Jantar Pacífico

Todos aqueles reunidos na sala de chá eram pessoas excepcionalmente importantes.

Emilia: Ainda assim, é surpreendente saber que o Reinhard e o Wilhelm são parentes. Não é surpresa que ambos sejam espadachim habilidosos.

Subaru: É normal que a gente não soubesse, não tinha porquê saber. Se famílias fossem baseadas só em aparências elas seriam grandes demais, Emilia-tan.

O piso de madeira sob a longa mesa estava coberto de zabutons, como uma sala de estar japonesa tradicional. Emilia e Subaru estavam sentados um ao lado do outro, conversando em voz baixa. Não estavam discutindo nada muito significativo, era apenas para se acalmarem.

Beatrice: Betty já está de guarda e não vai deixar que ninguém tente fazer nada de esquisito. Subaru já pode parar de encarar todo mundo com cara de desconfiado, eu diria.

Subaru: Você sabe que eu já nasci com esse olhar, não tô encarando ninguém com cara de desconfiado. Outra, eu sei como que é ser encarado por um olhar frio.

Beatrice, vigilante, estava sentada perto de Emilia. Emilia sentou-se com suas pernas dobradas sob ela, Subaru com suas pernas cruzadas e Beatrice em posição Seiza. Era uma posição que ela havia feito por Subaru, embora vacilasse de vez em quando.

Subaru: De qualquer forma, Garfiel tá aqui se algo de ruim acontecer. Além do mais, ninguém aqui ia fazer uma coisa tão imprudente assim.

Subaru desviou o olhar de Beatrice, cujos joelhos estavam tremendo, para um dos cantos do recinto, onde Garfiel estava sentado. Ele percebeu Subaru e tentou acenar para ele, mas sua mão estava ocupada demais sendo agarrada por Mimi.

Naquele exato momento, várias figuras importantes para a Seleção Real estavam reunidas em torno da mesa, enquanto os outros vigiavam a situação dos cantos. Em outras palavras, Garfiel e Mimi estavam sentados juntos. Hetarou e Tivey também estavam presentes, encarando Garfiel como se querendo dar um tiro nele.

Joshua também estava sentado na sala de chá, parecendo altamente desconfortável.

Reinhard: Agradeço muito pela hospitalidade. A dona Felt pode estar um pouco atrasada já que está passeando por Pristella, mas deve chegar em breve.

Anastasia: Não precisa ser tão formal, afinal de contas, você aceitou meu convite assim com tão pouco tempo de aviso prévio. Oh, mas é uma estranha coincidência que vocês todos chegaram com tão pouco tempo de diferença.

Anastasia respondeu amigavelmente Reinhard, que sempre prestava atenção em seus modos. Ele ergueu sua cabeça e virou-se para Julius, que estava ao lado de Anastasia.

Reinhard: Há quanto tempo, Julius. Última vez que nos vimos cara a cara foi no Templo dos Sábios.

Julius: Ah, correto, esta é uma memória que eu gostaria de me esquecer... Mas, me desculpe por pedir assim em cima da hora para que todos viessem. No entanto, me acalma saber que estão todos seguros.

Após cumprimentar seu amigo, Reinhard retornou ao seu lugar. Se a ordem de precedência da mesa refletisse as posições das facções, então Reinhard estaria sentado no último assento. Sentada no assento principal estava a anfitriã, Anastasia. Ao lado de Anastasia estava Emilia e sua chapa. De frente para Emilia estava sentado Reinhard, representando a chapa de Felt.

De frente para Anastasia estava…

???: Parece que já faz tanto tempo desde que todos nós nos reunimos assim.

A pessoa que disse isso tinha um sorriso nobre estampado no resto, era uma linda mulher de cabelos esverdeados.

Olhos cor de âmbar que pareciam conter o conceito de harmonia em si, envolta em um vestido azul-marinho feminino e dando um ar de nobreza. Se bem que, caso soubesse como ela era antes, seria difícil vê-la como sendo a mesma pessoa.

Emilia: Realmente, não nos vemos já faz um tempo, Crusch. Você parece estar indo bem.

Crusch: Sim, tem razão. Eu causei muitos problemas a vocês, então ofereço-lhes meus agradecimentos. Também ouvi falar de algumas de suas conquistas. Quando recebi as notícias, cheguei a pensar que eram coisas que apenas vocês podiam fazer.

Crusch respondeu Emilia com um tom de voz gentil. Parece que seu eu decidido de antigamente se foi junto com suas memórias, as quais ela ainda não recuperou. Ela não era mais um político corajoso e astuto, apenas uma simples e linda mulher aristocrata.

Felix: Sinceramente, ouvir as pessoas falarem de você daquele jeito foi surpreendente. Tendo erradicado o Grande Coelho e se tornado um espiritualista, quem esperaria isso do Subaru-kyun?

Ao lado de Crusch estava um jovem feminino com orelhas de gato e um jeito brincalhão. Era Felix, tanto o cavaleiro de Crusch quanto o melhor usuário de magia de cura de Lugnica.

Ao contrário de sua mestra extremamente diferente, Ferris não mudou nem um pouco. Era tranquilizador, porém, ao mesmo tempo, ele continuava difícil de entender.

Subaru: Bem, me tornar alguém em quem as pessoas confiam sempre foi uma das maiores metas da minha vida. Quanto ao meu contrato com a Beako, bem, provavelmente te irrita, mas minha vida estava em perigo e não tinha outra opção.

Felix: Mesmo depois que eu te dei um aviso solene? Uma hora o Subaru vai desmoronar de tanto usar seu portal. Sem a Beatrice ele já teria estourado, então tome cuidado.

Subaru: Eu sei. E não existe mais ninguém capaz de deixar a Beako feliz assim.

Embora os dois falassem em um tom de voz mais relaxado, o aviso de Felix era um conselho sério e genuíno, então Subaru respondeu com uma atitude igualmente séria. Ao seu lado, uma Beatrice de rosto corado estava cutucando seu ombro sem parar, ele considerava isso uma espécie de mensalidade.

Subaru: Ainda assim… Eu não esperava que a Crusch e sua chapa também seriam convidadas. Eu já tava surpreso em encontrar o Reinhard lá fora, daqui a pouco vou começar a sangrar pelo nariz de tanta surpresa.

Felix: Argh. Isso seria dramático demais. Se bem que é uma bela de uma surpresa que todos nós chegamos no mesmo dia.

Wilhelm: Já que nenhuma data e hora haviam sido estabelecidas, chegamos juntos por conta de estimativas. —É raro nós todos termos uma chance de nos reunirmos assim, esta é nossa boa sorte. A propósito, senhor Subaru, onde está o Akashi? Ele veio com vocês para Priestella?

Este era o último membro da chapa de Crusch. Sentado ao lado de Crusch estava Felix, em uma pose feminina. Ao seu lado estava o velho espadachim Wilhelm, tomando seu chá. Ele estava com a mesma roupa de mordomo de sempre, mas ela combinava bem com ele naquele momento. O velho homem perguntava sobre seu antigo aluno, e isso fez com que Subaru, Emilia, Reinhard e Julius começassem a suar frio, Subaru pensava bem antes de responder. Afínal, dizer "Ah, ele virou um criminoso e está vagabundeando por aí, ninguém sabe dele.", ou "O Reinhard matou ele, há dois meses atrás." Não parecia ser uma boa idéia.

Limpando sua garganta, Subaru abriu um sorriso forçado e disse,

Subaru: Ele ficou lá na mansão, ele tem trabalhado pra caramba, você não tem idéia!

Wilhelm: Entendo... é uma pena, eu gostaria de ter aproveitado a oportunidade para me reencontrar com ele, mas creio que esteja tudo bem. O novo mentor dele deve ter o tornado mais forte, como ele sempre almejava, para se tornar um cavaleiro imperial.

Emilia: S-Sim, o senhor Halibel o ensinou muito bem, o Akashi está muito forte e saudável, pode ter certeza!

Wilhelm: Fico feliz de ouvir isso, agradeço, dona Emilia e senhor Subaru.

Reinhard e Julius se entre olharam momentaneamente, logo retomando uma postura mais calma. Crusch os observava com atenção, ela sabia do que houve através de Felix, que foi informado por Julius há 2 meses atrás, e havia sido decidido que Wilhelm não poderia saber da história de Akashi para não feri-lo com o que contariam. Tanto o velho espadachim, como um grande número de pessoas não sabiam da história do "vento branco". Desde suas primeiras aparições, Akashi havia sido mantido em segredo até uma segunda ordem, e como Reinhard recebeu os créditos por ter "matado" Akashi, destruindo completamente seu corpo, não sentiram mais a necessidade de trazer este assunto à tona.

Porém, Reinhard, Felt, Subaru, Emilia, Garf, Clind, Annerose, o velho Rom, Rachins, Gaston, e Kamberley eram os únicos que sabiam, de fato, que Akashi ainda vivia mas seu atual paradeiro, para eles, é desconhecido.

Retornando á sala de chá.

Devido ao jeito que os assentos foram preparados, Reinhard e Wilhelm acabaram sentados lado a lado. No entanto, qualquer um que soubesse o passado dos dois se sentiria apreensivo.

Subaru: Eles nem olharam nos olhos um do outro ainda…

Subaru sussurrou esta observação para Emilia, que concordou silenciosamente.

Wilhelm e Reinhard eram parentes diretos, vô e neto, mas, fora no momento em que se encontraram, eles não disseram uma palavra sequer um ao outro.

O recinto estava dominado pelo silêncio, e Subaru aproveitou-se desse tempo para pensar sobre a situação. Os membros da chapa de Emilia, seja por causa de suas atitudes, índoles ou por imaturidade, não são nada habilidosos quando se trata de ler o clima.

Também era difícil de esquecer como Joshua, que havia sido convocado uma hora, assim que retornou, soltou um “Waa” assustado quando viu a situação.

Família Astrea. Um nome tão conhecido que até mesmo Subaru sabia um pouco de seu passado. Santo da Espada é um título repassado de geração em geração, e, ser uma linhagem deles significava que a família Astrea provavelmente tinha o melhor histórico de habilidade de combate por toda Lugnica.

A obsessão de Wilhelm com a Baleia Branca obviamente veio por conta da derrota de sua esposa, a Santa da Espada passada. Conectar estes fatos levava à uma pergunta.

—Por que Wilhelm escolheu se aliar à chapa de Crusch ao invés de usar o poder dos Astreas?

Indo mais a fundo, por que Reinhard não participou na batalha contra a Baleia Branca?

Wilhelm disse que começou a perseguir a Baleia Branca há cerca de 14 anos atrás. Se a Seleção Real estivesse ocorrendo, então Wilhelm não poderia cooperar com Reinhard por serem de chapas concorrentes. Faria sentido.

No entanto, quando Wilhelm começou sua caçada pela baleia, a Família Astrea não tinha relação alguma com a Seleção Real. Claro, daí Reinhard ainda seria considerado uma criança e não teria a habilidade necessária para derrotar a Baleia Branca. Mas, considerando seu avanço, por que Reinhard nunca buscou ir atrás da baleia?

Sejam os sentimentos de Wilhelm ou os pensamentos de Reinhard, isso Subaru não compreendia.

—Se eles estivessem dispostos a discutir sobre o assunto, ele adoraria ouvir.

No entanto, perguntar diretamente seria como colocar o dedo na ferida e ainda por cima esfregar sal na cicatriz.

E, embora Subaru Natsuki seja bem curioso, ele cresceu um bocado neste último ano. Ele veio a entender que se ele insistisse no assunto, iriam achá-lo irritante.

Então tudo o que ele podia fazer era esperar que outra pessoa tocasse no assunto.

Emilia: A propósito, Anastasia, por que você reuniu todo mundo aqui? Eu acho que você tem algo em mente… certo?

Sem perceber a preocupação de Subaru, Emilia direcionou uma pergunta à Anastasia, que inclinou a cabeça com um sorriso.

Anastasia: É claro, tem algo que gostaria de discutir com cada um de vocês, mas, para responder a pergunta da Emilia, demorei bastante para pensar em algo que os atrairia.

Emilia: Nós viemos por causa das pedras mágicas, mas e os outros?

Anastasia: Todo mundo tem coisas as quais deseja ou precisa. Usando apenas isso para reunir a todo seria bem simples… mas há certos grupos misteriosos cujas coisas que desejam são desconhecidas.

Emilia: Eu não entendo…?

Emilia franziu as sobrancelhas e cruzou seus braços enquanto pensava no tópico, sem bem que o problema não era dos mais difíceis. Era só observar quem estava ausente que você descobriria na hora qual chapa não foi comunicativa.

Emilia: A Priscilla e o Al não foram convidados?

Anastasia: Esses dois já estão completamente focados em trilhar seus próprios caminhos e eu não saberia nem por onde começar a procurar o que desejam. Sinceramente, até mesmo Felt trata terras e dinheiro como coisas irrelevantes

Reinhard: Quanto a isso, a dona Felt se voluntariou a participar. Com isso dito, eu queria que ela desse mais atenção a assuntos assim.

Anastasia e Reinhard comentaram de forma clara e expressaram a mesma opinião. Ao ouvir o que disseram, Emilia, que podia apenas concordar, levantou a mão.

Emilia: Eu gostaria também de saber mais sobre como todo mundo está. Embora eu trabalhei duro para aprender, a posição de todo mundo é abstrusa.

Subaru: Quem é que fala “abstrusa” hoje em dia…?

Emilia: Humpf, Subaru, seu malvado.

Emilia bufou e beliscou o ombro direito de Subaru. Enquanto o outro ombro estava até agora sendo cutucado por Beatrice, seja uma recompensa ou uma punição.

De qualquer forma, as posições das chapas de Priscilla e Felt estavam claras. O que restava era saber o motivo, ou talvez fraqueza, que trouxe Crusch para cá.

Crusch: Quanto à razão por trás de nossa vinda a Pristella, foi porque Anastasia parece ter informações relacionadas à Gula.

Crusch, como se estivesse lendo a mente de Subaru, disse isso.

Suas palavras atingiram Subaru igual uma bala, era algo que ele não podia ignorar. Enquanto isso, Anastasia acariciava seu cachecol com um sorriso no rosto.

Anastasia: Eu não estava escondendo nada do Natsuki, é só uma questão de prioridades. Sob essas circunstâncias, resolver o problema da Crusch vem primeiro. Não concorda?

Subaru: Gah, gr… cal-, mer-. T-Tudo bem, tudo bem.

Julius: Vejo que amadureceu um pouco.

Subaru: Cala a boca! Já tô por um fio com vocês.

No mundo dos negócios, vender para quem dá mais é a base das decisões.

Subaru conseguiu controlar sua fúria frente a explicação de Anastasia, o que era uma coisa boa, já que Julius já estava começando a parecer apreensivo.

Subaru: Quem vocês acham que são, meus pais? Falando nisso, meu pai conseguiria me dar uma surra dez vezes melhor que qualquer surra sua!

Felix: Eh… o Felix está assustado…

Subaru: Não fique abalado tão fácil assim. Por acaso você tem medo da sua própria família?!

Subaru gritou com Felix, que havia se aninhado em Crusch, mas não era uma briga de verdade, ele só estava brincando. Quanto ao que ele disse sobre seu pai, Kenichi, aquilo era definitivamente verdade.

Os motivos de Anastasia eram aceitáveis. No entanto, seria completamente diferente se essa informação fosse dada apenas para Crusch. Informações sobre a Gula eram cruciais para trazer de volta Rem, que ainda estava dormindo na mansão.

Mesmo que tivesse aceitado seus motivos, ele não seria persuadido tão facilmente.

Anastasia: Mesmo que esteja fazendo uma cara tão assustadora assim, você ficará mais calmo quando ouvir toda a história.

Subaru: Então… é verdade?

Anastasia: Não é uma mentira, e tenho certeza de que a chapa da Crusch não planeja manter a informação apenas para eles.

Subaru virou-se para Crusch, que parecia estar com dificuldades em manter a compostura.

Crusch: É natural. Claro, para poder recuperar minha memória, preciso de informações sobre a Gula. No entanto, sei que Subaru também está determinado a derrotar a Gula pelo bem daquela mulher. Não desejo sobre quaisquer circunstâncias monopolizar a informação.

Subaru: Crusch…

Crusch: Além do mais, quanto mais companheiros com um objetivo em comum eu encontrar, melhor. Quanto mais pessoas trabalharem contra pecadores como o Culto da Bruxa, mais provável que sairemos vitoriosos.

Crusch, que falava com um tom de voz calmo, trouxe paz de espírito a Subaru.

Seu verdadeiro desejo era, definitivamente, recuperar suas memórias e melhorar suas falhas. Mas isso não a impedia de demonstrar boa vontade a Subaru.

Tendo uma índole honorável que não havia sido nem um pouco ofuscada pela sua amnésia, essa era a mulher conhecida como Crusch Karsten.

Subaru: Estou honrado. Obrigado, Crusch. Vou valorizar a oportunidade que você me concedeu. Definitivamente.

Crusch: Com isso fora do caminho, a informação é nossa prioridade. Isso não concederemos.

Em resposta à determinação de Subaru, Crusch endireitou a coluna e foi de encontro com seu olhar.

Claro, eles compartilhavam de uma ardente competição. Mas seu sorriso benevolente não combinava com a situação, fazendo os dois rirem juntos.

Aquele que os interrompeu foi o cavaleiro de Crusch.

Felix: Miau. Ver o Subaru e a dona Crusch desse jeito é irritante, parem com isso. Subaru é um homem tão ganancioso. As duas garotas ao seu lado já não são o bastante? É sério.

Crusch: Felix, isso não foi uma coisa muito legal de dizer. Subaru não é alguém que se deixa levar facilmente por tentações como essa.

Subaru: É, não diga isso. Claro, a Crusch é linda e muito fofa mas eu tenho um coração fiel … se bem que ele tá dividido em dois agora, mas—aiaiaiaiai!?

Beatrice: Pelo visto não é um coração tão fiel assim. Você deveria ficar quieto e refletir no que acabou de dizer, eu diria.

Subaru, que estava tentando concordar com Crusch, teve sua orelha puxada com força por Beatrice. Ele tentou reclamar, seus olhos lacrimejando, mas, antes que pudesse, percebeu que ela estava apontando para Crusch.

Seguindo para onde apontava o dedo de Beatrice, Subaru percebeu que o rosto de Crusch estava corando levemente. Parando para pensar, o que ele havia dito de estranho?

Subaru: Ah, não, Emilia-tan, por acaso eu disse algo estranho?

Emilia: Hã? Hmm, não tenho certeza. Subaru, você só falou do mesmo jeito que normalmente fala comigo…

Subaru: Isso mesmo. Então o que eu faço? Segurar a mão da Emilia-tan me faz pensar melhor, posso?

Emilia: Sim, sim. Tente seu melhor.

Subaru colocou em sua testa a mão com a qual segurava a mão de Emilia, com uma expressão triste. Enquanto isso, Felix se aproveitou para sussurrar algo a Crusch.

Felix: Viu, é assim. O Subaru sem perceber acaba sendo amigável demais com todo mundo que encontra e sempre tenta se fazer de legal. É como se ele tivesse um problema mental. Não ligue para isso.

Crusch: Sim, terei isso em mente. Ha, fiquei um pouco surpresa.

Crusch colocou uma mão no peito e soltou um suspiro de alívio.

Subaru achou esta atitude feminina incrivelmente fofa. Crusch e Felix, não cientes de seus pensamentos, deram as mãos como se estivessem fazendo uma promessa um ao outro. Qualquer um que se deparasse com esse ato iriam achar que eles eram namorados.

Agora todos haviam revelado seus motivos por trás da ida a Pristella.

???: Ehh, já tá todo mundo aqui. Me disseram que só ia ter a mulher de Kararagi

Era uma linda e ágil garota loira com olhos avermelhados e um sorriso torto. Seu pequeno rosto estava repleto de charme malicioso e seu físico magro mas ágil parecia levemente mais feminino. Assim como antes, ela estava vestida com um traje focado em melhor facilidade de movimento, deixando seu umbigo e pernas expostas.

Felt: Que foi? Surpresos que ainda sou desse jeito? Só se passou um ano, você sabe.

Reinhard: Dona Felt.

Todos encolheram seus ombros ao vê-la, e Felt percebeu o descontentamento deles. Reinhard, no entanto, levantou-se para dar as boas-vindas à sua mestra que se aproximava.

Reinhard: Tinha certeza de que deixei uma muda de roupas na carruagem de dragão, o que aconteceu?

Felt: Bah! Eu queria dar uma olhada por aí em algo confortável. Dizendo isso, você queria que eu tivesse me trocado no hotel, mas quem usaria algo que pinica tanto daquele jeito? Você já devia saber mais sobre mim!

Reinhard: Isso é bem a sua cara…

Reinhard colocou uma mão na testa e disse isso em um tom de voz desamparado. Felt, que estava arrastando o mais forte herói do país por aí como se fosse um brinquedo, parecia feliz ao entrar no recinto.

Felt: Certo, aqui estou eu. —Estou grata pela hospitalidade de vocês hoje e espero que nossas discussões vão bem. Pronto, cabou os cumprimentos.

Por um momento, Felt se parecia com a filha de um nobre. Ela deu um sorriso levado e fez uma reverência sem saia, imediatamente voltando ao seu jeito antigo logo em seguida.

Subaru estava um pouco autoconsciente de sua desavença com a comunidade aristocrata, mas a atitude de Felt para com eles parece ter piorado notavelmente neste último ano.

Felt: Cara, esse é um prédio bizarro. Nunca vi um desse jeito antes, então eu fiquei curiosa e explorei um pouco mais antes de vir aqui.

Felt sentou-se no zabuton antes ocupado por Reinhard, que pegou outro e solenemente sentou-se ao seu lado.

Coincidentemente, Felt agora estava ao lado de Wilhelm, separando vô e neto.

Emilia: Bem, há quanto tempo, Felt-chan. Como vai a vida?

Felt: É estranho quando alguém coloca “-chan” no meu nome. De qualquer forma, tá indo bem. Você, irmã, anda… fazendo um monte de coisa pra lá e pra cá, não? Ouvi vários boatos de coisas bem assustadoras. (Felt chama a Emilia de Nee-chan)

Emilia: O Subaru que anda assim, não eu. Quanto a mim, eu só fui sortuda o suficiente para ser salva pelo trabalho duro do Subaru.

Felt: Ah! Isso mesmo!

Ao ouvir a resposta de Emilia, Felt levantou-se batendo uma mão contra a outra, seus olhos focados em Subaru.

Felt: Eu ouvi um monte de boatos ridículos sobre você, irmão. Só pra saber, quantos desses boatos são de verdade mesmo? (Ela chama o Subaru de Nii-chan)

Subaru: Parece que você já decidiu que eram tudo mentira antes mesmo de me perguntar. O tanto de fé que você tem em mim é decepcionante.

Felt: Porque eles são tão selvagens! Eu ouvi falar que você sozinho cortou a Baleia Branca ao meio, que você esmagou o crânio de um Arcebispo do Pecado com as próprias mãos, e até mesmo o Grande Coelho foi tostado e comi—

Subaru: Eu tive envolvimento nisso tudo, mas os boatos ficaram umas 100 vezes mais exagerados!

Se Subaru realmente tivesse feito tudo o que os boatos diziam, então ele seria nomeado o herói do reino e provavelmente até mesmo coroado. Com tal autoridade, ele faria de Emilia a rainha e reinariam juntos, seria mil vezes mais fácil para Akashi fazer estas coisas, do que o próprio Subaru.

Julius & Wilhelm: —Heh.

A reação de Subaru fez com que aqueles assistindo rissem um pouco. O riso veio de duas pessoas em lados opostos da sala, Julius e Wilhelm.

Os dois, que pareciam estar envergonhados por causa de suas reações involuntárias, viram um ao outro e relaxaram ao ver que alguém havia reagido de forma parecida. Felt, cujos olhos estavam confusos indo de lá para cá, perguntou…

Felt: Por que o velho e o cavaleiro riram? Eu disse algo esquisito?

Subaru: Tudo que você disse era esquisito! Você me deu crédito demais. Se eu tivesse feito tudo aquilo eu merecia é um Nobel da Paz!

Embora Subaru não tenha entendido completamente o que ganhou, ele sabia que era um símbolo de honra. Quando recebeu a medalha, ele não havia compreendido totalmente seu valor, seja material ou simbólico, então ele pessoalmente nunca sentiu o mérito que vinha com a medalha.

Na verdade, a medalha que ele recebeu era um tanto valiosa no reino.

Wilhelm: O senhor Subaru foi indispensável na batalha contra a Baleia Branca. Se ele não estivesse lá, não tenho dúvidas de que não sairia de lá com vida. Parece exagero, mas é a verdade. E pode não parecer, mas até mesmo o jovem Akashi merece os créditos, seus atos me permitiram estar aqui, quando fui atacado de surpresa pela Baleia Branca.

Julius: O mesmo vale para a batalha contra o Culto da Bruxa. Foi ele quem pensou nas táticas usadas contra o Culto. Se ele não estivesse lá, não teríamos conseguido derrotar o Arcebispo do Pecado. E para dar mais algum crédito ao Akashi, ele se encarregou de lidarmos apenas de um oponente problemático, caso o contrário, teriamos problemas enfrentando dois oponentes com habilidades semelhantes.

A quantidade de fé que Wilhelm e Julius tinham nele era esmagadora.

Esse apoio direto deles deixou Subaru sem palavras. A atmosfera animada fez com que todo o seu corpo queimasse com vergonha. Seu rosto estava corado de orelha a orelha, era como se sangue estivesse pronto para voar de seus olhos a qualquer momento.

Subaru: N-Não, para com isso! Não me elogia tanto! Quanto mais vocês me colocam num pedestal mais eu me deixo levar, vocês já não sabem disso?!

Julius: Não, nem um pouco. Embora seja verdade que você se fez de bobo no começo da Seleção Real, você foi provando seu valor pouco a pouco. Você já fez mais que o suficiente para compensar aquela vergonha. Você definitivamente merece os elogios.

Wilhelm: Não há porquê ser humilde. Você, e meu ex-aluno, Akashi contribuíram para realizar grandes feitos. Tais sucessos não seriam possíveis caso não estivesse presente. Carregarei por toda a minha vida o orgulho de ter lutado ao seu lado.

Subaru: —Ah, err.

Até agora, Subaru havia morrido de várias formas dolorosas e brutais.

No entanto, esta seria a mais aterrorizante. Fuzilado por elogios.

Subaru, a beira da morte por vergonha, olhou para Emilia e Beatrice, implorando por ajuda. Mas elas responderam com simples sorrisos doces.

Emilia: Isso mesmo. Subaru trabalhou tãããão duro. Estou sinceramente orgulhosa de tê-lo como meu cavaleiro.

Beatrice: B-Bem, já que ele é o companheiro da Betty, é natural ele ser tão bem sucedido. Ele só vai ficar mais e mais incrível, eu diria. Então é uma boa ideia nos acostumarmos a elogiá-lo!

A situação se desenrolou de um jeito completamente inesperado, Subaru estava em pânico. Então, começaram a bajulá-lo um depois do outro.

Reinhard: Incrível, Subaru. Todos te elogiam por fazer algo incrível, algo que ninguém mais poderia ter feito. Estou feliz por poder chamá-lo de amigo.

Crusch: Eu teria perdido tantos homens leais se não fosse pela contribuição do senhor Subaru, até mesmo Wilhelm, que está me apoiando até os dias de hoje. Permita-me agradecê-lo mais uma vez.

Felix: Mesmo não tendo talento para combate, você não vacilou nenhuma vez durante a batalha contra a Baleia Branca, claro que o nosso espadachim prodígio foi útil ao ponto de fazer a Baleia Branca sangrar e sentir dor com meros socos. Foi o que permitiu que a dona Crusch fizesse aquele discurso que virou o jogo a nosso favor, muito obrigado.

Anastasia: Graças às informações do Natsuki, inúmeros homens de negócios e eu não precisam mais se preocupar com a névoa da Baleia Branca. Você tem minha gratidão.

Mimi: Oohh! Tamo elogiando ele um de cada vez? Ele é fortão! Ele é lindão! A única coisa que falta nele é a Mimi! Sua vez, Garf!

Garfiel: Ah, não tô entendendo direito o que que tá rolando, mas cê é o cara, chefe. É como um irmão pro meu incrível eu. É como dizem, A fama te segue feito um Wellyen quando cê faz o que é certo.

As pessoas estavam indo com a correnteza e empilhando comentários de bajulação um atrás do outro em cima de Subaru, tentando acrescentar Akashi no meio, para não tirar o mérito do jovem garoto que demonstrou um talento incrível para batalhas, o rapaz estava corando de tanto encorajamento. Felt reagiu à isso com uma risada.

Felt: Parece que é verdade que você fez bastante coisa, mas… pelo visto, o seu jeito de ser não mudou nada. Que alívio!

Subaru: Parem com isso, pessoal! Todo mundo junto não vale!!

Assim que Felt resumiu a situação que estava se desenrolando, Subaru não aguentou mais e perdeu o controle de vez. A tensão que havia encoberto o lugar foi substituída pelo som de risadas.

Subaru: Ah, merda, devo ter perdido uns anos da minha vida só com isso… onde está o Akashi nessas horas, pra dividir isso comigo?

Assim que toda a diversão na sala de chá chegou a um fim, um Subaru exausto foi para seu quarto.

Todos haviam, inexplicavelmente, quase afogado Subaru em elogios, logo em seguida começando a conversar entre si, como se tivessem esquecido que eram concorrentes.

Claro, era impossível dizer que ninguém estava tentando descobrir os segredos de ninguém, mas a maioria das vezes só estavam jogando conversa fora.

Embora as candidatas possam a qualquer momento bater de frente uma com a outra, se for ver de outra perspectiva, elas eram todas mulheres de idades semelhantes, então conversas sobre assuntos não relacionados ao estado do reino vinham naturalmente.

Emilia, na verdade, estava até ansiosa para uma oportunidade de conversar com outras garotas de sua idade.

Subaru: Parando pra pensar, dá pra chamar uma conversa entre a Emilia-tan e a Beako disso.

Beatrice: Não fale sobre a idade real dela. Quer começar uma guerra, eu diria?

Beatrice repreendeu o imprudente Subaru com sua voz aguda.

Ao se virar na direção da qual veio a voz, ele se deparou com Beatrice sentada em uma pilha de futons, tentando desesperadamente aliviar a dormência de seus pés.

Subaru: Você é um espírito mas mesmo assim seus pés ficam dormentes. Não era pra espíritos não terem circulação?

Beatrice: Eu tenho circulação, o corpo da Betty foi projetado para imitar minuciosamente o corpo de um ser humano de verdade. Betty sente a mesma dor que humanos sentem, eu diria. Se eu ficar submersa por tempo demais, eu perderia a consciência.

Subaru: Então você respira também?

Beatrice: Claro que sim… ei, não tente sentir a respiração da Betty, eu diria!

Assim que o nariz de Subaru se aproximava dela, Beatrice, envergonhada, puxou os futons para em volta dela. Subaru se aproveitou para dar um peteleco no pé dormente dela, que se agitou tanto que parecia ter voltado ao normal. Beatrice começou a lacrimejar.

Beatrice: Isso dói… estou prestes a chorar, eu diria… Subaru é um malvado…

Subaru: Ok, ok, foi mal, foi mal. Vem cá, vem cá.

Assim que se sentou, ele deu toques de leve em seus joelhos com um sorriso estampado no rosto, fazendo com que Beatrice vá para seu colo. Enquanto acariciava sua cabeça e suas tranças, Subaru disse para si mesmo: “De qualquer forma…”

Subaru: A decoração interior deixa esse quarto bonito, e parece que os funcionários fizeram seu melhor pra combinar com o resto do hotel… mas tem uns errinhos aqui e ali.

Era provavelmente porque a tecnologia de carpintaria deste mundo se desenvolveu de forma diferente à do seu antigo mundo.

O design do Pavilhão Pluma d’Água era bem parecido com o de um hotel do antigo mundo de Subaru, mas, fora as vigas de madeira e portas de papel, tinha uma coisa em especial que parecia errada.

Eles provavelmente tiveram muito trabalho tentando fazer as camas até que os designers decidiram colocar peles de animal em uma cama de madeira.

A sensação não era tão ruim, era só uma leve diferença do que Subaru estava acostumado.

Subaru: Eu realmente não consigo aceitar com não poder dormir no chão porque as normas sociais aqui ditam que cobertores tem que ficar nas camas.

Beatrice: Colocar um cobertor diretamente no chão é coisa de pessoas na miséria. Betty não poderia perdoá-lo se seu companheiro se tornasse um homem pobre assim, eu diria.

Subaru: Eu tô sempre fazendo você se esforçar tanto.

Beatrice: O que isso quer dizer?

Garfiel: Que que cês dois tão de conversa furada aê?

Beatrice, que estava conversando com Subaru, se assustou com a repentina aparição de uma terceira pessoa. Já que seus pés ainda estavam meio dormentes, ela perdeu o equilíbrio e caiu em uma pilha de futons que estavam no chão, Subaru rapidamente foi até ela e a ajeitou.

Subaru: Garfiel? Sua aventura já acabou?

Garfiel: Aquela tampinha finalmente me largou depois de ficar o dia todo com ela. Beatrice, que que deu em cê?

Subaru: Ela nunca ficou tão longe assim de casa antes, então ela está super animada! Ela teve até problemas para dormir, não é fofo?

Parado na entrada do quarto estava Garfiel, que riu com tanta vontade que deu para ver seus dentes afiados.

Já que o lugar tinha uma porta de correr estilo Fusuma, Beatrice não ouviu ela se abrindo e levou um susto por causa da intromissão. Já Subaru estava sentado de frente para a porta, então ele havia visto Garfiel na hora que ele entrou.

Subaru: Então, qual foi? Janta?

Garfiel: Nem, a janta provavelmente vai ser só depois. Tinha nada pra eu fazer sozinho lá no meu quarto, chefe, e outra, o mano Otto ainda não voltou.

Subaru: Bem, o Otto não é mais uma criança, então não fique muito preocupado com ele. Mesmo se ele acabar ficando com alguma dívida, duvido que ele vá incomodar a gente pra ajudar a resolver.

Garfiel: Tendi.

Otto havia saído há algumas horas para resolver uma dívida. Garfiel não tinha nada contra isso, já que, afinal de contas, ele sabia como Otto era.

Claro, quando se tratava de pedir ajuda a ele, tinha algo nele incrivelmente confiável.

Subaru: Mas isso já é outra história.

Garfiel: Que que cê tá falando?

Claro, Garfiel estava acostumado com Subaru falando sozinho. Garfiel apontou para o corredor com seu queixo.

Garfiel: Se cê tá sem nada pra fazer, o chefe pode ir junto comigo num negócio rapidão?

Subaru: Ir junto com você num negócio? Oh, um banho? É um banho, né? Você quer dizer um banho? Tomar banho ao ar livre é bom demais pra deixar passar. Eu tava dando uma olhada por aí e encontrei roupões de banho, só de pensar em ver a Emilia-tan num roupão já aumenta a minha alegria! Ela já tá lá em cima!

Os tatames e a arquitetura eram bem difíceis de se recriar, mas os roupões pareciam ser comercializados. Subaru deu seus agradecimentos mentalmente para as pessoas de Kararagi responsáveis por isso.

No entanto, parado em frente ao animado Subaru, estava Garfiel com uma expressão séria, tão sombria que Subaru não conseguia mais ficar de brincadeira. Seu rosto demonstrou preocupação.

Subaru: Garfiel. O que foi? Tem algo que você quer fazer?

Garfiel: Não, não é lá aquelas coisa, mas…

Garfiel tocou a cicatriz branca em sua testa e ficou em silêncio por um momento. Então encarou Subaru…

Garfiel: Eu só queria ter uma noção do quão forte esse maior herói do mundo é.

O pátio rústico do Pavilhão Pluma d’ Água, pavimentado com cascalho, tinha uma elegância e um toque de hospitalidade bem japonês. Embora esperar que o lago seja extravagante fosse um pouco demais, as plantas parecidas com bambus nas laterais do caminho de pedra davam um toque bem agradável e diferenciado.

Subaru: Mesmo assim, Wilhelm não quis vir com a gente.

Subaru estava sentado em um corredor, de frente para o pátio, enquanto mexia no cascalho com os dedos dos pés.

Ele pensou no velho de cabelos brancos que indiferentemente havia recusado o convite de Subaru, com uma expressão de desculpas no rosto. O que Wilhelm estava pensando? Sozinho em seu quarto, ele certamente ficaria entediado até a hora do jantar.

Subaru: Ele não parece o tipo de pessoa que se importa com a forma com que os outros passam seu tempo.

Julius: Falando desta forma, dá a impressão de estarmos espionando, embora tenhamos sido convidados para cá.

Subaru: Não é como se eu estivesse aqui por que eu quero… embora eu esteja aqui…

Subaru respondeu Julius de forma sarcástica, que se sentou ao lado dele no corredor, cruzando suas pernas de forma graciosa. Julius acenou com a cabeça, sorrindo, como se dissesse “É verdade”. Entretanto, o homem sentado do outro lado de Subaru não queria admitir com tanta franqueza.

Felix: Oh, por favor… Hah, você acha que eu estou aqui por que ele queria vir? Subaru me arrastou até aqui, ele estava tão ansioso que eu nem ao menos reclamei.

Subaru: Bem, me desculpe, eu acho… Você deve ficar aqui para caso algo ruim aconteça. Embora, provavelmente não será necessário.

Subaru olhou para Felix, que estava batendo suas orelhas de gato em agitação, depois, olhou para a batalha que estava acontecendo no pátio.

Francamente, a batalha acontecia de forma tão rápida que os olhos de Subaru mal conseguiam acompanhar, mesmo assim, de uma coisa ele poderia ter certeza…

Subaru: Sério… Reinhard é um monstro, como que o Akashi, que nem era tão diferente do Garfiel, teve a coragem de chamá-lo para um combate…?

Julius: Acredite se quiser, a força do Akashi, da primeira á ultima vez que eu o vi... estão com diferenças abismais, ele não só enfrentou ao Reinhard e a mim, como os cavaleiros imperiais presentes, se lembra? E embora seja difícil de negar, eu não gosto de usar tal palavra para descrever um amigo.

Felix: Já seria difícil negar sobre circunstâncias normais. Mas, do modo que me contou sobre o Akashi, me faz ficar completamente assustado e aliviado de não ter sido convocado para aquela reunião, não só teria muitas pessoas para curar, como eu mesmo podia ter me machucado... o velho Wil não pode saber, mas atualmente, o Akashi é um monstro, o tipo de ameaça que facilmente dependeria de todas as nações agirem juntas para impedir...

Subaru: E eu quero poder falar com ele antes que isso aconteça, por mais que ele tenha sido dado como morto, não acho que ele possa se esconder para sempre.

Julius: O Akashi não é uma pessoa má, como Reinhard afirmou. Ele agiu por desespero e precipitação. No fim, suas palavras eram verdadeiras. Aquela batalha, no Palácio... tudo foi em vão quando duvidaram das palavras e do pedido de socorro de um jovem que invadiu um local sagrado sozinho, quase aos prantos e implorando por ajuda. Mas, além disso, parece que ele já estava envolvido em um combate anterior, explicando os tremores e o cenário que testemunhamos.

Subaru & Felix: Um combate?

Julius: Não sabemos quem era o inimigo, mas os danos eram evidentes. Foi uma batalha entre dois monstros em potencial.

A luta que se desenrolou diante deles confirmou suas conclusões.

No pátio pavimentado com cascalho, uma luta feroz estava acontecendo, um adolescente loiro contra um herói de cabelos ruivos que apenas se defendia.

O desafiante, Garfiel, com um fluxo interminável de motivação, tentava atacar Reinhard de todos os ângulos possíveis. Mesmo usando suas garras, suas presas, pernas, cotovelos ou joelhos, de nada adiantava, cada ataque era desviado com extrema facilidade. Sem falar que…

Subaru: Aquele cara… ele tá realmente parado, sem se mover…?

Julius: Afinal, esta era a condição original. Reinhard jamais a violaria. No entanto, não ser capaz de fazer Reinhard se mover é provavelmente humilhante para Garfiel.

Garfiel continuou lançando ataques contra Reinhard de diferentes direções, tentando aproveitar estas oportunidades para expor uma abertura nas defesas de Reinhard. Mas não importava o quanto ele tentasse, Garfiel estava buscando uma abertura que simplesmente não existia. Não apenas isso, Reinhard não parecia estar se esforçando para desviar dos ataques.

Reinhard permaneceu no mesmo lugar desde o começo da luta, não cedendo ao menos um centímetro.

Enquanto Garfiel o atacava repetidamente, os pés de Reinhard permaneciam parados no mesmo lugar.

De início, quando Garfiel foi ao quarto de Reinhard para desafiá-lo, Subaru considerou uma atitude imprudente. Pensando bem, Reinhard ter aceitado o desafio de Garfiel foi algo completamente inesperado.

Honestamente, aquela disputa apenas ocorreu por causa da vontade de Garfiel. Aceitar aquele desafio não traria a Reinhard nenhum benefício. Se você levar em consideração a diferença de força entre ambos, seria improvável que Reinhard se entregasse a um senso infantil de masculinidade, vencendo apenas para se exibir.

Se você considerar a complicada relação entre Reinhard, os cavaleiros reis e seus oponentes políticos, então, lutar contra Garfiel é, em alguns aspectos, um perigo desnecessário. Mesmo que ele acreditasse que ninguém havia preparado um truque ou armadilha, aceitar o desafio era desnecessário.

Levando tudo isso em conta, este duelo era improvável de acontecer algum dia, e Subaru certamente considerou em descartar a ideia completamente. Entretanto, do fundo do seu coração, queria que aquela luta acontecesse, as histórias de que Reinhard e Akashi se enfrentaram fariam que Subaru até imaginasse como deve ter sido, mesmo sem ideia do quão forte Akashi é.

Na ausência de seu espadachim, quem assumiu a responsabilidade de servir como força de combate na facção de Emilia era sem dúvidas, Garfiel Tinsel. No entanto, as condições externas muitas vezes poderiam influenciar o resultado de uma luta, portanto, alcançar a vitória apenas se focando na luta era completamente impossível. Além disso, Garfiel também tinha muitas falhas.

A facção de Emilia ganhou muita fama no ano passado, e muita atenção recaiu sobre Garfiel.

Uma vez que todos na facção de Emilia reconheciam e elogiavam sua força, Garfiel acabou se tornando um tanto arrogante. Através de seus resultados, ele nunca deixou de corresponder às expectativas que tinham sobre ele.

No entanto, esta visão unilateral que se tinha sobre Garfiel levantou um fato preocupante. Ele não havia enfrentado oponentes tão fortes quanto ele desde que deixou o Santuário.

As únicas pessoas que lutaram em pé de igualdade contra ele foi o demônio homicida Elsa, durante a batalha na antiga mansão do Roswaal, e o jovem Akashi Taiga, ainda no Santuário, batalhas que tiveram como resultado a vitória de Garfiel. Desde então, ele não havia passado por uma batalha desafiadora que o obrigasse a usar toda sua força.

Embora Garfiel tenha, tecnicamente, perdido para Subaru, Akashi, Otto e Ram, esta vitória só foi possível devido aos truques sujos utilizados no processo, exceto pelo combate direto entre os dois jovens.

Se tratando de uma batalha justa, a verdade era que Garfiel Tinsel nunca tinha sido derrotado desde o nascimento.

Portanto, mesmo sabendo que era algo cruel com Garfiel, Subaru ansiava por uma batalha entre ele e Reinhard.

Continuar sem perder e sem conhecer os próprios limites. Este não era um caminho impossível, no entanto, se ele continuasse ignorante acerca de seus próprios limites e apenas continuasse confiando na sorte de enfrentar continuamente oponentes mais fracos, então Garfiel nunca poderia ter certeza sobre em que nível estava sua força e o quão longe poderia chegar, ele tinha que fazer como Akashi, que lutou contra oponentes variados ao longo de sua jornada, entendendo a derrota e a vitória, e que seus limites foram feitos para serem quebrados e elevar seu nível todos os dias.

Reinhard van Astrea, Subaru somente o viu uma vez em ação, mas ainda assim escolheu confiar em seu poder.

Subaru: Eu confiei em seu poder… Mas eu não imaginei que a diferença seria tão grande.

A situação ocorreu da exata forma como Subaru imaginou que acontecesse. Porém, se comparado com o que ele tinha pensado, Subaru ficou ainda mais surpreso, ao ponto que sua reação exagerada não era supérflua.

Acompanhando Garfiel, que estava todo animado, ao quarto de Reinhard, Subaru fez o pedido diretamente para Reinhard, que prontamente aceitou. Deixando Subaru chocado ao ponto de ele quase cair no chão.

Então, em resposta a sugestão de Garfiel de ir para fora da cidade para evitar possíveis problemas, Reinhard apenas respondeu com um sorriso “O jardim tem espaço o suficiente, ainda assim, devemos comunicar ao gerente que não danificaremos seu terreno”

Reinhard não carregava malícia em suas palavras, mesmo assim, elas foram mais que o suficiente para provocar Garfiel.

Garfiel aceitou a proposta de Reinhard, exalando uma aura de raiva tão intensa que Subaru, logo ao lado de Garfiel, não conseguia manter sua compostura ao sentir a raiva de Garfiel direcionada a Reinhard.

Eles então, foram até o pátio do hotel, onde algumas regras foram estabelecidas. Nem armas, nem proteções divinas perigosas seriam permitidas. Ferir o oponente também era proibido.

Durante este tempo, Subaru chamou Felix para o caso de algum ferimento. Subaru também convidou Julius e Wilhelm como comentaristas da batalha. Infelizmente, Wilhelm recusou, no fim das contas, apenas Felix e Julius acabaram assistindo a luta com ele. Otto ainda não havia retornado.

Subaru: A propósito, eu não falei do duelo nem pras mulheres e nem pra Mimi e seus irmãos.

Julius: Creio que é o certo a se fazer. Se a dona Anastasia soubesse disso, ela certamente transformaria este evento em um show. Se Hetaro ou Tivey soubessem, provavelmente Mimi ficaria com raiva.

Julius concordou com Subaru enquanto eles observavam o que acontecia na disputa no pátio. Quando uma batalha tão emocionante como aquela acontecia, era apenas natural que as pessoas ficassem entusiasmadas.

Desde o início do duelo, Garfiel considerou que um punhado de espectadores assistiriam ao combate. Em vez de se arrepender de um mau desempenho por não ser capaz de dar tudo de si, ele queria que a luta acontecesse em um local onde a habilidade real fosse tudo que importasse.

O pátio do hotel era espaçoso, mas não grande o suficiente para servir como campo de uma batalha feroz, bem, ao menos a paisagem poderia ser apreciada. Além da falta de espaço, Reinhard também havia colocado a condição de não causar danos ao local.

O objetivo daquele cenário e das condições era fazer com que Garfiel fosse atencioso, ou então se arrependesse de ter sido consumido pela raiva.

“O que aconteceria?” Subaru se questionou…

Subaru: Ei Julius, posso te fazer uma pergunta?

Julius: Você pode me perguntar até mais de uma se quiser, mas se eu vou responder ou não é outra história…

Subaru: Não fale de forma tão confusa. É por isso que eu te odeio…

Subaru apoiou o queixo sobre uma das mãos, e então, começou a falar em um tom sério.

Subaru: Qual sua opinião sobre Garfiel?

Julius: Ele é forte. De acordo com os rumores, ele é o escudo que protege a dona Emilia. Uma reputação bem merecida. Embora, sabendo de sua associação com você, minhas expectativas tinham diminuído.

Subaru: Eu vou bater em você…

Julius: Ele é forte. Ele realmente possui muito talento. Em termos de combate, não sei se poderia vencê-lo. Ainda assim, ele ainda tem muito que crescer.

A afirmação poderosa de Julius mostrou que ele estava animado com o potencial oculto de Garfiel, que parecia ser bastante promissor. Ele também parecia aceitar que tinha uma certa admiração e inveja pelo talento de Garfiel, aquilo não foi uma surpresa, Julius também era um lutador.

Felix: Maaasss, mesmo que haja um futuro brilhante esperando por ele, é triste que agora Reinhard esteja apenas brincando com ele. Se levarmos em consideração que o Subaru disse que Akashi e Garfiel não eram tão diferentes, mas ainda sim, Akashi derrotou Julius e os outros cavaleiros, além de enfrentar o Reinhard com a Reid empunhada... já podemos perceber que a diferença realmente é gritante entre esses dois atualmente... talvez o Reinhard movesse pelo menos um pé se Akashi o enfrentasse agora.

Felix falou uma verdade cruel.

Embora, ninguém era capaz de negar. Todos podiam ver claramente, principalmente Garfiel, que podia ver melhor que qualquer um.

Talvez, um dia Garfiel possa estar entre os mais fortes. Talvez um dia ele se torne o mais forte.

Mas, agora, contra o homem mais forte do mundo, Garfiel não conseguia fazer nada, Reinhard estava apenas brincando com ele.

Garfiel: —tch

Reinhard: Uma pena…Muito apressado…

O Santo da Espada estendeu o braço para frente, agarrando o braço de Garfiel. Com um movimento amplo, Reinhard impiedosamente o jogou sobre o cascalho duro.

Como resultado do impacto, uma nuvem de poeira se formou ao redor de Garfiel. Ele rapidamente tentou levantar-se, mas sentiu a mão de Reinhard em sua testa, deixando-o completamente imóvel.

Garfiel: Perdi…

Mesmo sendo observado por outras pessoas, ele admitiu a derrota.

Ser capaz de admitir sua derrota significava que Garfiel ainda mantinha seu senso de autoestima, embora por muito pouco.

No mínimo, Subaru esperava que isso fosse um pouco reconfortante.

Garfiel não apareceu no jantar naquela noite.

Anastasia: Por que vocês fizeram isso por conta própria, escondendo algo tão interessante de nós?

Anastasia olhou para os homens, enquanto reclamava amargamente.

Em vez de usar seu vestido branco como de costume, ela estava usando um roupão de banho (yukata), seu cabelo roxo ainda pingava água levemente. Sua pele branca se destacava, sua silhueta refletida contra o yukata evidenciava ainda mais seu charme infantil.

Julius: Acho que as coisas são diferentes da forma como você está colocando… eu apenas não a convidei, dona Anastasia, pois parecia que você estava conversando em particular com as outras candidatas.

Julius respondeu as palavras diretas de Anastasia, enquanto fazia uma reverência e dava um sorriso forçado. Os homens haviam terminado de limpar o pátio após o duelo e acabaram de voltar.

Ouvindo este comentário, um sorriso malicioso se formou no rosto adorável de Anastasia.

Anastasia: Ahh. Meu cavaleiro parece estar falando de forma sofisticada. Não podemos ligar tudo ao dinheiro, não é? Ainda assim, meu espírito de Kararagi que gosta de diversão e tumulto está um pouco chateado.

Subaru: O espírito de nosso escudo mais forte está ainda mais ferido, não vamos mencioná-lo novamente. Ah, ele vai ficar bem depois de uma noite de cabeça baixa pela tristeza, mas até lá, vamos deixá-lo em paz.

Depois do que Anastasia disse, Subaru fez este pedido preocupado com seu irmãozinho emocionalmente perturbado. Todos os presentes acenaram com a cabeça, em um sinal de concordância, porém…

Felt: De qualquer forma, foi isso que aconteceu? Este cavaleiro sem misericórdia não sabe como ser legal com seus oponentes. Desculpa por isso, irmão. Inclusive, isso vale pro ocorrido no tal Palácio dos Sábios.

Após ouvir sobre o incidente, Felt deu uma risada para Subaru, exibindo seus dentes tortos, enquanto batia ferozmente nos ombros de Reinhard, o cavaleiro ruivo, sentado ao lado dela, apenas deu um sorriso forçado.

Reinhard: Dona Felt, falar desta forma causará mal-entendidos. Eu não me excedi e também não exerci nenhuma pressão indevida na batalha que acabou de acontecer, ainda assim, estive em risco várias vezes. Tanto meu corpo quanto minha mente foram enriquecidos nesta batalha. E sobre o outro ocorrido, por favor, vamos manter em segredo.

Felt: Isso não é nada convincente, considerando o quão Rachins e os outros ficaram assustados. Você realmente teve que assustá-los tanto quando os conheceu? Eles tinham acabado de apanhar de um garoto, e ainda tiveram que passar por aquilo.

Reinhard: Independente de quem eu enfrentar, não posso me dar ao luxo de ser arrogante. Se eu confiar demais nas minhas habilidades, eventualmente eu irei falhar.

Diante da firme determinação de Reinhard, Felt suspirou desinteressada.

Embora o diálogo deles refletir a natureza da transição para o status de mestre e subordinado, as palavras de Reinhard eram de grande preocupação para Subaru.

Tendo testemunhado a batalha no pátio, ele viu claramente a raiz da preocupação de Garfiel. Em uma breve epifania, ele se deu conta que as palavras de Reinhard não continham nem ironia ou hipocrisia. Reinhard estava apenas dizendo o que ele acreditava ser verdade. Embora seu discurso parecesse desagradável, a autenticidade de suas palavras parecia impedir que as pessoas pensassem desta forma. Talvez essa fosse sua mais perigosa habilidade.

Reinhard: A propósito, dona Felt, sobre essa roupa…

Felt: O que foi? Você está reclamando? Eu estava tomando banho com as outras e todas estavam vestidas dessa forma, então eu decidi me vestir assim também. É constrangedor e decepcionante, é isso que você vai me dizer?

Reinhard: De jeito nenhum, eu só queria dizer que fica muito bem em você.

Felt: Que irritante!

Doces palavras do cavaleiro mais respeitado, reverenciado e poderoso. Inúmeras mulheres invejariam as lindas palavras que foram direcionadas a Felt, que apenas as descartou com uma expressão de frustração no rosto. A forma como ela vestia o yukata também sugeria que ela tinha uma personalidade um pouco rude.

Como Anastasia havia dito antes, as mulheres estavam tomando banho enquanto a luta entre Garfiel e Reinhard acontecia.

Por isso, todas as mulheres presentes no jantar estavam de yukatas.

Não apenas Anastasia e Felt, mas também Mimi, Crusch, Emilia e até mesmo Beatrice estavam vestindo yukatas.

Subaru: Beako, você inesperadamente tomou banho com as outras…

Beatrice: Depois que Subaru deixou Betty sozinha no hotel, Emilia forçou Betty a ir, eu diria.

Inesperadamente, vestindo um yukata azul claro, Beatrice parecia estar tendo dificuldade em descobrir como colocar o yukata corretamente. Estranhamente, mesmo estando molhado, o cabelo de Beatrice manteve seu penteado usual, consistindo de dois cachos. Provavelmente se ele puxasse aqueles cachos, eles saltariam com mais força que o normal.

Subaru: Esta é a forma como Beako diz, mas o que aconteceu na verdade?

Emilia: Hm? Beatrice parecia tão solitária quando ela me disse que Subaru a havia deixado, e como me convidaram para tomar banho, decidi levá-la comigo. Mas eu pensei que ela estivesse feliz com isso…

Beatrice: I-isso é uma mentira, de fato! Não tente distorcer a verdade, eu suponho! Betty ou Emilia, em quem você acredita mais?!

Subaru: Considerarei isso como sua confissão.

Combinando a afirmação indelicada de Beatrice com o julgamento assertivo de Emilia, naturalmente, Subaru chegou à conclusão óbvia.

Vendo que Beatrice não iria ceder, Emilia deu um sorriso feliz. Ela também vestia um yukata, seu cabelo prateado recém lavado estava preso em suas costas. Subaru ficou em silêncio, encantado com a brancura de seu pescoço.

Emilia: Subaru, você está respirando com dificuldade, você está com febre?

Subaru: É apenas o calor do amor. Emilia-tan, posso trançar seu cabelo?

Emilia: Claro, mas logo a comida será servida. Pode ser depois?

Emilia apontou para a mesa, e Subaru, com relutância, retirou a mão que acariciava o cabelo de Emilia. As pessoas em volta pareciam estar olhando-os de forma estranha.

Subaru inclinou sua cabeça em direção a pessoa a sua frente, que por acaso era Felt.

Subaru: O que tem de tão estranho?

Felt: Não sei muito sobre você irmão, ou sobre você, irmã mas eu ainda sinto uma distância entre vocês dois. A forma como vocês interagem… não aparenta ser algo erótico ou romântico. É como se o relacionamento de vocês não tivesse mudado desde a última vez que nos vimos.

Subaru: Hoje em dia esse tipo de flerte erótico não está na moda! E não há necessidade de falar sobre o que aconteceu na capital, meu peito dói, então por favor pare!

Subaru reagiu dolorosamente às palavras de Felt. Ao longo do ano passado, servindo como cavaleiro de Emilia, Subaru não sentiu que tinha melhorado sua relação com Emilia, se tratando de uma relação entre homem e mulher. Possivelmente, a relação romântica entre Subaru e Emilia estava em um ponto mais baixo do que antes de Subaru ter se tornado seu cavaleiro.

Em parte, isto era devido à idade mental de Emilia. A maturidade emocional dela ainda não havia chegado a um ponto em que ela pudesse aceitar os avanços românticos de Subaru. Portanto, apenas se dar bem com Emilia, não era nada muito significativo.

Seu amor não havia desaparecido, mas as intenções por trás das interações com ela haviam mudado. Enquanto não houver mudança na maturidade emocional de Emilia, o relacionamento deles continuaria estagnado daquela forma.

Pelo menos, Subaru entendeu que mesmo que ele desse o primeiro passo, de nada adiantaria.

Subaru: Digamos que… Esse sentimento é algo próximo ao relacionamento da Crusch.

Crusch: Meu relacionamento…?

Subaru suspirou, distraído, enquanto descansava seu queixo sobre suas mãos. Crusch olhou para ele, com uma expressão incrédula.

Naturalmente, como Crusch estava tomando banho com as outras mulheres, ela também estava usando uma yukata, que ela vestiu com a ajuda de Felix. Seu peito, que antes era escondido por suas roupas masculinas, agora era perceptível devido à finura do yukata. Sem sua aura inspiradora, o rosto de Crusch era bonito e inocente.

Crusch olhou para o lado, enquanto Subaru esfregava seu nariz com os dedos.

Subaru: Sim, embora Felix seja bastante apegado a Crusch, pode-se dizer que eles não enxergam sua relação como a de um homem e uma mulher, certo? As condições podem ser um pouco diferentes, mas a forma como eu trato Emilia é bem semelhante.

Crusch: Bem, é meio constrangedor você falando dessa forma. Haha. Certo, Felix?

Felix: Felix sempre será devoto, mesmo que a dona Crusch rejeite meu coração.

Por um instante, a sala congelou com o comentário de Felix.

O sorriso de Crusch ficou tenso, e Felix apenas respondeu sorrindo.

Por acaso, Felix também estava usando um yukata, quase como se estivesse competindo com as mulheres. De qualquer forma, aquela não era a hora de pensar nisso.

Subaru: Sinto muito por revelar o segredo que eu acabei de descobrir. Bem, acho que é hora de comer.

Crusch: Não fuja depois de revelar um segredo desses!

Subaru começou a falar sobre a comida, em uma tentativa de mudar de assunto, uma tentativa que foi imediatamente frustrada pelo grito de Crusch.

Este era realmente um problema, uma situação em que Subaru não achou que se envolveria. Ele olhou ao redor, incerto, como se dissesse “Hmm, o que fazer?”

Wilhelm: Felix, certifique-se de não assustar a dona Crusch. Seu lado mais animado e perigoso parece estar mais proeminente do que antes.

Antes que o silêncio se tornasse desconfortável, Wilhelm interrompeu, mudando o clima da discussão.

O velho era o único homem que estava usando uma yukata. Aparentemente ele tinha ido ao banho logo depois que as mulheres saíram. Tanto sua postura quanto seu yukata contribuíram para acabar com aquela tensão e restaurar a atmosfera harmoniosa. Se ele tivesse uma espada ao seu lado, sua postura teria sido perfeita.

Felix: O quê? Por que você diz isso, velho Wil?

Wilhelm: Um amor respeitoso, um amor precioso, um amor romântico. Muitas vezes, o amor é dado como garantido. Se fazer de confuso com o propósito de esconder seus sentimentos é desagradável para corações inocentes. Não devo falar severamente sobre isso?

Felix: Há nyah. Não fale de forma tão rígida, é um pouco demais.

Ouvindo os sermões rígidos de Wilhelm, Felix murmurou em voz baixa, e se apoiou no ombro de Crusch.

Felix: Está tudo bem. Obviamente foi apenas uma piada, não precisa ficar tão nervoso. Se eu realmente irritasse a dona Crusch, seria um grande problema.

Crusch: E-Exatamente, não é? Ugh, eu fiquei um pouco assustada uma vez que eu não estou acostumada, parece que eu interpretei mal os pensamentos de Felix.

Felix: Não, de jeito nenhum.

Crusch suspirou aliviada. Uma emoção passageira passou pelos olhos de Felix enquanto ele a observava, deixando Subaru inseguro.

Aquela emoção complexa não era algo que Subaru poderia desvendar facilmente…

Durante este ano, Felix foi quem teve que lidar com a amnésia de seu mestre, o que explica sua ausência na reunião durante os eventos do Palácio dos Sábios.

Durante este período, ele deu o seu melhor, mas ainda assim, se sentia ansioso e culpado, assim como Subaru. Crusch, mesmo sem suas memórias, precisava contar com Felix, por isso, ele não poderia mostrar qualquer sinal de confusão ou insegurança.

Joshua: As preparações para o jantar foram concluídas. Ele será servido agora, todos de acordo?

Os funcionários do hotel terminaram os preparativos do jantar no momento perfeito: exatamente quando a conversa terminou. Joshua, que até então estava sentado discretamente no canto da sala, deu permissão para que o gerente trouxesse um fluxo constante de alimentos para o local.

Todos assistiam enquanto a refeição era organizada sobre a mesa, seus olhos brilharam de admiração. Entretanto, Subaru tinha um motivo em particular para ficar surpreso.

Emilia e os outros estavam surpresos com a variedade de pratos, muitos dos quais eles nunca tinham visto antes, Subaru por outro lado, estava surpreso pois aqueles pratos eram bem familiares.

Uma vez que não existiam oceanos naquele mundo, em tese seria impossível encontrar tais pratos naquele mundo, no entanto, um prato de sashimi estava bem na frente de Subaru.

Subaru: Isso… posso comer desse jeito?

Anastasia: Creio que você não está acostumado, este é um prato que você não pode experimentar a menos que viva perto da água. O Pavilhão Pluma d’ Água é um lugar famoso por esse tipo de prato.

Sashimi não foi a única coisa que Subaru reconheceu. Havia uma grande variedade de pratos japoneses presentes na mesa. No meio daquela situação, Anastasia começou a colocar comida na boca, Subaru interpretou isso como um sinal para também começar a comer.

Ele imediatamente optou pelo sashimi e pelo molho de soja. Emilia e Beatrice, sentadas ao lado dele, ambas soltaram um “ah!”. Enquanto comia, Subaru preocupou-se de que o peixe pudesse ter algum tipo de parasita, mas considerando a classe do hotel em que eles estavam, era uma preocupação desnecessária. Ao invés disso, Subaru apenas se focou em aproveitar os sabores.

Subaru: Delicioso! Ah, faz tanto tempo desde que eu comi sashimi!

Emilia: É-É gostoso?

Subaru: Não é nem uma questão de ser ou não gostoso, é simplesmente uma iguaria, é excelente. Provavelmente é por causa do seu frescor, mas ainda assim, está entre os meus favoritos. Se aqui tivesse vinagre de sushi e arroz… eu poderia mostrar como um sushi de verdade é feito!

Emilia: Desculpe, eu não tenho ideia do que você está falando, mas estou feliz que esteja bom.

Ouvindo parcialmente o discurso de Subaru, Emilia o imitou e mergulhou o sashimi no molho de soja. Enquanto ela experimentava, seus olhos ametistas se arregalaram, enquanto ela fechava as mãos entusiasmada “Hmmm!”

Vendo as reações de Subaru e Emilia, os outros logo começaram a provar da comida.

Anastasia, que se afastou decepcionada, relaxou seu olhar enquanto observava Subaru e Emilia, murmurando para si mesma “Ahh, não tem jeito”

Embora algumas pessoas tenham perdido o jantar, aqueles que compareceram se divertiram em meio a inquietação sobre a lua brilhante, o mundo compassivo e misericordioso permitiu que eles tivessem paz.

...Continua......

Capítulos
1 A Linhagem do Farsante
2 Perspectivas de Cada Um
3 Pé na Estrada
4 A Cidade das Comportas, Priestella
5 O Pecador Zarpa
6 O Valor de uma Cantora
7 Uma Reunião Surpreendente, uma Reunião Predestinada e uma Reunião Não Intenciona
8 Jantar Pacífico
9 O Demônio da Espada sob a Lua
10 Penetras
11 Circo de Tragédia
12 Solução Ideal
13 Situação Interrompida
14 Teatro do Leão
15 Ruídos
16 Gorgeous Tiger
17 O Custo de um Erro
18 Estratagema na Prefeitura
19 Emboscadas e Surpresas
20 Reagrupar
21 A Cavalaria e o Homem que Chegou Atrasado
22 Devaneios Heroicos
23 O Mais Novo Herói e o Mais Antigo Herói
24 Uma Maldição Inescapável
25 Um Estado de Espírito
26 Aquele que Você vai Amar um Dia
27 Malícia em Trapaça
28 Malícia em Trapaça parte 2
29 Uma Cidade de Conflito
30 O Desafiante do Deus da Guerra
31 Onde Reside o Coração
32 Regulus Corneas
33 Vítima do Território
34 Enaltecimento de um Guerreiro
35 Os Arrependimentos de Liliana Masquerade
36 Liliana Masquerade
37 Um Banquete de Jantar Repulsivo
38 Eclipse
39 Theresia Van Astrea #1
40 Theresia Van Astrea #2
41 Os Frutos da Batalha por Priestella
42 Um Cavaleiro Sem Nome
43 O Sábio da Torre de Vigia
44 Caminhos Distintos
45 Rumores de um Futuro Incerto
46 Devastação
47 Aqueles que Trazem a Ruína
48 Death Ballet
49 Palácio Carmesim
50 O Peso da Desconfiança e dos Corações Determinados
51 A Praga Que Envenena o Mundo
52 Entre a Agonia e o Desespero
53 Aquele que Simboliza a Guerra
54 Contagem Regressiva
55 Deus da Guerra
56 Aquele que Trouxe a Condenação
57 Morte e Conquista, Parte 1
58 Morte e Conquista, Parte 2
59 Desejos e Vontades Herdadas
60 Decisão
61 Arco EX (6)
Capítulos

Atualizado até capítulo 61

1
A Linhagem do Farsante
2
Perspectivas de Cada Um
3
Pé na Estrada
4
A Cidade das Comportas, Priestella
5
O Pecador Zarpa
6
O Valor de uma Cantora
7
Uma Reunião Surpreendente, uma Reunião Predestinada e uma Reunião Não Intenciona
8
Jantar Pacífico
9
O Demônio da Espada sob a Lua
10
Penetras
11
Circo de Tragédia
12
Solução Ideal
13
Situação Interrompida
14
Teatro do Leão
15
Ruídos
16
Gorgeous Tiger
17
O Custo de um Erro
18
Estratagema na Prefeitura
19
Emboscadas e Surpresas
20
Reagrupar
21
A Cavalaria e o Homem que Chegou Atrasado
22
Devaneios Heroicos
23
O Mais Novo Herói e o Mais Antigo Herói
24
Uma Maldição Inescapável
25
Um Estado de Espírito
26
Aquele que Você vai Amar um Dia
27
Malícia em Trapaça
28
Malícia em Trapaça parte 2
29
Uma Cidade de Conflito
30
O Desafiante do Deus da Guerra
31
Onde Reside o Coração
32
Regulus Corneas
33
Vítima do Território
34
Enaltecimento de um Guerreiro
35
Os Arrependimentos de Liliana Masquerade
36
Liliana Masquerade
37
Um Banquete de Jantar Repulsivo
38
Eclipse
39
Theresia Van Astrea #1
40
Theresia Van Astrea #2
41
Os Frutos da Batalha por Priestella
42
Um Cavaleiro Sem Nome
43
O Sábio da Torre de Vigia
44
Caminhos Distintos
45
Rumores de um Futuro Incerto
46
Devastação
47
Aqueles que Trazem a Ruína
48
Death Ballet
49
Palácio Carmesim
50
O Peso da Desconfiança e dos Corações Determinados
51
A Praga Que Envenena o Mundo
52
Entre a Agonia e o Desespero
53
Aquele que Simboliza a Guerra
54
Contagem Regressiva
55
Deus da Guerra
56
Aquele que Trouxe a Condenação
57
Morte e Conquista, Parte 1
58
Morte e Conquista, Parte 2
59
Desejos e Vontades Herdadas
60
Decisão
61
Arco EX (6)

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