Capítulo 7

Depois de 5 horas de viagem eu ganhei um novo amigo, dor nas costas e no mínimo três calos na bunda.

Mas valeu a pena porque o lugar é lindo.

Oliver é meu novo amigo, o motorista, que fala muito por sinal, uma qualidade incrível. Já sei da vida de todos naquela mansão.

—Briana é muito esperta, mesmo tendo apenas 6 anos. Fico feliz que tenha aceitado o emprego, ela precisa de uma figura feminina que esteja presente. A mãe dela foi embora quando ela tinha 2 anos. Até hoje não sei o motivo, Sr Mason não fala muito sobre o assunto— ele continuou dirigindo pela estrada rodeada de árvores, o lugar é lindo e transmite uma paz imensa.

—me diz mais sobre Briana, preciso de cartas na manga pra conquistá-la— olhei pelo retrovisor e ele estava com um sorriso enorme estampado no rosto.

—não pense que irá conseguir esconder qualquer coisa dela, a danadinha sempre descobre tudo— ele franziu a sobrancelha e eu já sabia que ela tinha descoberto algo sobre ele que não devia, meu sorriso foi inevitável —ela ama qualquer coisa que tenha chocolate e gosta muito de pintar. Uma vez ela conseguiu uma escada, onde ela conseguiu até hoje é um mistério. E ela pintou um bigode no retrato do Sr Mason, uma pintura que fica no corredor.

Soltei uma gargalhada. É o tipo de coisa que eu faria se eu tivesse um pai, e eu tenho 23 anos.

—de início você vai achar que tudo que estou falando é mentira, ela tem uma cara de anjinho, mas não se engane— ele sorriu me olhando pelo retrovisor —chegamos.

Quando olhei pra frente uma mansão enorme estava a alguns metros de distância. Com dois andares, uma piscina enorme na frente, a maioria das paredes de vidro e muitas plantas enfeitavam o ambiente. O lugar é perfeito.

Ele mal tinha parado o carro e eu já estava abrindo a porta e saindo.

—cuidado minha jovem, meu deus— escutei a voz de Oliver ao longe enquanto eu caminhava maravilhada até a entrada da mansão, ele ainda vai se acostumar comigo.

—esse lugar é um sonho— pensei alto, observando tudo.

Escuto bufadas e quando viro, Oliver está correndo com a minha mala na mão.

—não precisava ter trago, eu ia buscar depois— ele colocou a mala no chão e depois pressionou a mão no peito, quase que eu mato o velho, coitado. —O senhor está bem?

—não…me…chame…de…senhor— ele tossiu e respirou fundo tentando estabilizar a respiração.

—Seja bem-vinda— me viro e deparo com o Sr Mason com um terno cinza. Será que ele já usou bermudão e chinelo na vida?

—Muito obrigada, sua casa é linda— uma garotinha com o cabelo lindo aparece atrás dele, deve ser a Briana. Oliver tem razão, ela parece um anjinho.

•Briana•

—Você é bonita— ela diz com as mãozinhas juntas e me olhando de cima a baixo. Isso é um bom sinal, criança é sempre sincera.

—Muito obrigada, você também é linda.

—eu sei, todo mundo sempre me fala isso— bom, modesta eu sei que ela não é.

Dou um sorriso, ela parece uma mini eu.

—essa é Malu, ela será sua nova babá— Sr Mason me apresenta e ela cruza os bracinhos olhando pra ele com as sobrancelhas franzidas.

—eu já falei papai, eu não preciso de babá, já sou grande.

—Na verdade, eu vim pra ser sua melhor amiga, ver filmes juntas, brincar juntas, passar maquiagem… todas meninas grandes tem uma melhor amiga, você tem uma?

Se ela tiver, aí ferrou, vou perder meu argumento.

Ela me observou bastante, ainda com os bracinhos cruzados e depois fez uma carinha triste.

—não, eu não tenho— ela olhou pra baixo e juntou as mãozinhas na frente da barriga.

Merda.

—então eu serei sua melhor amiga, o que acha? — tentei amenizar a situação.

Ela pensou um pouco.

—tá bom, mas eu vou poder pentear seu cabelo?

—com certeza— sorri vendo o sorriso dela de felicidade.

O Sr Mason me olhou como se agradecesse por ter ajudado com a questão dela não querer uma babá. Agora é esse meu trabalho, fazê-la feliz.

—Vamos mostrar a casa para sua nova melhor amiga? — Sr Mason perguntou estendendo a mão para Briana que a pegou extasiada.

—Sim— ela respondeu saltitando.

Fui atrás acompanhando os dois.

A casa é simplesmente maravilhosa, tudo muito chic e sofisticado. Todos os cômodos são muito bem iluminados e bem ventilados. Uma casa dos sonhos.

—esse é o meu retrato que Briana colocou um toque de personalidade— Sr Mason falou assim que viramos em um corredor de vidro, É UM CORREDOR TODO DE VIDRO. Fiquei de boca aberta, até o chão é de vidro.

Quando eu olhei o quadro, o riso foi inevitável. É o quadro que Oliver falou. Tinha um bigode enorme desenhado no rosto do Sr Mason.

Briana soltou uma risada gostosa.

—ficou lindo papai— ela disse ainda gargalhando.

—É uma linda obra de arte— sorri, concordando com a pequena Briana.

—JÁ SEI— ela gritou soltando a mão de seu pai e segurando a minha —vem, vou te mostrar meus desenhos— ela começou a me puxar e eu a segui, correndo pelo corredor. Chegamos em uma espécie de sala. Quantas salas tem esse lugar?

O cômodo se dividia em mais três corredores.

—vem, é ali que fica o meu quarto— ela apontou para o primeiro corredor.

Fomos até lá e quando ela abriu a porta, era como se eu tivesse entrado no mundo da Disney. Tudo era de princesa, a cama era em formato de uma torre de castelo, tudo rosa e dourado, um verdadeiro conto de fadas.

—seu quarto é lindo— falei boquiaberta com a magia do lugar.

—Eu amo as princesas e vou ser princesa um dia— ela falou dançando e rodopiando como se estivesse com um enorme vestido.

—Você já é uma princesa.

—Verdade, mas eu quero ser uma princesa grande e ter um príncipe— ela mexia em uma gaveta de uma penteadeira em formato de castelo, tudo no seu tamanho, perfeito para ela.

Fiz uma careta.

—príncipes são quase impossíveis de se encontrar hoje em dia— ela me olhou como se eu tivesse falado uma grande atrocidade, esqueci que estava conversando com uma criança de 6 anos.

—meu irmão é um príncipe, assim como meus dois titios, eu só preciso encontrar outro que não seja eles— ela falou com convicção.

—Tá bom.

Ele mexeu em alguns papéis, descartou alguns e outros ela trouxe para mim.

O primeiro desenho tinha quatro homens desenhados, e duas mulheres.

—esse é meu irmão, esses são meus titios e essa é minha titia— ela falou apontando para todos eles. Todos estavam coloridos, mas tinha um que estava todo preto, eu sabia que era uma mulher por causa da representação de cabelo comprido.

—e essa? porque está toda preta?

—Essa é minha mamãe.

Um nó se formou na minha garganta, eu não entendo como alguém é capaz de abandonar o filho.

Ela continuou me explicando sobre os desenhos.

—meus titios e minha titia não são minha família de verdade, mas o papai disse que família é quem cuida, protege e ama— ela passou os dedinhos pelo desenho —e eu amo eles, então são minha família.

—você tem muita sorte.

Ela ficou me olhando com aqueles olhinhos grandes e lindos.

—você tem uma família, essa é a maior riqueza que um ser humano pode ter.

Ela sorriu e foi buscar mais desenhos para me mostrar.

Você é muito sortuda pequena Bri, eu nunca tive uma família.

Mas isso eu não contaria para ela.

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