Evelyn...
Após Andrei ir embora, Samira nos leva até a cozinha e nos apresenta a Joana. Uma mulher de meia idade, simpática e muito receptiva. Ela conta um pouco sua história de vida, depois diz que Luis Henrique, não deixou que ela arrumasse nenhum quarto dentro da casa para nós.
— Como assim, Joana?! — pergunta Samira.
— O patrão, mandou eu arrumar a casinha de fora para elas ficarem! Já está tudo arrumando, levei roupas de cama, toalha e os peões levaram as poucas coisas que trouxeram! Depois levo algumas coisas da cozinha, caso queiram cozinhar!
Nosso avô Luís, mandou apenas uma mochila com algumas roupas de necessidade e acessórios de higiene pessoal.
— Não pode fazer, isso! Vou imediatamente falar com ele! — insiste Samira.
— Eu não acredito que meu irmão está sendo tão idiota! — diz Bruna.
— Não se preocupem com isso, nos viramos! Melhor não mexer com a fera! — digo.
— Evelyn tem razão, ficamos em qualquer lugar! O importante é termos onde ficar!
— Tem certeza?
— Sim!
— Por favor, Joana leve elas até o lugar que vão ficar, hoje eu preparo o jantar!
— Sim, patroa! Com licença.
Joana nos leva até a casa, que vamos ficar.
Parece até uma cabana, de tão pequena.
A sala e cozinhas são juntas, no quarto tem duas camas confortáveis e o banheiro também é bem pequeno. Mesmo sendo muito simples, tudo estava limpo e aconchegante. Não é o que estamos acostumadas, mas é o que temos por hora.
Assim que Joana saí do quarto, nos sentamos nas nossas respectivas camas.
— Quero o meu quarto, a minha cama! — digo com voz manhosa.
— Eu também, mas vamos ser fortes! Não podemos decepcionar ainda mais nossos pais e essas pessoas que estão nos ajudando!
— Tem razão!
Organizamos nossas coisas conversando sobre a nossa infância, sobre os momentos em família e tudo que nos faz bem. Se o intuito da conversa, era tentar esquecer o que estavamos deixando para trás, em Los Angeles, foi em vão. A saudade já nos corroia por dentro, nunca ficamos tanto tempo longe.
— Sentiu algo pelo Luis Henrique, mana? — pergunta Alyssa me fazendo engasgar com a saliva.
— Ficou maluca? Claro que não! Olha pra mim, uma mulher fina, sentir algo por um bruto como aquele!
— Se está dizendo! — diz e dá de ombros. — Mas que ele é um gato, isso não pode negar!
Reviro os olhos, fingindo indiferença.
E a imagem daquele bruto vem na mente.
Ao entardecer, tomamos banho e nos arrumamos para o jantar.
Como não queremos incomodar e evitar deixar o brutamontes irritado, combinamos de dividir as tarefas, e nós mesmos iremos cozinhar. Não temos esse hábito de cozinhar, mas aprendemos algumas coisas, observando a nossa mãe e as cozinheiras preparando as refeições.
Assim que entramos na casa grande, como a chamam por aqui, Luis Henrique estava sentado num sofá de acento único, sua sobrinha no outro sofá assistindo algo no tablet e Bruna, os servia com vinho. Assim que nos viu, seu olhar foi de cima a baixo em meu corpo e senti meu rosto queimar, nosso olhar se encontrou e imediatamente desviamos.
— Que bom que chegaram! Entrem!... Aceitam vinho?
— Não, obrigada! — dizemos juntas.
Pede para nos acomodarmos, nos sentamos ao lado de Zoe, a garota nos mostra o que assiti em seu tablet. Bruna, senta-se no braço do sofá ao lado de seu irmão.
— O que acharam da casa?
— É aconchegante!
— Mamãe, faz questão que venham fazer todas as refeições aqui conosco! — diz Bruna.
— Por que isso? Na casa tem cozinha e Joana ficou de levar mantimentos e tudo o que precisarem!
— Rick, não seja rude!
— Estou na minha casa, vou agir do meu jeito e os incomodados que se mudem!
Cerro os punhos cheia de ódio, minha irmã pousa sua mão sobre a minha e diz:
— Não precisa se preocupar, Bruna! Ficaremos bem na casa que de boa vontade disponibilizaram! Faremos as nossas refeições por lá mesmo!
— Nossa que notícia boa! — diz ele.
Esse homem não sabe com quem está falando, se acha que vou aguentar suas grosseirias por muito tempo, está muito enganado.
— Há por falar nisso, fiz uma lista das suas tarefas na fazenda! — diz entregando dois papéis na mão de Alyssa.
— Tarefas? — pergunto com espanto pegando o papel que está na mão de Alyssa.
Fico estática com o que está escrito, teremos que limpar o curral, as baias dos cavalos, carregar feno, colher os ovos das galinhas, tratar de todos os animais, cuidar da horta, dar banho nos cavalos e muitas outras tarefas, que nem sei se conseguiremos fazer tudo em um dia.
— Sim, pensou que ficaria aqui sendo servida como estão acostumadas?
— Não pensei nada disso, senhor brutamontes! Só não imaginei que nos faria trabalhar como os seus peões, vai deixar eles de folga para que nós façamos todo o trabalho? — pergunto com sarcasmo.
Bruna pega o papel e fica irritada com seu irmão, por nos colocar para fazer tantas tarefas e as mais difíceis.
— Rick, passou dos limites! Elas não vão dar conta de fazer tudo isso! Aqui as tarefas são todas divididas!
— Não, Bruna! Apenas estou sendo justo, elas tem que saber como é trabalhoso ter ovos, leite quentinho no copo e tudo mais, colocando a mão na massa e não esperando que os outros façam por elas! Não adianta reclamar com a mamãe, nada vai me fazer mudar de ideia!
A garota bufa.
— Eu ajudo vocês, até aprenderem!
— Obrigada, Bruna você sim é um amor de pessoa! — digo olhando para ele em desafio.
— O jantar está servido! — diz Samira, entrando na sala.
Fomos para a mesa.
Jantamos, com elas fazendo perguntas ao nosso respeito, o brutamontes não deu uma só palavra. Porém, hora ou outra nos pegávamos trocando olhares. Aquela situação era irritante, pois seu olhar parecia de desejo, mas ao mesmo tempo de ódio.
......O que fiz para esse homem me odiar tanto? — questiono-me, em pensamento......
Após o jantar, Zoe me convida para ir até o seu quarto, enquanto Alyssa ajuda a retirar a mesa. Na parede de seu quarto, havia vários recortes de jornais, com um homem montado num touro, outras numa arena ao lado de outros homens.
— Esse é o meu pai! — diz a menina.
— Não tem fotos com ele?
— Não! Ele viaja muito e nunca tem tempo para mim!
— Sinto muito! Deve sentir falta dele!
— Eu odeio essa vida no campo, odeio cavalos e tudo relacionado a vida dele! Tudo isso nos afasta!
— Na verdade, isso não afasta vocês, mas sim a escolha dele!
— Ele ama isso, mas não me ama!
Suas palavras cortam meu coração.
— Isso não é verdade, um pai sempre ama o filho!
— O meu não! Ele nem liga pra mim, só tenho meu avô e meu tio!
Mudo de assunto, ela mostra os seus desenhos, jogos e ficamos ali conversando. O pouco tempo que estive com ela, percebe-se o quanto a falta do pai está a afetando. Algumas pessoas não entendem o quanto isso pode afetar a vida dos filhos, há muitos pais que são provedores, mas não são referência de afeto e vínculo. As consequências disso inclui se fechar para o mundo e para as pessoas a sua volta, leva essa ausência para as suas relações futuras, se torna uma pessoa insegura, sempre com medo de ser rejeitada, sente que se foi rejeitada, é porque, não foi digna, sua auto-estima é baixa, são tantos fatores preocupantes.
Andrei tem razão, essa família precisa de ajuda e farei o que estiver ao meu alcance, mesmo que isso custe a minha sanidade, tendo que conviver com aquele senhor brutamontes.
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Helena
que tristeza dessa menina.sei bem o que é isso.
2025-02-15
0
Helena
breve o brutamontes vai virar um cachorrinho de madame.kkkkkkk
2025-02-15
3
Adriane Alvarenga
Realmente muitos pais não conseguem entender o qto é importante a presença e o carinho deles para um filho....
2025-01-18
2