Capítulo 10

ELINA

Havia algo chamado "Despertar", de acordo com o livro, acontecia apenas uma vez a cada milênio. Elizabeth era a escolhida para o primeiro Despertar e por isso se tornou imperatriz, graças aos poderes que adquiriu. Mas eu não esperava que isso também pudesse acontecer comigo. Lina possuía poderes fortes, não havia dúvidas, mas nunca imaginei que um dia me tornaria uma maga de alto ranking.

De alguma forma, o veneno conseguiu abrir meu circuito de mana, que havia sido selado quando eu era criança. O webromance "Como Conquistar o Imperador" descrevia que Elina tinha sido selada por um antigo mago pertencente à Torre Negra. A Torre Negra era uma academia frequentada apenas pelos nobres e talentosos magos.

Por causa disso, Elina nunca pôde usar totalmente o seu dom e não podia conjurar nenhum espírito. Os grandes e poderosos magos podiam conjurar espíritos do ar, do fogo ou até mesmo da água. Quando fui envenenada, desmaiei e fui parar no mundo dos espíritos.

— Onde estou? — olhei em volta e vi que estava sentada no chão, cercada por muita grama verde.

— Olá, bem-vinda ao mundo dos espíritos. Meu nome é Tini e serei sua guia. — disse uma criatura baixa e totalmente verde, se aproximando de mim.

— Eu sou o talento raro? — murmurei confusa, sabendo que apenas o escolhido poderia ter acesso ao mundo dos espíritos.

Tini — Você tem a sorte de possuir um talento igual ao seu, algo que só acontece uma vez a cada milênio. — e se afastou.

— Ei, espere por mim! — corri atrás dela, não queria ficar presa naquele lugar.

Tini — É tradição que cada talento passe por uma prova, e dependendo do resultado do teste o espírito, ele é designado ao participante.

— Eu sei... — escapou, não queria que ninguém descobrisse que eu não pertencia àquele lugar.

Tini — Desculpe, como disse? — perguntou sem entender.

— Nada, podemos continuar. — Se me lembro bem, ela me levaria ao espírito, que me daria uma charada e, se eu acertasse com uma resposta adequada, poderia escolher o espírito que desejava.

Se tivesse a chance, escolheria Amália, o espírito do ar, o mais forte de todos. Tive uma grande oportunidade diante de mim, que não podia ser desperdiçada, apesar de já saber qual era a resposta correta que eu precisava dar. Às vezes, há recompensas por passar noites em claro lendo.

Tini — Convoco Arius para o grande desafio. — bateu em uma árvore e de lá saiu um velho barbudo que estava cochilando.

Arius — Ora, ora, o que temos aqui? A última vez que tivemos visitantes, se não me engano, foi há mil anos.

— Saúdo o grande espírito. — me curvei.

Arius — Vejam, pelo menos esta tem educação. — sorriu. — Qual é seu nome, jovem?

— Meu nome é... Yu, Lina — estendi a mão para ele. — Elina Woods.

Arius — Muito bem, senhorita Elina. Vou explicar as regras. — estalou os dedos como se tivessem adormecido por muito tempo. — É bem simples, nada muito difícil. Eu vou lhe fazer uma pergunta e você responde.

— Certo, podemos começar. — me sentei em um tronco de árvore que estava caído no chão.

Arius — Decidida, gostei. — olhou para mim, curioso. — Um ser misterioso. Se você puder me dizer quem é, poderá escolher qualquer espírito presente aqui.

— Pode perguntar estou pronta!

Arius — Tem apenas uma cor, mas pode ter vários tamanhos. Está presente quando há sol, mas nunca na chuva. Passa o tempo todo no chão, mas nunca suja. Não causa mal e não sente dor. Quem é esse ser? — perguntou, colocando seus dedos azuis no queixo.

Fiquei sem saber o que responder. Ele não fez essa pergunta para Elizabeth, era outra charada. Era difícil, o que poderia ser? Talvez fosse algo relacionado com a natureza, com a idade. Será que...? Sabia que era uma coisa que só poderia ser vista por olhos observadores.

Arius — Se não tiver a resposta, basta dizer...

— Espere! Preciso pensar.

Comecei a observar ao meu redor, o sol estava prestes a se pôr naquele lugar, as sombras das árvores estavam mudando. Claro, era isso! A sombra. Ela tem apenas uma cor, vários tamanhos e passa o tempo todo no chão.

— Tenho a resposta para a sua pergunta. — levantei-me determinada.

Arius — Pode dizer. — respirou fundo.

— O ser misterioso é a sombra. — apontei para a minha própria sombra. Todos ficaram surpresos e o velho continuou pensando.

Ário – Hum. Você é a primeira humana que responde com tanta confiança. — olhou nos meus olhos. — Resposta correta! Pode escolher qualquer espírito presente aqui.

Eu sabia que o espírito mais poderoso não estava presente, pois achava trivial ver os humanos tentando responder charadas que para ela eram entediantes. Ela fazia apenas o que queria e não se importava se o ancião achasse desrespeitoso.

— Quero fazer um pedido incomum. — sorri maliciosamente.

Arius — E qual pedido seria?

— Quero invocar o espírito Amália, que não está presente. — Quando seu nome foi pronunciado, ela apareceu na minha frente.

Amália — Como sabe o meu nome? — a mulher pequena de pele dourada e cabelos longos da mesma cor, me olha desconfiada.

— Regras são regras, não posso revelar como sei. — digo misteriosa.

Amália — Já faz um tempo desde que não vou ao mundo dos humanos. Seria bom sair um pouco deste lugar. — estalou os dedos e acordei em uma cama no palácio, com muita agitação ao redor.

— Que barulho é esse? — consigo dizer.

Vi o duque e a imperatriz discutindo. O duque estava irritado e a mulher me olhou de maneira estranha. Edward pegou minha mão e seu rosto se suavizou ao me ver acordada. A imperatriz saiu e nos deixou a sós.

Edward — Como você está se sentindo?

— Muito bem. — tentei me levantar, mas ele não permitiu.

Edward — O médico imperial disse que você precisa de repouso.

— Nada disso. — discordo — Quero participar dos treinamentos ainda hoje.

Edward — Sempre teimosa. — colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Só vamos para casar amanhã, deixa eu verificar sua energia vital.

— Pode verificar o quanto quiser. — ofereci meu pulso para que ele verificasse a minha "mana".

Edward — Não há sinal de veneno em seu sangue. Parece que jamais existiu. — ficou confuso.

— Viu, eu disse. — fiz beicinho.

Edward — Está bem, amanhã deixarei você participar do treinamento, entretanto quero que fique descansado — deu um beijo na minha testa e se foi.

Sabia que ele não aceitava isso facilmente. No fundo, desconfiava de algo e eu não podia contar nada a ele. Sabia que a vingança que ele guardava no coração era maior do que qualquer paixão, e eu não podia contar que tinha invocado um espírito ou que "despertei". Ele poderia querer me usar... E no final, quem estaria usando quem? Eu ou ele?

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Comments

BRUNA SÁ

BRUNA SÁ

curiosa mais e mais 🤭🤭🤭

2024-05-29

1

may 22k

may 22k

acerteii

2024-04-10

2

New Biana

New Biana

continua escrevendo muito bm

2024-02-05

2

Ver todos

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