Íris
Do terraço da minha janela, avisto uma carruagem se aproximando era o grão-duque e sua noiva, que vieram para um jantar. A vida na corte realmente não era fácil; para manter-se viva e garantir seu lugar, era preciso sacrificar-se, mesmo que esse sacrifício significasse desistir do amor pela própria filha. Fiz muitas coisas para manter-me imperatriz, mas dentre elas há uma da qual me arrependo muito.
O casamento é apenas uma união entre famílias, não passa de um negócio. Eu nunca amei Filipe, casei por obrigação, pois quem sempre teve meu coração foi Liam Woods, meu primeiro amor. Éramos jovens e não tínhamos controle sobre quem queríamos ser; desse amor nasceu um fruto, uma bela menina de olhos vermelhos e cabelos negros, minha menina, tão linda. Minha família, ao saber que eu estava grávida, mesmo estando noiva do príncipe herdeiro, me isolou e assim que dei à luz; levaram minha filha, Deus sabe para onde.
Esse dia foi a primeira e a última vez que vi minha filha. Não sei o que aconteceu com ela, mandei meus homens procurarem secretamente, mas nunca obtive respostas. Depois que me casei com Philip, engravidei novamente e dei à luz há um menino, e dei a ele todo o amor e carinho que não pude dar à minha primeira filha, talvez até demais.
Hoje, eu tinha uma missão: garantir que meu filho permanecesse na linha de sucessão ao trono; só assim garantiríamos nosso futuro. Recentemente descobri que o filho daquela mulher ainda estava vivo, e o destino fez com que ele viesse até mim.
Tenho muito conhecimento em venenos; há uma flor mágica chamada "Purple", com uma coloração lilás, altamente mortal, que pode matar uma pessoa em poucos segundos; apenas aqueles que têm a mana rara podem sobreviver a esse veneno, se tiverem o antídoto.
Adam — Mãe, você já viu que eles chegaram? — meu filho entra em meu quarto. Eu o mimei demais, faltava-lhe a boa educação que um príncipe herdeiro deveria ter.
— Já te disse para bater antes de entrar, filho — vou ao seu encontro.
Adam — Desculpe, mas estou tão irritado que não percebi— joga-se sobre minha cama.
— E o que está te deixando tão aflito? — sirvo-me um pouco de chá.
Adam — Ainda me pergunta, mamãe? — levanta a cabeça — Papai está me obrigando a conviver com aquela ovelha negra, por uma noite inteira!
— A quem você se refere? — franzo a sobrancelha.
Adam — À filha mais velha dos Woods — nunca havia visto tal dama, nunca presto atenção nas pessoas nos bailes.
— Nunca a conheci — digo por fim.
Adam — O que vamos fazer se o papai quiser dar o trono ao bastardo? — levanta e começa a andar de um lado para o outro.
— Meu querido filho, não se preocupe, eu tenho a solução — rio, cruzando as pernas.
Adam — E qual seria? — senta-se ao meu lado.
— Isto — tiro do meu decote um frasco na cor lilás — A solução de todos os nossos problemas.
Adam — O que é isso? — olha para o frasco.
— Um veneno muito poderoso — balanço o líquido — Bastam apenas três gotas para uma morte letal e sem deixar rastros; nunca se descobriria que o assassinato foi perpetrado.
O futuro sol do império sorri e deixa meus aposentos; apesar de mimado, ele sabia a hora de ser astucioso. A parte gananciosa ele herdou do pai, mas houve um tempo em que já existiu em mim, uma menina doce e ingênua.
Dirijo-me à entrada principal: eu queria receber nossos convidados pessoalmente. No caminho, encontro o imperador bebendo vinho com uma dançarina em seu colo, uma moça que não passava dos vinte anos. Ele fez isso para me provocar; desde que matei seu primeiro amor, nunca superou sua morte e faz de tudo para me deixar com raiva, mas com o tempo desenvolvi nervos de aço.
— O grande sol do império vai deixar seus convidados esperando? — digo num tom sarcástico; vejo o jovem se assustar com a minha voz e ir embora rápido, num piscar de olhos.
Filipe — Sempre você — revira os olhos — sempre estraga minhas diversões.
— Não fiz nada, meu imperador — curvo-me — Vamos, nossos convidados nos aguardam.
Saúdo o grão-duque e sua noiva; a jovem dama me parece muito familiar, embora eu nunca tenha realmente a visto... pelo menos não que eu me lembre. Quando fomos para a sala de jantar, pedi ao meu servo de confiança, Toni, que pegasse o veneno.
— Lembre-se, bastam apenas três gotas; não é preciso mais que isso — entrego-lhe o frasco.
Toni — Claro, minha imperatriz; suas palavras são uma ordem — pega o frasco e sai um pouco da minha visão.
O jantar se inicia e o vejo disfarçado de garçom; bebo meu vinho calmante enquanto olho para o duque do norte. Dentro de alguns segundos, meus planos seriam realizados; continuo atenta e vejo a grã-duquesa beber o vinho. A tensão faz meu coração bater mais rápido; passados alguns minutos, não vejo nenhuma ocorrência dele pelo veneno.
Olho para Toni e ele está suando frio; aquela tolo trocou as taças e, se minhas suspeitas estiverem certas, a noiva do bastardo vai pagar o preço. A dama desmaia na minha frente; seu noivo fica louco, mas finjo compaixão.
— Oh, meu Deus, o que aconteceu? — aproximo-me dela, vejo uma marca nascente no ombro direito da dama, a mesma marca que minha filha tinha.
Aquela não era simplesmente a noiva do duque; era minha filha perdida, sangue do meu sangue, minha menina que foi arrancada dos meus braços assim que nasceu. Eu tinha matado minha própria filha; eu não podia deixar isso acontecer.
— Guardas!, levem-na para o meu quarto imediatamente! — grito desesperada.
Em meus aposentos, corro à procura do maldito antídoto; abro todas as minhas gavetas à procura do mesmo. Assim que o encontro, corro para dá-lo, mas sou impedida pelo homem considerado o brilho do império.
Edward — O que pensa que está fazendo? — segura minha mão.
— Estava apenas tentando ajudar — tento persuadi-lo — Isso é uma solução mágica para desmaios.
Edward — Minha noiva não precisa de nada que venha de você — me olha ferozmente.
— Mas... — tento argumentar.
Edward — Eu mesmo posso curá-la.
— Com o quê? Você possui poderes suficientes para isso? — começo a brigar com ele; se demorasse a dar o antídoto, ela poderia morrer em instantes.
— Edward — Não mais...
Elina — Que barulho é esse? — fala em um fiapo de voz; minha menina havia acordado, o destino a tinha trazido de volta para mim.
Quis tocá-la, abraçá-la, dizer que sou sua mãe. Mas isso só faria com que meu segredo se revelasse. Decidi deixar o quarto. Precisava pensar; o que eu iria escolher, a coroa ou minha filha?
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Atualizado até capítulo 34
Comments
BRUNA SÁ
nossa nossa 🤯🤯🤯
2024-05-29
3
may 22k
aí q merda, agr q eu me toquei! q nojoo
2024-04-10
5
New Biana
vc está usando ele já que sabe da história toda
2024-02-05
3