Capítulo 12

ELINA

ELINA

Vejo-me encurralada em uma situação desconfortável. Nunca imaginei que aquele comprador loiro pudesse ser o duque disfarçado. Não sei o que faria, mas teria que pensar em uma desculpa muito boa, caso contrário, ele poderia me punir com mais dias de confinamento.

"Ha, ha, ha, você se deu mal" — disse Amália, comunicando-se comigo por telepatia, desaparecendo imediatamente. Com certeza foi para o mundo espiritual, me deixando com um grande problema.

Edward — Continua esperando por uma resposta. Achei que você estivesse descansando no seu quarto e não participando de um leilão perigoso em plena madrugada — ele levanta a sobrancelha — O que estava fazendo lá, senhorita Sabe Tudo?

— Eu que te pergunto, o que estava fazendo lá? — olho para o seu cabelo.

Edward — Não responda a uma pergunta com outra pergunta — puxa minha bochecha, como se intimidasse uma criança — Este livro é tão importante para você?

— Eu... só queria estudar mais sobre a magia para que meu noivo não me achasse tão fraca — falo a primeira coisa que me vem à mente.

Edward — Tem certeza de que é só isso? — olha para as minhas roupas — O que passou pela sua cabeça ao se vestir assim? — balança a cabeça em sinal de reprovação.

— Este é o meu disfarce, você não acha que é genial? — tento fazê-lo rir para amenizar o clima.

Edward — Minha nossa, mulher, um dia você vai me enlouquecer — começa a rir e passa a mão nos cabelos agora dourados.

— Nesse caso, como conseguiu ficar loiro? — pergunto, sabendo que naquela época ainda não existia tinta para cabelo.

Edward — Pensas que é só você que consegue se disfarçar bem? — ele estala os dedos e seu cabelo branco volta ao normal.

— Apreendeu com a melhor né? — brinco e o mesmo me olha com reprovação — Vamos voltar para casa. Prometo nunca mais mentir ao meu noivo.

Edward — Já que estamos aqui, vamos aproveitar e assistir aos fogos — aponta para o céu — Esqueceu que hoje é o dia da comemoração da criação do império? É uma festividade na qual passam a madrugada inteira iluminando a noite com fogos de artifício.

Caminhamos de mãos dadas, sentia-me como uma adolescente desejando mais o seu toque em minha pele. Não consigo explicar a ligação que temos, mas não consigo esquecer que aquele homem diante de mim, vendo os fogos, era um sanguinário, uma pessoa que faria de tudo para concluir a sua vingança. Em seu coração, não havia espaço para mim, disso eu tinha certeza. Afinal, eu o estava usando para me manter viva.

— Uau! Os fogos são incríveis, as cores são tão vivas — apoio-me na ponte, admirando o céu colorido.

Edward — Você fica linda quando sorri — ele passa os dedos nos meus lábios — Sabe, existe uma história sobre essa ponte.

— Sério, qual é? — olho para baixo e percebo que existem muitas fitas amarradas no arco da mesma, o que me deixa curiosa.

Edward — Existe um boato de que essa ponte é mágica. O boato tem a ver com o início do império. O primeiro imperador se apaixonou pela imperatriz e juntos fizeram o projeto dessa ponte. Durante a sua construção, ambos amarraram uma fita na ponte, como símbolo de seu amor, e assim os demais os imitaram, acreditando que daria sorte — ele solta meu cabelo, que estava amarrado em uma fita vermelha — Quero que nós dois sejamos felizes em nossos objetivos. Lina, realmente me preocupo com você, então não minta mais para mim. Você é a única coisa importante que me resta — ele amarra a fita.

— Também quero que a gente dê certo — falo sinceramente. Ele corta a distância entre nós e me surpreende com um beijo sedento e, ao mesmo tempo, calmo. Não podia acreditar, mas aquele homem já tinha o meu coração. Suas mãos grandes seguram forte a minha cintura, e eu suspiro entre os beijos.

O beijo só termina quando um grito estridente ecoa pelas árvores. Era Raven, a coruja correio de Edward. A ave albina pousa no ombro de seu dono com um pequeno pergaminho em suas garras. Com certeza, ela trazia alguma notícia importante, mas algo chamou a minha atenção: havia o carimbo no formato de 'M', símbolo do informante chamado Matias, o espião que vigiava a família imperial, era o autor da mensagem. O semblante do duque ficou preocupado, e ele ficou silencioso por alguns segundos. As notícias não pareciam boas.

Edward — Vamos voltar para casa. A madrugada está muito fria e você ainda não se recuperou totalmente do ataque — ele tira sua capa e a coloca em volta de mim, pois estava começando a sentir frio.

— Odeio quando você acha que sou frágil — faço bico — Sou resistente, não é qualquer frio que vai me derrubar — E, nesse exato momento, meu corpo me trai e solto um espirro.

Edward — Está vendo? Melhor nos apressarmos — ele assovia, e seu cavalo de crina negra aparece. Sei que seu nome é Trovão, um cavalo leal que nunca o deixou para trás nas guerras — Você não vem? —ele estende a mão.

— Acho que não consigo — fecho os olhos com medo. Na minha vida passada, tinha muito medo de cavalos devido a um trauma na infância. Meus irmãos eram excelentes nos esportes, e eu era um desastre.

Edward — Eu estou aqui — com sua voz doce e calma, ele me pega e me coloca em seu cavalo — Nada vai acontecer, estou com você.

Não consigo pensar em mais nada a não ser em dormir. Meu corpo pedia descanso, e passar a noite inteira perambulando pela capital fez com que meus músculos doessem. A primeira coisa que fiz foi ir direto para o meu quarto e dormir. Sonhei que Elizabeth estava me afogando em um lago congelado.

Não parecia um sonho, mas sim uma lembrança. Afinal, eu estava no corpo de Elina, e as lembranças de sua vida vinham sempre misturadas com informações. Na manhã seguinte, como de costume, Madeline chegou com água para me lavar e me arrumar para o café da manhã.

Madeline — hoje veio um mensageiro da mansão Woods, e para a lady.

— Se for de Elizabeth ou de Ofélia, pode queimar, Maddie — digo, espreguiçando-me.

Madeline — O entregador disse que era urgente, minha senhora —  ela insiste.

— Será que é do meu pai? — Abro a carta, vendo o carimbo dos Woods. O conteúdo é extremamente triste: o senhor Woods faleceu na madrugada anterior, e a causa ainda não era definida. Pedia que eu fosse ao enterro, que aconteceria à tarde, e lá seria lido seu testamento.

Madeline — Não é por muita ousadia, minha senhora, mas, o que continha na carta? — pergunta Madeline, curiosa.

— Meu pai faleceu.

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Comments

Souza França

Souza França

foi assassinado!😡

2024-10-24

0

Souza França

Souza França

É o fraco pelo " lobo mau "🤤🤤🤤

2024-10-24

0

BRUNA SÁ

BRUNA SÁ

😢😢😢

2024-05-29

1

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