Austrália…
Luis Henrique…
Acordo antes do amanhecer.
Olho pela janela e me sento numa poltrona de frente para ela. O dia hoje será bem demorado, para passar. Fico ali observando o sol nascer e não tenho a mínima vontade de sair desse quarto. As lembranças chegam como se fosse aquele fatídico dia…
Doze anos atrás…
“ Hoje é meu aniversário de dezoito anos, estou muito feliz, a garota que amo aceitou me dar uma oportunidade e hoje teremos a nossa primeira vez. Desde criança, sou apaixonado por Chloe, ela é linda e todos os homens se arrastam aos seus pés e eu fui o grande escolhido. Contudo, ela pediu para que eu não conte a ninguém, faço o que ela pede, afinal ninguém sabe dos meus sentimentos por ela.
Todo animado, passo o dia trabalhando e planejando a nossa noite. Nosso melhor amigo vem almoçar conosco, ele é um cara divertido que leva a vida livremente sem se importar com o amanhã. O único problema é que bebe demais. Eu, Anthony, Dimas e Jorge somos melhores amigos desde a infância.
O churrasco começa e todos estão felizes, comendo e bebendo. Convidei Chloe, mas ela ainda não havia chegado.
Meu pai, pede para que eu busque carvão.
Quando estou saindo com o saco de carvão, vejo meu irmão Anthony indo em direção ao estábulo. Levo o carvão para o meu pai e devido à demora do meu irmão, resolvo ir atrás dele. Quando chego no estábulo fico em choque, meu irmão e Chloe estão transando e os gemidos deles da para ouvir do lado de fora. Sinto meu coração sendo estraçalhado, o ar faltar de meus pulmões e aquela cena fica gravada em minha mente.
Paralisado logo a frente deles, percebendo a minha presença ali, levantam-se rapidamente, vestindo suas roupas.
— Luis Henrique… o... o que faz aqui?
— Luis… eu posso explicar… eu…
Anthony nos olha confuso.
— Que porra está acontecendo aqui? — pergunta ele irritado.
— Me escuta, Luis! Eu sempre fui apaixonada por Anthony e...
Anthony percebe meu semblante, tenta se aproximar, mas num impulso desfiro um soco em seu rosto.
Não tenho palavras, que expliquem o que senti naquele momento, ou a dor que estava em meu peito. As palavras somem, apenas saio daquele lugar, sentindo como se o chão desmoronasse por debaixo de meus pés a cada passo que dava.
Ouvia Anthony me chamando, mas sua voz foi ficando cada vez mais distante, vou para a garagem, entro na picape do meu pai e saio acelerando o máximo que consigo.
Em determinada curva, perco o controle da picape, capoto algumas vezes e perco a consciência.
Infelizmente, acordo num hospital seis dias depois, com a notícia de que no mesmo dia do meu acidente, nosso melhor amigo morreu afogado. Uma morte cercada de mistérios.
Fiquei um mês sem conversar com ninguém, ficava apenas com o olhar vago em determinado lugar daquele quarto.
No meio de toda essa confusão, minha família se desestabilizou toda, meus pais se separaram e eu nunca mais voltei a ser o mesmo garoto alegre, brincalhão e amoroso de antes. Me fechei completamente, nunca mais fiquei com ninguém, estou muito bem sozinho. E nunca mais falei com meu irmão. “
Dias atuais…
Ouço batidas na porta e não respondo, não tenho vontade, quero apenas ficar preso no mundinho que criei nesses dias difíceis.
— Luis! Luis Henrique abra essa porta! — diz minha mãe.
— Luis Henrique! — diz Bruna, minha irmã caçula.
Solto um longo suspiro, levanto-me e abro a porta. As duas olha-me espantadas.
— O que querem aqui?
— Nossa, seu grosso, só viemos ver se está bem!
— Estou ótimo, não estão vendo?
— Até quando vai viver mal-humorado, Luis Henrique? Não percebe que precisa de ajuda?
— A única coisa que preciso é que me deixem em paz! Eu trabalho, cuido de vocês, o que mais querem de mim?
— Que se permita ser feliz, filho!
— Essa coisa de felicidade não é para mim!
Elas começam a falar, mas ignoro, entro no banheiro, faço a minha higiene, me troco e quando saio, já não estão mais ali.
Passo pela cozinha e como sempre tomo um rápido café e sigo para o curral.
Não é porque temos peões, que deixo de cumprir as obrigações de um peão, adoro trabalhar, estar no campo é a minha vida.
Ajudo a ordenhar as vacas-leiteiras, coloco trato para as vacas e os cavalos, ajudo na limpeza dos currais e estábulos, carrego o feno para os estábulos e de cavalo manejo os gados para outro pasto.
Minha irmã chega de cavalo, onde estou.
Bruna é minha irmã caçula, é veterinária e me ajuda bastante por aqui.
— Vim administrar os medicamentos para os gados! — diz próxima de mim.
— Te ajudo!
Passamos a manhã toda medicando os gados, ela não toca mais no assunto e conversamos apenas sobre os animais. Essa é minha rotina de todos os dias.
Próximo da hora do almoço, seguimos para a casa grande. Minha sobrinha vem ao nosso encontro assim que chegamos na porta principal. Abraça sua mãe e 3m seguida me abraça, ela é a única que consigo ter algum contato mais carinhoso, afinal é apenas uma criança.
Lavamos as mãos e almoçamos na área externa da casa.
— O pai de vocês ligou! — diz mamãe.
— Quando o vovô vem nos visitar? — pergunta inocentemente e toda animada.
— Espero que demore! — digo, esquecendo da presença de Zoe ali.
— Rick! — repreende, Bruna.
Reviro os olhos e me concentro em minha comida.
— Assim que tiver um tempo no trabalho, disse que vem minha princesa! — completa nossa mãe.
Assim que minha sobrinha termina o almoço, Bruna a leva para se arrumar para o colégio.
— Precisava fazer esse tipo de comentário perto da Manu?
— O que tem de mais? Deve saber que o avô dela não dá a mínima para nenhum de nós aqui!
— Até quando vai guardar rancor em seu coração, meu filho!
— Já terminei! — digo afastando o prato.
Saio da mesa irritado.
Vou para o campo, trabalhar mais um pouco e assim é o meu dia, apenas trabalhando.
Sei que às vezes exagero, mas realmente não vejo mais nenhum sentido em minha vida…
(imagem retirada da internet)
Andrei Carter, 51 anos, honesto e justo. Promotor e mora em Los Angeles, após divorciar-se da sua esposa.
Samira Carter, 49 anos, gentil, doce e honesta. Ama seus filhos e se dedica a eles e a fazenda.
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Atualizado até capítulo 101
Comments
Josigg Gomes Galdino
Coitado, vai cair do cavalo, ainda ficou feliz,por ter sido escolhido por ela, e nem desconfia do pedido, que ela fez (não falar para ninguém) só pode ser vadia, deve ser a mesma pessoa que o irmão dele falou, quer ficar com os dois irmãos
2025-03-19
2
Josigg Gomes Galdino
Se sempre foi apaixonada por Anthony, então porque aceitou namorar com o irmão dele,o Luís Henrique, (é fácil, porque é uma vadia)
2025-03-19
1
Josigg Gomes Galdino
Ele bebia muito,e foi atrás da Chloe, defender os amigos , será que ele também, tinha um caso com ela, e foi morto por isso
2025-03-19
1