—Chegamos— Marcus anunciou.
Olhei para o bolinho que estava na minha mão e enfiei ele todo na boca, rápido o suficiente pra ninguém perceber.
—eu vi isso— olhei para trás e Vivi estava rindo, também pegando um bolinho e comendo em uma só mordida.
Eu não conseguia falar, minha boca estava cheia demais. Quase que eu não conseguia mastigar direito. Só que a imagem da Vivi com a boca cheia de doce e tentando mastigar foi o ápice, segurei para não rir, mas não adiantou. Gargalhei tentando manter a boca fechada, mas sem querer um pedacinho de bolo voou da minha boca até a bochecha da Vivi.
Gargalhei ainda mais, tentando não engasgar. Vivi limpou a bochecha com cara de nojo e me deu um tapa no braço.
—sua vaca— ela disse com a voz embargada e pedacinhos de bolo caíram da sua boca.
Gargalhamos de um jeito não tão bonito.
—eu nunca imaginei que a melhor assassina e hacker do país seriam assim.
Paramos de uma vez olhando para Alex.
Terminei de engolir o bolinho para responder.
—cala a boca babbano(trouxa)
Antes que ele pudesse responder, Marcus nos chamou para descermos do Jatinho.
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A máfia Italiana e a Russa sempre foram inimigas. Eu lembro do meu pai planejando ataques contra os italianos, se naquela época ele não se importava em matar centenas de homens, mulheres e crianças. Agora, com sede de vingança, ele se importará ainda menos.
Nada é tão horrível para a lealdade da Máfia do que ser traído pelo seu próprio sangue. Principalmente um líder. As outras famílias podem achá-lo fraco, se a própria filha foi capaz de derrubá-lo uma vez, o que uma máfia inimiga não é capaz de conseguir. Esse é o lema da máfia russa, o sangue em primeiro lugar.
Em certo ponto meu pai está fraco. Na máfia, família é poder e ele está completamente sozinho, a minha mãe foi embora na primeira oportunidade que teve e eu sua filha tentei matá-lo. Não é um cenário bonito para o mundo em que vivemos, as pessoas não o seguem por lealdade, o seguem por medo.
Ele está vulnerável e cheio de feridas, eu só preciso descobrir qual delas dói mais e cutucar até que esteja aberta a ponto de ele estar tão fraco e sozinho, que a única opção será eu puxar o gatilho.
Estamos agora todos reunidos em um tipo de prédio da máfia ou algo do tipo.
Norcia é realmente uma cidade, comandada e protegida pela máfia italiana. Mais precisamente comandada por Marcus. Ele passava na rua e pessoas paravam para lhe dar boas-vindas. Ele é como um rei neste lugar, eu nem sabia que esse tipo de coisa existia. Pra mim cidades de máfia existiam só em filmes.
É literalmente uma pequena cidade no meio do nada.
Ele nos trouxe até esse prédio enorme e muito chique, com tecnologias de última geração, armas de todos os tipos e salas enormes de treino. Isso é ouro para qualquer assassino de aluguel ou hacker.
Agora estamos nós 7 em uma sala enorme, com uma mesa gigantesca no meio, tentando planejar algo para desestabilizar a máfia russa.
—isso é foda demais— Vivi falou empolgada, olhando para os computadores que tem na sala.
—fiquem a vontade, podem usar tudo que precisarem— Marcus anunciou, com o semblante sério e preocupado. —quanto mais cedo começarmos, mais cedo acabamos com isso— ele terminou a frase, passando a mão pela barba.
—Tá bom, se prepare Vivi, vamos começar agora— falei cruzando os braços.
—sim senhora— ela respondeu com um sorriso, sentando na cadeira e começando sua habilidade com as máquinas.
Ela mexeu no computador por alguns segundos.
—Pronto, é só você falar.
Comecei a andar de um lado para outro, pensando em todas as alternativas possíveis.
—Eu quero saber todos os lugares em que ele esteve no último mês— olhei para os dedos da vivi, enquanto eles dançavam pelo teclado, achando o que eu preciso.
Os outros ainda continuavam na sala, nos observando em ação. Talvez avaliando nosso desempenho.
—ele esteve em três países diferentes. Albânia, Alemanha e Rússia. E parece que ele não saiu de lá, não tem registro de que ele tenha saído.
—ele está se sentindo fraco e foi buscar proteção justo na toca alfa— sussurrei, deixando meus pensamentos fluírem. —localize em quantos pontos da máfia russa ele se encontrou.
—apenas um— ela respondeu surpresa.
—Kazan!— falamos juntas.
—como você sabia?— Marcus me perguntou, com uma centelha de curiosidade em sua voz.
—eu me lembro de quando fomos em um baile em Kazan, eles gostam de ostentar e esse baile serve apenas para os mais poderosos da máfia russa se encontrarem e exibirem suas mulheres e filhos, uma grande palhaçada— revirei os olhos fazendo uma careta.
—então ele vai estar lá?— Lucien perguntou e eu me virei olhando pra ele.
—não— falei pensativa —ele não tem o que ostentar. Não tem mulher, não tem filha. Ele ficará bem longe desse baile.
—precisamos de informações— falei depois de um tempo. —Eu quero a planta da construção de Kazan.
Só precisei esperar alguns segundos.
—Pronto— Vivi disse me mostrando a tela —aqui é onde precisamos da escuta— ela apontou para um cômodo, parecendo um escritório.
Olhei para ela e tivemos uma confirmação de pensamento, apenas com o olhar.
—quero opções.
—é pra já— ela respondeu voltando para o computador.
—alguém pode explicar o que está acontecendo?— Alex perguntou, tinha me esquecido que eles ainda estavam na sala.
Me virei, colocando toda a minha atenção neles.
—É fácil. Precisamos de informações, correto?
—Sim.
—e pra isso vamos ter que tirar da fonte, ou seja vamos colocar uma escuta dentro do escritório— falei sorrindo, e até gostando do rumo que a conversa estava tomando.
—como?— Lucien perguntou com as sobrancelhas franzidas.
—eu adoro bailes— meu sorriso aumentou ainda mais depois que ele pareceu entender onde eu queria chegar.
—sem chance— ele grunhiu, como se eu ouvisse qualquer pessoa além de mim mesma.
—Temos um alvo— Vivi falou, ignorando Lucien. —filho de Andrey, Yuri. Bonitinho, baladeiro, mulherengo e não resiste a uma morena— a piscada que Vivi me lançou fez Lucien quase rosnar.
—você não vai, é perigoso demais— ele declarou, deixando seu maxilar rígido.
—só existe uma pessoa capaz de me impedir amore— disse a última palavra em italiano, só para provocar. —e essa pessoa sou eu mesma.
—O baile vai ser amanhã, estamos com sorte— Vivi anunciou.
Mas eu e Lucien estávamos em uma batalha de olhares.
Ninguém, nunca, em hipótese nenhuma me diz o que fazer.
Se eu quiser entro naquele baile com uma metralhadora e meto bala em todo mundo e ainda finalizo explodindo o maldito lugar.
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Atualizado até capítulo 30
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