ELINA
Acordei assustada e com dificuldade para enxergar. Esfreguei os olhos e, finalmente, quando consegui enxergar, percebi que não estava em meu quarto habitual. "Onde estou?" Sem dúvida, aquele não era o meu quarto. Era muito luxuoso, até o teto era pintado como se fosse uma obra de arte. Percebi alguém se aproximando de mim, até que finalmente pude ver com clareza, havia uma garota da minha idade usando uniforme de empregada, parando em frente a mim.
*** — Senhorita Lina, já está acordada? Peço desculpas, geralmente a jovem mestre acorda depois das 10 da manhã — disse ela cautelosamente, como se estivesse com medo da minha reação.
— Desculpe, mas você me chamou como??? — Era impressão minha ou ela me chamou de Lina?
Levantei abruptamente, olhando para a garota parada à minha frente. Observei-a atentamente, tudo estava tão confuso. Talvez eu estivesse morta, mas não, meu coração batia rápido, constatando que estava muito viva.
*** — Chamei de primeira, senhorita Lina, seu nome.
Procurei rapidamente por um espelho e, com sorte, encontrei um bem grande. Minhas suspeitas foram confirmadas: eu estava no corpo de "Elina Woods", a vilã do meu romance favorito, uma mulher considerada um demônio. Atônita, observo meus olhos vermelhos como sangue. Não podia acreditar que reencarnei como a vilã destinada a morrer pelas mãos da pessoa que mais amou.
Não importa para onde olhasse, eu reencarnei no web romance "Como conquistar o Imperador". E o personagem em questão era a notória vilã, a irmã do protagonista e a grande vilã do meu livro favorito. Comecei a entrar em pânico. O destino de Lina não era nada bom. Ela ficou meses presa na prisão até que seu primeiro amor a mandou para a guilhotina. Era óbvio o tipo de fim que me aguardava.
Elina, por outro lado, era uma maga poderosa, a segunda mais habilidosa, atrás apenas de Edward Millaner, o grão-duque o segundo protagonista . Ela herdou os cabelos pretos e volumosos de sua mãe, que iam até a cintura, e os olhos vermelhos de seu pai. Havia um boato que corria por todo o império de que essa cor era de mau presságio, enquanto sua irmã era loira, como seu pai, e tinha olhos azuis, como sua mãe.
*** — Primeira senhorita! A senhorita está bem? Quer que eu chame o médico imperial? — perguntou, percebendo meu desespero.
— Qual é o seu nome? — Perguntei à criada, pois se eu realmente estava dentro do livro, ela deveria ser a empregada pessoal de Lina, que a serviu desde pequena.
*** — Não está me reconhecendo, jovem mestre? Sou eu, Madeline — Colocou a mão na minha testa, verificando se eu estava com febre — Primeira senhorita Lina, acho que está com febre, vou chamar o médico real — eu a detive.
— Não precisa, Madeline, não é nada. Só preciso de um pouco de ar fresco. Poderia me ajudar a me vestir?
O rosto dela relaxou e ela começou a me ajudar. Minha mente estava a mil. O livro em que eu estava não era apenas simplesmente um livro de romance. Havia muita guerra e sangue, além de política envolvida e também uma guilhotina me esperando. Resumindo, era um romance para maiores de 18 anos. Se agora eu tinha uma segunda chance de viver, poucas opções eu tinha. Então, só uma coisa me restava fazer: romper o noivado e me afastar a todo custo do príncipe herdeiro.
Após Madeline me vestir, me vi com um lindo vestido preto com renda branca, exatamente como o livro descrevia o estilo de Lina. Passava uma sensação sombria e sexy, mas isso iria mudar assim que colocasse meu plano em ação, já que eu não queria que minha cabeça fosse separada de meu pescoço. Na minha vida anterior, nunca tive uma vida própria, nem o direito de fazer minhas próprias escolhas, mas agora seria diferente.
Chegando ao jardim, percebi que Elizabeth tomava chá com Jennie, a segunda princesa do império. Sentei-me com elas e percebi que o olhar delas mudou. Era assim que Lina deixava as pessoas, desconfortáveis.
Beth — Primeira irmã, que surpresa tê-la aqui. Costuma evitar o sol à tarde, sempre reclama de como sua pele fica queimada. — Forçou um sorriso diante da princesa.
— Estou tentando mudar, Beth. Quero aproveitar as coisas boas da vida — falei calmamente, enquanto me sirvo um pedaço de bolo de morango — Além disso, um pouco de luz solar não me fará mal, apenas deixará minhas bochechas um pouco rosadas.
Jennie — Bem, eu vim aqui convidá-las para meu aniversário que farei amanhã no palácio imperial. Desejo que as duas estejam lá sem falta amanhã. — Entregou o convite, sorrindo. Mas eu sabia que a segunda princesa nunca gostou de Lina, nem sequer de Elizabeth. Achava as duas caipiras que não sabiam se comportar e não mereciam a atenção que seu irmão mais velho depositava na irmã mais nova da família Woods.
— Agradeço o convite, segunda princesa. Estarei lá sem falta. Às vezes, poderia ser uma carta na manga ser uma leitora, pois sabia exatamente o que iria acontecer.
Elizabeth — Faço minhas as palavras de minha irmã, Jennie. Estarei esperando ansiosamente. — Segurou meus ombros, enquanto nos levantamos para caminhar pelo jardim.
No enredo original do livro, a festa da segunda princesa foi um desastre, já que o príncipe herdeiro apareceu especialmente para ver Elizabeth e, por ciúmes, Lina empurrou sua irmã no lago e o príncipe a salvou.
Essa seria uma oportunidade de encontrar com Edward, o grão-duque do império. A única maneira de me manter viva nesse jogo de política era me unir a ele, já que, além de ser o herói de guerra, era também o comandante do exército, um combo perfeito para o que eu precisava. Teria oportunidade suficiente para terminar o noivado com o herdeiro do trono.
A noite chegou, e a princesa foi embora. Elizabeth continuou me ignorando, como se minha presença não existisse. Sem ligar para o comportamento da protagonista, restou-me fazer um plano para permanecer viva nesse lugar. Assim que subi as escadas, fui puxada violentamente e caí no chão. Sem entender nada, levantei a cabeça e vi a senhora da casa aos berros.
Ophélia — Como você pode fazer isso com sua irmã! — Gritava, puxando meu cabelo.
Elizabeth — Mãe, pare com isso, por favor! — Tentava segurar o pulso de sua mãe, que continuava me esbofeteando.
Tinha esquecido por um momento o porquê de Lina ser tão cruel e odiar sua irmã. O favoritismo de sua mãe corroía sua alma, já que sempre o centro das atenções tinha que ser sua irmã mais nova. Para ela, sempre faltou afeto materno, apesar de seu pai amá-la e ter carinho por ela. O duque Woods passava a maioria do tempo ocupado, já que tinha os melhores cavaleiros do império, o que tornava seu tempo escasso.
Mas, como todo bom pai, sempre que tinha tempo livre, mimava sua primogênita. Seu pai nunca soube o que sua mãe fazia com Lina. Ela tinha medo de que o pai um dia acreditasse nas mentiras de sua mãe e perdesse o único carinho que lhe restava.
— O que fiz para despertar tanto ódio? — Comuniquei, colocando a mão no lugar onde ardia como brasa.
Ofélia — O que fez? Ora, não tente bancar a desmemoriada. A roupa de sua irmã para o aniversário da princesa está completamente rasgada. Acha que eu não sei que foi você?
Elizabeth — Por favor, mamãe, deixe isso para lá. Eu vou com outra.
Ophélia — Ah, meus nervos, essa maldita vai me matar! — Fingiu um desmaio, e vi a oportunidade de correr para o quarto.
Senti lágrimas quentes descendo. Era assim que Lina deveria se sentir. Rejeitada por sua própria mãe, tendo que esconder suas habilidades para que sua irmã sobressaísse.
Mas acho que o destino me deu uma segunda oportunidade. A Lina original havia desaparecido, e eu assumi o seu lugar. Essa seria uma versão mais inteligente e astuta. As emoções não me dominariam, apenas o racional iria funcionar a partir de agora.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 34
Comments
Souza França
Boa ideia!!!
2024-10-23
0
Souza França
ficar o mais longe possível da causa das consequências!!🤭
2024-10-23
1
Souza França
dispenso esse tipo de amor!😶
2024-10-23
1