
12 Solução Ideal
13 Situação Interrompida
14 Teatro do Leão
15 Ruídos
16 Gorgeous Tiger
17 O Custo de um Erro
18 Estratagema na Prefeitura
19 Emboscadas e Surpresas
20 Reagrupar
21 A Cavalaria e o Homem que Chegou Atrasado
22 Devaneios Heroicos
23 O Mais Novo Herói e o Mais Antigo Herói
24 Uma Maldição Inescapável
25 Um Estado de Espírito
26 Aquele que Você vai Amar um Dia
27 Malícia em Trapaça
28 Malícia em Trapaça parte 2
29 Uma Cidade de Conflito
30 O Desafiante do Deus da Guerra
31 Onde Reside o Coração
32 Regulus Corneas
33 Vítima do Território
34 Enaltecimento de um Guerreiro
35 Os Arrependimentos de Liliana Masquerade
36 Liliana Masquerade
37 Um Banquete de Jantar Repulsivo
38 Eclipse
39 Theresia Van Astrea #1
40 Theresia Van Astrea #2
41 Os Frutos da Batalha por Priestella
42 Um Cavaleiro Sem Nome
43 O Sábio da Torre de Vigia
44 Caminhos Distintos
45 Rumores de um Futuro Incerto
46 Devastação
47 Aqueles que Trazem a Ruína
48 Death Ballet
49 Palácio Carmesim
50 O Peso da Desconfiança e dos Corações Determinados
51 A Praga Que Envenena o Mundo
52 Entre a Agonia e o Desespero
53 Aquele que Simboliza a Guerra
54 Contagem Regressiva
55 Deus da Guerra
56 Aquele que Trouxe a Condenação
57 Morte e Conquista, Parte 1
58 Morte e Conquista, Parte 2
59 Desejos e Vontades Herdadas
60 Decisão
61 Arco EX (6)
Capítulos

Atualizado até capítulo 61

1
A Linhagem do Farsante
2
Perspectivas de Cada Um
3
Pé na Estrada
4
A Cidade das Comportas, Priestella
5
O Pecador Zarpa
6
O Valor de uma Cantora
7
Uma Reunião Surpreendente, uma Reunião Predestinada e uma Reunião Não Intenciona
8
Jantar Pacífico
9
O Demônio da Espada sob a Lua
10
Penetras
11
Circo de Tragédia
12
Solução Ideal
13
Situação Interrompida
14
Teatro do Leão
15
Ruídos
16
Gorgeous Tiger
17
O Custo de um Erro
18
Estratagema na Prefeitura
19
Emboscadas e Surpresas
20
Reagrupar
21
A Cavalaria e o Homem que Chegou Atrasado
22
Devaneios Heroicos
23
O Mais Novo Herói e o Mais Antigo Herói
24
Uma Maldição Inescapável
25
Um Estado de Espírito
26
Aquele que Você vai Amar um Dia
27
Malícia em Trapaça
28
Malícia em Trapaça parte 2
29
Uma Cidade de Conflito
30
O Desafiante do Deus da Guerra
31
Onde Reside o Coração
32
Regulus Corneas
33
Vítima do Território
34
Enaltecimento de um Guerreiro
35
Os Arrependimentos de Liliana Masquerade
36
Liliana Masquerade
37
Um Banquete de Jantar Repulsivo
38
Eclipse
39
Theresia Van Astrea #1
40
Theresia Van Astrea #2
41
Os Frutos da Batalha por Priestella
42
Um Cavaleiro Sem Nome
43
O Sábio da Torre de Vigia
44
Caminhos Distintos
45
Rumores de um Futuro Incerto
46
Devastação
47
Aqueles que Trazem a Ruína
48
Death Ballet
49
Palácio Carmesim
50
O Peso da Desconfiança e dos Corações Determinados
51
A Praga Que Envenena o Mundo
52
Entre a Agonia e o Desespero
53
Aquele que Simboliza a Guerra
54
Contagem Regressiva
55
Deus da Guerra
56
Aquele que Trouxe a Condenação
57
Morte e Conquista, Parte 1
58
Morte e Conquista, Parte 2
59
Desejos e Vontades Herdadas
60
Decisão
61
Arco EX (6)

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