Algum tempo se passaria, após aquela viagem de barco.
– Você deve estar melhor agora, eu diria.
– Não, espere um pouco mais. Wow, isso é terrível, minha visão ainda está tremendo. Eu ainda estou tremendo. Nem mesmo a morte poderia curar essa doença.
Em uma rua logo em frente a um grande aqueduto, Subaru e Beatrice estavam sentados lado a lado, seus pês estavam balançando a beira do canal. Juntos, eles admiravam o fluxo daquela água cristalina. Os pedestres que passavam por lá sorriam levemente quando os viam. Talvez eles assumiram que eles fossem irmãos, ou talvez turistas que nunca tinham visto aquelas estruturas.
– Nenhuma dessas suposições está totalmente errada… mas é triste que eles não saibam realmente qual é a nossa relação. – Subaru diria, quanto à visão que os pedestres teriam sobre Beatrice e ele.
– Você deveria estar preocupado em se recuperar, ao invés de se preocupar com essas coisas inúteis, de fato. Eu me pergunto por que você acha que Betty está aqui, eu diria.
– Você estava preocupada que eu me sentiria solitário? Beako é tão gentil.
– Isso é irrelevante, de fato… Apenas se apresse e recupere-se, eu diria.
Para acomodar o peso de Subaru que estava apoiado nela, Beatrice faz força em seu pequeno corpo. Vendo isso, o amor de Subaru por ela aumentou exponencialmente. Poderia algum dia parar de aumentar?
Cerca de quinze minutos atrás, Subaru foi forçado a continuar sua jornada a pé, depois de toda a confusão que ele havia causado devido a seu enjoo. Emilia, Otto e Garfiel permaneceram no barco, com o intuito de se deslocar para que possam fazer as negociações com Kiritaka e a Companhia Muse.
Originalmente, Emilia também queria acompanhar Subaru a pé, porém, Otto havia avisado – “Quanto mais tempo deixarmos a outra parte da negociação esperando, pior nossa impressão será” –
Seguindo esse conselho, ela deixou Subaru para trás. Provavelmente era a melhor decisão a se tomar.
– Bem, mesmo com Anastasia dizendo para nos tomarmos cuidado… não acho que ninguém tentaria fazer nada em plena luz do dia.
Certamente, ainda havia a ansiedade de estar sozinho em uma cidade desconhecida após ser convidado por seu oponente na política, para cuidar disso, havia uma escolta chamada Garfiel.
Entretanto, mesmo sozinho, Subaru era suficientemente importante para a chapa da Emilia, um ataque contra ele não seria algo impensável.
– Como ele disse, um cavaleiro sempre deve agir como um, a todo momento. – O rapaz diria, lembrando da fala de Julius anteriormente.
– Subaru, é muito irritante quando você ri de si mesmo, eu suponho.
– Espere, eu não estava rindo! Eu jamais pensaria naquele cara e daria risada! De qualquer forma, vamos.
Subaru levantou-se e respirou fundo, esfregando ligeiramente seus braços e pescoço. Embora seus membros ainda estavam um pouco pesados, o enjoo já havia praticamente desaparecido. Ele poderia quase que se mover normalmente novamente.
– Bem, Betty vai ajudar se necessário, eu diria.
– Estou contando com você. Embora, eu duvido que alguma coisa vai acontecer. Apenas um idiota atacaria em plena luz do dia com tantas pessoas ao redor.
Todas as candidatas da seleção real precisavam ficar de olho em suas reputações. Em público, elas deveriam se comportar como pessoas agradáveis e autênticas. Emilia naturalmente era uma garota honesta e bondosa, ela não precisava se preocupar em se parecer outra pessoa na frente do público.
– Em outras palavras, a vantagem de Emilia em relação as outras candidatas é a sua inocência angelical…!
– Seus pensamentos estão indo em uma direção errada, de fato. Subaru, vamos por aqui, me siga.
No ano passado, Beatrice já havia se acostumado completamente que Subaru era uma pessoa que se distraia com facilidade. Ela facilmente transitava pelo cenário urbano desconhecido enquanto segurava a mão de Subaru.
Aparentemente a sede da Companhia Muse se localizava na fronteira entre o primeiro e o segundo distrito. Como Subaru tinha ficado enjoado, ele apenas se lembrava do endereço de uma forma bem vaga, Beatrice por outro lado, se lembrava perfeitamente.
O único problema que eles poderiam ter, seria a complexidade das estradas de Pristella.
Embora eles tivessem chegado seguindo o canal principal, eles tiveram que pegar desvios ao redor de vários canais pequenos que se ligavam ao principal. Em alguns casos tinha pontes, mas em várias ocasiões Subaru teve que pular por um canal estreito enquanto carregava Beatrice.
– Subaru, esta fonte é esplendida, eu diria.
– Você está certa… Beako, como chegamos a esse parque?
A fonte que chamou a atenção de Beatrice estava no centro de um parque. A fonte estava cercada por canteiros de flores bem cuidados e crianças brincando, o mesmo no qual Akashi esteve pouco tempo atrás.
Aquela era sem dúvidas uma vista pacifica e relaxante. O único problema era que…
– Esse era o lugar para onde deveríamos estar indo? Este é o último lugar que eu imaginaria que ficaria a sede de uma grande empresa. Se um empresário fizesse negócios aqui, todo seu dinheiro seria molhado.
– Eu me pergunto se o enjoo o deixou cínico, eu suponho. Essa é a primeira coisa que você pensa ao ver essa linda paisagem… Betty sente pena de você, de fato.
– No passado você teria corado e tentado esconder esse erro, mas agora, você está se tornando bastante fresca…você está quebrando o coração do seu pai.
– V-Você… é muito cedo para chamar-se de pai de Betty, são quatrocentos anos de diferença! Ainda lhe falta consciência para discutir tais assuntos, de fato!
Subaru não sabia o porquê Beatrice tinha reagido de maneira tão exagerada na última metade de sua frase, mesmo assim, ele não se deu ao trabalho de descobrir. O problema deles agora era descobrir como haviam chegado naquele parque.
– Beako, já que você estava me guiando com tanta confiança, pensei que soubesse qual era o caminho.
– Eu sei o caminho, de fato. Entretanto, essas estradas são muito complicadas, eu diria. Com o intuito de não me perder, eu usei o “método da mão esquerda” sobre o qual eu havia lido. Mas parece que não funcionou, eu suponho.
– Como é? "Método da mão esquerda"?
– Consiste apenas em estender sua mão esquerda sobre a parede e segui-la, de fato.
– Isso não era para labirintos?!
O método de Beatrice era uma tática conhecida para se passar por um labirinto. Subaru reconhecia sua eficiência, mas também havia algumas desvantagens. Por exemplo,
– Se você começar a usar o "método da mão esquerda" no meio de um labirinto, você pode acabar atingindo uma parede interna e nunca mais conseguir sair! Além disso, não estamos em um labirinto, estamos em uma cidade.
– Hmph! É típico de Subaru ignorar um conhecimento que já foi experimentado e testado, eu diria. Betty era uma bibliotecária que administrava a biblioteca proibida. Ela sente pena de qualquer tolo que ignora a sabedoria, de fato.
– Eu não sou um tolo, você que é estúpida por assumir que sabe de tudo.
Sua idade (400 anos) era o suficiente para justificar sua atitude, mas também demorou muito tempo para que ela saísse da biblioteca proibida e conhecesse o mundo exterior (foram 400 anos, afínal) havia uma grande lacuna de 400 anos entre sua lógica e o senso comum. Por causa disso, ela era uma loli surpreendentemente não tão confiável.
– Eu me pergunto se Subaru tem uma ideia melhor, de fato. Vamos ver você tentar, eu suponho.
Ela colocou suas mãos na cintura, olhando fixamente para Subaru com um olhar desagradável.
Subaru havia acabado de passar por um grande constrangimento, deixando Beatrice ver seu enjoo, ele queria compensar ao menos aparentando estar confiante.
– Ha ha. Você assumiu corretamente ao pensar que esse lugar é como um labirinto, mas errou ao pensar que era um labirinto como qualquer outro e também errou ao usar a técnica da "mão esquerda". Tenho algumas táticas sem falhas que podem nos ajudar, sem falhas não, perfeitas.
– Você parece estar bem confiante, eu suponho. Va em frente e conte-me seu plano, de fato.
– Hee, vou conta-lo. Seu nome é "Método da Jaula"
Beatrice balançou sua cabeça, uma dúvida estava em sua cabeça. O nome não fazia jus ao conteúdo real do plano, então, Subaru começou a explicar detalhadamente.
– Ok. Primeiro de tudo, vamos chamar nossa posição atual de "ponto de partida". Se avançarmos, eventualmente chegaremos a uma bifurcação. Continuaremos até chegarmos a um beco sem saída. Então, voltaremos a nossa primeira bifurcação.
– …mm, continue, eu diria.
– Em seguida, mapearemos esse caminho e daí escolheremos outro. Usando o mesmo método do primeiro caminho, continuaremos andando até um beco sem saída. Eventualmente, teremos todos os caminhos mapeados se fizermos isso.
– Isto iria levar muito tempo, de fato! Eu me pergunto se conseguiríamos fazer isso mesmo antes de anoitecer, eu diria!
– I-idiota! Qual é o problema em optar pelo caminho mais seguro?! Quantas pessoas você acha que já sobreviveram a um labirinto usando esse método? Eu só estou fazendo como você disse, confiando na sabedoria que já foi experimentada e testada na história!
– Perder de vista o nosso objetivo confiando na sabedoria é um péssimo habito, de fato!
Certamente, doeu ver Beatrice descartando sua ideia daquela forma, mas até mesmo Subaru tinha de admitir que seu plano tinha muitas falhas. Além de consumir bastante tempo, mapear todos os caminhos sem desenhar seria difícil.
– Então, resta apenas um outro método…
– Qual seria este método? A confiança de Betty sobre você está consideravelmente baixa agora, eu suponho.
Mesmo se tratando de um método confiável, não era algo que iria melhorar a imagem de Subaru.
– Ok, nós teremos que trabalhar juntos.
– Em que exatamente?
– Vamos gentilmente pedir que nos orientem.
– Tudo bem, de fato…
Subaru tinha aceitado que ele não conseguiria resolver o problema por conta própria. Ele pensou que o orgulho de Beatrice seria o único problema, mas ela parecia ter aceitado tranquilamente.
Felizmente, Kiritaka Muse era um comerciante famoso, além de estar fortemente envolvido com o planejamento urbano de Pristella. Todo mundo saberia onde seu escritório fica.
Com esse pensamento em mente, Subaru olhou envolta na esperança de encontrar alguém para perguntar. Mas…
– Mesmo esse lugar sendo um parque, não tem ninguém aqui.
– Estamos em um horário inoportuno, a tarde acabou de começar, é um horário perfeito para sonecas, eu suponho.
Subaru definitivamente concordava com Beatrice, ele estava tentado a cochilar debaixo da sombra. Eles decidiram voltar para o canal principal, certamente haveria mais pessoas, mas então…
– Você ouviu algo? – Subaru perguntava.
Além do som fraco do vento e da água, era possível escutar uma voz humana cantando.
Subaru escutava a voz de forma fraca e intermitente, mas ainda assim, foi o suficiente para que ele fosse atraído pela voz, buscando sua fonte. Ao lado dele, Beatrice também parecia estar procurando pela fonte do som.
Ao chegarem ao local, eles pararam, maravilhados, esquecendo até mesmo de respirar.
Uma garota solitária estava parada na frente de um dos monumentos no fundo do parque, sua voz aumentava à medida que ela cantava.
Ela era uma garota pequena, com pele negra, olhos grandes e redondos, e um rosto vibrante de animação.
Suas longas tranças amarelas eram decoradas com pequenos ornamentos estranhos.
Em sua mão, ela carregava um instrumento de tamanho similar a uma guitarra ou um ukulele. Ela tocava e cantava ao mesmo tempo.
A energia contida naquela música só poderia ser descrita como avassaladora.
Subaru, escutando sua música, sentiu um tremor inexistente sobre seus pés e uma vibração inexistente sobre seu rosto. A clareza e o volume da música eram simplesmente impressionantes. Sua voz, aquela melodia, era o único som existente.
Aquela garota solitária, apenas usando sua voz e a ponta dos dedos, foi capaz de criar uma energia comparável à de uma orquestra.
Subaru não era o único que estava sendo completamente cativado por ela.
Havia uma audiência de cerca de vinte pessoas, todas maravilhadas ao ponto de nem se darem conta da presença de Subaru. Da mesma forma, Subaru havia notado apenas a garota, cuja presença havia dominado completamente o local.
Enquanto o corpo todo de Subaru tremia, a música da garota atingiu seu clímax, e o entusiasmo das pessoas chegou ao ápice.
– Sem dinheiro, sem futuro, sem esperanças, apenas com vaidade. O que eu posso ver senão a escuridão? E além da escuridão, nada. O fim, o fim, o fim se aproximam. – Diria a garota, enquanto cantaria para seu público.
– Como essa música pode ser tão emocionante mesmo depois em uma parte tão calma?! – Subaru se questionava.
– Huh?!
A música que até mesmo em sonhos seria impossível de criar foi inesperadamente interrompida por Subaru.
No momento que Subaru a interrompeu, a garota parou de cantar e largou seus instrumentos. Obviamente, a música também parou. Instantaneamente, a intensa atmosfera que pairava em torno da garota desapareceu.
Subaru percebeu que tinha estragado tudo.
– Não… Eu realmente não havia me dado conta da situação. Desculpe, eu não queria… Hk! Isso machuca!
– Subaru seu idiota, você arruinou tudo, de fato. Uma atmosfera incrível, uma música encantadora… você grosseiramente estragou tudo isso, eu diria. Você foi longe demais, de fato.
Antes que ele pudesse se desculpar, uma dor aguda perfurou seus dedos do pé. Olhando para baixo, ele viu Beatrice indignada pisando em seu pé com o calcanhar. Era como se Beatrice estivesse voltando para a realidade quando a música foi interrompida, aquela interrupção era algo imperdoável.
“Que música era essa?”
“Isto é um parque… há alguns instantes eu estava na escuridão”
“Não, naquela hora eu não pude evitar, mas…”
O público, que havia sido encantado pela música, aos poucos voltavam a realidade. Todos se voltaram ao criminoso que havia arruinado a música. Este era Natsuki Subaru.
“Não faça as coisas sem pensar!”
Todos gritavam, amaldiçoando Subaru pelo que ele fez.
– Obrigada a todos, eu diria. Eu realmente gostei.
– Não fique tão feliz. Dê uma olhada nos meus pés, eles estão bem? Ainda tem o mesmo tamanho? – Subaru perguntava, com dor após Beatrice ter pisado em seus pés.
– Eu não me importo, de fato. Por hora, não considere Betty sua parceira, eu diria.
Beatrice virou o rosto teimosamente, rejeitando Subaru. Ele então verificou por conta própria, seu pé direito havia quase dobrado de tamanho.
Subaru havia arruinado o show e acabado com a atmosfera produzida pela música, aquela reação não era inesperada.
Um por um, o público agradecia a garota que havia cantado, uma boa parte das pessoas também pisou no pé de Subaru antes de sair. Subaru não foi capaz de dizer nada, e Beatrice o ignorou, deixando Subaru como um inimigo do público. Subaru preparou-se para o possível sangramento que seu pé iria ter.
– Você não deveria me curar com a sua magia de cura?
– Seria um desperdício de mana, que foi acumulada lentamente, de fato. Espere que cure naturalmente, ou peça para Emilia, eu diria.
– Você e Emilia cuidam de mim a muito tempo, huh.
Desde que ele veio a esse mundo, Subaru sofreu uma grande quantidade de ferimentos, mas raramente eles duravam por muito tempo. Mesmo ferimentos causados enquanto ele praticava parkour, seriam rapidamente curados por Emilia ou Beatrice. Seu medo da dor não havia diminuído, mas era um alivio saber que seus ferimentos poderiam ser curados. Embora ele invejasse Akashi por seu "fator de cura" automático, deve ser ótimo ser curado sem precisar de ninguém para isso... mas como isso funcionaria é um mistério para ele.
– Bem, dessa vez terei que aceitar a dor como uma lição pelo o que eu fiz.
Dito isso, Subaru acariciou a cabeça de Beatrice, que ainda estava virada de lado. Beatrice estendeu suas mãos, em um sinal de gentileza. Ao longe, sob o telhado de uma estrutura alta, Akashi observava o parque, o jovem dos cabelos brancos sorria por ver seus amigos alí em baixo, mas estava triste por não poder surgir, caso ele fosse reconhecido...
– Bem… bem, creio que está tudo bem, de fato. Com tanto que você reflita sobre o que fez e aprenda a lição, eu diria.
– Sim, eu vou fazer isso. Desculpe, eu estava errado…
Subaru e Beatrice terminaram sua conversa e se voltaram para a garota. Subaru tinha causado problemas para a garota, ele queria ao menos se desculpar. A garota, que estava assistindo esse tempo todo, disse,
– Uma inspiração!
– O que?! – Subaru estava confuso.
– Escute!... Eu não sei a diferença entre nossas idades…
Desviando sua atenção de um Subaru confuso, a garota começou a tocar o instrumento, em busca de um ritmo. Ela ajustou seu tom, respirou fundo e começou a cantar.
– Meu amor… você o vê? Você o sente? A diferença entre nossas idades. Mesmo que o ambiente a nossa volta mude, eu não me importaria nem um pouco. A única coisa que me importa é nossa diferença de altura. Espere, espere meu amor. Por favor espere um pouco. Só um pouco, apenas um pouco mais, só um pouquinho mais. Se eu ficar na ponta dos pés, posso alcança-lo. Se nós dois ficarmos muito pertos, a diferença de idade é irrelevante. Então por favor, apenas dois anos, por favor, espere. A distância entre nosso amor está docemente derretendo.
– Conforme a distância do nosso amor diminui, torna-se em um amor silencioso e ardente. Eventualmente, teremos dois filhos e nosso futuro será uma brilhante história de amor.
– Eeeehhhhh?! – Beatrice gritava de surpresa com o que presenciava.
No final da música da garota, Subaru de repente se juntou a canção, acrescentando um pouco de rap na música. Beatrice ergueu sua voz, espantada, exigindo uma explicação.
– Espere um pouco! Por que… por que Subaru de repente Subaru faz parte da música? Eu suponho. E por que você o aceitou tão facilmente na música?
– Do que você está falando, Beako… por acaso a música ultrapassou os limites e causou alguma emoção em você?
– Exatamente! O coração de Liliana está tremendo de emoção. – A garota diria, com um sorriso nos lábios.
– V-você achar que Betty está errada, isso é inaceitável, eu suponho.
Subaru, sentindo-se mal por Beatrice que não tinha ninguém do seu lado, virou-se para a garota morena.
– Beako e eu não temos esse tipo de relacionamento que você está pensando. Mesmo se ela continuasse a crescer em dois anos, ela ainda estaria fora do meu alcance.
– Eh? Ela vai ter apenas treze ou quatorze anos? Apesar da minha aparência, eu sou muito boa em adivinhar a idade das pessoas. Bem, eu acho que foi uma habilidade que eu ganhei com a experiência de vida.
– Ela terá aproximadamente 402 anos.
– Por favor… não tem necessidade de ser tão teimoso só por que eu acertei em cheio.
Ela resolveu ignorar as palavras de Subaru e descarta-las. Subaru também se deu conta de que corrigi-la e explica-la que Beatrice tem 400 anos daria muito trabalho. De qualquer forma, o assunto tinha se desviado.
– Voltando ao assunto, qual foi a inspiração que você utilizou naquela música.
– Ah, sim, claro. Apesar de minha aparência, eu me emociono facilmente. Quando eu vi vocês dois interagindo, eu senti que precisava imortalizar aquilo em forma de música! Tenha orgulho disso.
A garota, falando rapidamente e com fluidez, levantou suas mãos entusiasmada.
– Ah, mas o que eu fiz não foi o suficiente. Ele me ajudou acrescentando uma parte no final. Foi a primeira vez que algo sim aconteceu, fiquei muito feliz.
– Isso só foi possível pois o deus do rap me abençoou, eu certamente não poderia fazer algo parecido novamente. Eu não tenho a experiência e a habilidade necessárias.
– Um único, apenas um único momento de brilho…
Vendo o entendimento mútuo entre ambos, a paciência da garota que tinha ficado de fora da conversa se esgotou.
– Subaru… – Diria Beatrice, o chamando.
– O que foi…Beako?!
No momento que Beatrice puxou a manga de Subaru, uma onda de choque foi produzida, mandando Subaru voando pelos ares. O impacto não iria mata-lo, mas ainda assim foi forte o suficiente para jogar Subaru no gramado do parque.
Enquanto isso, Beatrice virou-se para a garota morena.
– Não é bom que você continue a se inspirar em nós, de fato. Betty vai colocar um fim nisso, eu diria. Se você resistir, vai acabar da mesma forma que ele, de fato.
Ha…a…a, um, oque… – Liliana murmurava.
– Cale-se, eu diria. Apenas se preocupe em responder Betty rapidamente, de fato. A única razão pela qual Betty não fez nada com você foi sua música amável, de fato. Mas quem sabe quanto tempo essa misericórdia vai durar, de fato.
Mesmo vendo ela tremendo, a voz de Beatrice não tinha um traço de misericórdia. Beatrice suspirou, a garota estava com muito medo de falar, então…
– Leve Betty até a Companhia Muse, leve Betty até Kiritaka Muse, eu suponho.
– Eh?
– Eu não vou repetir, de fato. Mostre o caminho, ou vai encarar a raiva de Betty, eu suponho
– E-eu-eu mostro o caminho! Eu levo vocês até lá!
A garota não tinha escolha, aquela era sua única opção, a garota então desistiu rapidamente, levantando assim a bandeira branca. Beatrice acenou com a cabeça, satisfeita, enquanto Subaru caminhava em direção a elas.
– Me diga se você tem alguma reclamação, de fato.
– É aceitável de usar sua mana dessa forma, apenas para fins educacionais?
– Depende da hora e do lugar, eu diria.
– Mas que gentil, Beako… Você acha aceitável ameaçar alguém apenas para nos guiar?
Subaru coçou o rosto e olhou para baixo. Beatrice olhou aborrecida para ele. Subaru então continuou,
– Essa criança é provavelmente a cantora famosa que conhece Kiritaka. Não deveríamos causar uma má impressão nela.
Antes, ela havia mencionado que seu nome era Liliana, e sua habilidade cantando era inconfundível, mesmo que sua personalidade não foi como Subaru havia imaginado.
– Eu vou fazer qualquer coisa que você quiser que eu faça. E-Eh, seja guiá-los ou lamber seus sapatos… tudo que eu peço… é que poupem minha vida…
Lá estava uma garota no chão implorando desesperadamente por sua vida. Correção, a garota era a cantora Liliana.
Embora, olhando-a naquele estado, ela não parecia ser uma cantora graciosa.
– Então, permita-me apresentar novamente. Apesar de que eu não sou mais uma trovadora itinerante, eu ainda sou uma poeta de espírito livre que vai para onde o vento me soprar. Meu nome é Liliana, por favor continuem a me aconselhar futuramente—hm
– Você se mordeu, de fato.
Com a mão segurando o instrumento graciosamente, Liliana sorriu enquanto o sangue escorria livremente de sua boca. Beatrice gentilmente a limpou. Parecia que a língua dela se feriu seriamente.
– É rude morder sua língua desse jeito. – Diz Beatrice olhando para Liliana.
– Você já ouviu falar da— Ah, você é a famosa Cantora? Eu sei que você se apresentou com o nome dela, mas é provavelmente um pouco raro encontrar com ela no meio da rua.
– Ah, hum, eu não gosto muito desse título já que eu sou apenas uma musicista novata. Isso parece muito sofisticado. Eu estou tão longe de atingir o meu pico que se as pessoas pensassem que eu me chamo de cantora eles diriam que eu sou muito convencida.
Limpando o sangue da metade de baixo de seu rosto, a expressão de Liliana parecia quase modesta, o que fez com que Subaru hesitasse em interrogá-la. Ele decidiu que ao invés de interrogar, ele tentaria conversar casualmente com ela. Mesmo assim, considerando as palavras que ela acabou de dizer, ela parecia ter um bom senso de profissionalismo.
– Apesar de que eu consigo entender seu ponto, eu acho que você pode aceitar alguns elogios. Com isso, eu também meio que admiro sua atitude em relação a isso.
– Não, não, não é nada de mais. Focar em superar cada dia já é o bastante. Então, por favor.
Liliana esticou a mão para Subaru, que ficou confuso. Já que ela estava vazia, Subaru não tinha nem ideia do que ela queria e inclinou a cabeça dele para o rosto sorridente dela.
–Agora que você ouviu a voz da vantora, por favor me deem algo como retorno. Vocês acharam que me escutar era de graça? Se sim então a atitude de vocês me incomoda.
– Então me devolva as emoções que você me fez sentir! E leve de volta sua canção!
– O que você está dizendo?! Como vocês acham que uma barda sobrevive?! Você está dizendo que eu deveria estar dando sentimentos de graça!? Eu não acho!
Liliana pisoteou o chão com muita raiva. O que ela disse não estava errado, mas a impressão que Subaru tem sobre a Cantora piorou significativamente. Julgando o quão frio os olhos largos de Beatrice estavam, ele entendeu que ela sentia algo similar.
– Tá certo. Vamos discutir uma gorjeta. O quanto você quer?
– Não, não, a gorjeta tem que ser algo que o consumidor decida baseado no que o coração dele sente. Apesar de que quanto mais, melhor.
– Pelo amor de Deus. – Reclamou Subaru, murmurando.
Tirando vantagem da risada de Liliana, que mostrou os dentes ensanguentados dela, Subaru beliscou o queixo dela com as mãos frias dele.
O rosto dela era pequeno então era incrivelmente fácil de beliscar, e Liliana teve que correr várias voltas em torno de Subaru antes que ele soltasse ela. Se afastando desnorteada, ela murmurou “foi apenas uma brincadeira” algumas vezes para si mesma.
– Se você está procurando pela Câmara de Comércio, então vocês são os convidados do Kiritaka? Eu me pergunto se vocês deveriam estar agindo dessa forma.
– Sabe, eu não te conheço muito bem mas a minha impressão só está piorando. Eu acho que é hora de ir indo.
Quanto mais ele conversava com Liliana, mais perto Subaru chegava de atingir os limites de sua paciência.
Quando eles perceberam que estavam perdidos, eles estão bem próximos de estar atrasados, e se eles atrasassem mais um pouco muito provavelmente eles perderiam uma negociação crítica. Após as negociações mais desafios apareceriam e Subaru não iria querer sujar sua imagem por perder o importante primeiro passo.
Chacoalhando a cabeça dela, junto com seu cabelo, Liliana anunciou cerimoniosamente um “Eu entendo” e começou a liderar o caminho.
– Então por que os nossos honrados convidados querem ver o Kiritaka-san?
– Você não entende sua posição aqui, eu suponho. Pare de colocar seu nariz em assuntos que você não está envolvida, fique quieta e nos leve até o nosso destino, de fato.
– Eep!
Diante do tom intimidador de Beatrice, Liliana fez um barulho parecido com o de um pássaro pequeno. Subaru puxou um lado do cabelo em espiral de Beatrice.
– Você não precisa ser tão cruel. Mas então, nós não podemos revelar tudo, então uma explicação simples e clara seria difícil de se fazer.
– Mas, eu sou confidente do Kiritaka-san. Não seria só uma questão de tempo até que eu descobrisse?
– Bom, se é só uma questão de tempo, então não faria nenhum mal que eu tomasse precauções.
– Se você diz… você não é uma pessoa com uma personalidade muito boa, huh.
– Você é muito direta, hein. Se você não tivesse talento para cantar você estaria com sérios problemas.
Existe um ditado que os gênios costumam ser pessoas estranhas, e Liliana provavelmente era um exemplo. Cantar era algo fácil pra ela mas as boas maneiras dela eram insuficientes.
– Mas sério, eu estou um pouco preocupada. Eu estive fora por um longo tempo, então provavelmente eu levarei uma bronca quando voltar. – A garota de pele escura pontuou, já sabendo que algo a aguardaria quando retornar.
– Quando nós estivermos falando de negócios, por favor tome cuidado para não falar nada. Entendido? – O rapaz pergunta.
– Entendido.
– Huh, sério?! Isso foi inesperado.
Vendo as expressões satisfeitas de Beatrice e Subaru, por algum motivo, Liliana soprou fazendo beicinho. Ela pegou o instrumento nas mãos dela, e começou a tocar.
– A inspiração bateu em mim. ——Grandes ondas, Largas ondas, Ondas do Mundo!
– Não obrigado, estamos bem.
Antes que o solo pudesse começar, Subaru rapidamente tomou o instrumento das mãos de Liliana. Liliana fez um som de “ahh” e se esticou para tentar pegá-lo, mas o corpo pequeno dela não conseguia alcançar as mãos de Subaru.
– Não é um refém humano, é um instrumento musical. Se você nos levar até a Câmara de Comércio, eu irei te devolver.
– Você é terrível! Mal! Barbáro! Depravado!
– Hahaha, é mesmo?!
Tendo sido acusado de ser a pessoa mais deplorável do mundo, Subaru puxou uma corda do instrumento. O som feito foi similar a um violão acústico.
Subaru, que tinha muito tempo livre em casa, praticou até que ele ficasse bom o bastante. Ele podia tocar e cantar músicas populares dos anos 80 sem muita dificuldade. Se ele introduzisse essa música aqui, talvez a carreira dele decolasse e a indústria músical fosse revolucionada.
– Bom, talvez seja como foi com a maionese.
Mesmo que ele não tivesse considerado a implementação do plano, a ideia teve raiz. No mundo original, encontrar uma aplicação para uma boa ideia era muitas vezes tomado como garantido. Na verdade, Subaru não tinha ideia de como começar, assim como ele não tinha ideia de como produzir e vender maionese em massa.
– Tocar violão e contar histórias para as crianças do vilarejos estão no meu alcance de habilidades. Escute.
– Espere, espere, por favor pare! Eu não posso permitir que um leigo toque meu instrumento! Se você quebrar, eu não conseguirei mais me sustentar… huh!? Você é muito bom! E eu nunca escutei essa canção antes! Eh, o que é isso?!
Enquanto ele andava, Subaru surpreendeu Liliana com suas músicas populares. Dessa forma, eles começaram a andar até a Câmara de Comércio.
– Minha nossa, eu diria…
Uma Beatrice exausta se arrastou seguindo os dois, sincronizando seu ritmo com a música de Subaru.
A porta para a Câmara de Comércio Muse não era diferente das construções em sua volta. A primeira e segunda rua separavam os residentes de Pristella dos turistas e a Câmara de Comércio estava localizada diretamente entre os dois.
Essa posição tinha o objetivo de indicar o poder do dono dessa construção. Tanto a parte interior e exterior destacavam sua particularidade de uma forma quase que exagerada.
– Aqui está, a aguardada Câmara de Comércio Muse.
Saltitando com um movimento dançante, Liliana indicou o prédio em frente dela. Apesar de que existiam construções mais altas em sua volta, a Câmara de Comércio de quatro andares parecia ser incrívelmente alta. Dito isso, Subaru se sentiu um pouco decepcionado.
– Eu sabia que não iria parecer tão grandioso como parecia da entrada de Pristella, mas eu ainda estou um pouco desapontado… ela não roubou meu coração da forma que o Pavilhão Pluma d’Água tomou.
– O Pavilhão Pluma d’Água, aquele local de formato esquisito da Primeira Rua? Se você usar aquilo como seu padrão, até mesmo o senhor Kiritaka irá parecer pobre. Mas, deixando isso de lado…
Liliana balançou o corpo dela pra cima e pra baixo com movimentos exagerados e estendeu a palma das mãos dela.
– Beeeeem, agora que eu cumpri nosso acordo, você poderia me devolver meu amável instrumento? Se eu não ter ele de volta até amanhã eu não sei como farei para sobreviver.
– Ah, sim, sim. Aqui, toma.
Subaru se cansou de cantar e tocar o instrumento no meio do caminho. Liliana o tomou dele com pressa, respirando como se estivesse em pânico, e verificou se tinha arranhões, e então começou a esfregar seu rosto nele e o deu um beijo.
– Ahhhh, é bom ter você de volta. Eu não te perderei de novo!
– É impressionante que seu comportamento consiga me irritar tanto. Eu acho que esse é o mais irritado que eu fiquei com o comportamento de alguém desde Petelgeuse.
– Hooo, eu não sei quem ele é, mas me parece familiar. Me conte sobre ele! Se eu conhecer esse senhor Petelgeuse algum dia, eu não poderia prometer que ele não fosse meu inimigo!
– Ele é um Bispo do Pecado do Culto da Bruxa. – Subaru foi diretamente ao ponto, mas Liliana, novamente não o levou a sério...
– Lá vem ele de novo! Para de ser tão brincalhão! Esse deveria ser seu novo nome!
Liliana mostrou uma reação exagerada para Subaru, mas inclinou sua cabeça diante da resposta fria dele, e gradualmente começou a tomar uma expressão mais séria.
– Espere, você estava falando sério?
– Exatamente. Você provavelmente não teria muitas outras oportunidades para se comparar com alguém que está morto, então aproveite o quanto pode.
– Espere, espere, espere, espere, espere, espere um minuto!
Diante das palavras de Subaru, Liliana se opôs com um impulso incrível. A reação dela surpreendeu Subaru, que se perguntou se ela estava brava por ser comparada com um Bispo do Pecado. As próximas palavras dela confundiram ainda mais Subaru. Elas foram,
– O que você acabou de dizer, por que parecia que você conheceu um Bispo do Pecado?
– … e se eu conheci?
Ele não compreendeu a intenção dela ao perguntar, mas era definitivamente algo importante. Ele não esperava uma reação dessas após dizer a identidade de Petelgeuse como um Bispo. Apesar de que, não era impossível que ela não tenha encontrado o Culto da Bruxa venenoso e peçonhento antes, já que eles pareciam aparecer em todo lugar.
Subaru se firmou, alerta, e Beatrice também prestou bem atenção à situação, pronta para agir imediatamente se necessário fosse. Uma reação lenta, e poderia ser tarde de mais para eles.
Uma atmosfera opressiva, com duas pessoas olhando para ver como ela reagiria, Liliana falou. Ela disse,
– Talvez você seja o… Lolimancer, senhor Subaru Natsuki? ( “Usuário de Garotinhas”)
– Ugh.
– Ugh, eu diria.
Sob o olhar brilhante de Liliana, Subaru e Beatrice reagiram ao mesmo tempo.
O título oficial de Subaru era Cavaleiro da Emilia, mas esse era um na qual ele era pouco conhecido. As pessoas costumam chamar ele de Cavaleiro da Bruxa, um dos vários personagens enigmáticos que a cercavam.
O Cavaleiro da meia-elfa é uma pessoa misteriosa que sempre possuía uma garotinha com ele, mas que já foi visto frequentemente acompanhado de um outro garoto mais jovem, principalmente em batalhas. As pessoas que desconhecem Akashi, ou pelo o que ele passou, estranham sua mudança na cor de cabelo de um tempo para o outro, algumas acreditavam que eram dois garotos muito parecidos... e Subaru estava frequentemente acompanhado deles.
– Você foi indispensável para matar um dos Três Grandes Majuus, a Baleia Branca, juntamente com a Duquesa Crusch Karsten, com o Demônio da Espada Wilhelm o chamando de seu benfeitor! E então com a ajuda da famosa negociante Anatasia-san e a Duquesa Crusch, você derrotou o Bispo do Culto da Bruxa da Preguiça! E existem rumores não confirmados de você também é o herói que derrotou o Grande Coelho, que esteve assolando o mundo por quatrocentos anos!
– Coceira, coceira, coceira, coceira, coceira! – Exclamava Subaru, ao ouvir Liliana.
– Que reputação assustadora!
Liliana, com as duas mãos levantadas, tinha a expressão de uma garota que realizou seus sonhos enquanto ela listava os méritos de Subaru. Alguns eram precisos, e alguns outros eram exagerados, mas ele não conseguia encontrar um erro real na lista dela.
Apesar disso, as palavras dela o envergonharam o suficiente para o corpo inteiro dele se coçar, enquanto Beatrice tinha uma expressão de insatisfação, porém feliz.
– E aquele que tem uma garotinha habilidosamente lendária em questão de mágica o seguindo lealmente, você é esse senhor Subaru! Não é?!
– Haha. O Subaru de Betty irá ultrapassar até mesmo as figuras mais extraordinárias da história, de fato. Ele irá se tornar a estrela mais brilhante conhecida pelo homem, eu diria! Você deveria respeitá-lo mais, de fato! E deixe nosso espadachim retornar, você—... não, o mundo verá o quão longe Subaru vai chegar com o apoio de Betty, e Akashi!
– H-Hey!
Beatrice, empinando orgulhosamente seu nariz, e Liliana, se curvando. As duas causaram mais dor de cabeça do que qualquer encrenqueiro, e parecia que a cena deles na entrada da Câmara de Comércio atraiu a atenção da staff ali presente. Ao ver eles e encontrar a Liliana se ajoelhando, eles prontamente voltaram para seu trabalho.
– A-Akashi... você se refere ao jovem espadachim que esteve presente em todos os eventos citados, e que teve como mentor o próprio Wilhelm, o demônio das espadas?! Eu soube que ele sozinho golpeou a Baleia Branca com seus próprios punhos e a fez sentir uma dor imensa! Ele também foi um dos poucos a enfrentar diretamente o conselho de sábios e todos os cavaleiros imperiais sozinho...! Mas, dizem que ele está morto, como ele iria retornar?
– Ei, Ei, já está bom! Você, você sempre age tão exageradamente? Todos aqui tem um estranho tipo de expressão "oh, é a Liliana" no rosto deles!
– Ah, por favor pare. Vendo uma lenda na minha frente, meu coração está disparando! Estou orgulhosa de ter uma chance de ver você pessoalmente. Hehe.
O desconforto prévio de Subaru desapareceu, mas Liliana ficou ainda mais frenética, até mesmo saliva escorria de sua boca.
– Bem, poderia—poderia a pessoa que você está indo encontrar na Câmara de Comércio realmente ser quem eu estou pensando!?
–… quem é que você está pensando?
– Não, é só que porque eu fiz várias canções baseadas na famosa Emilia-tan. Eu sei que ela é uma pessoa real, mas na minha cabeça ela sempre foi uma personagem fictícia. Se é quem eu estou pensando que é, é a Emilia-tan! Oh, hehe!
Desconsiderando Subaru completamente, Liliana voou em direção à Câmara de Comércio. Após ficar parado em choque por um momento, Subaru apenas a seguiu em direção ao prédio, estupefato.
– Subaru! Aquela garota, ela até mesmo largou o instrumento dela, de fato!
– Ela realmente deveria estar tratando o ganha-pão dela dessa maneira?!
Apressadamente pegando a lyulyre (seu instrumento) de Liliana, Subaru correu até a Câmara de Comércio. Vendo os recepcionistas embasbacados no andar de cima, ele deduziu que Liliana correu subindo as escadas.
– V-Você é…? – Perguntava o recepcionista.
– Nós estamos com a dona Emilia, que deveria estar com o senhor Kiritaka agora. Eles a disseram que nós chegaríamos atrasados, correto? – Perguntou Subaru.
– Sim, eles estão lá agora… mas a dona Liliana…
– Eu sei o caminho, eu posso subir?
Vendo a recepcionista acenar com a cabeça, Subaru correu procurando a Liliana. Não havia uma razão real para ter pressa, mas o pensamento de Liliana e Emilia se encontrando frente a frente o fez sentir um desconforto. Ou, então, talvez seja melhor dizer que o encontro delas poderia trazer uma atmosfera problemática.
O que era ainda mais assustador é que a personalidade exageradamente estranha de Liliana iria se chocar com a de Emilia, e a experiência de Emilia e habilidade para interação era absurdamente inadequada.
– Liliana estava agindo estranho, eu me pergunto se ela irá continuar assim!
– Eu realmente não quero pensar no que vai acontecer se a gente não impedir ela.
Registrando as palavras de Beatrice, Subaru acelerou para o terceiro andar. Apesar de que ele não alcançou ela, ele viu a parte de trás das roupas de Liliana. Agora ele apenas tinha que mirar em seu objetivo! Hora de demonstrar as habilidades de parkour!
– Vamos!
Voando nas escadas, Subaru começou a pular os degraus completamente, usando a mão dele para fazer uma rotação horizontal elegante, se aproximando cada vez mais de Liliana, antes de finalmente pegá-la na frente de um quarto próximo à escadaria.
– Liliana, ESPERE!
– Waah?!
Liliana, que ainda estava salivando, gritou surpresa enquanto cambaleou pra trás, procurando respirar.
– Oh, você me alcançou, mas eu não vou desistir tão facilmente. Eu não irei desistir!
– Se você quer encontrar Emilia não importa o que, eu irei pedí-la por um encontro privado, mas agora ela está no meio de uma reunião muito importante.
– Uh… bem. Eu acho que eu me empolguei um pouco.
Ouvir o tom sério de Subaru parecia acalmar Liliana um pouco. Ela relaxou os ombros, e Subaru balançou a cabeça dele e a deu seu instrumento.
– Ah, obrigada.
– A ferramenta que você usa para sobreviver é incrívelmente importante. Não jogue ela e saia correndo. Não seria uma surpresa se o instrumento usado pela Cantora fosse tomado e penhorado por aí.
– Não se preocupe, o senhor Kiritaka a deu pra mim. Ele gosta de fazer compras.
– Seu patrocionador realmente não é nada ordinário!
Conversando com Subaru com um sorriso amargo, Liliana segurou seu estimado instrumento em seu peito. A expressão dela era de sinceridade e incredulidade com a ideia de abandoná-lo tão facilmente. Já que ela o havia jogado fora por sua ambição mais cedo, Subaru não sabia se ele poderia acreditar naquele sorriso.
– Bem, eu aceito a ideia de adiar meu encontro com a Emilia-sama para depois… mas antes, posso discutir algo com o senhor Subaru?
– Larga esse honorífico incômodo! Bem, o que é que você queria falar sobre?
– Tem tanta coisa! Eu quero saber o quão precisas são essas histórias. Não apenas para que eu possa escutá-las mas também para que eu possa cantá-las também. Eu consigo escrever tantas músicas com essa inspiração, talvez até mesmo uma canção heróica que será passada pelas gerações! Apenas pensar nisso faz meu coração acelerar!
Ela segurava apertadamente sua própria mão. Os olhos de Liliana brilhavam com energia.
Enquanto essa cena intrigante acontecia, Beatrice finalmente os alcançou e tropeçou diante da proximidade de Subaru e Liliana.
– Ah, sua, garota estranha. Não fique tão proxima de Subaru, de fato. Se afaste, eu diria.
– Não se preocupe, não é nada demais. Falando nisso, eu também tenho algumas perguntas para a jovem garota que segue o senhor Lolimancer!
– Betty não é uma jovem garota, eu suponho! Ela é uma dama apropriada, de fato!
– Vocês duas são tao rudes, sempre brigando desse jeito! Shush! Emilia-tan está negociando lá dentro…
Beatrice, que estava de péssimo humor, e Liliana, que não percebeu que ela era a causa. Subaru foi pego no meio da briga delas, e, frustrado, ele involuntariamente aumentou seu tom de voz. E, nesse momento,
– ...—Subaru?
A porta abriu inesperadamente, e o nome de Subaru foi chamado lá de dentro.
Olhando pela porta aberta, Subaru viu o que parecia ser uma sala de recepção, onde todos estavam sentando em uma cadeira larga, olhando para ele com expressões de surpresa.
Emilia, Otto e Garfiel. Sentando do lado oposto deles estava um jovem homem de estatura magra vestindo roupas finas. Aquele que abriu a porta era um homem de meia-idade que provavelmente estava com ele.
– A-ah… Emilia-tan. Que coincidência.
– Coincidência? Por que você estava fazendo tanto barulho… Uh, senhor Kiritaka?
Vendo Subaru fazer um gesto envergonhado, Emilia ficou com um olhar de confusão enquanto ela virava para o jovem rapaz sentado ao lado oposto dela, que se levantou e pegou algo da mesa. Então ele se virou para onde Subaru estava.
– Nã—, nã—, nã—, nã—, nã—, NÃO TOQUE NA MINHA LILIANA!!
Repentinamente levantando sua voz, o jovem rapaz arremessou um pedaço azul de minério mágico.
Energia pura concentrada explodiu na frente de Subaru, cuja visão foi momentariamente preenchida de azul. Vendo isso, ele vagamente pensou ‘uau, que bonito’, antes de ser engolido pelo impacto.
—Dessa forma, o primeiro dia de negociações formais fracassou.
...Continua......
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Atualizado até capítulo 61
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