Capítulo 12

Respiro fundo, sentindo minha consciência voltando aos poucos.

Assim que abro os olhos, vejo a sombra da janela no teto, o sol ultrapassa o vidro criando formas engraçadas e criativas. Fico ali, imóvel, pensando em tudo e nada ao mesmo tempo.

É como se nada importasse e tudo fosse importante. Demorou alguns minutos, até que eu estivesse com forças e coragem o suficientes para levantar da cama. Alex deve ter me trazido para o quarto depois que desmaiei.

O alarme toca, me lembrando que a vida não parou e que eu preciso me recompor.

Desligo o despertador, vendo que em cima do criado mudo tem um bilhete.

Pego o papel e o desdobro.

“Nada é para sempre, mesmo que pareça eterno.

Ass: Lucien”

Fico estática, pensando sobre essa pequena frase. Ela significa tantas coisas. Franzo a testa, passando o dedo pelo papel, sentindo as irregularidades das linhas.

Me soa tão familiar, é como se eu já tivesse escutado antes.

Dobrei o bilhete e coloquei na primeira gaveta do criado mudo.

Levantei, movimentando meu pescoço e tentando tirar todas as lembranças da última noite dos meus pensamentos. Preciso me concentrar em outras coisas.

Sr Mason me passou a lista da rotina da Briana, só preciso seguir tudo certinho e esquecer que a última noite aconteceu.

Fui até o banheiro, lavei o rosto e me encarei por alguns segundos pelo espelho. Fazia muito tempo que eu não tinha pesadelos, paralisia do sono ou crises de pânico. É como se meu subconsciente estivesse tentando me alertar que algo ruim vai acontecer.

Tirei meu pijama e liguei o chuveiro, entrando embaixo, sentindo a água escorrer pelo meu corpo.

Nada é para sempre, mesmo que pareça eterno.

Eu não conseguia parar de repetir essa frase mentalmente. Ela ficava martelando, como um lembrete. Tão familiar.

Deixei a água gelada relaxar meus músculos e esfriar minha cabeça, eu precisava disso pra suportar o dia.

Observei a água que caia e deslizava pelo chão indo pro ralo. Isso me hipnotizou por alguns minutos antes de eu sair e me enrolar na toalha. Eu estava estranha, tudo parecia estranho. Deslocado e robótico, no modo automático. Cocei minha cabeça, querendo chorar, mas engoli em seco e levantei o queixo, sem deixar nenhuma maldita lágrima cair.

Escolhi uma roupa confortável e saí rumo ao quarto de Bri. A casa está mais silenciosa que o normal, mesmo sendo 7:30 da manhã, já era pra ter algum tipo de movimento ou som. Ignorei todos os meus instintos de que alguma coisa estava errada e abri a porta do quarto de Bri, o mais silencioso possível.

Mesmo as cortinas estando fechadas, uma claridade entrava, de um jeito que ficava escuro, mas não muito. Entrei e fechei a porta logo depois, eu não queria que ela acordasse assustada por causa de um barulho estupido que eu tenha feito.

Caminhei devagar até a cama, os lençóis estavam bagunçados. Empurrei o mosqueteiro para o lado para que eu pudesse acordá-la, mas estava vazia. Baguncei as almofadas e o cobertor, só para ter certeza. Senti uma pontada de angústia no estômago. Onde ela está?

Meu coração começou a disparar.

—calma Malu, ela pode estar em qualquer outro lugar da casa— sussurrei para mim mesma, tentando me acalmar.

Até que escuto duas fungadas.

Franzo as sobrancelhas e me ajoelho. Respirando fundo, torcendo para que ela estivesse ali.

Olhei embaixo da cama e a vi encolhida, de olhos fechados e segurando com força um de seus bichinhos de pelúcia.

Senti como se meu coração estivesse sendo prensado. Deitei no chão e me arrastei para debaixo da cama, junto com ela. Depois de vários segundos ela abriu os olhinhos, que estavam vermelhos do choro.

Eu não disse nada, esperei o tempo dela.

—eu tive um pesadelo— ela sussurrou, como se estivesse com medo de alguém escutar.

Me aproximei e segurei sua mãozinha.

—eu também tive— sussurrei de volta. Sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto até o chão. —Quer falar sobre o pesadelo?— perguntei, tentando confortá-la de alguma forma.

Ela balançou a cabecinha diversas vezes negando.

—Tudo bem, vai ficar tudo bem. Não precisa ter medo, foi só um pesadelo— eu não sabia se tinha falado pra ela ou pra mim mesma. —Quando tiver um pesadelo, não precisa ficar aqui sozinha, pode ir pro meu quarto, tá bom?

—tá bom— ela se aproximou mais e me abraçou.

Passei a mão pelo seus cabelos e um pensamento me fez parar e me aproximar de seu ouvido.

—Nada é para sempre, mesmo que pareça eterno— sussurrei. Eu sabia que ela ainda é uma criança e não entenderia, mas essa simples frase me trouxe um pouco de conforto e eu queria que a ajudasse de alguma forma.

Ficamos assim por alguns minutos, até que eu lembrei da lista de rotina e que deveríamos segui-la. Eu precisava me recompor e rápido.

—escutou esse barulho?— falei, tentando voltar ao meu normal.

—não— ela me olhou concentrada, observando tudo em volta.

—acho que foi minha barriga roncando— ela riu, me olhando com os olhinhos brilhando. —Precisamos tomar café ou melhor…— fiz um suspense. —Comer bolinho de morango— sussurrei como se fosse um segredo.

Ela deu um sorriso enorme e se afastou, arrastando para sair de debaixo da cama.

Saí junto com ela.

Eu me sentia muito melhor, e o clima que antes estava estranho e pesado, agora estava leve e divertido.

—Tive uma ideia melhor— falei me aproximando da porta e me virando para olhá-la. —Quem chegar por último vai comer só um bolinho— falei sorrindo e comecei a correr pelo corredor.

Escutei sua risada e foi como uma dose de remédio para meu coração machucado.

Escutei um barulho estranho logo depois e mudei o rumo, virando para esquerda ao invés de ir para direita, rumo aos últimos cômodos da casa. Vi quando Bri passou correndo indo em direção a cozinha. Olhei para o corredor de onde vinha o barulho, o corredor do elevador privativo. Me escondi atrás de uma pilastra grossa, seja quem for que está naquele elevador está subindo nesse exato momento e não será nada bom se me flagrar xeretando.

O bip do elevador soou por todo corredor, fazendo meu coração disparar em antecipação. Eu não poderia olhar, se não seria descoberta, mas poderia escutar.

As portas se abrem.

—Não temos muito tempo, eles podem nos encontrar— a voz de Lucien ecoa pelo corredor.

—Precisamos de um plano, agora— identifiquei a voz do Sr Mason, mais séria e grossa que o normal, como se estivesse com raiva.

—Precisamos proteger os nossos, vou aumentar a segurança— reconheci a voz de Alex, sem o tom de sarcasmo ou brincadeiras. Pelos tons das vozes, todos pareciam sérios demais.

Seus sapatos faziam barulhos no piso que se misturavam com o diálogo. Eles se aproximaram e fechei os olhos por alguns segundos, enquanto eles passavam por trás de mim. Andavam apressados em direção ao hall de entrada.

Olhei para o elevador e as portas estavam começando a se fechar. Essa é minha chance.

Quando eu ia começar a correr, lembrei de Bri e que ela precisava de mim. Sibilei irritada e respirei fundo.

A porta se fechou.

Talvez essa tenha sido a forma mais fácil de ter entrado, mas não significa que seja a única.

Dei um sorriso maldoso e comecei a andar em direção a cozinha.

Sou a porra de uma assassina treinada, já entrei e saí de lugares muito piores. Isso vai ser moleza, só preciso do momento certo.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!