Já fazem quatro dias desde que descobrimos a minha gravidez. Vivo cercada de mulheres da nobreza e de empregadas. Elas não permitem que eu me levante ou ande. Elas dizem que nós humanas somos muito fracas durante a gestação e o menor esforço pode resultar a perda do pequeno herdeiro. Acho ridículo isso, mas concordo. Aliás, nunca estive grávida, elas já.
Após horas, o Fernando chega e ordena que todas as mulheres saiam do quarto. Suspiro aliviada. Tento levantar, mas o Fernando não permite.
— Você está a ficar doida? — ele pergunta colocando a mão na minha barriga. O bebê se mexe.
— Vocês que são loucos. Eu não preciso ficar deitada o dia inteiro! Aliás, isso sim, faz mal! — reviro os olhos.
— Hm, você não revirou o olho algumas noites atrás... — ele brinca.
— Fernando! — Sinto o meu rosto queimar. Ele gargalha. É a primeira vez que vejo ele gargalhar.
— De qualquer jeito você não vai levantar daí... — ele diz tirando a roupa.
— Ah, para! Ela não tem nem um mês, a minha barriga está pequena e eu não me sinto mais tonta após começar a alimentar-me corretamente. — explico me levantando. — Viu? Estamos bem!
— Ele! É um menino! — Ele respira fundo, como se algo o irritasse.
— O que aconteceu? — pergunto me aproximando dele.
— Nada, está tudo bem — ele diz a sorrir. — Vou tomar um banho, já volto.
— Ok, vou pegar um livro para ler — digo me virando para a prateleira.
Fernando entra no banheiro e eu passo a mão nos livros, tentando ler os títulos. Pego um livro vermelho, "O segredo do império". Parece bom. Algo cai na minha cabeça.
— Ai! — resmungo colocando a mão sobre a cabeça. Um pequeno livro preto com uma fechadura cai no chão.
— Está tudo bem por aí? — Fernando aparece na porta do banheiro nu.
— Está tudo bem... — respondo me virando para ele. — Vá colocar uma roupa!
— Ah, para! Não tem nada aqui que você não tenha visto ou não tenha tocado... — ele sorri maliciosamente.
— Idiota! — Nós rimos. Fernando, ultimamente, tem andado de bom humor. Ele faz brincadeira com tudo e sorri sem esforços.
Abaixo e pego o livro preto do chão. O nome do Fernando está escrito nele. Será o diário dele? Penso em abri-lo, mas não me atrevo. É algo pessoal... E também está trancado com um cadeado e eu não tenho a chave. Coloco o livro no mesmo lugar e vou até à gaveta da nossa cômoda.
— Está a procurar algo? — ele pergunta envolvendo as mãos na minha cintura. Congelo na hora. O que eu falo?
— Você tem algum marca-páginas? — Solto sem pensar. Ele me olha confuso e eu levanto o livro "O segredo do Império" que ainda está nas minhas mãos.
— Mas esse livro já tem um marca-páginas... — ele aponta para a cordinha vermelha, presa ao livro.
— Ah... desculpa! — digo sem graça. — Suponho que estou com um pouco de sono!
Ele ri e puxa-me para deitarmos na cama. Coloco o livro na cabeceira e deito-me. Fernando beija a minha testa e se deita ao meu lado.
Após um tempo Fernando cai no sono. Levanto lentamente tentando não o acordar. Vou até a sua cômoda e procuro a tal chave. Encontrei! Vou até à prateleira e pego o livro de volta. Olho para o livro nas minhas mãos e para Fernando dormindo.
— Desculpa... — sussurro — Mas, eu preciso descobrir um pouco sobre você!
Vou para o banheiro e sento-me no chão.
Eu sou o príncipe Fernando Yung! Eu serei o rei Fernando Yung!
Escreverei um pouco sobre quando eu era mais novo...
Quando eu tinha 3 anos, o reino dos humanos atacou o nosso palácio. O rei Carlos King III e o seus dois filhos soberbos, o príncipe Stephan e Bartolomeu King, lideraram o ataque. Enquanto o rei lutava contra o meu pai, os príncipes atacavam as mulheres do meu pai e os seus filhos.
Os príncipes mataram os meus irmãos e as mulheres do meu pai. A minha mãe atacou o príncipe Bartolomeu e o matou. Logo, o príncipe Stephan chegou e decapitou a minha mãe na minha frente.
O rei e o príncipe sobrevivente recuaram e nunca mais apareceram novamente.
Os únicos sobreviventes do ataque foram a rainha e eu. No total o meu pai perdeu quatro mulheres e seis filhos.
Quando eu crescer, matarei Stephan com as minhas próprias mãos!
O meu coração acelera. Não posso acreditar no que estou lendo. Engulo em seco. Continuo a ler. O tempo voa.
— Stephany?! — ouço um grito. É o Fernando. — Stephany?!
Preciso esconder isso. Abro o armário do banheiro e jogo o livro dentro dele.
— Você está aí! — ele diz a correr na minha direção. — Por que não me respondeu?
— Desculpa! — respondo com lágrimas nos olhos.
— Ei, ei...calma... — ele diz a enxugar o meu rosto. — Está tudo bem, ok? Você estava a vomitar de novo?
— Não, eu... — soluço.
— Está tudo bem, vem... — Fernando me pega no colo e leva-me até a cama. — Você precisa descansar! Deve estar emotiva por conta da gravidez...li isso num livro para grávidas...
— Por que você estava a ler isso? — pergunto a rir.
— Ei, não fica rindo! — o seu rosto fica vermelho. — Eu li isso para tentar entender-te melhor, idiota!
— Já vai voltar a trabalhar? — pergunto.
— Quer que eu fique com vocês? — ele pergunta animado.
— Não, vou descansar agora... — minto. Ele parece ficar decepcionado com a resposta. — Quando você voltar...pode trazer morangos para mim?
— Primeiro desejo? — ele dispara.
— Acho...que sim? — dou de ombros. Ele ri. Nunca o vi tão feliz.
Ele se arruma e sai para trabalhar. Fico sozinha novamente. Corro para o banheiro e pego o livro novamente. Preciso descobrir um pouco mais.
— Rainha Stephany? — uma das empregadas está na porta. — Posso entrar?
— Ah...claro! — escondo o livro.
— O rei pediu para que eu lhe trouxesse o café da manhã e um pote de morangos frescos.
Agradeço e a dispenso.
Hoje, o meu pai e eu atacamos o reino dos humanos. Infelizmente não matamos ninguém. Mas, em breve teremos a nossa vingança.
Aparecemos no casamento do filho mais velho do rei Stephan, o príncipe Stephan King IV. O rei Stephan tem uma família bem grande, assim como eu tinha. O meu pai fez com que o Stephan se ajoelhar perante ele com todos os convidados vendo. Pensei em decapitar a sua esposa e depois os filhos. Mas, a sua filha mais velha teve a ousadia de atacar-me. Ela deu uma tapa no meu rosto, aquela vadia! Eu ia decapitá-la assim como o pai dela fez com a minha mãe. Mas, o meu pai não permitiu. Ele deu um tapa na menina e a fez voar longe. O meu pai achou mais interessante matar um filho de uma vez até não sobrar nenhum e essa menina foi a primeira.
Engulo em seco ao ler o que Fernando planejou fazer.
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Atualizado até capítulo 56
Comments
Rosária 234 Fonseca
Sério isso 😨😨
2024-02-21
1
Valda Martins
Aff
2024-02-12
0