Capítulo 2

ELINA

Abanava meu leque sobre meu pescoço, o dia estava ensolarado, a carruagem apesar de ser grande não era bem ventilada. Elizabeth evitava olhar para mim, não me importava muito com isso, apesar de ser a protagonista, ela, no fundo, não se esquecia das maldades que outrora a irmã a fez.

Como sempre, Ophélia havia investido muito na filha caçula com um vestido tomara que caia, muito extravagante, cheio de babados no tom azul bebê, assim combinado com seus olhos. Enquanto a mim, permitia ser um vestido que não desonrasse o sobrenome Woods, nada que ofuscasse o brilho da filha mais nova.

Assim que passei pelo jardim do palácio procurei atentamente um cabelo platinado, o único homem que possuía essa característica era o grã-duque. A cor se destacava muito na multidão, mas antes de continuar minha busca, sinto alguém atrás de mim e me viro, curiosa.

— Saudações ao pequeno sol do império — o saudo com um tom apaixonado, não podia levantar suspeitas, pois desde a infância ela o venerava.

Adam — Espero que não cause problemas na festa da minha irmã — O príncipe aparece com minha irmã, seus cabelos ruivos anunciavam o sangue real, apenas os herdeiros da coroa tinham essa coloração.

— Certamente não irei, Vossa Majestade — me curvei fazendo reverência, o que é de costume na etiqueta dessa época.

Elizabeth — Irmã, tem algum problema em eu ser acompanhante de Vossa Alteza hoje? — mostra seus lindos dentes brancos em um sorriso cínico, me aproximo deles.

Adam — Não ouse tocar um fio de cabelo de Elizabeth! — fala, pois a Elina que ele conhecia era barraqueira — Ela não tem culpa de nosso noivado ser só de fachada.

— Só para deixar claro, se você gosta do príncipe, pode ficar com ele, irmã — cruzo os braços e logo em seguida um murmúrio surge — Ah! E falando nisso, a partir de agora estou rompendo nosso compromisso!

Adam se surpreende com as palavras, mas não demonstra ao sentir o peso delas. Elizabeth, por outro lado, ficou confusa com a atitude de sua irmã que, outrora, morria de paixão pelo príncipe. Todos os presentes ficaram imóveis, presenciando a filha mais velha do duque Woods terminar seu noivado. Era uma verdadeira grande fofoca, a capital falaria disso por semanas.

Sem mais, caminho para perto da mesa de doces quando vejo um homem de capuz andar pela multidão. Parecia que ninguém tinha percebido a sua presença, mas o vento deixou umas mechas saírem da roupa, esvoaçando assim, alguns fios prateados.

Resolvi seguir aquele homem e vejo ele entrar no palácio em direção ao calabouço. Sem deixar suspeitas, começo a me locomover. A princípio percebi que não havia nenhum funcionário ou guarda na porta, mas continuei a minha perseguição, usando meu poder para destrancar a fechadura da grande grade de ferro.

Acabo me perdendo naquele lugar e entro na primeira sala que encontro, escuto vozes se aproximando e me escondo atrás da cortina. Era uma cena pesada, um prisioneiro sendo carregado por dois guardas e o duque os acompanhando, os guardas jogam o homem acorrentado no chão e foi aí que percebi que era uma sala de interrogação.

Edward — Vou perguntar uma última vez, quem está por trás da tentativa de envenenamento do Imperador?

***— Ah, nunca vou falar!!! — o homem tira rapidamente do bolso um pó e coloca na boca e começa a espumar e acaba morrendo.

Edward — Levem o corpo daqui e garantam que ninguém saiba até a investigação ser concluída! — os guardas acenam com a cabeça e levam o corpo.

Vejo o duque passar as mãos pelos cabelos em sinal de frustração, se esparrama em uma poltrona. Sua blusa estava aberta, mostrando seu abdômen, seus músculos eram muito bem definidos, o livro descrevia o grão-duque como um bárbaro, mas estava mais para um pecado capital, era a personificação da palavra "beleza".

Apesar de estar sentado, pude perceber que era alto, talvez um metro e oitenta. Seu corpo era musculoso e havia algumas cicatrizes pelo seu braço e costas, com certeza, presentes que as guerras lhe deram. Atrás da cortina começo a sentir meu nariz coçar e uma vontade enorme de espirrar vem, não consigo segurar e acabo soltando um espirro estridente.

Edward — Quem está aí? Apareça ou irei matá-lo! — levanta a espada e puxa a cortina — Você? O que está fazendo aqui?

— Posso explicar — Levanto a mão em sinal de redenção — Por favor, abaixe a sua espada.

Edward — Pode começar, sou todo ouvidos — abaixa a arma fazendo cara de entediado.

— Bem, eu queria falar com vossa graça, apenas te seguir, porém, me escondi aqui para não ser descoberta. Mas eu juro que não tenho nada a ver com os acontecimentos de hoje, só queria te fazer uma proposta — Digo olhando fixamente para seus olhos, percebendo que eram castanhos escuros.

Edward — Que proposta seria essa? — senta novamente e cruza os braços.

— Quero me casar com você! — digo o mais firme possível.

Eduardo — O quê? — seu riso ecoa pela sala — Até algum tempo atrás você era louca pelo príncipe herdeiro e agora que ser casar comigo? — se aproxima de mim — Quero lembrá-la que não gosto de ser um brinquedo para tentar fazer Adam ter ciúmes de você.

— Isso é passado, já superei a paixão que tinha por ele — ele me olha parecendo não acreditar nas minhas palavras — Não se preocupe, não ousaria jogar com você, sei que se brincar com sua graça, quem seria o brinquedo nessa situação seria eu.

Edward — Você disse casamento? — coloca a mão no queixo pensando.

— Sim, eu disse, basicamente quero fazer um contrato de casamento com você.

Edward — E, por que eu deveria aceitar? — começa a me encarar seriamente — O que eu ganharia com isso?

— Existem muitas coisas que seriam vantajosas para o grão-duque — nessa hora usei todos os argumentos que ensaiei na noite passada — Primeiro de tudo, seria bom para você fortalecer seu exército, já que minha família tem os melhores cavaleiros da região. Além disso, eu sei o seu segredo — cruzo os braços.

Edward — Que segredo é esse? — me desafia.

— Eu sei que você é um filho bastardo do imperador, também sei que pretende dar um golpe de estado, tomando o lugar do trono.

Edward — Como você sabe disso? Quem é seu espião? — me prende contra a parede.

— Pense bem, seu exército pode se fortalecer com a minha ajuda, a única coisa que peço é que faça um contrato de três anos comigo, no final poderá se divorciar de mim.

Edward — E o que você ganha com isso? — pergunta ainda perto da minha boca, me causando arrepios.

— Quero apenas me proteger, você sabe muito bem como é difícil ter habilidades mágicas — Levanto a mão e faço fogo sair pelas minhas mãos.

— Então, o que me diz? — antes que ele pudesse responder, um guarda chega.

*** — Senhor, o Imperador solicita sua presença neste momento — anuncia. O duque olha para mim e pede que o acompanhe.

Voltamos para o jardim, e o homem de cabelos brancos vai ao encontro do Sol do império. Fico na beira do rio admirando como esse mundo poderia ser bonito, diferente da cidade onde morava, este lugar era mais colorido, com muita natureza, sem concreto e buzinas irritantes de carros toda hora.

Na festa todos falavam sobre o rompimento do noivado, a aniversariante, a segunda princesa que deveria ser o centro das atenções passava despercebida diante do assunto. Estava inquieta, a resposta do duque fazia com que meu coração aguardasse ansiosamente. Ouço sapatos pisando na grama quando vejo minha irmã chegar muito irritada, não me lembrava que a protagonista era assim.

Elizabeth — Sempre você tem que estragar tudo, Lina! — começa a chorar e se joga no chão como se eu tivesse a empurrado.

— Mas eu não fiz nada, nem sequer aqui eu estava... — foi quando percebi que estava sendo manipulada, o príncipe herdeiro chega na hora pensando que eu a tinha empurrado no chão.

Adam — Eu te avisei que não era para causar problemas — olha para mim com extrema raiva — Peça desculpas agora para senhora Elizabeth.

— Não vou me desculpar por algo que eu não fiz — cruzo os braços, faria ao contrário de tudo que a Lina original faria, não me rebaixaria dessa maneira.

Adam — Como pode negar, acabei de ver você a jogar no chão — vai até minha irmã verificando se nada estava quebrado — Peça desculpas ou vai morrer — aponta sua espada para mim.

— Ai, que medinho, um pedaço de metal não me fará medo — uso minha magia e jogo sua espada para longe.

Adam — Sua..... — avança para cima pegando meu braço, mas o duque chega e o segura.

Edward — Acho melhor você soltá-la ou pode perder um braço, Vossa Majestade — Faz cara de poucos amigos, como li no meu livro favorito várias vezes, sabia que os dois, no fundo, não se suportavam, apenas toleravam a presença de ambos. O duque só fingia naturalidade, pois tinha um plano de vingança contra a família imperial.

O grão-duque era filho da concubina favorita do imperador, entretanto, ela foi assassinada pela imperatriz atual por ciúmes, ninguém sabia que antes de morrer ela tinha dado à luz ao menino de cabelos brancos. Tudo não passava de uma vingança fria e meticulosamente calculada pelo grã-duque, apesar de o imperador saber de sua existência. Ele escondeu de todos que ele era seu filho, para salvá-lo das mãos da imperatriz, assim o deu o título de grã-duque.

Adam — E, por que está defendendo essa mulher? — lança um olhar matador para mim.

Edward — Porque ela é minha noiva.

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Comments

_Aoi_ sama

_Aoi_ sama

Agora você cala a boca idiota!!!🤬

2024-11-27

0

Souza França

Souza França

chupa que é uva! babaca 🤬

2024-10-23

2

Souza França

Souza França

que legal ter poder!🤗

2024-10-23

0

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