Evelyn...
Após nos despedirmos de Samira, Bruna e Zoe, voltamos para a nossa casinha.
Não temos muitas roupas, apenas o necessário, vestimos um pijama e logo adormecemos, estavamos exaustas.
No sonho...
Estou novamente naquele barco, revendo tudo o que aconteceu, grito por ajuda, mas minha voz não saí, sinto que estou ficando sufocada, então acordo com Alyssa me chamando.
Estou toda suada, passo as mãos por meus cabelos, tentando normalizar a respiração.
— O que foi?
— Tive um pesadelo horrível, com aquele dia, com a morte daquele homem!
— Sei como é, fecho os olhos e a cena vem na minha mente também!
— Tive tanto medo naquele dia, Aly! Sabe que não sou de dizer muito sobre o que sinto, mas não posso negar que foi o pior dia de toda a minha vida..., foi horrível, ver uma pessoa ser morta e não poder ajudar! Depois correndo o risco de passar pelo mesmo! Quando te vi debaixo d' água desacordada, fiquei apavorada! Aly, não imagino a minha vida sem você, mana! — digo com lágrimas nos olhos.
— Também não imagino a minha vida sem você! Me perdoa por ter te culpado!
— Me perdoa também, falei coisas que te magoaram!
Nos abraçamos e não contivemos o choro.
— Já estou com saudades do papai e da mamãe! — diz Alyssa.
— Eu também, mas o que me conforta é que está aqui comigo! Sei que às vezes brigamos, não concordamos uma com a outra, mas saiba que sempre seremos amigas, sempre estarei aqui por você! Eu te amo, Alyssa
—Também te amo, Evelyn! Também sempre estarei aqui por você!
Ela deita-se ao meu lado e dormimos abraçadas.
No outro dia...
Acordamos assustadas com batidas insistentes na porta. Alyssa senta-se na cama e eu vou atender.
— Quem é? — pergunto temerosa.
— Sou eu a Bruna!
— Aconteceu algo? — pergunto abrindo a porta.
— Não! É que aqui na fazenda, começamos o trabalho muito cedo! — diz entrando com duas xicaras de café nas mãos.
— Tá de brincadeira não é mesmo? — digo fechando a porta.
— Não, estou falando sério!
— Mas nem amanheceu ainda? — diz Alyssa levantando-se.
— É bom irem se acostumando!
— Trouxe algumas roupas adequadas para o trabalho, mais tarde vamos até a cidade comprar roupas novas! Aqui terão que usar roupas que não chamem tanta a atenção e de acordo com sua nova vida!
Tomamos o café e vestimos as roupas que Bruna trouxe, calça jeans bota cano alto, camiseta e boné.
— Sabem andar a cavalo?
— Não, nem nunca chegamos perto de um!
— Bom, vai demorar um pouco mais para terminarmos as tarefas, mas por hora faremos sem mesmo! Outro dia ensino vocês a montar!
Seguimos para o tal curral, conversando.
Ela nos explicava como tudo funciona por ali, ouvíamos tudo atentamente. Logo que chegamos, Luis Henrique conversava com um dos funcionários, assim que nos vê, olha de cima a baixo. Seu olhar parece duas brasas de fogo queimando meu corpo, balanço a cabeça afastando qualquer tipo de pensamento com esse ogro, mal-educado e desvio o olhar.
O barracão é enorme, uma repartição é onde elas se alimentam e a outra parte, é a ordenha.
O primeiro lote é levado para a ordenha, o segundo entra para se alimentar, pegamos as coisas que Bruna mandou e distribuimos o trato nos coxos. Ficamos morrendo de medo de levar um coice, ou sei lá o que esses animais pode fazer para se defender. Somos bem desajeitadas e Bruna ri das nossas gafes, colocamos os tratos um pouco afastadas, com medo.
Uma das novilhas, vem com a boca em direção de onde eu despejava o trato, levo um susto e solto um grito arrancando gargalhada de alguns peões e de Bruna.
— Que bom que divertimos vocês! — digo revirando os olhos.
— Desculpa, é que está sendo muito engraçado!
Reviro os olhos e forço um sorriso.
São cinco lotes, então assim que um lote saí, outro entra e assim é feito subsequentemente.
Quando o dia amanhece, já estamos exaustas. Com o término da ordenha, fomos limpar o barracão, tivemos que lavar tudo e o lugar ficou limpinho, dois peões e Bruna nos ajudaram, sem que Luis Henrique visse, pois havia ido para o haras. Quando temos que limpar o curral onde elas se alimantaram, meu estômago embrulha com o cheiro das fezes, enquanto mosquitos nos picam e zubem em volta. Confesso que tive muita vontade de chorar.
Alyssa escorregou nas fezes e caiu de bunda sujando toda a sua calça, comecei a rir e ao tentar ajudá-la, caí me sujando toda, acabamos caindo todos na risada. Não tinha como não rir daquela situação.
Ao terminar, fomos até o haras.
— Nossa que demora, hein! — diz Luis Henrique assim que nos vê entrar. — Pensei que não vinham mais!
— Estávamos terminando de limpar o curral!
Olha para nossas roupa sujas e percebo um sorriso de canto se formando em seus lábios.
— O que é? Perdeu algo aqui? — pergunto irritada com seu olhar de zombação.
— Por que está tão irritadinha? Pensou que a vida continuaria sendo de mordomias? — pergunta com sarcasmo.
— Escuta aqui, senhor brutamontes vai se ferrar! — digo mais próxima do que deveria.
Nos olhamos em afrontamento.
— Evelyn! — diz Alyssa.
— Não sou de levar desaforo pra casa, já aguentei muito as suas grosserias, calada e não vou mais tolerar isso! Se vive mal-humorado o problema é seu, ninguém tem culpa dos seus problemas! Não pedimos para estar aqui, mas já que estamos o jeito é tentar nos adptar, se não vai nos ajudar, também não fique colocando empecilhos ou reclamando! Nunca fizemos nada disso e estamos tentando, tá! Sei que não nos queria aqui, assim como nós também não queríamos estar aqui! Se fosse para escolhermos, estaríamos na nossa casa, com os nossos pais, com a nossa família que tanto amamos e não aqui sendo mal tratadas por um ogro, mal-educado do caralho!
Acredito que cheguei perto demais, assim que termino de falar, nossos rostos estão tão próximos que posso sentir sua respiração pesada em meu rosto, engulo em seco, então ele se afasta e saí em passos largos do local.
— Será que vai nos expulsar? — pergunta Alyssa, de olhos arregalados.
— Me desculpe, Bruna! Não aguentei! — digo e noto que segura-se para não rir.
— Sem problemas, Rick está pegando pesado com vocês! Só estranhei ele não dizer nada, parece até que ficou hipnotizado! — diz divertida. — Eles já limparam aqui, agora é só tratar dos cavalos!
Mais uma vez, ficamos com medo, tinhamos que entrar sozinhas na cocheira para colocar o trato deles.
Bruna teve que dar uma saída e ficamos realizando as nossas tarefas.
Na última baia do meu lado, entrei carregando o trato e levei um grande susto, pois o cavalo ficou muito agitado, acabo derrubando o balde e com medo tento sair, mas ele foi virando e cercou a entrada.
— Está tudo bem, aí? — pergunta Alyssa.
— Não, o cavalo cercou a passagem e parece estar bravo, chame a Bruna! Estou com medo!
Escuto seus passos correndo pelo enorme local, observo o cavalo e algo me chama a atenção, além de lindo, tem um olhar forte.
Inicialmente fiquei com medo, mas ele não parecia querer me machucar, parecia estar com medo também. Faço o mesmo som que vi Bruna fazendo com seu cavalo e tento me aproximar.
— Vem garoto! — digo baixo para que não se assuste, levando a mão até ele.
Assim que consigo tocá-lo, sinto algo diferente, não sei explicar.
— Isso..., bom garoto! — digo acariciando sua cara.
Ele me deixa, acaricia-lo, aproxima a sua cara do meu rosto, e não sei o que dá em mim, o abraço.
Exemplo:
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Sandra Maria de Oliveira Costa
ele mereceu ouvir algumas verdades afff órgrão
2025-02-01
0
Fatima Gonçalves
vão sim elas são mais fortes do que imaginam
2024-11-15
2
Edvanir Alves
aprendeu rápido 👏👏👏
2025-01-30
0