O jantar foi daqueles onde todos deixaram suas hostilidades de lado.
Após a janta, Subaru se retirou para seu quarto, onde os funcionários já prepararam a cama dele. Olhando para os dois futons, colocados lado a lado, Subaru sentiu admiração pela incrementação do hotel. Ele seguiu os costumes japoneses onde toalhas, cobertores, futons e coisas do tipo são arranjadas quando os residentes desocupam seus quartos.
Apesar de que, ele sempre pensou que uma prática desse tipo deixaria as pessoas sentindo-se um pouco indefesas.
Beatrice: Subaru. Parece que quando nós não estávamos aqui, pessoas sucederam em se esgueirar dentro do nosso quarto, de fato—!
Subaru: Ah, parece que os futons e as toalhas que você bagunçou foram rearranjadas e realocadas.
Beatrice: Isso…! Sim, é definitivamente uma armadilha para seduzir a Betty, eu diria. Eles estão se escondendo sob um pretexto de consideração, de fato.
Subaru: Às vezes as pessoas têm boas intenções. Apesar de que, esse serviço não é gratuito.
Beatrice impôs a si mesma precaução e diligência desnecessária apesar de que ela mal conseguia manter os olhos abertos. Subaru rapidamente a conduziu para a cama.
Desde que formaram o contrato deles, Subaru e Beatrice dormiam no mesmo quarto. Apesar de que Anastasia ofereceu a Beatrice seu próprio quarto, ela apenas sairia em direção ao quarto de Subaru de qualquer forma, então eles respeitosamente recusaram.
Isso não dá o direito de dizer que Beatrice era uma criança que não poderia dormir sozinha. Ao invés disso, Beatrice usava o contato noturno com Subaru para drenar o excesso de mana do portão defeituoso dele.
Beatrice: Então, Betty não está aqui porque ela quer ficar próxima de Subaru, de fato. Não entenda errado, eu diria.
Beatrice, que originalmente havia elaborado os termos do contrato, falou assim.
Mas qual era a intenção dela já não importava mais. Subaru já tinha se acostumado a dormir com o som da respiração de outra pessoa há muito tempo.
Beatrice: …aquela coisa verde era tóxica, de fato. É imperdoável, eu diria…
Feliz e cansada, Beatrice se enterrou no futon e caiu no sono pensando no wasabi que a traumatizou durante o jantar.
Tocando a testa franzida de Beatrice, Subaru a acolheu até ficar satisfeito, e então ficou de pé.
Subaru: Bom, agora eu vou tomar um banho. Tenha um bom descanso.
Próximo ao futon de Subaru estava um roupão de banho não usado. Se ele não soubesse como vestir, ele poderia perguntar a um funcionário. Claro, Subaru vestiu yukatas no seu mundo original, então ele não se enrolava para compreender o vestuário.
Subaru: Se o Felix e a Anastasia não estiverem lá, eu também poderia ir decorar um dos roupões das mulheres.
Ele obviamente queria buscar o roupão de Emilia. As outras candidatas da Seleção Real eram todas donzelas amáveis, mas se Subaru pudesse costurar as roupas de Emilia e vesti-la, então ele poderia garantir que ela nunca ficasse abaixo das outras em nenhum sentido.
Subaru: Bom, não há o que fazer. Eu acho que vou ter que me contentar por ter feito as tranças de Emilia depois do jantar.
Apesar de que ela iria deixar o cabelo penteado antes de ir dormir, eles lançaram uma “ondulação das tranças”, como Subaru havia planejado. Cabelos longos que ficam ondulados naturalmente, como o de Anastasia, também eram bonitos, mas Subaru considerava o longo cabelo prateado de Emilia o mais atraente.
Subaru: As tranças e a ondulação das tranças são amáveis. Emilia definitivamente é uma garota astuta. Eu jamais conseguiria fazer algo assim com a Beatrice.
O cabelo de Beatrice inexplicavelmente nunca perdeu o seu formato de brocas duplas.
Provavelmente porque ela era um espírito artificial. Mudar o estilo de cabelo dela era possível, mas ele sempre voltava à sua forma original assim que as mãos de Subaru soltassem o cabelo. Era tão fascinante que ele até brincava com isso algumas vezes.
Enquanto pensava na manhã seguinte, Subaru pegou seu roupão e foi tomar banho, pisando com calma para não acordar Beatrice. Pensando nas pessoas com quem ele compartilhava o hotel, Subaru não sentia a necessidade de ficar em alerta. Ao invés disso ele sentia pena da pessoa que se atrevesse a começar qualquer tipo de esquema.
Reinhard: Apesar de eu duvidar que algo vá acontecer, eu saberei se qualquer coisa estiver errada. Eu espero que todos possam passar a noite pacificamente.
Essas foram as palavras reconfortantes de Reinhard enquanto eles saíam da sala de jantar. O senso de segurança não era limitado ao hotel, ele se estendia para toda a região. Se tratando de Reinhard, não seria um exagero se sentir seguro em qualquer ponto da cidade.
Então, por enquanto, Subaru poderia perambular pelo hotel sem tomar nenhuma precaução. Apesar de que seja uma pena que o hotel não possua uma banheira a céu aberto, Subaru ainda estava animado, pois ele achava a área de banho a parte mais agradável de qualquer estadia.
Subaru parou, a expressão relaxada em seu rosto teve uma mudança enquanto ele olhava por um corredor para o pátio, onde Reinhard e Garfiel estavam batalhando mais cedo. Durante a noite, a atmosfera estava diferente, e sobretudo agradável.
Uma lua redonda flutuava sobre o céu, coberta por nuvens grossas que davam ao cenário um charme glamoroso. Um vento frio soprava sobre o jardim, onde uma figura solitária estava.
Subaru: —Wilhelm?
Uma costa robusta, e longos cabelos brancos.
Com um relance, Subaru poderia dizer que a figura vestindo uma yukata era idosa, e tinha apenas um homem que ele sabia que se encaixava no perfil.
Wilhelm: Senhor Subaru, eu o surpreendi?
Provavelmente já tendo percebido a movimentação atrás dele há um bom tempo, Wilhelm se virou para cumprimentar Subaru, com um olhar suave em seus olhos.
Ele estava com suas mãos dentro das mangas do roupão. A postura dele combinava com o jardim estilo japonês. Por que essa imagem parecia ser perfeitamente natural?
Wilhelm: Você está indo para o salão de banho agora?
Subaru: Sim, era o que eu planejava fazer. A propósito, eu vim aqui porque queria ver o jardim durante a noite, e não porque eu fiquei perdido já que eu não sou familiarizado com o hotel.
Wilhelm: Isso não aconteceria com o senhor Subaru. Eu também vim para condescender à beleza do jardim, então eu acredito que eu consiga entender o estado de espírito do senhor.
Subaru: …ainda é embaraçoso ser falado de forma tão grandiosa.
Subaru se virou, envergonhado, enquanto Wilhelm, sem nenhum sinal de estar exagerando, falou sobre ele com confiança resoluta.
Wilhelm era a pessoa com que Subaru passou a respeitar mais desde que veio a esse mundo. Havia pessoas com que Subaru gostaria de ficar ao lado, e pessoas que ele gostaria de competir, mas a única pessoa com que Subaru olhava com nada além de respeito era Wilhelm.
Ambos como pessoa e como homem, Wilhelm era o ideal de Subaru.
Wilhelm: O senhor provavelmente veio aqui procurando pela paz e solenidade do jardim à noite. Minha presença aqui deve ser muito frustrante.
Subaru: De forma alguma. Ao contrário, ver o Demônio da Espada nesse jardim ventoso é tão perfeito que eu gostaria de cravar essa imagem para sempre no meu coração. Eu gosto de ver pessoas que brilham sob a luz da lua.
Até onde Subaru sabia, a beleza de Emilia era sem dúvidas a mais proporcional à da noite iluminada pela lua.
O longo cabelo prateado dela era diferente do brilho do sol. A beleza de Emilia era como a ilusão da luz da lua, e Subaru gostaria de ver as estrelas pairando em torno da lua.
Então, ver o Demônio da Espada sob a luz da lua era uma visão que Subaru queria ver há algum tempo.
Wilhelm: …Senhor Subaru, não deveria desperdiçar palavras tão comoventes em um velho como eu. Se você sussurrasse elas para a mulher que você ama, você com certeza iria chamar a atenção dela.
Subaru: Agir de forma grandiosa seria um inseticida para todas as borboletas adoráveis que eu atraí. E de qualquer forma, aquela que eu gostaria de dizer essas palavras provavelmente não as entenderia.
Wilhelm: Tentar fazê-la abrir o sorriso impecável dela, procurar pelas palavras perfeitas… esse sentimento de ansiedade também é um dos prazeres do amor, senhor Subaru.
Ouvindo o tom leve da voz de Wilhelm, Subaru relaxou, dando uma encolhida em seus ombros.
Subaru: Oh? Você parece ter feito uma referência à sua antiga história de amor. Você já passou por isso, Wilhelm?
Wilhelm: Você gostaria de ouvir sobre?
Subaru: Garanta que vá me contar todos os detalhes.
Subaru se curvou de forma cerimoniosa e respeitosa, e a atitude “não há como evitar” de Wilhelm estava tingida com um olhar de alegria.
Wilhelm: Quando eu era um jovem rapaz, eu era tão ruim com as palavras como eu sou agora. Eu nunca queria falar sobre nada além de espadas, já que eu não tinha outros interesses além da esgrima. Eu devo ter entediado a minha esposa até o infinito quando nós nos encontramos pela primeira vez.
Subaru: Mas, sua esposa não achava ruim conversar com você, correto?
Wilhelm: Ela era uma mulher de mente aberta. Seja perder uma grande responsabilidade que machucasse um coração, ou fugir de um dever, negligenciar os pensamentos dos outros, nós nunca discutimos nada do tipo nas nossas conversas. Ela já nasceu sendo uma pessoa gentil e afetuosa.
Wilhelm fechou seus olhos com um sorriso melancólico.
Subaru se curvou silenciosamente sobre o corredor, ouvindo às memórias do velho.
Wilhelm: Por ser uma pessoa antissocial, minha esposa que fornecia os assuntos durante nossas conversas. No topo disso, eu inicialmente falhei em perceber o quão atraído eu estava por ela. Sempre que eu falava com ela, eu evitava enfrentar a agitação no meu coração.
Subaru: Você realmente era ruim em conversas com as mulheres, huh.
Wilhelm: Realmente, eu me entregava totalmente para a espada. Quando eu segurava minha espada, eu esquecia de todo o resto, como se meramente balançar minha espada fosse me garantir um modo de sobreviver. —Aquela que me lembrou a razão de eu ter pego em uma foi a minha esposa.
Subaru: Foi aí que você percebeu que amava ela?
Wilhelm: …você parece ter lido minha mente, senhor Subaru.
Wilhelm se silenciou, e Subaru fez o mesmo.
Wilhelm certamente não estava ciente da expressão que cobria o seu rosto neste momento. Subaru, entretanto, sentiu uma grande onda de orgulho passar sobre ele quando ele a viu.
O olhar de Wilhelm, as rugas em seu rosto, o tom de sua voz, eram todos lendários. A esposa que ele ama tão intensamente agora quanto ele costumava amar há um tempo atrás, Theresia van Astrea.
A expressão do velho, a atitude e a própria existência, todas generosamente representavam o amor que ele sentia por sua esposa.
Não importa quem, qualquer um que o visse, sem nenhuma dúvida, instantaneamente poderia enxergar que ele estava apaixonado.
Mesmo que tudo no mundo estivesse murchando e desaparecendo, nenhuma pessoa no mundo falharia em entender a profundeza dessa emoção.
Essa era a profundeza do amor de Wilhelm, claramente algo que deve ser revestido com orgulho.
Enquanto Subaru encarava o rosto de Wilhelm, os olhos dele inconscientemente umedeceram com lágrimas.
Sentimentos insuportáveis surgiram espontaneamente, e se aglomeraram em forma de calor nos seus olhos. Ele não sabia que isso havia o tocado tanto assim. Por que o coração dele se sentiu tão aquecido ao ver alguém apaixonado?
Chorar em uma situação dessas serviria apenas para incomodar Wilhelm.
Wilhelm: Como o senhor Subaru disse, foi quando eu percebi meus sentimentos pela minha esposa.
Subaru abaixou seu rosto, fingindo estar arranhando sua cabeça para esconder suas lágrimas. Apesar de que ele devia ter percebido que Subaru começou a chorar, Wilhelm continuou falando.
Estaria ele tão imerso no passado, ou ele estava fingindo não perceber a reação de Subaru? Não havia como Subaru saber, então ele apenas se manteve em silêncio e continuou a ouvir.
Wilhelm: A espada era tudo para mim, mas era apenas uma parte de quem eu era. Foi minha esposa que me fez perceber essa verdade tão óbvia, então toda vez que eu balanço minha espada, eu me lembro dela.
Subaru: Isso é verdade até mesmo agora?
Wilhelm: —É mais verdadeiro agora do que sempre foi.
Wilhelm levou um tempo para formular uma resposta.
Finalmente, virando as costas para a luz da lua, Wilhelm se virou para encarar Subaru. Os sentimentos brilhando sobre o rosto do velho eram tão complexos que Subaru não conseguia os ler muito bem.
Orgulho. Remorso. Hesitação. Entusiasmo. Vergonha. Coragem.
—Mas todos eles provinham de seu amor.
Wilhelm: Eu tento o meu melhor para continuar segurando minha espada, para que eu possa continuar me lembrando de minha esposa. Nem mesmo a morte poderia tirá-la de minha memória, e, quando a minha hora chegar, eu quero morrer com uma espada em mão. Eu ficaria com ela para sempre.
Essa era a forma estranha e direta de Wilhelm de expressar o amor que ele não conseguia expressar de outra forma.
Subaru engoliu a saliva, repetidamente respirando fundo para aliviar a pressão em seu coração e o formigamento em sua língua, até que ele finalmente se julgou como capaz de falar novamente.
Subaru: "Quando eu morrer e etc", por favor não fale sobre coisas que não possuem nenhum indício de que vá acontecer. Você é definitivamente, certamente, completamente, absolutamente, totalmente, inteiramente muito mais jovem do que super jovem, e então até mesmo pensar sobre sua aposentadoria certamente irá incomodar as outras pessoas.
Wilhelm: Senhor Subaru?
Subaru: A Crusch e o Felix certamente são ambos muito dependentes de você, Wilhelm. A amnésia de Crusch é um problema muito sério, e Felix que está a apoiando não expressou, mas eu estou certo de que ele está completamente esgotado. Então eles ficariam sem rumo se você não os ajudassem! E, eu também!
Subaru: Eu também tenho muitas, muitas coisas que eu gostaria de consultar com você. Nós obviamente estamos em facções rivais, então talvez isso seja apenas ingenuidade, mas, eu…
Subaru realmente gostava de Wilhelm.
Wilhelm, que enterrou seu coração no seu amor pela sua esposa, e buscou vingança por ela, era alguém que ambos Subaru e Akashi respeitavam verdadeiramente. Mesmo que isso não tenha acontecido, mesmo que o relacionamento deles se limitasse à mentoria de dez dias, principalmente Subaru ainda respeitaria a força e a coragem de Wilhelm profundamente.
Para Akashi, Wilhelm conquistou seu respeito através de suas grandes habilidades como espadachim, e os ensinamentos que ele passava no período em que estavam na mansão de Crusch.
Ouvir o Wilhelm que ele tanto respeitava falar sobre “morte” era aterrorizante para Subaru, e certamente seria pra Akashi, caso ele ouvisse a conversa.
Subaru era muito mais sensível com a noção de ver as pessoas que ele se importava morrendo. Isso era devido tanto a seu contrato com Roswaal quanto às próprias interpretações que ele tinha sobre o Retorno pela Morte.
Também tinha uma parte nele que secretamente sempre se preocupava com Emilia e Beatrice.
Wilhelm: …Eu sou o mesmo cara de antes, realmente péssimo com as palavras.
Ouvindo Subaru dizer palavras tão desesperadas e egoístas, Wilhelm sorriu.
O velho dirigiu um olhar morno para Subaru, cuja respiração ainda estava fraca, e falou.
Wilhelm: Foi terrível da minha parte te preocupar tanto. Apesar de minhas palavras mais cedo, eu não estou sempre pensando em morrer. Apesar de que seja uma verdade inevitável, eu já superei o desafio mais difícil.
Subaru: …Ah.
Subaru relaxou levemente enquanto ele se tocava. Wilhelm estava falando da Baleia Branca.
Wilhelm não havia colocado um sacrifício pequeno na mesa em sua batalha contra seu inimigo predestinado. Naquele tempo, ele com certeza estava ciente da possibilidade de sua morte. Mas, no fim, ele prevaleceu, e—
Wilhelm: Eu acredito que estou em uma boa situação. Eu realizei o meu maior sonho e sobrevivi, e agora eu posso viver livre da vergonha.
Subaru: Wilhelm...
Wilhelm: Eu fiz o que eu precisava fazer, e eu acho que não há nada mais honorável do que isso. Então e agora, além de meramente balançar minha espada, meu peito está se agitando com a perseguição de uma felicidade. Eu tenho pessoas com quem eu prometi apoiar, e eu visitei o túmulo de minha esposa. Eu já recebi tantas bênçãos.
Sim, era isso.
Isso estava correto. Wilhelm não faria nada irracional.
O sorriso do velho era calmo e firme. Subaru, como alguém jovem e superficial, não tinha como ler através dele, mas esse sorriso não era em nenhuma hipótese um sorrido falso ou irônico.
Wilhelm não era irracional. E, em um evento improvável onde esse fosse o caso, ele não teria exposto um fardo tão duradouro para Subaru.
Entretanto, desde o começo, não seriam as tentativas de Subaru para que Wilhelm revelasse seus pensamentos apenas por arrogância?
Wilhelm: Senhor Subaru. —Isso é uma virtude, mas também uma fraqueza.
Olhando para o perturbado Subaru, Wilhelm falou discretamente.
Não havia sorriso em sua voz, mas também não havia criticismo também. Ao invés, a forma com que ele falou lembra a de como uma pessoa mais velha aconselharia uma mais jovem.
Falando mais francamente, era um tom que um avô dirigiria a um neto.
Wilhelm: Minha esposa fazia isso também, o mau hábito de negligenciar e deixar de lado os seus próprios sentimentos enquanto foca nas pessoas em seu redor.
Subaru: Mau hábito, é isso… Não, eu dificilmente sou uma pessoa tão boa. Eu não quero nada como a felicidade de todo mundo. Eu só quero que as pessoas com as quais eu sou próximo sejam felizes. Eu não sou que nem o Akashi que queria se tornar um cavaleiro imperial pra proteger o mundo todo...
Wilhelm: O alcance com o qual você considera as pessoas próximas também é um problema. Apesar de não ser o que minha esposa desejava, ela possuía uma grande quantidade de poder, e afetava mais pessoas do que ela jamais gostaria.
A esposa de Wilhelm, Theresia, era a Santa da Espada anterior.
Apesar de lhe faltar conhecimento básico, Subaru ouviu bastante sobre ela no último ano. A inquietação civil que tomou conta do reino de Lugnica, que ficou conhecida como a Guerra dos Demi-Humanos, foi encerrada pelas mãos da Santa da Espada.
O que ela havia conquistado com sua força excessiva foi a salvação da estabilidade do país. Natsuki Subaru jamais poderia se comparar com tal heroína.
Subaru: Eu entendo, sobre sua esposa, mas eu não conseguiria me comparar ao nível dela em hipótese alguma.
Wilhelm: Minha esposa era apenas uma mulher comum que admirava as flores. Mesmo que ela seja uma heroína lendária, ela não agia como uma. E senhor Subaru, sua reputação é boa, e sua influência é ampla. No futuro, o seu alcance com certeza irá crescer, e você será capaz de fazer mais e mais.
Subaru: Esse tipo de coisa…
Wilhelm: Eu estou convencido que qualquer coisa que você não puder realizar sozinho, o fará trabalhar com outras pessoas para fazê-lo, e irá se tornar uma grande e realizada pessoa.
Subaru estava sem palavras.
Wilhelm o superestimou tanto, e isso deixou Subaru sem palavras. Que ele era uma pessoa que podia fazer grandes coisas, poderia Subaru realmente acredita nisso?
Ele era frágil e fraco, seu intelecto era limitado, e as ideias dele costumam ser pobres e sem fundamento. Por ele ser uma pessoa que não conseguiria fazer nada sozinho, tudo que ele podia fazer era contar com os outros para resolver seus problemas.
Esse método com certeza era falho. Por enquanto, ele apenas superava os desafios com muita dificuldade, mas eventualmente ele poderia se deparar com o fracasso.
Quando essa hora inevitavelmente chegasse, Subaru teria tantas pessoas para decepcionar.
Wilhelm: Eu peço perdão por ficar repetindo as mesmas coisas. Deve incomodá-lo ouvi-las tantas e tantas vezes incessantemente.
Subaru: Wilhelm, eu…
Wilhelm: Não devem haver muitas pessoas com consciência disso, mas é algo que todos irão entender um dia.
Subaru: Eu sou apenas uma criança imatura que é atrapalhada em tudo que eu faço.
Wilhelm: Bom, essa criança imatura que é atrapalhada em tudo que faz é uma a qual eu tenho um carinho muito especial.
Depois de um momento, Wilhelm acenou com a cabeça com satisfação.
Wilhelm: E as pessoas que pensam dessa forma com certeza irão aumentar daqui pra frente.
Como se estivesse tocado profundamente pelas palavras de Wilhelm, Subaru calou-se mais uma vez.
Uma parte dele estava sobrecarregada emocionalmente, e ele queria tirar a ideia de sua mente. Entretanto, por causa da ideia ter vindo de ninguém mais que Wilhelm, Subaru não poderia desistir tão facilmente.
No fundo do coração dele, ele não poderia acreditar nele mesmo a esse ponto. Mas ele também não poderia descartar a fé de Wilhelm sobre ele.
Subaru decidiu manter os sentimentos dentro dele, até que ele possa trabalhar com elas.
Ele estava muito consciente de seus próprios defeitos. Então quaisquer sentimentos, encorajamentos, ou palavras, ele decidiu que iria carregar junto com ele.
E é assim que ele decidiu que iria lidar com as palavras de Wilhelm.
Subaru, que estava desesperadamente tentando colocar seus sentimentos em ordem, falhou em perceber o olhar afetuoso de Wilhelm.
Wilhelm: Eu falei demais e o mantive aqui por um longo tempo, minhas desculpas.
Estimando que Subaru havia acabado sua luta com si mesmo, Wilhelm falou. Aceitando, Subaru julgou que a cena dessa noite acabaria em breve.
Subaru: Eu também. Eu peço desculpas por fazer muitas perguntas, mas eu realmente gostaria de ouvir mais sobre sua história de amor com sua esposa.
Wilhelm: Não, faz muito tempo que eu tive o prazer de falar sobre minha esposa. Ultimamente, tanto a dona Crusch quanto Felix estiveram bem ocupados.
Subaru: Além de ouvir uma história de amor, eu também obtive informação de como outra facção opera!
Wilhelm: É um pouco sentimental demais. Ouvir a longa jornada de um homem velho é incrivelmente entediante.
Os olhos azuis de Wilhelm se acenderam com afeição enquanto ele sorria levemente. Subaru não percebeu a emoção passageira no rosto dele e ao invés disso focou no que estava acontecendo.
Inicialmente, Wilhelm estava sozinho no jardim.
Ele contaria para Subaru que ele viria ali para apreciar o jardim durante a noite.
O melhor local para aproveitar a vista do jardim era o corredor onde Subaru estava.
De fato, estar no lugar onde Wilhelm estava significaria que boa parte da paisagem do jardim iluminado pela lua ficasse oculta.
Claro, Subaru poderia muito bem estar pensando demais. Mas, se tivesse algo que trouxesse Wilhelm para o jardim, isso seria…
Subaru: …aí, é onde o Reinhard estava.
O local de Wilhelm, onde ele estava de pé o tempo todo, era a área onde Reinhard e Garfiel estavam lutando.
O terreno de cascalhos é onde o atraente espadachim de cabelos vermelhos estava, a definição de imobilidade resoluta.
Que Wilhelm houvesse sentido algum incômodo e tivesse ido ali com propósito de confirmação seria algo perfeitamente natural. Entretanto, apenas Wilhelm soube o motivo pelo qual ele ainda teria que deixar aquele local.
Subaru: Wilhelm. Eu não quero enfiar o nariz nos assuntos de outra família, e eu já me graduei em deixar de ser um personagem vibrante que insiste em escutar tudo que aconteceu apenas para satisfazer minha própria curiosidade, mas…
Wilhelm: Ah, sinta-se livre para perguntar.
Subaru: Por acaso você não se dá bem com o Reinhard? Apesar de que vocês obviamente são uma família?
O avô e o neto, e a relação complexa da família Astrea.
Mesmo entendendo que talvez ele esteja comprometendo a confiança que foi criada entre ele e Wilhelm, Subaru ainda tocou no assunto.
Ele teria decidido não tocar no assunto se ele não tivesse conversado com Wilhelm no jardim. Ele olhou para o perfil de Wilhelm, que ignorou os passos de seu neto.
Após a conversa deles, como ele poderia se abster de perguntar?
Wilhelm: Conversando com você, eu pensei sobre isso.
Wilhelm: Por que eu não sou capaz de falar essas palavras para meu próprio neto?
Essas palavras cheias de angústias vieram direto do coração de Wilhelm.
O rosto de Wilhelm caiu. Ele estava sem expressão, o que é diferente de sem emoção. Ele estava suprimindo seus sentimentos para esconder sua lamentação atrás de uma casca dura.
O que Wilhelm possui agora é puro arrependimento.
Wilhelm: Eu sou um homem com vários remorsos, mas três deles em particular são sobre algo que eu não posso fazer nada a respeito. Um deles é a distância entre mim e meu neto.
Subaru: Mas, Wilhelm não se arrepende?
Wilhelm: Até mesmo se arrepender não deveria ser permitido. As críticas que eu fiz para meu neto… para Reinhard, foram tão severas. É algo imperdoável, e estúpido, que não pode mais ser consertado.
Wilhelm, que ainda estava escondendo seus sentimentos sob o disfarce de inexpressividade, parecia estar queimando com uma emoção, uma chama, que o consumiu por anos. Era uma emoção de raiva e arrependimento, uma com a qual ele sempre esteve agarrado.
Wilhelm: Eu usei minha cruzada contra a assassina de minha esposa como uma desculpa para evitar encarar esse remorso, e, após derrotar o inimigo com êxito, eu reconheço que eu devo começar a procurar uma forma para nos reconciliarmos.
Subaru: Mas lhe falta a coragem?
Wilhelm: Honestamente eu sou uma vergonha. Meu neto certamente está ressentido em relação a mim agora. Pensando nisso, eu não consigo dar o próximo passo.
Wilhelm emitiu um suspiro profundo de desapontamento, parecendo se encolher. Subaru ficou chocado, e enfim, deu uma risada sem querer.
Wilhelm: Senhor Subaru?
Subaru: Me desculpa, eu não queria rir, isso foi inapropriado.
Wilhelm lançou um olhar incrédulo para Subaru. Sério, esse velho, quantas vezes ele irá surpreender o Subaru em uma noite?
Subaru: Parece que você acredita que não é qualificado para ser o avô de Reinhard…
Wilhelm: Bem, sim. Comparado a meu neto, eu fiquei estagnado após realizar os meus erros. Ele é muito gentil com a pessoa covarde que eu sou…
Subaru: Se você colocar dessa forma, então eu apenas vejo um avô que está com medo de ser rejeitado pelo seu neto.
Wilhelm: …huh?
Wilhelm sacudiu sua tristeza e olhou no rosto de Subaru. Subaru acenou sua mão, ainda lutando contra o impulso de rir.
Subaru: Eu não entendo completamente os motivos para a má relação entre você e Reinhard, então talvez eu esteja entendendo errado. Mas nos olhos de alguém de fora, Wilhelm quer reconciliar com Reinhard e parece que ele realmente quer pedir perdão, então fazer um pedido de desculpas seria uma boa ideia.
Wilhelm: Mas Reinhard não irá me perdoar.
Subaru: Se ele não te perdoar na primeira vez, continue pedindo desculpas até que ele perdoe. Você não está pedindo perdão para ser perdoado, você está pedindo perdão para pedir perdão, certo? A pessoa que está pedindo perdão não tem nada com que se preocupar, porque ela não é uma pessoa má.
Dessa vez, foi a vez de Wilhelm ficar mudo diante das palavras extremas de Subaru.
Obviamente, Subaru sabia que ele era muito teimoso. Apesar disso, ele acreditava que era necessário continuar insistindo.
Para motivar Wilhelm. Para fazê-lo encarar Reinhard.
Claro, após ser alienado por tantos anos, um pedido de desculpas repentino inicialmente seria visto como “o que é que está acontecendo com esse cara?”. Entretanto, se várias desculpas fossem feitas, então “o que é que está acontecendo com esse cara?” se tornaria “não há o que fazer, então” ou “ugh, esse cara é muito irritante”.
Wilhelm: Eu acredito que as coisas piorariam.
Subaru: Mas pelo menos elas irão mudar. Você não acha que qualquer mudança é melhor do que ficar preso no cenário pessimista que sua situação parece estar?
É universalmente reconhecido que Subaru deu uma primeira impressão horrível. Quebrar barreiras interpessoais não era nada para Subaru.
Subaru: Após alguns anos, se você dar uma mesada para ele, você poderia imediatamente suavizar a atitude dele em relação a você. Apesar de sua impressão seja ruim, se você fazer algo bom por ele, ele não pensaria em você como uma pessoa boa? Reinhard é uma pessoa incrível para se lidar com, e até mesmo eu inesperadamente virei amigo dele de uma vez só.
Wilhelm: Mas… não será tão simples com o Reinhard…
Subaru: —Reinhard disse que ele queria ouvir sobre a batalha com a Baleia Branca.
Subaru falou em tom humorístico, e, pouco a pouco, Wilhelm parecia relaxar.
Subaru falou para Wilhelm sobre o que Reinhard havia dito fora da sala do chá. Após ouvir a história dele, Wilhelm de repente abriu seus olhos azuis.
Subaru: Eu não sei se a Baleia Branca está envolvida no relacionamento ruim de vocês, mas se ela está, então Reinhard definitivamente está incomodado com isso. E claro, ele certamente ouviu sobre como Wilhelm arrasou com a Baleia Branca, e eu estou certo de que ele quer saber sobre como você vingou a avó dele após dez anos.
Subaru: Aquele cara com toda a certeza também está procurando uma forma de mudar o relacionamento tenso entre vocês agora.
Não havia como Subaru saber sobre as intenções de Reinhard.
Subaru sempre viu Reinhard como um homem que era ridiculamente perfeito além da perfeição, e nunca o associou com falta de poder ou ignorância antes.
Mas essas eram ideias falhas. Reinhard também era humano. Ele tinha preocupações como qualquer outra pessoa.
Até mesmo o homem que Subaru via como sobre-humano, Wilhelm, era, por dentro, um homem comum e um avô comum, cheio de problemas e defeitos comuns.
Não seria uma surpresa se o mesmo se aplicasse para Reinhard.
As palavras recentes de Subaru surpreenderam Wilhelm, que fechou seus olhos como se ele estivesse meditando. O tempo parecia estar fluindo junto com o vento calmo.
Então, após um momento de silêncio entre os dois, Wilhelm reabriu seus olhos.
Wilhelm: Meu neto… Reinhard me ouviria.
Subaru: Incomode ele com um "oi" antes e se recupere se ele te rejeitar. Isso aconteceu comigo com todas as garotas que eu conheci além da Emilia.
Wilhelm: Realmente—
Após ouvir a resposta de Subaru, Wilhelm chacoalhou sua cabeça.
Então, o velho olhou para cima, inclinando sua cabeça para trás e fixando seus olhos na lua suspensa no céu.
Wilhelm: O Senhor Subaru é invencível.
Essas palavras foram ditas dando os sinais de um sorriso.
Wilhelm: A propósito, sobre aquela pergunta que fiz na sala de chá...
Subaru: Pergunta?
Subaru rapidamente se lembrou de quando Wilhelm perguntou sobre Akashi, que forçou Subaru e Emilia a mentirem para o velho, não querendo revelar como Akashi acabou após seu último encontro. Wilhelm voltou seu olhar para Subaru, era uma feição tranquila, mas Subaru ainda sentia um clima meio pesado com o olhar de Wilhelm, já esperando por um "Como vocês puderam mentir para mim?" Ou "Eu sei de toda a verdade."
Wilhelm: Sobre o jovem Akashi, eu sei de toda a verdade.
Wilhelm realmente o disse. Subaru, sem saber o que responder, suou um pouco enquanto gaguejou.
Wilhelm: Não se preocupe, se está preocupado quanto ao que você e a dona Emilia disseram, pode se tranquilizar, eu compreendo o que queriam com aquilo... afínal, a dona Crusch e o Felix tentaram esconder isso de mim pela mesma razão.
Subaru: M-Mas... Wilhelm, então você estava fingindo não saber?
Wilhelm: Exatamente, eu entendo que não queriam me preocupar com o fato de que Akashi foi momentaneamente procurado pelo país, e aparentemente foi uma notícia que chegou até ao exterior. Mas não daria para evitar, eu escutei boatos sobre o infame "Vento Branco de Lugunica", e poucos dias depois, acidentalmente escutei a conversa de Felix e dona Crusch, citando que Reinhard havia o eliminado no Palácio dos Sábios.
Subaru: E como se sentiu quanto a isso tudo?
Wilhelm fitou o chão de cascalho, logo fechando seus olhos enquanto suspirava levemente. Ao reabrir seus olhos, um brilho determinado surgiu nos olhos azuis do velho.
Wilhelm: Com as notícias sobre o criminoso espadachim de cabelos brancos circulando, uma estranha angústia me consumiu, mesmo sem ter certeza de quem se tratava. O instinto de um professor ligado ao seu aluno me alertou de que poderia ser Akashi o homem que causou tanta comoção no mundo. Ao ouvir sobre sua suposta morte, fiquei inicialmente chocado, até mesmo a dona Crusch questionava se eu estava doente. No entanto, algo dentro de mim insistia que...
Subaru: ...ele não morreu?
Wilhelm: Exato.
Subaru: Imaginei. Eu também me senti assim quando me contaram. Desde que mudamos de mansão, ficamos sem muitas novas notícias... O Roswaal provavelmente sabia de algo e preferiu não contar. Por isso, o choque ao saber que o Akashi poderia estar morto me atingiu de surpresa. Mas também senti que ele, definitivamente, está vivo... Emilia também pensou da mesma forma, e estamos com essa convicção até agora. Uma hora ou outra, ele vai aparecer. Se bem que o Reinhard ou Julius talvez saibam de algo, já que estavam no campo de batalha?
Wilhelm: É provável. Quando for possível, vamos atrás de novas informações com eles. O mistério do jovem Akashi precisa ser resolvido.
Na manhã seguinte, Subaru, com os olhos turvos, situava-se no pátio iluminado pelo sol. Sentindo a rigidez do solo de cascalho e a areia em seus sapatos, ele respirou profundamente o ar frio da manhã.
Emilia sorriu para Subaru quando ele emitiu um som de ‘Hmm!’, relaxado.
Emilia: O que foi? Subaru parece feliz hoje, algo de bom aconteceu?”l
Subaru: Muitas coisas boas aconteceram. Um evento importante aconteceu na última noite, fazer a trança charmosa de Emilia foi um mimo inesperado, e as áreas de banho eram espaçosas e confortáveis.
Emilia: Ah, eu posso dizer o mesmo. Eu também tomei um banho muito confortável ontem a noite. A sauna na Mansão do Roswaal é ótima, mas a área de banho cercada por pedras aqui é tão refrescante.
Na última noite, a beleza do cabelo prateado de Emilia fluindo melodiosamente, enquanto a trança que Subaru havia feito era agitada, era deslumbrante. Apesar de que o cabelo liso padrão dela também mostrava a sua beleza congelante, como neve, ver um estilo de cabelo incomum nela tinha sua conotação própria de privilégio.
De qualquer forma, Emilia, não importava como aparentasse, era igualmente atraente.
Com isso em mente, Subaru voltou sua atenção de volta para o presente quando Emilia voltou a falar.
Apesar de estar em local fechado, a área de banho ia o mais longe que podia para se assemelhar a uma área de banho a céu aberto, e as decorações evocavam uma imagem natural de ar livre.
Emilia: Já que foi a primeira vez que eu vi esse tipo de área de banho, eu acabei me divertindo bastante brincando com a Crusch e a Felt.
Subaru: Essa é uma cena de fanservice privilegiada de um Jogo bishōjo. É um CG absolutamente necessário de se coletar.
Emilia: C… G?
Subaru: Não é nada, eu estava só te provocando. Você me parece feliz, você está?
Emilia: Hmm, muito.
Emilia, cuja felicidade era compartilhada com Subaru, de relance pareceria estar alegre, e esse sentimento aliviou a ansiedade inicial e a suspeita que os acompanhou na viagem deles para Pristella. O problema era—
Subaru: Aqueles dois ali estão com uma cara tão deprimida.
Beatrice: …não é nada, de fato.
Otto: Por favor não reparem em mim… hic. Eu apenas, hic, bebi demais.
De pé onde Subaru estava apontando, estava uma loli com uma expressão congelante em seu rosto, e um homem cujas feições normalmente elegantes estavam pálidas.
Desnecessário apresentar, esses dois eram Beatrice e Otto. Após considerar cuidadosamente, Subaru decidiu dizer um "oi" para o quase transparente Otto.
Subaru: Otto. Você não apareceu no jantar ontem, onde você foi?
Otto: Como eu disse quando nós partimos, hic, é raro para mim ter uma chance de vir para Pristella, e enquanto, hic, nós estivéssemos aqui, eu gostaria de estabelecer algumas conexões.
Subaru: O que está acontecendo contigo? Você tá ainda mais bêbado do que quando nós nos encontramos.
Otto: …? Minha memória deve estar um pouco bagunçada, mas, hic, meu primeiro encontro com o senhor Natsuki não parecia envolver álcool…
Subaru: Bom, é a sua própria memória, então pense o que você quiser.
Otto, que foi repreendido por um motivo desconhecido, ficou com uma expressão desamparada, apesar dos comentários de Subaru serem irrelevantes.
Da perspectiva de Subaru, ele teve vários primeiros encontros com Otto, mas o seu primeiro foi com Otto frustrado em uma taberna, tão pálido quanto esse de agora. Pouco depois, entretanto, Subaru retornou da morte. Logo, do ponto de vista de Otto, o primeiro encontro deles foi aquele embaraçoso onde Subaru foi responsável por salvá-lo do Culto da Bruxa.
Claro, seria inútil continuar discutindo, já que ambos estariam errados.
Subaru: Não faça nada que pudesse dar maus hábitos para a Beako. Bom, eu posso entender que você estava apressado para ajudar nossa facção.
Otto: Eu fiz tudo isso por vontade própria— apesar de que eu não tenha ideia do porquê eu fui fazer isso comigo.
Otto, cuja cabeça parecia estar se sentindo pesada, foi incapaz de responder a Subaru. Após um momento ele olhou para o pátio, mudando o rumo da conversa com um “Na verdade…”,
Otto: O que aconteceu com o Garfiel? É raro não ver ele acordado a essa hora. A convenção não é de que ele acorde mais cedo que todo mundo para que ele encontre o lugar mais alto para gritar?
Subaru: Provavelmente não há nenhum lugar alto aqui, mas não é por isso que ele não está aqui. Embora, possa ser o segredo juvenil dele. Por favor, seja gentil com ele na próxima vez que vocês se encontrarem.
Otto: Para alguém que não tem a menor ideia do que aconteceu, essas palavras não são muito desorientadoras?! …ah, minha cabeça ainda dói.
Subaru: Você realmente é autodestrutivo.
Vendo o Otto cair duro de sono no chão, Subaru sorriu. E então ele se virou em sua volta e olhou para Beatrice, que estava calada desde o começo da conversa deles.
Subaru: E, quanto a você, Beako? Ontem você estava tão vívida, mas agora você tá toda deprimida. Isso não é nada fofo.
Beatrice: Não saia por aí presumindo as coisas, eu diria. Eu não estou deprimida, de fato. Betty apenas se lembrou de algumas coisas de repente, as quais ela deve examinar com cuidado, eu diria.
Subaru: Qual o problema? Se você estiver com problemas, desembucha. Se for algo perigoso, uma só pessoa pode não saber como lidar com isso.
Surpreso com o que Beatrice disse, Subaru estreitou um pouco seus olhos e fez um gesto indicando estar preparado. Emilia também deu um sinal de estar ouvindo atenciosamente.
Beatrice mordeu seus lábios, revelando uma hesitação rara, antes de escolher suas palavras com um ar presunçoso.
Beatrice: Começou ontem, depois que Subaru me abandonou para brincar com Garfiel, de fato.
Subaru: Uma interpretação questionável, mas continue.
Beatrice: Betty foi procurar Emilia para matar o tempo com ela, eu diria. No caminho para o quarto dela, eu me deparei com um funcionário, com o qual eu tive uma pequena conversa, de fato.
Subaru: Beako… batendo um papinho…?!
Descobrir que a habilidade de Beatrice para se comunicar havia melhorado de certa forma deixou Subaru mudo. Ele virou para Emilia, chocado, que acenou com a cabeça demonstrando interesse.
Incrível! A ideia de que Beatrice começasse uma conversa com estranhos era completamente inesperada. Talvez o frescor da viagem fez com que Beatrice experimentasse um crescimento inesperado.
Após retornar pra casa, ele precisava atualizar o “Diário de Crescimento de Beako” com esse desenvolvimento dela o mais rápido que pudesse.
O diário, que registrava o amadurecimento diário de Beako, já havia alcançado três volumes. Graças a essa jornada, ele poderia adicionar uma página nova.
Não sabendo que suas atividades diárias estavam sendo registradas, Beatrice achava a atenção que Subaru e Emilia davam a ela um incômodo, e sempre reagia insatisfeita com um “Vocês estão exagerando, eu diria!”
Beatrice: Eu continuarei falando, de fato. Quando o empregado viu Betty, ele disse que ele tinha informações e fez uma expressão misteriosa, eu diria. Ele me disse, ‘À noite, algo assustador irá assombrar este hotel’, de fato.
Beatrice: Honestamente, quando Betty ouviu isso ela hesitou em falar com qualquer pessoa para não criar confusão desnecessária, eu diria. Apesar disso, eu ainda resolvi me preparar ontem à noite, como uma precaução, de fato…
O tom de Beatrice se levantou enquanto ela ficava um pouco mais agitada, e ela não percebeu como Subaru havia ficado calado. Então, ela abaixou sua voz para um tom de sussurro, como se ela estivesse contando um segredo.
Beatrice: No meio da noite, Betty ouviu algo estranho, eu diria. Eu não queria acordar Subaru, que estava com uma expressão estúpida em seu rosto enquanto dormia, então eu discretamente deixei nosso quarto sozinha para investigar, de fato.
Subaru: Você não deveria encarar o rosto de alguém que está dormindo.
Beatrice: C-Claramente eu não encarei, eu diria! Eu apenas dei uma olhada, como dita a etiqueta de uma dama, de fato!
Talvez ela não estivesse de forma alguma espiando Subaru dormir, mas era tão fofo que Subaru deixou o assunto de lado.
Beako tomou o consentimento de Subaru como um sinal para continuar, e sua expressão misteriosa reapareceu.
Beatrice: Betty encontrou uma presença incomum pairando próximo ao hotel, então eu a rastreei, eu diria. Após um tempo, eu finalmente encontrei sua fonte no terraço frontal…
Subaru: Você encontrou?
Beatrice: Bom, tinha um rosto pálido perigoso emergindo do escuro lentamente, eu diria. Parecia estar cercando Betty, então ela o confrontou, de fato.
A testa delicada de Beatrice brilhou vagamente com o suor, como se ela estivesse inteiramente imersa na situação sombria de ontem à noite. Apesar de que Subaru não entendia como as glândulas de suor de um espírito funcionavam, o suor fez com que a atmosfera estivesse tensa de certa forma, então ele preferiu não comentar sobre.
Beatrice: Pouco depois, provavelmente por medo do poder de Betty, a figura lentamente se fundiu à escuridão, de fato. Após confirmar repetidamente que não haveria futuros problemas, Betty retornou para o quarto, de fato. Então eu andei sobre o Subaru que estava dormindo de forma idiota para retornar para a cama, eu diria.
Subaru: Não espione alguém dormindo, é indecente.
Beatrice: Eu apenas confirmei que você estava bem, eu diria! Absolutamente nada como tocar sua testa ou sobrancelha aconteceu, de fato!
Isso certamente foi uma confissão, mas por ser tão fofo, Subaru novamente se negou a tocar no assunto.
Ao todo, esse parecia ser o fim da história de terror de Beatrice. Subaru segurou seu queixo e acenou com a cabeça levemente enquanto ele começava a considerar o que ela havia dito.
Um evento estranho aconteceu no hotel.
As coisas incríveis e estranhas nesse mundo dificilmente eram poucas. Na verdade, depois de passar um ano no mundo paralelo, ele conseguia navegar em sua estranheza muito bem. Por exemplo, usando senso comum, ele conseguia concluir que não existiam fantasmas nesse lugar.
Até onde ia o senso comum, até mesmo chamar isso de assombração parecia ser uma alegação pobre.
Mesmo assim, esse tipo de rumor estranho também existia aqui, e o fato de que o hotel havia herdado uma história sobre espíritos de estilo japonês era realmente incrível de certa forma.
Subaru admirava esse fenômeno de coração, enquanto ele dava um suspiro com ar de conclusão.
Subaru: E então, o que aconteceu ontem à noite, Otto?
Otto: Ah, eu me lembro agora. Enquanto eu me deitava no terraço, quase vomitando, eu percebi que a Beatrice estava me encarando, mas eu era incapaz de falar naquele momento. Finalmente, eu não consegui me segurar e fui vomitar nos arbustos, e quando eu voltei, ela havia sumido.
Subaru: Então, foi isso.
Beatrice: …como isso, como isso é possível, de fato?
Beatrice mal conseguia lidar com a situação.
Era, nesse ponto, incrivelmente óbvio que o verdadeiro rosto da tão-falada aparição era na verdade o Otto bêbado, e ela não tinha ideia do que dizer.
O que ela tinha certeza de haver visto foi implacavelmente negado, e a reação de Beatrice fazia parecer como se a habilidade dela de raciocinar houvesse desaparecido. Subaru acariciou ela como se estivesse a consolando, mas no coração dele, ele concluiu que Beatrice era péssima em dormir em redondezas não familiares.
O funcionário, que descreveu a aparição para Beatrice, certamente havia visto que Beatrice era a personificação de alguém que acreditava em tudo, e levaria qualquer tipo de brincadeira a sério.
O rosto vermelho dela, cheio de remorso e insatisfação, era tão adorável que Subaru deu a ele o maior nível de elogio.
Felt: Yo, todo mundo já tá reunido aqui.
Uma pequena moça cortou os risos da aglomeração.
Procurando pela origem do som, Subaru encontrou uma figura no corredor; uma garota sacudindo seu cabelo curto e dourado, Felt.
Ela havia trocado seu roupão pela sua vestimenta leve comum, balançando seus braços finos com facilidade, parecendo mais ou menos como uma garota das ruas.
Subaru: Bom dia. Você está vestida tão casualmente, eu consigo até sentir o Reinhard se lamentando.
Felt: Nem fala nisso, aquele cara me irrita tanto com essa coisa, e até mesmo Rom-nii está do lado dele. É um saco.
Expressando sua insatisfação, uma Felt impaciente saltou do corredor e aterrissou ao lado de Otto, que não estava prestando muita atenção no que estava acontecendo. Ela então se virou em direção a Subaru e entortou sua cabeça para perguntar,
Felt: Falando nisso, tem algo que eu sempre fiquei curiosa pra saber.
Subaru: O que é?
Felt: Ah, quer dizer, por que vocês têm feito essa dança esquisita juntos?
Felt tinha uma expressão curiosa enquanto olhava a dança estranha de Subaru — ‘o Rádio Taissô’.
(rajio taisō, ou “ginástica pelo rádio”)
Trata-se dos exercícios de aquecimento feito sob música e guia de uma transmissão de rádio. Esse tipo de ginástica é popular no Japão e em partes da China e Taiwan. Obviamente, Subaru apenas replica os movimentos e faz a instrução presencialmente.
Antes de começar uma longa jornada, ou de dar alguns passos na estrada, todos começariam a manhã com o rádio taissō.
Essa cena tem sido vista há bastante tempo toda manhã não só na Mansão Roswaal, mas também por todo o território Mathers.
Subaru: Oh, é apenas o segredo para a saúde e longevidade. Realizado por todo mundo, das crianças até os mais velhos, a era saudável do popular ‘rádio taissō’ irá reinar. Após Emilia-tan virar Rainha, nosso rádio taissō irá se tornar uma atividade matinal obrigatória do governo!
Emilia: Sim, eu ficaria feliz se todos pudessem fazer isso juntos.
Felt: Isso é… Eu não consigo evitar de pensar que se uma coisa assim virar realidade, a reputação da Rainha irá ser arruinada…
Examinando o movimento deles, Felt murmurou os pensamentos cínicos dela.
Era triste de se ver, mas cedo ou tarde, até mesmo aqueles que não gostaram de seguir a ideia sentiram-se atraídos depois de perceber os benefícios dessa atividade facilmente realizável.
A popularidade desse movimento, depois que ele se espalhou para várias vilas, com certeza era alta.
Subaru: Beako e Otto também relutaram no começo, mas agora eles participam até mesmo depois de terem sofrido uma longa noite de medo, ou uma manhã de ressaca!
Beatrice: Betty foi levada para fazer isso por Subaru, de fato.
Otto: Eu obviamente só queria dormir por causa da dor de cabeça, mas então eu ouvi a batida de palmas e vi a dança…
Beatrice: Mesmo que eu fique enjoada disso, eu estou viciada.
Otto: Completamente fascinante.
Beatrice e Otto deram uma explicação um pouco fraca, enquanto Subaru e Emilia se mantiveram com pose de orgulho. Felt arranhou seu pescoço branco enquanto ela ponderava sobre os dois tipos distintos de respostas.
Felt: De certo modo, frequentemente escuto sobre atividades populares estranhas acontecendo nas regiões da irmã. Danças estranhas, abóboras esvaziadas, mulheres cuidadosamente assando comida para seus amados como um presente. Ah, é tipo isso.
Subaru: Apesar de que agora essas ocorrências únicas só vão até os territórios próximos, eu estou certo de que um dia elas irão se tornar um projeto nacional de popularização. Considerando isso, nós podemos tentar usar Anastasia nos nossos esquemas.
O dia dos namorados iria revolucionar a indústria de guloseimas, e o mercado iria expandir. Se o tópico de larga mudança econômica viesse à tona, Anastasia iria imediatamente procurar uma forma de capitalizar em cima disso.
Se não fosse tarde demais, Subaru considerava apanhar Anastasia quando ela estivesse livre para discutir essas oportunidades com ela.
Felt: O irmão sempre emitiu esse tipo de sensação?
Emilia: Bom, Subaru sempre foi assim. Parece que ele está só fazendo graça, mas ele realmente quer aprimorar as coisas, mesmo que ele finja que está sempre brincando.
Felt: Sim, mas, você não sabe se ele está brincando ou não até a poeira abaixar…
A resposta de Emilia corou Felt levemente.
Ocasionalmente esse tipo de coisa aconteceria devido à idade espiritual de Emilia. Para ela, olhar Felt olho a olho era como se fosse uma criança tentando olhar nos olhos de um animal.
Felt, que sofreu e se rastejou para se erguer nas favelas, também tinha sua forma única de viver.
Emilia: Por que você está sozinha? Reinhard não fica preocupado quando vocês não estão juntos?
Felt: Eu não sou uma criança que precisa ficar tomando conta, e além disso, aquele cara é muito irritante quando ele está perto de mim, então eu só falei pra ele ir pra outro lugar, já que a irmã e todo mundo estaria aqui. É tão irritante, assim que qualquer coisa acontece, aquele cara chega num piscar de olhos.
Emilia: Certo. Então eu fico mais calma.
Emilia cuidadosamente sorriu para a reclamação de Felt. Recebendo uma resposta que não condizia com as expectativas dela, Felt suspirou ansiosa e começou a brincar com seu cabelo loiro de forma bruta.
Felt: Foi ainda mais irritante quando ele apareceu com aquele garoto que andava com vocês no castelo, com o pedido de deixá-lo treinar por um tempo. Camberley, Rachins e Gaston ficaram morrendo de medo dele por que eles levaram uma surra dele na capital uma vez.
Emilia: Ah, o Akashi?
Felt: É, é esse aí. Acho que o Reinhard já contou tudo não é?
Acenando com a cabeça, Emilia assentiu e abriu um leve sorriso.
Emilia: Sim, ele contou tudo.
Felt: Eh? E por quê parecem tão pouco preocupados, então? O amiguinho de vocês virou um procurado pelo país todo!
Emilia: Eu sei disso... mas, ainda que nos preocupe, estamos confiantes de que em breve ele vai aparecer, e quando aparecer, vai pedir desculpas para todo mundo e finalmente voltará pra casa.
Felt arqueou as sobrancelhas, ela estava desacreditada com o que estava ouvindo, sério mesmo que é assim que estão tratando esse assunto? O quê lhes deixa tão despreocupados, afínal? A garota logo suspirou,
Felt: Sério que acredita que um pedido de desculpas vai resolver tudo...?
Emilia: Felt, você tem um cabelo tão bonito, você não deveria brincar com ele tão cruelmente. Eu fui ensinada por Subaru e Frederica a respeitar meu cabelo.
Felt: Ei! Não fique mudando de assunto dessa forma! Droga, você é tão mandona… deixa eu cuidar do meu cabelo, e eu não disse para parar de colocar "-chan" ao meu nome? Me dá arrepios!
Emilia: Mesmo que você diga isso, eu não consigo perder o hábito de uma vez só. Eu vou tentar o meu melhor, mas se eu não conseguir me segurar, eu vou me sentir muito mal. Tudo bem assim?
Felt: Não tá nada bem!
Por Emilia não possuir nenhuma malícia, Felt apenas deu um rugido baixo, similar a um felino, para descarregar sua irritação.
Superficialmente, pessoas ouvindo o diálogo delas iriam sorrir, já que a conversa se assemelhava a uma linguagem secreta entre melhores amigas.
Subaru: Bom, nosso rádio taissō está completo, então sinta-se livre para ir pra cama. Ou você poderia tomar um banho, eles são bons e refrescantes.
Otto: Eu já tomei um banho… mas, infelizmente, o cheiro de álcool não parece ter saído.
Subaru: Antes que o Garfiel apareça para te dar uma bronca, você deveria se apressar para se livrar disso. Na minha cidade natal, tem um ditado que diz que qualquer problema pode ser resolvido com alguns banhos quentes.
Subaru estendeu uma mão para o fraco Otto enquanto ele terminava de falar.
Otto: Seria uma catástrofe se ele me visse assim… já que você me deu seu conselho, eu vou segui-lo enquanto eu ainda estou vivo…
Subaru levantou Otto para que ele ficasse de pé e deu a ele um pequeno tapa no seu ombro. Otto suspirou, ainda desanimado, enquanto Subaru olhava para o céu.
Um céu cheio de sorrisos. Nuvens finas suspendiam no céu da manhã, refletindo o tempo calmo. Assim que Subaru percebeu isso,
???: Bom dia, cidadãos de Pristella.
Subaru: Huh!?
Um som alto parecia ter saído do ar, ecoando nos ouvidos de todo mundo, surpreendendo o Subaru despreparado.
Não era uma ilusão; enquanto Subaru olhava à sua volta, em pânico, ele viu Emilia, Felt e Beatrice também olhando ao redor, alarmadas.
Subaru: Ei, o que é isso? É uma voz realmente alta.
Felt: Não é um tipo de fantasia, é só uma voz realmente alta nas ruas…
Felt sussurrou baixinho para si mesma, enquanto Subaru também fez seu próprio comentário, enquanto suspeitava de que isso não era relacionado com magia.
Falando de magia que podia enviar um som para um grupo inteiro de pessoas, Subaru se lembrou da corrente mágica que Subaru usou para conectar a consciência de todo mundo.
Por fim, entretanto, era simplesmente uma forma de conectar as pessoas mentalmente em um alcance limitado, e não poderia emitir som diretamente aos ouvidos.
Ponderando isso, Subaru pensou que ele havia encontrado uma resposta apropriada. Isso era,
Subaru: Algo como um alto-falante?
Felt e Subaru prestaram comentários similares em relação ao fenômeno.
Ressoando o céu, o som era alto o bastante para que a cidade inteira pudesse ouvi-lo, de uma forma muito similar a anúncios feitos por um alto-falante.
O único problema era que nesse mundo, ainda não havia nenhum sinal de um desenvolvimento científico e tecnológico desse tipo.
Otto: Ah, vocês não sabiam? Esse rádio funciona com a ajuda de um instrumento movido a mana no Salão Metropolitano do Governo de Pristella.
Subaru: Mana… então é magia!
Otto respondeu à pergunta de Subaru, acenando com a cabeça como se estivesse dizendo “sim”.
Otto: O que eu ouvi ontem, quando eu estava bebendo com uma grande variedade de pessoas, era que toda manhã o rádio magicamente amplificado da Prefeitura faria um comunicado aos cidadãos de Pristella.
Subaru: Huh, essa é uma rotina bem estranha.
Otto: Informações que precisam ser transmitidas para todas as áreas da cidade podem ser ouvidas imediatamente e convenientemente. No caso de uma emergência, evacuações ou direcionamentos podem ser dados facilmente. Para prevenir que um caso estressante como esse se torne muito caótico, fazer isso todas as manhãs permite com que os cidadãos fiquem acostumados com o alto-falante.
Subaru: Oh… Eu jamais iria ter pensado nisso.
Usar um aparelho mágico para se preparar para emergências.
Vilas pequenas já dariam trabalho suficiente, mas se um acidente acontecesse em uma cidade, rapidamente a situação se escalaria para um pandemônio. A medida preventiva feita para prevenir isso também tinha uso prático.
Era incomum e bastante inovador que alguém tomaria seu tempo para garantir que os cidadãos estivessem bem preparados para isso.
Subaru: Parece que um cara bastante esperto é responsável por isso, talvez o prefeito?
Otto: Não, já que o aparelho funciona com base em mana, ele requer pedras de mana para serem abastecidas, então Kiritaka é provavelmente o responsável pelo rádio.
Subaru: Oh…
A admiração dele foi interrompida repentinamente por esse impacto.
Kiritaka era provavelmente aquele que gritou “Não toque na minha Liliana!” ontem. Cenas da negociação passavam pela mente de Subaru. A gritaria. O brilho da pedra mágica. O homem elegante que havia gritado por Liliana posteriormente.
Subaru: Não, não.
Beatrice: De forma alguma, de fato.
Emilia: Isso parece um pouco…
Com a sincronia perfeita de Subaru, Beatrice e Emilia, Otto deu um sorriso torto.
Otto: Eu imaginei que vocês responderiam assim, mas aquele que cuida do rádio é de fato o Kiritaka. Escute, essa voz não é familiar?
Kiritaka: Esse é um aparelho mágico que pode transmitir minha voz para toda a cidade. Se eu assustei alguém não familiarizado com isso, eu peço desculpas. Você é muito sortudo de estar escutando essa transmissão hoje.
Subaru: Quem é esse?
Apesar da explicação de Otto, Subaru ainda tinha dificuldade em associar essa voz com a impressão que ele tinha de Kiritaka. Ele estava tão sério que ele não se parecia com um lolicon em nenhuma hipótese.
Subaru: Não, espere. Clind também não parecia ser um degenerado… poderia os lolicons serem bons em se disfarçar? Lolicons com status social são tão aterrorizantes.
Subaru mais uma vez se lembrou de mordomo onipotente.
Ele tinha inteligência e habilidade avassaladoras, mas era misturado com esse tipo de natureza irracional. Apesar de que não seria muito preciso definir Clind como uma representação de todos os lolicons, não era impossível que houvesse um caso de um lolicon de classe alta que o lembrasse dele.
Subaru: Bom, esse Kiritaka ainda é muito suspeito, e impressões sobre vozes não são as mais confiáveis…
Kiritaka: E para aqueles que estão escutando, permitam-me oferecer, preenchido com meus sentimentos… não! Preenchido com seus sentimentos, um mundo de bênçãos! A manhã finalmente chegou… essa é a Cantora Liliana, por favor se certifiquem de ouvir!
Liliana: Ah, sou eu.
No meio dessa bagunça, o homem das memórias de Subaru e o homem fazendo a transmissão, finalmente se coincidiram.
Esse incômodo resolveu assolar Subaru até mesmo no começo da manhã. Ele ouviu um som embaralhado de pessoas mudando de lugar, e então uma pequena tossida que parecia conter um sorriso.
Liliana: Bem~, olá todo mundo, essa é Liliana, que acabou de ser introduzida. Fazer isso toda manhã me faz sentir o peso da expectativa, mas eu ainda quero fazer o meu melhor para cantar e tocar para gerar alegria. Por favor, ajudem-me.
Subaru imediatamente reconheceu o jeito característico de Liliana falar, e sentiu como se ele pudesse ver o comportamento estranho dela até mesmo através do aparelho mágico.
Curiosamente, diferente da voz de Kiritaka, que intermitentemente apagava através do rádio mágico, nenhum rastro da voz de Liliana era perdido.
Subaru não sabia se havia um conceito de afinidade a aparelho mágico, mas se existisse algo assim, ele combinaria com a garota cuja voz compartilhava o nome de Deusa da Música, permitindo a ela cantar claramente através da interferência do fone.
Liliana: Bom, eu estou ansiosa para cantar. Por favor escutem— "A Canção de Amor do Demônio da Espada, Ato Dois"!
Liliana inalou gentilmente enquanto ela preparava o instrumento para tocar.
O título da música roubou a atenção do discurso de Liliana. Se a canção era de fato o conto do que ele havia imaginado que fosse, então—
A música prestes a ser tocada era a tocante história trágica de amor sobre um demônio, uma mulher e uma espada.
O ato de terrorismo da Cantora Liliana acabou com sua música, e Subaru retornou para a sala de estar para o café da manhã.
Para ser honesto, a existência da “Canção de Amor do Demônio da Espada” havia atingido Subaru como um raio inesperado.
Ele devia ter percebido há muito tempo. Não importa em qual mundo, a qualquer momento, qualquer feito heróico seria preservado para as futuras gerações.
Eles poderiam ser documentados de várias formas, como escrita ou pintura.
Não era inconcebível que a heroína que encerrou uma guerra civil e o Demônio da Espada que fez da heroína sua esposa fossem imortalizados em uma música.
Claro, mesmo que Subaru estivesse ciente dessa possibilidade, ele não poderia ter feito nada sobre o que aconteceu essa manhã. Ele sequer tinha conhecimento sobre o aparelho mágico, e ele não poderia saber para avisar Liliana para que ela reflita sobre suas ações.
Agora, ele apenas podia xingar a Cantora que havia escolhido sua música no momento mais inapropriado sem nenhuma consideração pela situação.
A sua já péssima impressão sobre a Cantora de alguma forma piorou ainda mais com seu inexplicável entusiasmo inconveniente. Liliana era uma idiota, Kiritaka era um tolo.
Subaru: Teria o Wilhelm… já vindo aqui?
Os que chegaram mais cedo na sala de estar eram os ocupantes prévios do pátio, com a exceção de Felt, que havia se separado deles ao saírem. Ela provavelmente voltaria mais tarde com Reinhard.
Pensando na música que ele acabara de ouvir, lembrando dos pensamentos de Wilhelm sobre sua esposa e neto, e imaginando o sorriso do velho, Subaru era incapaz de suprimir os sentimentos que brotaram em seu peito.
Em relação às palavras que iria dizer ao vê-lo, Subaru não tinha ideia de como encontrá-las. Mesmo assim, enquanto houvesse comunicação, Subaru ficaria grato. Apesar disso, ele realmente esperava que Wilhelm de alguma forma não ouvisse a música.
Subaru: Aquele grupo de pessoas extremamente sérias, é impossível que todos eles estejam dormindo no mesmo dia.
Os três principais membros da facção de Crusch, até mesmo Felix, trabalhavam e descansavam numa agenda balanceada. Mesmo tendo vivido com eles apenas por alguns dias, Subaru estava ciente disso.
Numa jornada para um lugar não familiar, eles provavelmente ficariam nervosos e manteriam a agenda deles ainda mais rigorosa, então era impossível que eles perdessem a transmissão.
Emilia: Subaru, você parece péssimo, o que está errado?
Emilia nivelou seu olhar para Subaru, que sentou em uma almofada, rapidamente batendo seus pés devido à ansiedade.
Depois que a transmissão havia acabado, Subaru imediatamente propôs que a facção deles deveria ir para a sala de chá. Após confirmar que ela estava vazia, ele afirmou sua paz irretocável.
Emilia e os outros simplesmente saborearem a letra trágica da “A Canção de Amor do Demônio da Espada” e desfrutaram da voz de Liliana. Eles não estavam cientes de que o Demônio da Espada da música era Wilhelm, ou de alguma das origens do Demônio da Espada.
Logo, Subaru era relutante com a ideia de elas sentirem a ansiedade dele.
O que era mais assustador era que a música de Liliana havia capturado até mesmo Subaru.
Subaru, que havia sido assolado com um senso de trepidação ao ouvir o título da música, não conseguia sair do pátio enquanto a ouvia. Ou, na verdade, esse tipo de pensamento sequer passou pela cabeça dele.
O canto de Liliana tinha que haver alguma magia contida nele. Por causa disso, mesmo após se recuperar, Subaru não conseguia se livrar do senso de ansiedade pensando naquela morena precipitada.
Subaru: …não é nada… nada, nada, é só que, eu estou um pouco com fome… sabe, apesar de que a comida do hotel é deliciosa, ela não é um pouco limitada em quantidade? Meu corpo quer que eu roube guloseimas para que eu as coma e cresça…
Emilia: Subaru, eu não acredito em você.
A normalmente influenciável Emilia viu através do blefe de Subaru nesse momento crítico. Teria sido ele tão fácil de ler? A confiança de Subaru desapareceu.
Otto: Sério, senhor Natsuki. Apesar de que eu não sei sobre o que você está ansioso, nós estamos discutindo nossos planos para mais tarde. Você deveria estar prestando atenção.
Subaru: Os planos de hoje a tarde, ah sim, a segunda negociação com Kiritaka, hmm, nós poderíamos fazer Liliana refém para que nós pudéssemos trocá-la pela pedra mágica que nós queremos?
Otto: Por que diabos você iria propor um plano tão forçado?
Otto, surpreso com as palavras de Subaru, levantou sua voz enquanto seu rosto adotou uma expressão deprimida. Vendo isso, Subaru tombou sua cabeça com um “eh”.
Talvez seja por causa de sua raiva ardente em relação à Liliana, mas provavelmente não serviria para aumentar a taxa de sucesso do plano.
Otto: De qualquer forma, essa tarde, nós tentaremos negociar com o Kiritaka de novo, e aquele que nós devemos tentar ganhar a confiança é daquele membro do ‘As Escamas do Dragão Branco’, que é o mais provável a persuadir Kiritaka.
Subaru: "As Escamas do Dragão Branco", esse é um nome tão legal. Ele estava na reunião de ontem?
Otto: Sim, o "Escamas do Dragão Branco" é um grupo mercenário bem conhecido nessa área. Apesar de que eles foram estabelecidos há um bom tempo, eles foram contratados recentemente como uma força privada pelo Kiritaka. Aquele homem era o representante deles.
Subaru: Das pessoas que estavam lá… ah, ele provavelmente é a melhor pessoa para se falar.
Apesar de que ele não estava lá para observar a sala onde a negociação era realizada, Subaru tinha uma lembrança vaga da presença de um homem de meia-idade de branco antes que a luz da pedra mágica o engolisse.
Kiritaka estava louco por Liliana, que estava frequentemente em um estado de loucura por si só. Subaru certamente estava ansioso para conversar com alguém mais racional do que os dois.
Otto: Julgando pela transmissão mais cedo, a raiva de Kiritaka deve ter acalmado de alguma forma, e ele deve estar disposto a nos ouvir, mas se o senhor Natsuki estiver presente, então ele provavelmente ficaria significativamente menos racional.
Subaru: Eu sei que meus olhos ferozes assustam as pessoas na primeira vez que elas me veem, mas eu não esperava uma reação tão agressiva. Isso meio que machuca.
Emilia: Isso não importa, Subaru. Eu não acho olhos ferozes ruins. Minha mãe também tinha olhos ferozes, mas ela era uma pessoa tão gentil.
Beatrice: O rosto de Subaru não é tão ruim, de fato… na verdade, eu estava enganada, eu diria.
Subaru: Eu prefiro não ser consolado, na real. Não me faça encarar a realidade.
Subaru se aborreceu diante das palavras gentis e severas antes de implorar para que Otto continuasse. Otto seguiu dizendo, “então,”
Otto: Durante as negociações de hoje, eu acho que o Senhor Natsuki não deveria nos acompanhar. Tá?
Subaru: Fazer o quê, eu não tenho uma escolha se não concordar, mas se você suceder, então qual o significado da minha existência aqui?
Otto: Entre apenas o senhor Natsuki ter vindo aqui à toa, e todos nós termos vindo aqui à toa, nós vamos escolher a pequena perda de apenas o senhor Natsuki, que apenas sai correndo por aí brincando com a Beatrice.
Beatrice: Eu sinto que você está subestimando Betty, de fato! É irritante, eu diria!
A raiva de Beatrice foi dispensada e o plano de ação deles foi finalizado. No entanto, Subaru ainda havia considerado o que Otto provavelmente estava pensando.
Subaru: Essa tarde eu irei com Emilia para dar um passeio com Beako.
Emilia: Ehh? Eu não iria ver o Kiritaka com o Otto?
Otto: Com certeza eles anteciparam que nós provavelmente faríamos outra visita para negociar com eles, e se nós levássemos a dona Emilia, nós estaríamos fazendo uma visita repentina não anunciada, e nós provavelmente falharíamos igual ontem… senhor Natsuki, eu estou feliz que você tenha percebido, mas eu não consigo evitar de pensar que você está tramando alguma coisa.
Otto encarou Subaru, que respondeu com um assobio inocente.
Ele falou para Otto sobre ter se encontrado com Liliana ontem, mas ele esqueceu de mencionar onde que eles se encontraram. Kiritaka queria evitar que a facção de Emilia encontrasse Liliana, então ele provavelmente a enviou para sair, e ela escolheu um belo parque específico para se refugiar.
Subaru: Eu encontrei um belo parque, e eu gostaria que Emilia me acompanhasse até lá. Nós podíamos passear com Beatrice segurando nossas mãos entre a gente.
Emilia: Wow, parece divertido. Mas, eu me pergunto se tá tudo para a gente relaxar desse jeito. E então, Otto?
Otto: Eu não posso negar se você ficar me olhando desse jeito. Bom, senhor Natsuki e dona Emilia não podem ir devido a uma variedade de circunstâncias, então eu irei com Garfiel. Por favor não causem nenhum problema.
Em acordo com as palavras de Otto, Emilia e Subaru acenaram com a cabeça fervorosamente.
Liliana quase certamente também não estaria presente na Câmara de Comércio Muse hoje. Nesse caso, Subaru poderia apenas presumir que ela iria para o mesmo parque de ontem.
Se ela não estivesse ali, Subaru iria aceitar que não havia o que fazer, mas ele ainda gostaria de estabelecer uma relação com ela se ele pudesse.
Se Kiritaka realmente amasse Liliana do fundo do coração, havia uma grande possibilidade de que ele concordasse com um pedido vindo diretamente dela.
É claro, ele não poderia pensar apenas em usar Liliana. Se ele abusasse das boas intenções dela, Emilia iria se opor, e a consciência de Subaru não o deixaria se sentir livre. Logo, Subaru decidiu contar a Liliana sobre a história dele sem nenhuma ressalva.
Subaru tinha esperanças de que tudo ocorresse honestamente, mesmo que isso se desviasse da biografia heroica que ela estivesse esperando e decepcionasse ela.
Imortalizado na história como um herói por uma canção. Apenas o pensamento arrepiava Subaru, mas se ele fosse adicionar combustível para o fogo, ele queria deixar uma impressão honesta.
Pelo menos, a fama dos tão conhecidos feitos heroicos de Subaru também seria desiludida quando a audiência dele descobrisse sobre seus erros miseráveis pelo caminho.
Anastasia: —Bom dia. Vocês acordaram cedo.
Assim que a facção de Emilia decidiu sobre seus planos internos e externos de ação, a porta para a sala de chá se abriu, revelando a figura de Anastasia. Hoje, Anastasia vestia seu cachecol de raposa de sempre acompanhado de um kimono.
Era certamente uma surpresa ver um kimono de repente, e Subaru estava empolgado. Os olhos de Emilia brilhavam por um motivo diferente, ela estava encantada com a roupa. Anastasia encarou eles com orgulho.
Anastasia: Muito bem, muito bem. Eu estou feliz de estar surpreendendo as pessoas tão cedo de manhã.
Emilia: Anastasia, esse vestido é tão bonito. É sobre isso que você estava falando ontem?
Anastasia: Sim, esse é o kimono que eu havia mencionado no banho de ontem. Apesar de parecer um roupão de banho, ele exige bastante preparação para se vestir.
Anastasia se virou muito satisfeita, mostrando sua roupa azul, que estava estampada charmosamente com pétalas flutuantes e dispersas.
—Kararagi aparentemente compartilhava muita da familiaridade de Subaru com a cultura japonesa.
Subaru: Esse tipo de roupa, teria sido ela herdada desde os dias de Hoshin?
Anatasia: Bom, você é bem informado, Natsuki. Esse tipo de roupa começou a aparecer mais frequentemente desde o começo da era Hoshin. Apesar de que, o método de produção foi perdido, e apenas reproduções estão são feitas hoje em dia.
Subaru: A era de Hoshin.
Esse homem, “Hoshin das Planícies”, apareceu novamente. Agora, Subaru não tinha escolha senão suspeitar que Hoshin, assim como Subaru, Akashi e Al, foi invocado.
Só que, diferente de Subaru, Akashi e Al, Hoshin teria sido invocado quatrocentos anos atrás.
Subaru: A prioridade é lidar com a situação atual, mas depois disso eu quero dar uma boa olhada nesse Hoshin…
Sobre a questão de invocação, Subaru não pretendia começar a buscar informações por enquanto.
Apesar de que ele sabia sobre a estrutura das invocações, o propósito da invocação era completamente desconhecido. Entretanto, esse chamado era unilateral, para ele vir aqui. Não havia nada conveniente que permitisse a ele voltar para casa.
Nessa questão, apenas considerar isso seria como tentar pescar a lua em uma poça; não havia solução. O que Subaru queria saber era o que os antecessores dele tinham, que tipo de pegadas eles deixaram nesse mundo, e onde eles terminaram. Nada mais.
Reinhard: Bom dia, Subaru. Você dormiu bem ontem à noite? Você foi de grande ajuda em lembrar a dona Felt para retornar para o quarto dela essa manhã.
Felt: Que irritante. Minha intenção não era voltar pra lá.
Após Anastasia, Reinhard deu passos para a sala de chá com Felt atrelada a ele. Ele a colocou em uma almofada, não dando nenhuma indicação se ele havia ou não escutado a música mais cedo.
Ele certamente devia saber que a “Canção de Amor do Demônio da Espada” estava se referindo ao seu avô.
Reinhard: Dona Anastasia, você fica ainda mais bonita com o passar de cada manhã. Eu fiquei um pouco preocupado com sua modéstia, mas agora isso parece não ter fundamento.
Anastasia: Hehehe, esse é meu tesouro pessoal. Eu não posso ir para Pristella a menos que eu me prepare. Por falar nisso, eu ainda tenho que mostrar essa roupa pro Julius.
Após isso, Julius também se juntou a eles, e Anastasia mostrou seu traje para seu cavaleiro. Após ter recebido sua esperada bajulação, Anastasia inclinou sua cabeça para ele.
Anastasia: Os outros não te acompanharam?
Julius: Ricardo disse que ele tinha algo para fazer e foi para a cidade na última noite, mas Mimi e seus irmãos… eles pareciam estar seguindo o Garfiel da facção de Emilia.
Emilia: Eles estavam seguindo Garfiel?
Emilia ergueu o olhar quando ouviu o nome de um dos seus servos. Julius acenou com a cabeça.
Julius: Mimi encontrou Garfiel saindo do hotel, e imediatamente o perseguiu. E então Hetaro seguiu ela, e Tivey, que geralmente arruma a bagunça deles, disse que ele iria lidar com isso, e então todos eles deixaram o Joshua.
Anastasia encarou Joshua com sua mão em seus quadris, que se escondeu atrás do alto Julius. O jovem atraente curvou sua cabeça para seu mestre enquanto ele dava um passo à frente timidamente, parecendo extremamente pálido e preocupado.
Joshua: Eu estou profundamente, extremamente arrependido… Eu desesperadamente tentei impedi-los, mas Mimi e Hetaro não me ouviam de forma alguma. Tivey disse para deixar tudo com ele.
Anastasia: Bom, se Tivey estava lá, não devem haver muitos problemas. Vamos deixar isso de lado, nós somos os anfitriões, mas nós estamos fazendo um baita espetáculo de nós mesmos na frente de nossos convidados.
Pacientemente dando umas palmadinhas nos ombros do envergonhado Joshua em um sinal de perdão, Anastasia virou seu rosto para encarar todos presentes com um sorriso gracioso. Ela sacudiu seu cabelo macio, os dedos dela brincando com seu cachecol.
Anastasia: Como vocês acabaram de testemunhar, esse fiasco embaraçoso está acontecendo, eu espero que vocês nos perdoem… nossa amada vice capitã, aparentemente distraída por seu primeiro amor, está tendo dificuldades para lidar com seus impulsos.
Mimi estava obcecada com Garfiel e gostaria de se agarrar a ele, todos presentes poderiam perceber isso. Todos, com duas exceções. Emilia inclinou sua cabeça em confusão, e Joshua emitiu um suspiro de “então era sobre isso”.
Subaru: A propósito, Felt, eu não vi o trio TonChinKan. Todos eles estão hospedados aqui?
Felt: Você quer dizer Gaston e os outros? Bom, ter eles morando aqui seria um desperdício e uma piada, e eles estão tão mal-acostumados com lugares desse tipo que eles se sentiriam desconfortáveis. Eles estão vivendo em algum lugar mais barato na cidade, mas…
Enquanto ela respondia a pergunta de Subaru, Felt sorriu.
Felt: Hey, esse apelido TonChinKan não é tão ruim, já que o nome deles são Gaston, Rachins e Camberley. Não é nem um pouco confuso, e eles não parecem ligar muito pra ele.
Subaru: Eu também acho que é um grande apelido, eu quero elogiar o meu eu de um ano atrás. Quando eu ouvi o nome verdadeiro deles pela primeira vez, eu pensei que um milagre havia acontecido.
Trio TonChinKan era como eles haviam começado, e Trio TonChinKan era o que eles haviam se tornado.
Crusch: —Nós estamos atrasados, parece que nós fomos os últimos a chegar aqui.
Finalmente chegando na sala de chá estava a facção de Crusch. Hoje, tendo trabalhado em seu longo cabelo verde, e combinando com seu novo eu, ela vestia um deslumbrante gancho de cabelo floral feminino.
Ela fez uma caminhada breve pela sala, seguida de Felix e Wilhelm, que estava, como sempre, vestido solenemente, sua coluna reta. Olhando para a postura do velho, Subaru não podia evitar de chacoalhar seus ombros. Ele engoliu a saliva, tentando olhar de relance para o rosto do velho, e Wilhelm captou o olhar de Subaru.
Ele mostrou um sorriso leve, se encurvando um pouco.
Vendo essa ação, Subaru recebeu a mensagem contida no sorriso prévio: “Você não precisa se preocupar com nada”.
O coração de Subaru começou a bater rapidamente, até que ele viu Felix, sentando ao lado de Crusch, piscando e demonstrando um sinal de paz.
—Não se preocupe, nós já cuidamos disso.
Essa era a mensagem que Subaru havia recebido de Felix.
Talvez Ferris tenha percebido a atenção de Subaru. Ele cessou seus movimentos e começou a aderir ao lado de Crusch como ele sempre fez.
Subaru estava consciente do que era ser inútil e estava com medo de parecer barulhento.
Felix e Crusch com certeza sabiam mais que Subaru sobre a conexão entre Wilhelm e essas músicas. Elas eram mais sensíveis e tinham muito mais proximidade com Wilhelm.
Isso era natural, pois elas eram sua companhia. Subaru não precisava ter se preocupado.
Subaru: Melhor dizer que era negligência nossa não poder ajudar o Garfiel.
Isso não quer dizer que ele não deveria se preocupar com os outros. Ao invés disso, era melhor fazer algo por sua própria facção primeiramente, o que te deixaria livre para ajudar os outros.
Entretanto, a crise turbulenta no corpo de Garfiel era algo que só poderia ser superado pelos esforços do próprio Garfiel, então essa linha de pensamento não iria resolver nada.
Anastasia: Bom, ainda há algumas pessoas que não apareceram, mas pelo que parece, elas não virão.
Apesar de que o número de ocupantes foi menor do que os da última noite, o número ainda era impressionante. Afinal, dentre tudo que aconteceu na última noite, só o fato de comer já era bastante animador.
O que servir essa manhã— com uma pequena pausa de antecipação, Anastasia sorriu e disse: “Tragam para cá.”
Sob ordens dela, os funcionários do hotel abriram a porta, e, imediatamente, um largo bloco de ferro aquecido foi carregado.
Anastasia: A guloseima de hoje é um café-da-manhã tradicional de Kararagi— a panqueca daisukiyaki!
Anastasia rolou suas mangas para cima levemente, aumentando seu tom de voz.
De frente para uma multidão silenciosa, os funcionários do hotel cobriram o ferro com uma camada de óleo e carregaram uma variedade de ingredientes um por um para a sala.
A panqueca daisukiyaki— pelo nome, o prato de ferro e a variedade de ingredientes, Subaru viu algo incrivelmente familiar. Algo chamado,
Subaru: Um okonomiyaki… japonês…?!
Como algo que foi passado pelas gerações, a panqueca okonomiyaki japonesa chegou ao palco.
Emilia: Subaru, Subaru, olhe pra minha obra-prima!
Beatrice: Subaru, essa é a melhor panqueca já feita por Betty, eu diria. Você pode comê-la, de fato.
Emilia sorriu fervorosamente, e o rosto de Beako estava um pouco corado. Cada uma colocou suas melhores panquecas na frente dele.
Para Subaru, elas eram apenas blocos carbonizados de preto. As duas, entretanto, estavam completamente desavisadas sobre a falta de habilidade delas.
Subaru: Provem elas antes de servirem.
Com essa sugestão sensível, Subaru segurou seu olhar de sofrimento enquanto as duas obedientemente começavam suas panquecas e dirigiu a atenção dele para as outras facções.
Reinhard: Terminado, dona Felt.
Felt: Oh, é muito bom, faça-me mais algumas. Eu sempre sou grata por sua comida ser sempre deliciosa.
Reinhard: Se você contar comigo para qualquer outra coisa, eu farei jus à minha honra como um cavaleiro.
Essa era a facção de Felt. Reinhard fazia panquecas em um ritmo impossível, e Felt devorava elas tão rápido como.
Escondido em algum lugar dentro do corpo magro de Felt estava o Rei dos Estômagos. Ou então ela simplesmente era gulosa. De qualquer forma, ela comia bem mais do que compartilhava.
Em suma, Reinhard ainda havia de comer, enquanto Felt já havia descido dez panquecas.
A propósito, a facção de Emilia estava se saindo horrivelmente. Como já havia sido demonstrado, Emilia e Beatrice não davam conta do seu, e os únicos membros úteis eram Otto e Subaru.
Otto: Vejam, dona Emilia e Beatrice. Oh, comam isso… ah! Dona Emilia! Autorreflexão é algo bom, mas não coma elas cruas! Beatrice, você pôs muito molho!
Nas outras facções, a pessoa que mais se destacou era Anastasia.
Esse era o café-da-manhã surpresa que ela mesma planejou. Ela tinha tanto uma profunda autoconfiança quanto um amor pelo daisukiyaki.
Anastasia: Observem cuidadosamente! Esse é o verdadeiro daisukiyaki!
Ela virou as panquecas perfeitamente e suavemente e colocou as belas panquecas no prato de Julius.
Julius: Eu não sou merecedor de comer a comida da dona Anastasia, mas eu acho que elas seriam melhores se fossem cozidas por um período mais curto de tempo. Claro, eu não tenho a intenção de chatear a senhorita.
Anastasia: Claro, claro, elas precisam ser menos tostadas. Mesmo que Julius seja um homem, ele diz isso como uma delicada donzela.
Diferente de Subaru, que redirecionou suas ofertas e falou para as presentes refletirem sobre si, Julius não apenas comeu as panquecas, mas manteve uma expressão honesta e deu a Anastasia dicas para ela aprimorar.
Aquela pessoa era modelo de um cavaleiro. Subaru absolutamente não queria imitá-lo, e lhe faltava habilidade para isso de qualquer forma.
Sentado ao lado deles, comendo panquecas cruas e grudentas, estava Joshua com uma expressão patética. O monóculo dele parecia estar embaçado, o privando de enxergar apropriadamente, e ele desesperadamente tentava esconder sua luta. Ele se sentiria mortificado se o Subaru que ele tanto odiava percebesse o espetáculo embaraçoso dele, então ele não o cumprimentou.
Após ver a diferença de elegância entre os irmãos, Subaru poderia apenas concluir que a facção mais estável era a de Crusch.
Felix: Oh, dona Crusch, eu fiz panquecas realmente bonitas, dê uma olhada!
Crusch: Hmm, você certamente fez, mas eu não irei perder para você.
Como uma competição ardente entre duas mulheres, Crusch e Felix conversaram. A confiança delas eram apoiadas por seus resultados; e as panquecas que elas fizeram eram perfeitas. Ferris até mesmo adicionou orelhas de gato para as dele.
Felix: Por favor aproveite minhas panquecas, elas estão recheadas com o amor de Felix. Dona Crusch, abra bem a boca!
Crusch: Hey, hey… isso, um…
Entretanto, a cena feliz tinha algo de estranho. Talvez seja porque Subaru sabia que eles eram homem e mulher, ou porque ele sabia como o comportamento de Crusch havia mudado após perder suas memórias.
De qualquer forma, mestre e servo não pareciam ter problemas. O último membro da facção deles, sentado ao lado do espaço cor de pêssego, e focado apenas em sua própria panqueca, estava Wilhelm.
Wilhelm: Hmmm…
Wilhelm, que estava tentando virar a massa, fechou seus olhos e suspirou.
Parecia que a panqueca dele havia despedaçado depois que Wilhelm a deixou na panela por muito tempo, fazendo com que ela grude.
Subaru inesperadamente viu o lado desajeitado de Wilhelm.
Subaru: Eu sinto que eu vi algo que não devia, mas nesse caso…
Sentindo que ele devia ajudar Wilhelm, Subaru ficou de pé, mas então sentou de volta, reconsiderando.
Subaru: Wilhelm.
Wilhelm: …senhor Subaru?
Ouvindo o nome dele, Wilhelm levantou a cabeça dele. Percebendo que Subaru viu a falta de jeito dele, a sobrancelha dele franziu em vergonha.
Subaru deu a ele um aceno de cabeça encorajador, e gentilmente apontou com seu queixo. Wilhelm, que entendeu o significado, engoliu a saliva discretamente.
Movendo para o lugar indicado por Subaru, Wilhelm sentou ao lado de Reinhard. Ele obedientemente seguiu cada uma das instruções de Felt, produzindo panquecas sem parar e falhando em perceber a comunicação entre Subaru e Wilhelm.
Apesar de que, Subaru já havia comunicado tudo que ele queria dizer para Wilhelm.
Consternação, confusão, hesitação, dúvida, tudo ondulou nos olhos de Wilhelm. Ele levou um longo tempo para tomar uma decisão. Finalmente,
Wilhelm: —Reinhard.
Reinhard congelou quando Wilhelm se forçou a chamar o nome de seu neto.
A espátula dele sobrevoou o ar quando as mãos dele pararam de se mexer, e Felt empratou a panqueca com uma captura perfeita.
O ato era deselegante, mas Reinhard não tomou nota dele.
O jovem de cabelo vermelho encarou Wilhelm com olhos arregalados. Wilhelm encarou seu olhar diretamente, sem sequer suspirar.
Wilhelm: ——
Reinhard: ——
Bruscamente, o silêncio tomou conta.
Não só entre eles, mas também entre as pessoas em volta deles que haviam percebido.
A sala inteira se silenciou, e os únicos sons remanescentes eram o das espátulas tocando o ferro.
O tempo parecia estagnar enquanto todos seguravam suas respirações coletivas.
Wilhelm: Eu, uhm, é…
Reinhard: O que foi, honorável avô?
Wilhelm: Eu… Eu não sou muito bom nisso, então, você, se você souber qualquer truque para facilitar, você… poderia me ensinar?
Essas eram as palavras desajeitadas e gaguejadas de Wilhelm.
Apenas Crusch, Felix e Subaru arregalaram seus olhos, entendendo o nível de determinação que Wilhelm precisou para desobstruir essas palavras.
Wilhelm parecia ceder em exaustão após pousar essas palavras.
Sem palavras, Reinhard engoliu a saliva enquanto ele considerava como responde-lo. As belas feições dele se acalmaram enquanto uma emoção não familiar lavou seus olhos azuis.
Reinhard fechou seus olhos e enterrou essa emoção em um leve suspiro. E então,
Reinhard: Sim, eu entendo, honorável avô.
Os cantos de sua boca se levantaram enquanto ele fechava seus olhos. Essa expressão poderia ser descrita apenas como um sorriso.
Não era o sorriso tranquilizante que ele dava para os outros para passar a eles um senso de segurança. Ela deve ter sido a única vez que alguém viu o jovem homem chamado Reinhard sair de sua função como Santo da Espada e demonstrar um sorriso genuíno.
A expressão chocada de Wilhelm lentamente recuperou sua compostura.
Ele baixou sua cabeça, fechando seus olhos como se ele estivesse suportando alguma coisa. Ele provavelmente tinha dificuldade para processar uma reação imediata.
Entretanto, o verdadeiro sentimento genuíno estava ali. Uma vez entregue, ele apenas precisava ser aceito.
A longa divisão entre os dois, avô e neto, só poderia ser compensada por um tempo correspondente.
Subaru, vendo tamanha possibilidade se desenrolar diante dele, fechou seu punho com uma infinidade de emoções.
Do fundo do coração dele, ele queria saudar Wilhelm com alegria. E,
???: —Não é tão simples, honorável pai. Não pense que seu relacionamento será corrigido apenas com isso.
De repente, uma figura de cabelo vermelho abriu a porta da sala de chá com força.
O rosto do homem de cabelo vermelho que havia dito essas palavras carregava tanta malícia que todos congelaram em seus lugares, se esquecendo do fluxo do tempo.
...Continua......
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Atualizado até capítulo 61
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