ELINA
O baile de máscaras estava próximo, exatamente dois dias e como uma boa fã de livros sei que o corpo de Elina era fraco, entretanto me surgiu uma ideia excelente. Como a família Woods tem os melhores cavaleiros do império e meu pai Liam Woods inventou nada mais que a técnica secreta da espada, me fez pensar que se eu me disfarçasse de homem poderia facilmente me passar por um guerreiro iniciante, aspirante a guarda.
Creio eu que terei alguma vantagem, pois minhas habilidades mágicas são únicas em todo o império, a ''magia negra'' tinha uma má fama, pois todos os seus portadores foram figuras maléficas, no enredo original a vilã fazia questão de esconder de todos as suas habilidades. Ou seja, eu continuaria escondendo para não surgir esse mesmo rumor. Mas, todavia, esse poder era um dos mais poderosos, poderia facilmente trocar a cor dos meus olhos por um castanho e meu cabelo por um tom loiro e logicamente minha voz ficaria mais grave. Tudo se encaixaria muito bem para meu novo plano, aprenderia a ser um soldado exemplar para me manter viva nesse jogo de poder.
Assim que amanhece, vejo minha empregada Madeline entrar pela porta do meu quarto e tento ao máximo distraí-la a fim de começar meu treino.
Madeline — Bom dia, primeira senhorita Elina, trouxe seu café da manhã — coloca a bandeja metálica em cima da pequena mesa em meu quarto.
— Obrigada, Madeline — me assento na mesa e tomo silenciosamente o meu café.
Madeline — Tem planos para hoje? — pergunta retirando a mesa — Talvez ir até a capital se distrair um pouco, ou até mesmo visitar a nova loja de doces que abriu recentemente.
— Outro dia irei, mas hoje penso que prefiro passar o dia apenas lendo — falo a primeira coisa que vem a minha mente — Com isso não precisarei de seus cuidados até a noite, você tem a manhã e a tarde toda livre, faça o que desejar.
Madeline — Certo, irei me retirar.
Assim que ela sai, uso minha mana para trocar minhas características físicas e assim saio sorrateiramente pela porta. Mas meu dia não começou do jeito que gostaria, não tive muita sorte e esbarrei em Elizabeth, pois a mesma subia a escada abruptamente.
Elizabeth — Olha por onde vai, garoto estúpido! — grita comigo enquanto sua empregada a verifica.
— Perdão, senhorita, foi minha culpa — abaixo a cabeça e me ajoelho.
Elizabeth — Você pisou no meu vestido com sua roupa maltrapilha! Direi ao meu pai para descontar do seu salário! — sai bufando em direção ao seu quarto, nunca gostei de fato da protagonista, achava suas ações muito forçadas, mas nunca esperei que diferente de como ela tratava os serviçais na frente todos era diferente de sua verdadeira personalidade.
...
Finalmente cheguei até o campo de treinamento, alguns guardas estavam na frente da entrada verificando a carta de recomendação, fiz questão de forjar a minha com antecedência. Vi uma carruagem real parada na frente, mas pensei em primeiro momento que era alguma mensagem de sua majestade para meu pai, pois um dia ele já trabalhou na corte como estrategista de guerra. Deixei isso de lado e fui em direção ao pátio externo no qual meu pai estava dando aula.
Liam — Sejam bem-vindos ao primeiro dia de treinamento! Não sei quais são suas histórias ou status sociais, mas gostaria de pedir que esqueçam ambos — sua voz ecoa por todo lugar — Aqui vocês terão o mesmo direito do que qualquer um, espero poder formar bons soldados para o futuro do império.
Todos em união concordam com suas palavras e o treinamento se inicia, nas primeiras horas treinamos os primeiros golpes e contra-ataques iniciantes. Fiquei impressionada que quanto mais o corpo de Elina treinava mais forte ela ficava, acho que isso se dava devido ao seu poder. Impressionados pela força e agilidade que cada golpe meu tinha sobre os bonecos de palha que os iniciantes usavam, que resolveram me trocar para a turma intermediária, a qual outra pessoa iria ensinar.
Liam — Apresento a vocês um convidado ilustre que irá participar dos ensinamentos de vocês — o mesmo coloca a mão sobre um ombro muito familiar — Edward Millaner, o grão-duque do império e o atual general de guerra! — todos ficaram petrificados.
O que o duque fazia aqui? O olhar frio dele passava por todos os rostos da turma até parar no meu, comecei a suar frio, será que tinha me descoberto? Impossível! Minhas características eram praticamente ao contrário das minhas verdadeiras. Será que ele tinha um tipo de poder que o possibilitava ver a mana? O Grão-duque do império tinha o dom contrário ao meu, seu poder era da luz ao contrário de mim que graças aos meus olhos vermelhos a mana das trevas permanecia em mim.
Edward — Como hoje ficarei encarregado do treinamento de vocês, meu método será aplicado — vem até o meio do pátio junto aos seus homens, os quais possuíam nas mãos vários tapas olhos, e cordas.
Liam — Bem, deixarei vocês nas mãos do duque — se despede.
Edward — Cada um de vocês vai ser testado o instinto, ficarão com uma mão amarrada e um olho tapado. A dificuldade fará com que sua percepção se apure, cada guerreiro travará uma luta corporal comigo.
Depois desse anúncio os guerreiros começaram a ser amarrados, seria um verdadeiro festival de horror, ninguém naquele lugar tinha a experiência de guerra que o duque tinha. Era cada round perdido atrás do outro, até que chegou minha vez, meus sentidos ficaram à flor da pele. Edward também permanecia com uma das mãos amarradas e um olho tapado, o duque fez essas restrições de braço e visão, pois iriam ajudar a imitar de perto as condições do campo de batalha, com isso os guerreiros iriam ficar acostumados com o ambiente.
Edward — Vejo que eu tenho um desafiante um tanto confiante, que continua brandindo sua espada — fala após eu cair no primeiro golpe e me levantar zrapidamente e logo em seguida atacar.
— Ouvir dizer que a força de um cavalheiro vem da sua vontade de viver, você não concorda, vossa graça? — vejo mesmo levantar sua sobrancelha, sei que eu não era páreo a ele.
Quanto mais durar a nossa troca de golpes, maior será a minha desvantagem. Pego um impulso com meus pés e faço um ataque frontal, apesar da minha tentativa de fazer o mesmo perder o equilíbrio, o duque se demonstra firme sem ao mesmo sair do lugar.
Edward — O que está errado? Isso é tudo que você tem? — dá um riso.
Meu centro de equilíbrio é instável, para o primeiro dia de treinamento estava sendo muito gananciosa. Apesar de meu poder ser superior a muitos níveis em mana, sua técnica e experiência transparecem, meus instintos estão tentando me fazer mover do jeito que faço quando posso usar meu braço esquerdo. Se eu ajustar meu centro de equilíbrio... meu alcance mudará, vou ter que chegar mais perto!
Edward — Seu movimento está entorpecido! Não confie apenas na força! Seu trabalho de pés está ficando descuidado! — diz enquanto o ataco novamente mais o mesmo não sofre dano algum — Faça uso de sua agilidade. Vai mais longe! Mais pressão na espada!
Ele realmente é impressionante, todos meus golpes não o atingem mesmo que eu dê tudo de mim, estou cansada enquanto ele tem fôlego de sobra. Nessa pequena troca de golpes, ele está dizendo exatamente quais pontos preciso melhorar. Faço um último golpe e o mesmo contra-ataca me fazendo cair para trás.
*** — Duque Edward vence! — um dos guardas grita, anunciando outra vitória.
Edward — Reconheço um oponente bom quando o vejo — oferece a mão para me levantar.
— Obrigada — levanto e recolho minhas coisas.
Olho para o céu, a lua já aparecia no horizonte, preciso voltar antes que alguém perceba o meu sumiço. Penso em voltar por um caminho por trás da mansão, o mesmo que os empregados usam, assim não chamarei tanta atenção, olho em volta e sigo, entretanto, alguém me prende contra a parede e vejo que é o duque, ele se aproxima ficando centímetros perto dos meus lábios.
Edward — Achava que a bela dama era previsível, mas acho que me enganei — olha para mim com um olhar penetrante, fui pega!
— E… eu… eu — lembro que ainda estava na forma masculina — Acho que o duque está me confundindo com alguém.
Edward — Nunca pensei que fosse se disfarçar de homem para treinar — ri.
— O que você faz aqui em primeiro lugar? — tento não ruborizar e volto à minha forma original.
Edward — Vim pedir sua mão em casamento ao seu pai — me deixa sem palavra.
— Como sabia que era eu? — olho ofegante, pois seu calor corporal estava me deixando louca.
Edward — Como posso não reconhecer minha futura esposa? — enrola uma ponta do meu cabelo em sua mão.
— Devo ir, antes que sintam a minha falta — antes de me deixar ir. Beija a minha mão e fala.
Edward — Te vejo no baile, minha dama.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 34
Comments
_Aoi_ sama
Prota você ganhou na loteria!!!! Vê se não deixa esse homem escapar não!!!!😍😍😍😍😍
2024-11-27
0
Souza França
vamos esquentar esse negócio?!
2024-10-23
0
BRUNA SÁ
nossa nossa 🥰😍😍
2024-05-28
2