Capítulo 16

Já se passaram 3 horas desde que descobri que Vladimir está vivo. E fazem três horas que estou no limbo da minha própria mente.

Eu tive 6 anos de liberdade e agora o monstro começará a me atormentar de novo.

Respirei fundo, tentando me concentrar, tentando sair dessa maldita bolha que meu subconsciente me colocou.

Escorei meu cotovelo na mesa e massageei minhas têmporas, agora que meu corpo esfriou, sinto a dor da consequência de lutar com uma dúzia de homens. Cacete!!

—Você me escutou Malu?— levantei meu olhar, me deparando com Marcus parado a um metro de mim, me olhando com impaciência.

—eu nem sabia que você estava falando.

Alex fingiu tossir para disfarçar a risada. Dei um meio sorriso, tentando ser discreta.

—isso não é uma brincadeira, estamos no meio de uma guerra entre máfias, você tem noção de quantas vidas foram perdidas e quantas ainda vão ser?

—Ai Marcus, dá um tempo— fiz uma careta, tentando formar um pensamento coerente no meio dessa névoa cinza que minha mente se tornou.

—eu não tenho esse tempo e nem a minha cidade— ele praticamente rosnou.

—sua cidade?— estreitei os olhos, acompanhando o movimento de sua mão que passou pelo seu cabelo diversas vezes.

—é uma longa história— ele resmungou caminhando até a janela.

Depois que eu “cedi” e decidi que não compensaria matar o Marcus, o Sr Mason disse para todos nós virmos para o escritório dele, que mais parece um gabinete medieval. É lindo. Um dos lugares que ele tinha me proibido de entrar quando cheguei aqui.

—uma longa história— repeti, rindo logo depois. —mas que merda Marcus, o que você está me escondendo?— me levantei, pronta para fazê-lo falar nem que fosse a força, mas Lucien entrou na frente, quase me fazendo bater de cara em seu peito.

—sai da frente— falei séria, sem espaço para discussão, mas ele é ainda mais teimoso que eu.

—não.

Eu não olhei em seus olhos, não levantei nem a cabeça. Continuei olhando para seu peito, querendo esmurrá-lo. Por algum motivo eu esperava muito mais dele do que apenas um maldito fingimento.

Eu já transei com muitos homens por apenas uma noite. Mas ele sabia quem eu era e depois ficou fazendo joguinhos. Eu não devia me importar, mas de alguma forma estúpida eu me importo.

—olha pra mim— sua voz suave fez os pelos do meu braço arrepiarem —você não é do tipo que abaixa a cabeça.

Dessa vez eu olhei bem fundo de seus olhos e me aproximei ainda mais.

—não, mas eu sou do tipo que olha bem no olho e manda sair da minha frente, se não eu encho de porrada.

Sua resposta foi um sorriso e meus dedos coçaram para não ir de encontro a essa boca linda.

Ele saiu e eu já ia retomar de onde parei, quando escutei a voz de Alex.

—Não temos tempo pra isso, Malu. A cada minuto gasto, eles podem estar planejando atacar Norcia. Crianças, mulheres, homens inocentes irão morrer e se você decidiu que irá nos ajudar, as mortes também serão de sua responsabilidade. A qualquer momento Olivia irá chegar e quando vocês duas estiverem juntas e estivermos a caminho de Norcia, te explicaremos tudo.

Ele está sentado no pequeno sofá vermelho com bordas douradas que tem no meio do escritório, seu cabelo loiro caiu sobre a testa e na posição em que ele estava parecia um príncipe rebelde. Quase sorri com o pensamento.

—tudo bem, principe— falei a última palavra com sotaque italiano.

Senti Lucien enrijecer ao meu lado.

—É sério que você deu um apelido pra ele? Por que justo ele?— Lucien apontou o dedo indicador para Alex, enquanto ele sorria de orelha a orelha.

Parecem duas crianças.

Soltei uma risada sincera, até que a porta do escritório abre de uma vez. Todos nós ficamos em posição de defesa. Pego a arma que estava no coldre na minha cintura e aponto em uma velocidade treinada.

Olívia aparece com um sorriso enorme, como se não tivesse acabado de quase matar todo mundo do coração.

—oiiii meninos— ela veio caminhando e mandou um beijo no ar para Blake que sorriu sem graça. Ele é tão quieto que às vezes até esqueço dele.

—onde estão os modos?— perguntei guardando a arma e indo ao seu encontro, a abraçando forte.

—na casa do caralho— ela respondeu sorrindo.

Nunca conheci alguém que fala tanto palavrão quanto Olívia.

Alex riu se levantando.

—Gostei dela— ele disse arrumando o cabelo e ajeitando a roupa. —Agora vamos, porque temos uma longa viagem pela frente.

—posso saber pelo menos aonde vamos?— perguntei com os olhos semicerrados.

—Estamos indo para o berço da ópera e uma das culinárias mais adoradas do mundo— ele deu um sorriso triunfante.

Se isso fosse um desenho animado, meu queixo teria batido no chão.

—vamos ir pra Itália?!— acho que fiz uma cara engraçada, porque ele riu com vontade.

—O país da Máfia, batatina— ele declarou, saindo do escritório e sumindo pelo corredor.

Escutei risadas atrás de mim.

Batatinha? Sério? Batatinha?

—volta aqui Alex, você não vai me chamar assim— corri pelo corredor atrás dele.

Eu me diverti e por um breve momento esqueci que o monstro está à solta.

Apenas por um breve momento.

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