Capítulo 17

Acabamos de chegar em frente ao elevador.

—existe outra saída no subsolo?— Vivi perguntou se aproximando da porta.

Marcus de início ficou calado, apenas olhando para ela. E então um sorriso malicioso foi se formando em seus lábios.

—Sim, tem outra saída.

—e como eu não encontrei?— ela franziu o nariz.

—você nos deu um grande trabalho— ele se aproximou da tela de leitor ocular e no mesmo instante ficou verde, as portas do elevador se abriram.

Entramos todos, ficou um pouco apertado, mas as portas fecharam.

—Tivemos que usar 10 hackers e 4 bloqueadores de sinal, além da distração das salas que estavam vermelhas no sistema.

—você esperou que eu me concentrasse direto nas salas vermelhas e esquecesse as outras— ela afirmou balançando a cabeça aprovando.

—Na verdade eu esperei isso da Malu— ele olhou pra mim —você sempre prefere o perigo, então usei como isca.

—é, preciso admitir, isso foi inteligente— Vivi disse e eu olhei com cara feia pro Marcus.

Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, as portas abriram. Saímos e os cinco foram em direção a porta do meio. A sala em que Vivi deduziu que fosse um cofre, nós duas seguimos em silêncio.

Mesmo que eu já tenha estado aqui antes, o lugar não deixa de ser surpreendente.

Marcus ficou parado olhando para o canto direito da parede, no ponto em que as paredes e o teto se encontram.

—e como nós entramos?— perguntei perdendo a paciência com tanta demora.

—naquele canto— ele apontou com o indicador —tem uma câmera que está captando meu rosto, que mandará um sinal para um dos hackers na Itália, e depois de verificar por um processador se realmente sou eu, eles vão liberar nossa entrada.

—e vai demorar?— Cruzei os braços impaciente.

Assim que terminei de falar, a porta abriu.

—acho que não— ele disse sorrindo.

Não tinha nada na sala, apenas uma escada embutida na parede.

—você está me zoando né?— Vivi debochou assim que viu a escada.

—Às vezes o mais simples funciona— ele deu de ombros.

Fomos até a escada, Marcus foi o primeiro a subir e abrir o alçapão no teto, deixando a luz natural entrar.

Eu fui a próxima.

—caralho— xinguei assim que saí e vi o que estava bem na nossa frente.

—porra— Vivi xingou logo depois de ver.

Tinha um jato particular parado em uma pista de pouso e decolagem. UM JATO PARTICULAR.

—Isso vai ser bem melhor do que eu pensei— Vivi falou indo em direção ao jatinho.

Isso está muito longe de ser uma vida normal. Pegando um jatinho para tentar acabar com uma guerra entre máfias.

Suspirei, percebendo que eu querendo ou não, essa é minha vida e eu vou ter que me contentar com ela.

...----------------...

O interior do jatinho é todo em cor cinza e branco, deixando um ar de limpeza e sofisticação.

Escolhi uma poltrona e me sentei, olhando pela janela.

A ficha de tudo que estou fazendo começou a cair e por um breve momento senti vontade de chorar. Eu estou indo pra Itália para literalmente tentar matar o meu pai pela segunda vez, mas agora não vou deixar o trabalho para o fogo, eu preciso ter certeza de que ele vai morrer e nunca mais fazer mal a ninguém.

Fechei os olhos e deixei meu corpo relaxar, ainda sentia uma pequena ardência em meus lábios, mas não chegava nem perto de se comparar à dor em meu peito.

Eu me sentia vazia. Meu pai mesmo longe tem o poder de me cansar psicologicamente. Seja em pesadelos, crises de pânico ou ansiedade. Está sempre relacionado a ele.

Eu preciso me libertar disso, eu preciso que ele me deixe em paz.

Respirei fundo, esfregando minhas mãos em minha coxa.

De repente Lucien sentou na poltrona ao meu lado.

—sério Lucien, não estou com cabeça para seus joguinhos— minha voz saiu fraca, quase sussurrada.

—Você tinha me perguntado mais cedo sobre Briana, ela acabou de chegar sã e salva em Norcia.

—Que bom, obrigada.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, o sono estava começando a me envolver.

—eu não sabia— ele disse com a voz rouca.

—o que?— Virei minha cabeça olhando-o.

—eu não sabia quem você era quando passamos a noite juntos— vi sinceridade em seus olhos, então apenas dei de ombros.

—estou cansada demais pra te mandar ir a merda— brinquei dando um pequeno sorriso.

Ele riu, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.

—Descanse, ainda temos 10 horas de viagem pela frente— ele enrolou um dedo em uma mecha do meu cabelo e depois desenrolou.

Não respondi, apenas senti que minhas pálpebras pesavam uma tonelada e fechei os olhos, deixando o sono me levar.

...----------------...

Acordei escutando risadas, estiquei o corpo e a coberta que estava me cobrindo caiu no chão. Olhei para ela e a peguei colocando no assento ao lado, que agora estava vazio. Lucien deve ter me coberto enquanto estava dormindo.

Mais risadas.

Levantei e me virei, vendo todos reunidos no sofá e nas poltronas mais próximas da cabine do piloto. Eles riam e conversavam, por um momento essa cena passou em câmera lenta.

Todos sorrindo, até quando ficarão assim? Vladimir fará questão que todos nós soframos.

Engoli em seco, sentindo minha garganta arranhar.

Me aproximei deles, andando em passos curtos, aproveitando a cena de todos bem e felizes.

—bem-vinda de volta— Vivi deu tapinhas no assento vazio ao seu lado. Todos olharam para mim, me sentei aproveitando a maciez do sofá.

—dormiu bem?— Marcus perguntou-me oferecendo um copo de água.

—acho que sim— fiz uma careta quando me estiquei para pegar o copo e uma dor aguda atingiu meu lado esquerdo do abdômen.

—merda— sibilei, entregando o copo para Vivi e levantando a jaqueta e a blusa, revelando um roxo enorme.

—Vem comigo, vou te ajudar com isso aí— Lucien ficou de pé me oferecendo sua mão.

Na mesma hora uma memória foi desbloqueada.

“ —eu não quero ir papai— eu estava com medo, eu não gostava do jeito que aqueles homens me olhavam.

—vem comigo princesa, não tenha medo— papai falou ficando de pé e estendendo a mão.

Agarrei meu ursinho de pelúcia com força e entrelacei minha mão na sua.

Papai está aqui pra me proteger, não preciso ter medo”

Fechei os olhos com força, mandando pra longe as lembranças da última vez que confiei em meu pai.

—tudo bem Malu?— Lucien perguntou ainda com a mão estendida.

—você está legal?— Vivi sussurrou no meu ouvido e eu balancei a cabeça afirmando.

—Estou bem— respondi entrelaçando minha mão na de Lucien e usando como apoio para me levantar.

Todos ficaram em silêncio enquanto nós dois íamos para o banheiro. Senti o olhar de Marcus o tempo todo em minhas costas, ele não parecia muito feliz com a proximidade minha e de Lucien, mas eu não me importo. Não tenho cabeça para pensar sobre isso agora e muito menos pra lidar com ele.

O banheiro é bem espaçoso, bem mais do que eu imaginava.

Sentei na pia que mais parecia uma bancada, enquanto Lucien pegava um kit de primeiros socorros na gaveta.

Levantei a blusa revelando o roxo enorme.

Ele não disse uma única palavra, apenas pegou uma bolsa térmica e apertou uma moedinha dentro dela, para que a bolsa ficasse morna e colocou com muito cuidado no lugar machucado.

Ele me encarava, depois olhava pro meu machucado, pro espelho e depois repetia todo o processo, como uma bomba relógio contando o tempo para explodir.

Respirei fundo e olhei em seus olhos.

—anda Lucien, desembucha.

Ele ficou me olhando por um longo momento.

—Se você tivesse escutado tudo que o Marcus tinha pra falar, teria evitado muita coisa— ele resmungou.

—essas são as consequências de ser fodona— sorri, mas ele não sorriu.

—Eu não estou brincando Malu, você poderia ter se machucado de verdade.

—Ah que fofo, você está preocupado comigo— brinquei dando um soquinho em seu ombro, mas mesmo assim ele não sorriu.

Que bonitinho, ele está bravo.

—independente de tudo ele me enganou Lucien, já matei pessoas por muito menos que isso. Estou acostumada com essa vida, não precisa se preocupar comigo— falei com sinceridade.

Ele abriu a boca para me dizer alguma coisa, mas logo a fechou.

Eu sou imprudente, teimosa e descontrolada. Esses pensamentos me fizeram perceber e temer que Vladimir faça como Marcus, use meus defeitos contra mim mesma para conseguir o que quer.

Eu temo ser a pessoa que causará a nossa derrota.

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