ELINA
Chegara o grande dia: o baile de máscaras. A propriedade Woods estava a todo vapor, todos estavam super ocupados e tensos. Minha mãe queria que seu "anjo" ficasse impecável, enquanto minha irmã, como de costume, estava em seu pedestal de boneca. Havia chegado uma caixa com um vestido preto de corcê cor-de-rosa, com rendas pretas por todos os lados, mangas bufantes e, junto ao vestido, uma máscara negra com pérolas bordadas na parte frontal da peça.
Inicialmente, Ophélia teve um ataque de raiva, mas seu marido a lembrou de que o Grão-Duque, superior a eles, tanto em status quanto em títulos, não poderia ser contrariado. Elizabeth não disse nada, apenas virou seu rosto para o grande espelho que havia em seu quarto, pedindo que sua empregada apertasse o máximo seu corcê. Seu vestido, ao contrário do meu, era branco, digno de uma princesa, com top em formato de coração e a parte de baixo cheia de plumas.
Ao nos colocar lado a lado, podíamos ser comparadas ao cisne branco e ao cisne negro, do Lago dos Cines, uma peça de balé muito famosa. Algo que ninguém deste mundo entenderia, já que a era moderna nunca existiu aqui.
Me olho diante do espelho, parecia deslumbrante. Meus cabelos negros volumosos davam o toque especial ao modelo que caiu como luva em meu corpo. Ao colocar a máscara, sabia que aquela seria uma noite muito longa.
Duas carruagens foram estacionadas em frente à mansão, e o Grão-Duque estendeu sua mão, muito cortês, para me ajudar a entrar. Não conseguia respirar direito devido aos arrepios que percorriam meu corpo por apenas um toque de Edward, era algo surreal.
Edward — Está muito bela esta noite, Senhorita Sabe Tudo — elogia brincalhão.
— Digo o mesmo. Brilho do Império — devolvo o elogio sem perceber que o chamei pelo apelido secreto que as damas de todo o império lhe deram.
Edward — Brilho? Desculpe, mas não compreendi — levanta a sobrancelha. — Certamente, estou leigo sobre esse assunto. Poderia me explicar, dama dos olhos de rubi? — olha em meus olhos, me deixando completamente desconcentrada.
— As damas o apelidaram de "Brilho do Império", pois sua beleza é como a lua que brilha no céu, e também porque seus cabelos são tão brancos como a mesma — explico e o vejo ficar vermelho, não sabia que poderia deixar um homem tímido.
Assim que pisei no palácio, percebo que estávamos chamando muita atenção. Os murmúrios não precisavam esperar, todos se perguntavam por que o general estava acompanhado pela primeira senhorita da família Woods. Edward estava com um smoking preto, que ressaltava muito sua pele pálida. Por onde passávamos, as pessoas só faltavam quebrar o pescoço de tanto que nos olhavam.
Seguimos direto para o salão de baile. Todos estavam concentrados, já que o imperador tinha um anúncio importante, o que aumentava a curiosidade reinante no local.
— Assim que o Imperador fizer o anúncio, dirija-se ao lado do palanque. O assassino estará do lado direito, com uma capa vermelha — sussurrei para o duque, e o mesmo concordou, sumindo na multidão.
Fico com olhos e ouvidos atentos ao ataque. De costume, o príncipe herdeiro comparece no salão de baile e cumprimenta todos. Seus olhos se encontram com o meu decote e ele fica meio hipnotizado. Não tinha como se esconder atrás de uma máscara, seu cabelo o denunciava.
Adam — Posso saber o nome da senhorita? — Pergunta com uma voz sedutora, nem parece que está preocupado com o atentado que arquitetou ao seu próprio pai.
— Achei que só tinha olhos para minha irmã, Sua Majestade — zombo e o vejo ficar surpreso. Não sabia que eu era aquela que estava por trás da máscara. A verdadeira Lina ficaria maravilhada com sua cantada, mas eu só sentia nojo.
Adam — Hoje em dia, o que um lindo vestido pode fazer à desprovida de beleza igual a você.
— Vê se me erra! Minha irmã está deste lado, vai chispa, cachorro — aponto para Elizabeth, que estava conversando com algumas jovens.
Antes que ele pudesse responder, sua irmã chega o arrastando para o lado oposto. Se ela não estivesse aparecido estaria em maus lençóis, afinal insultei o herdeiro da coroa.
Philip — Peço atenção a todos vocês! — bate em uma taça de champanhe — Eu, Imperador Filipe II, tenho um grande anúncio a fazer, quero...
Antes que ele pudesse continuar, um homem de cabelos castanhos com uma máscara vermelha aparece no palanque, com uma espada em direção às costas do imperador. Antes que o assassino encostasse um fio de cabelo do imperador, surge Edward, que com um só golpe o degola.
Todos gritaram, e vejo o príncipe herdeiro, que antes estava sorrindo, ficar com um semblante irritado. Seu plano hadia falhado. O imperador agradeceu incontáveis vezes ao Duque, até que pediu que tirasse a máscara para ver o rosto do seu salvador.
Philip — Oh, Edward, foi você que me salvou? — O abraça — Muitas honras serão atribuídas a você, nosso herói de guerra.
A multidão bate palmas, e Edward pisca para mim. Me seguro para não rir, o Grão-Duque tinha um senso de humor um tanto incomum.
Elizabeth — Irmã, podemos conversar por um instante? — chega de repente, com um olhar triste.
— O que houve? — pergunto, surpresa. Geralmente ela me ignora, como se eu nunca existisse na face da terra.
Elizabeth — Jennie sem querer derramou vinho branco no meu vestido. Poderia me ajudar a limpar no banheiro.
— Claro que sim — a sigo até o banheiro.
Elizabeth — Sabe, Lina, acho que vou trocar com você — me olha com um olhar assustador.
— Como assim?
Elizabeth — Você fica com o príncipe e eu com o duque. O duque é um herói de guerra e o príncipe não passa de um mimado.
— Sinto muito, mas do meu noivo não irei desistir. Você e a mamãe já me tiraram muita coisa importante, mas ele, eu vou ficar — digo, já me preparando para brigar.
Elizabeth — Se você não vai me dar por bem, vai ser por mal — Me empurra para trás e tranca o banheiro.
— Maldição! Como pude ser tão burra? O que eu pensei? Que ela simplesmente iria virar uma irmã carinhosa? — tento usar meus poderes, mas nada adiantou. Aquele era o banheiro de emergência do castelo, caso acontecesse algum ataque de rebelião: era anti-poderes, um bloqueio mágico.
Elizabeth tinha o poder de se transformar em qualquer pessoa que desejasse, podendo assumir sua forma física. Aquele baile mal tinha começado, e já estava me dando muito trabalho. Mas o que Elizabeth não contava era com uma leitora voraz que conhecia seu livro favorito de trás para frente.
Se me lembro bem, esse banheiro possui uma janela pequena. Certamente a cintura fina e ao mesmo tempo encorpada de Lina passaria sem dificuldades. Subi em cima do que eles chamam de vaso, porém, era bem precário, e o cheiro, aliás, era insuportável. Me lancei sem medo no mínimo vitrô e caí de bunda do outro lado. Acabei me machucando, mas a adrenalina que estava no meu sangue me impedia de sentir qualquer dor.
Não sabia que Elizabeth era capaz de me prender. Sempre foi uma personagem gentil e calma, nunca teria coragem de fazer mal a uma mosca. Mas, como minha avó falava: "Remédio de doido é um doido e meio", ela mexeu com a baixinha errada.
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Atualizado até capítulo 34
Comments
Edna César
tá sendo burra
2025-02-15
0
Souza França
:🎉
2024-10-23
1
Souza França
olha a armadilha aí!!!
2024-10-23
1