Calabouço

Mais uma vez sou forçada a isso. Dentre as três, essa é a pior noite com ele. Na primeira vez ele foi carinhoso e muito delicado. Da segunda ele estava com raiva, mas ainda pôde se conter. Mas, dessa vez... Estou com o pescoço sangrando e sentindo dor e ele não se importa. É por isso que o odeio.

Me sinto impotente, insignificante. Olho para a cabeceira da cama, vejo a pulseira que Estêvão me deu. Não penso nem duas vezes. Pego a pulseira e a forço contra o rosto de Fernando, que grita e força o meu braço, torcendo-o.

Observo ele gemendo de dor e com a cabeça baixa. Me levanto e saio da cama correndo. Com as pernas trêmulas e o corpo dolorido, caio no chão. Fernando me olha e o meu rosto paralisa de medo. Meu peito dói. Fiz besteira. O rosto de Fernando está sangrando e ele parece irritado.

— Me...me desculpa... — entro em desespero ao ver o seu rosto. — Por favor, me desculpa! Eu não sabia que te machucaria assim...eu... — choro. — Eu pensei que só te arranharia a ponto de te afastar!

— Ah... sério? — ele ri. — Agora que você faz isso... você vem pedir perdão?! — ele pula da cama e se aproxima lentamente. Seu olhar é assustador.

— Eu juro que não era a minha intenção fazer isso! — grito. — Eu só queria que você me soltasse...

— Você queria que eu te soltasse? — ele segura meu rosto e o acaricia. Com medo, balanço a cabeça confirmando a pergunta.

— Me desculpa...me desculpa... — Essa cena não sai da minha cabeça. O rosto do Fernando sangrando e ele com aquele olhar furioso...

Fernando tira a mão do meu rosto e cerra o punho. Meu olhar não se desvia de seu punho. Meu coração acelera e a minha respiração perde o compasso. Ele arma o soco e eu me encolho. Sinto o vento do lado de meu ouvido. Abro os olhos e a mão do Fernando está presa na parede, ao lado do meu rosto. Caio em lágrimas. Isso o irrita ainda mais. Ele pega o meu pulso e puxa com força.

— O que você está fazendo?! — pergunto aflita olhando em seus olhos. — Fernando...

Ele nos teletransporta para um corredor escuro cheio de tochas acesas. Haviam vários guardas lá na porta das celas. Eu estava semi-nua.

— Fernando...o que você está fazendo?! — pergunto assustada. — Eu não estou vestida apropriadamente!

— Abaixem a cabeça! — Fernando grita. — Quem olhar para mim ou para a rainha será decapitado!

No fim do corredor, Fernando abre uma cela e me joga nela.

— Você não pode fazer isso comigo! — grito vendo ele trancar a cela. — Fernando!

— Não olhem para a rainha! Não conversem com a rainha e nem obedeçam a rainha! — ele grita sem me olhar. — Ela só sai daqui quando eu vier buscá-la!

— Não! — grito puxando sua calça. Fernando dá um puxão me deixando sozinha. — Você é um babaca, idiota!

Olho ao redor, tudo está em completo silêncio. Estou seminua, sentada no chão de uma cela fria e suja. Estou machucada, com fome e com frio. Encolho-me e volto a chorar.

Ouço alguns passos e levanto a cabeça. Íris passa na frente da minha cela com um sorriso malicioso.

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Comments

Alexandra Moreira da Silva

Alexandra Moreira da Silva

que cara idiota...ela burra por não saber como lidar com a situação e fica pra ela pior, sofrimento é escolha e quando não podemos mudar a situação... ter sabedoria pra não infligir mais dor e ser sábio

2024-03-18

3

Rosária 234 Fonseca

Rosária 234 Fonseca

não acredito nisso

2024-02-21

0

Valda Martins

Valda Martins

Nossa ele é um cretino fazer isso com ela

2024-02-12

1

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