Assim que entro na cozinha, vejo Bri correndo com dois bolinhos na mão e Adna correndo atrás dela, com a cara não muito boa.
Adna é a governanta da casa, faz de tudo um pouco. Ela tem as bochechas bem redondas e rosadas, está sempre sorrindo. Ela é muito fofa.
—Briana!!— ela diz ofegante —você já comeu seis bolinhos, não pode comer mais.
A Bri riu alto correndo em volta da bancada. Coitada de Adna.
Assim que Bri passou por mim, eu a peguei no colo fazendo cosquinhas e aproveitando a distração para tirar os bolinhos de sua mão. Ela não protestou, a danadinha só queria dar trabalho a Adna.
—Estou velha pra isso— escutei Adna resmungar. Eu conseguia ver as gotículas de suor formando em sua testa, seu rosto estava ainda mais vermelho que o normal.
—eu estava guardando os bolinhos pra você Malu— Bri piscou várias vezes como se fosse uma santa e eu fiz mais cosquinhas, arrancando-lhe longas risadas.
—você ainda tem que tomar café— a coloquei no chão e lembrei de uma história que minha mãe sempre me contava quando eu queria comer muito doce. —Você sabia que se comer muito doce, ele fica na nossa pele e de noite, as formigas vêm para nos comer?— fiz uma voz de suspense e ela me olhou curiosa.
—não faz sentido— ela inclinou a cabeça, pensativa.
Quando eu era criança fez muito sentido e eu morri de medo de comer doce depois.
—Tá bom, esquece isso. Vamos tomar café.
Ela passou por mim correndo, indo pro outro cômodo onde ficava a mesa enorme de jantar, e onde seria servido o café da manhã.
—ela é muito esperta, eu quando estava nessa idade morria de medo dessa história— falei rindo, enquanto mordia um pedaço do bolinho.
—aquela ali puxou a esperteza da mãe— Adna sibilou, voltando para seus afazeres.
Aproveitei a brecha, preciso saber mais sobre essa família.
—Quem é a mãe dela?— perguntei cautelosa.
Ela me olhou por um breve momento, como se pensasse se responderia ou não. Até que ela colocou o pano de prato no ombro e escorou o braço no balcão de frente para mim.
—Ela não era muito jovem, mas com certeza era mais jovem que o Sr Mason. Ela não ficava muito aqui, estava sempre viajando— ela mudou o peso do corpo de uma perna pra outra. —Quando ficou grávida, o Sr Mason ficou numa alegria que só. Agora ela, estava estampado em sua cara que essa gravidez era indesejada. O nome dela é Ayanna. Acho que isso explica porque o sr Mason escolheu o nome Briana.
Fiquei por alguns segundos parada, tentando digerir as informações.
—ela foi embora?
—Um dia depois que Briana fez dois anos— ela aproveitou meus questionamentos e comeu um bolinho também.
—Então significa que Lucien e Briana são irmãos só por parte de pai?
—exatamente, olhando assim você até se parece um pouco com ela— ela respondeu agora com a boca cheia de bolinho. —se você não se importar, vou voltar para meus afazeres, antes que me peguem comendo bolinho— ela sorriu e eu balancei a cabeça.
Saí da cozinha indo pra mesa.
Alguma coisa nessa família não me cheira bem.
...----------------...
—Fiz o que me pediu, hackeei o segundo sistema da casa— Vivi falou empolgada, enquanto eu olhava para seu rosto pela tela do celular.
Depois que eu e Bri tomamos café, sua professora particular chegou e eu aproveitei que teria 3 horas de folga e vim planejar minha “invasão” ao subsolo deste lugar. Agora eu estou no meu quarto e fiz questão de trancar a porta, não posso ter outra surpresa de Lucien entrando aqui sem ser convidado. Apesar de que eles estão sumidos desde aquele momento em que os vi saindo do elevador.
—você não vai acreditar. O lugar é enorme, tem salas com equipamentos de tecnologia de última geração, além de salas imensas de armação pesada— ela falou tentando esconder sua empolgação e o quanto estava amando cada minuto disso.
—Merda— Sibilei afundando minha cabeça no travesseiro que estava embaixo de mim.
—Malu— a voz da Vivi ficou mais séria que o normal e eu imediatamente a olhei —somos criminosas e isso nunca vai mudar, só a um único jeito de sair dessa vida, e é estando morta.
Eu sei, eu sempre soube, só queria que fosse diferente.
—eu sei— sussurrei, começando a pensar em uma forma de entrar naquele lugar, eu preciso saber com que tipo de criminosos eu estou lidando.
—eu já pesquisei e não encontrei nenhuma outra entrada ou saída que não seja o elevador, se tiver, eles mesmos que não colocaram no próprio sistema— ela estava concentrada em algo além da tela do celular, escutei barulhos de teclas. —Existem 5 salas separadas, uma é o centro que interliga todas as outras. Tem uma à direita que é a sala de armas, tem um armamento bem pesado e é a única que possui câmera. A do meio é uma espécie de cofre. As paredes são muito bem reforçadas, mas não tem como ver direito, o sistema de planta do lugar não é muito detalhado. A maioria das coisas eu estou apenas deduzindo.
Estava concentrada, ouvindo tudo com muita atenção.
—e as outras duas salas?
—esse é o ponto mais estranho. Não tem nenhum tipo de acesso a elas, simplesmente não existe. Na planta eu consigo ver que existem mais duas salas, mas enquanto todo o resto está de azul, esses dois cômodos estão de vermelho. Nem eles possuem um sistema desses dois lugares, então tente evitá-los a todo custo. Não sabemos o que tem lá— balancei a cabeça em confirmação.
—Eu só vou poder ir de madrugada, não posso deixar Briana sozinha.
—ok, você levou o ponto eletrônico de ouvido, né?
—Sim, eu tenho uma bolsa dentro da minha mala que tem tudo de que eu preciso— Vivi estreitou os olhos.
—Eu achei que você tinha levado só a calibre 38.
—não, eu trouxe muitas outras coisas— ela fez uma careta e um gesto exagerado, colocando a mão no peito.
—você não me contou— ela fez cara de choro e eu ri.
—você não perguntou— completei revirando os olhos e sorrindo.
—era o seu dever me contar, eu te conto tudo— ela começou a imitar choro de bebê e eu tampei o auto falante rápido, o som estava ecoando por todo o quarto.
—para com isso sua idiota— a imitação de choro logo foi substituida por uma gargalhada intensa. —eu também te conto tudo, se você tivesse me ajudado a arrumar a mala como eu pedi, você saberia. A culpa é sua, não minha.
—Eu sei, só queria fazer drama.
Bufei a olhando com ódio e tédio tudo ao mesmo tempo.
—beijinho te amo, até de madrugada— e assim ela desligou a ligação.
A maldita desligou na minha cara.
—sua vaca— falei para a tela do celular e o coloquei em cima do criado mudo.
É sempre bom descansar antes de invadir o covil dos leões.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Vera Gonçalves
curiosa
2024-02-02
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