Acordo com a claridade no meu rosto, limpo um pouco de baba que escorria na minha bochecha e levanto de pressa tentando processar onde estou. O que não é uma boa ideia, minha pressão cai tão rápido quanto eu levantei e precisei deitar de novo.
Escuto um chiado de respiração e olho pro lado vendo Lucien dormir como um bebê. A noite passada volta em um borrão, foi impossível segurar o sorriso de satisfação depois de ter a melhor transa da minha vida.
Tentei levantar sem fazer movimentos muito bruscos, esse é o momento em que eu me levanto, vou embora e não nos falamos nunca mais. Então ele acordar agora, não faz parte do plano.
Sai da cama pisando na ponta do pé, procurei minha calcinha e só a encontrei no chão perto da cama. Meu vestido e meu salto estavam perto da porta e minha bolsa estava pendurada no cabideiro, que eu coloquei quando cheguei.
Vesti o vestido o mais rápido possível, coloquei minha bolsa no ombro e segurei meus saltos na mão, colocá-los agora será uma péssima ideia.
Fui até a porta e estava prestes a abri-la e dar o fora, mas minha consciência fez eu me virar por alguns segundos, observando Lucien. Se eu vou ser uma grande filha da puta e fazer o papel de macho escroto, pelo menos vou deixar meu telefone.
Coloquei o salto no chão e voltei, proucurando nas gavetas do criado mudo qualquer coisa que eu pudesse usar para escrever um bilhete, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Na última gaveta, misturado com algumas roupas, achei um caderno e uma caneta presa nele. É um diário?
Ignorei o fato fofo de ele ter um diário e arranquei uma folha, deixando uma pequena mensagem e o meu número. Pelo menos assim eu não vou ser tão escrota, né?
Deixei ao seu lado em cima da cama e voltei de fininho, quase correndo. Peguei meus saltos e abri a porta, o estalo que emitiu me fez parar por alguns segundos, mas ele tem um sono pesado, graças a deus.
Assim que fechei a porta do lado de fora, soltei um suspiro de alívio.
Quando me virei, tomei um susto com a Vivi parada perto da porta do quarto 210. Saímos ao mesmo tempo, se tivesse sido combinado não teria dado tão certo.
Coloquei a mão em frente a boca para abafar meu riso. Ela sorriu colocando o dedo indicador na frente da boca em um símbolo para fazer silêncio. Corri até ela e entrelaçamos nossos braços indo até o elevador, ela também segurava seus saltos na mão. Pelo estado caótico de seu cabelo, eu sabia que a noite tinha sido mais que ótima.
Assim que entramos no elevador e as portas se fecharam, nos viramos uma de frente para a outra.
—foi a melhor transa da minha vida— falamos juntas e logo depois caímos na gargalhada.
—meu deus, foi tipo uma loucura— ela falava animada, gesticulando e rindo ao mesmo tempo.
—foi o maior pau que eu vi em toda a minha vida— falei rindo e tentando arrumar um pouco meu cabelo, o espelho no elevador me mostrou o estado caótico em que eu me encontrava. Minha maquiagem estava borrada, meu vestido todo torto e meu cabelo igual um ninho de passarinho.
Olhei animada para Vivi, tínhamos muitas novidades para contar.
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Coloquei minha última jaqueta dentro da mala. Subi em cima dela pra tentar enfiar tudo, eu não queria levar nada mais que uma mala.
—Então você deixou seu número de telefone pra ele? — Vivi me perguntou pela terceira vez, indignada com minha atitude. Ela estava deitada no chão em cima de um tanto de almofadas.
—Sim, não foi um crime, não precisa me olhar assim— taquei meu travesseiro nela, que o pegou no ar sem muito esforço.
—a regra é clara, não passar número de telefone— ela cruzou os braços e continuou me olhando como se eu tivesse sete cabeças.
—ele mereceu, me fez gozar quatro vezes, QUATRO— repeti mostrando quatro dedos da minha mão. —eu nunca tinha gozado tanto, quase desmaiei— suspirei, relembrando da sensação maravilhosa de quase desmaiar de tanto gozar.
—é, ele mereceu— ela fez bico como se tivesse doído muito, ter que concordar comigo.
—agora voltando ao que interessa, você acha que estou esquecendo alguma coisa? — observei mais uma vez todo o quarto para ver se lembrava de mais alguma coisa.
—não, você já colocou tudo aí e outra, não cabe nem mais um fio de cabelo nessa mala— ela riu enquanto eu sentava mais umas duas vezes na mala, para conseguir fechá-la.
O interfone tocou e eu fui animada para atender.
“tem um homem te esperando aqui em baixo Malu, diz que é o seu motorista”
“Ta bom Sr Devin, obrigada e diga a ele que já estou descendo”
Desliguei o interfone e voltei para o quarto olhando sério para Vivi.
—Marcus não mandou nenhuma mensagem? — eu precisava perguntar, era algo que vinha me preocupando durante toda semana.
—não, sem mensagem, sem ligação, sem nenhum tipo de contato— pelo seu olhar eu sabia que ela estava pensando o mesmo que eu. Ele realmente entendeu que nós duas aposentamos ou está aprontando alguma coisa e pelo que eu o conheço convivendo todos esses anos, provavelmente é a segunda opção.
—Vamos pensar positivo, talvez ele tenha entendido que não vamos mais trabalhar pra ele— a careta que ela fez não foi nem um pouco otimista, mas é melhor do que pensar o pior.
Respirei fundo e coloquei minha mala no chão, um novo capítulo da minha vida. E eu espero que tudo dê certo.
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—colocou a bebê na mala? — Vivi sussurrou no meu ouvido antes de eu entrar no carro.
Tentei não rir do apelido que ela deu pra minha calibre 38.
—sim— sussurrei de volta a abraçando.
—Nada de me abandonar, é o mesmo esquema, me liga todo dia e de chamada de vídeo para eu poder ver essa sua cara feia— ri a abraçando ainda mais.
—se cuida tá, filhote de troll— levei um murro no braço, ela realmente odeia esse apelido.
Entrei no banco traseiro do carro e abri a janela para me despedir de forma dramática, ainda vamos nos ver todo final de semana, mas um pouquinho de drama não faz mal a ninguém.
O carro começou a andar e eu coloquei a cabeça pra fora da janela e balancei a mão em vários tchaus exagerados. Ela correu atrás do carro e esticou a mão como se tentasse me alcançar, gargalhei vendo a vergonha que ela estava passando na rua. Até que o carro começou a criar velocidade e ela não conseguia mais acompanhar, voltei com a cabeça pra dentro do carro e fechei a janela.
Quando olhei pelo retrovisor, o motorista estava me olhando como se eu fosse louca e me julgando horrores, mas ele desviou o olhar o mais rápido que pode.
Dei um grande sorriso, eu não tenho culpa se minha alma gêmea é minha melhor amiga.
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Atualizado até capítulo 30
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