—senhorita Malu, seu nome é muito bonito— ele fez um gesto para que eu me sentasse em uma poltrona à sua frente, obedeci e me sentei.
—Muito obrigada, Sr. Mason.
—você já trabalhou com crianças?— ele passou a mão pela barba e escorou o cotovelo na mesa.
—sim— mentira —cuidei durante anos da minha irmãzinha mais nova— mais mentiras.
Se eu quero conseguir esse emprego, não posso simplesmente falar que sou uma ex assassina de aluguel e que tem dezenas de organizações criminosas à minha procura. Então eu e Olívia criamos uma história que deixaria qualquer um de coração mole.
Peguei os papéis que trouxe dentro de minha bolsa e os entreguei.
—minha irmãzinha Lully tinha 10 anos quando foi atropelada e infelizmente ela não resistiu— tudo bem que na verdade essa é a história da minha cachorrinha Lully e que depois que ela foi atropelada e morreu, eu matei o motorista e destruí seu carro, mas isso ele nunca saberá.
—sinto muito pela sua perda— ele parecia ser sincero, apesar de não expressar muitas emoções.
—obrigada— respirei fundo como se precisasse de um tempo para continuar a falar, na verdade eu realmente precisava, ainda tinha muito ódio daquele motorista filho da puta que matou meu cachorro. —cuidei dela praticamente desde de que nasceu, nossa mãe nunca esteve presente e acabei pegando o lugar dela para cuidar de minha irmã.
Ele pegou um papel na mesa, provavelmente meu currículo e ficou o encarando.
—sabe técnicas de primeiros socorros?
—Sim, fiz um curso— isso é totalmente verdade, até porque se eu me machucasse em alguma missão não poderia ir para um hospital, precisava me virar sozinha.
Ele colocou o papel na mesa e olhou para mim, escorando na cadeira e cruzando os braços.
Ele me encarou por tanto tempo que já estava com vontade de perguntar se ele tinha perdido o cu na minha cara, mas isso não seria nada elegante.
—Para conseguir esse emprego, você precisaria se mudar para a minha casa. Teria que ter disponibilidade 24 horas por dia, de segunda a sexta, final de semana estaria livre— ele ficou parado, observando minhas reações.
Eu já sabia disso, estava no anúncio do emprego. E seria ótimo pra manter minha vida de ex assassina bem longe de mim. Ficar em um lugar distante de tudo a semana inteira seria perfeito pros meus objetivos.
—Sim, Sr. Mason. Estou ciente, sou uma pessoa sozinha. Esse tipo de mudança não seria um empecilho— eu tenho a Olívia, mas ele ainda não precisa saber dela.
—faça sua mudança esse final de semana. Segunda-feira você começa.
Então é isso, consegui o emprego. Eu queria pular, gritar, dar um murro em alguma coisa, mas precisava sair daqui antes.
—Muito obrigada pela oportunidade Sr.Mason, farei de tudo para não decepcionar.
—só Mason, por favor— ele parecia ser uma pessoa bastante desconfiada, mas se me deu o emprego é porque confiou em mim para cuidar de sua filha.
—ta bom, obrigada Mason— dei um grande sorriso. É isso, consegui.
Toma essa Olívia. Dessa vez minha vida realmente vai mudar.
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—então você conseguiu o emprego?— Olívia perguntou do outro lado da linha, dei um enorme sorriso que ela não veria, já que estamos em ligação normal.
—sim— respondi antes de tomar mais um gole do meu café.
Depois que sai do prédio e tive uma crise histérica de alegria do lado de fora, vim para essa cafeteria, tomar um café e dar a notícia a minha amiga insuportável.
—mesmo não apoiando, fico feliz por você estar conseguindo fazer o que quer.
Meu sorriso aumentou ainda mais. É difícil ver Olívia Conway elogiar ou parabenizar alguém.
—Ah que fofo, você me parabenizou— falei com a voz manhosa.
—não exagera, você é insuportável— ela resmungou, me fazendo rir. —você começa na segunda?
—sim, mas já vou me mudar pra lá esse final de semana— tomei mais um gole do café e deixei o dinheiro na mesa, me levantando para ir embora.
—só porque eu queria curtir uma balada— ela fungou como se estivesse chorando e meus olhos quase saíram da minha cara de tanto que os revirei.
—semana que vem a gente vai— abri a porta da cafeteria e o barulho da cidade invadiu meus ouvidos me fazendo aumentar o volume do celular para escutar o que Olívia falava.
—Ah Malu, qual é? A gente pode ir hoje— ela imitou um choro de bebê e eu quase quebrei meu celular, só para o barulho insuportável parar.
—não vou chegar no meu primeiro dia de ressaca e para de emitir esses barulhos estranhos.
—primeiro que não é seu primeiro dia, você só vai se mudar pra lá. Seu primeiro dia é na segunda e hoje é sexta-feira, dia de beber até desmaiar. Cadê minha amiga que não recusava uma festa?
—é meu novo trabalho Olívia, quero fazer as coisas certas— bufei, já cansada dessa conversa.
—seu novo trabalho começa na segunda, beber hoje não vai te matar e nem te prejudicar em nada. Vamos, vamos, vamos, vamos, vamos, vamos… — ela começou a falar “vamos” como uma adolescente mimada. — vamos, vamos, vamos, vamos, vamos, vamos….
—ta bom sua chata, eu vou— tentei não sorrir, mas o maldito apareceu, estampado no meu rosto.
—ISSO!!!!— ela gritou como se fosse uma grande vitória e eu ri, sempre saímos juntas e não vai ser agora que isso irá mudar.
—te encontro na minha casa em 20 minutos.
—chego antes disso— ela respondeu animada e desligou a ligação.
Pensando bem, por eu ter conseguido o emprego, mereço uma comemoração. E nada melhor do que uma noite dançando e bebendo com minha melhor amiga.
Fechei os olhos e respirei fundo.
—vida nova— sussurrei, logo em seguida abrindo um enorme sorriso.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Nathália Guimarães
😂😂😂
2024-03-06
1