O dia passou como o programado, fiz a rotina junto com Briana, brincamos, conversamos e a 30 minutos atrás eu a coloquei para dormir. Se tudo der certo eu voltarei muito antes da madrugada terminar, aproveitei que os patrões ainda não voltaram e estou indo um pouco mais cedo que o planejado. Quanto mais cedo eu for, mais cedo eu volto.
Agora estou pegando minha mala que estava embaixo da cama e a abrindo para pegar meu equipamento, enquanto estou em uma videochamada com Vivi.
Abri a mala e tirei o fundo falso, não é atoa que a mala é mais gorda que o normal.
—tinha até me esquecido disso— Vivi falou e eu a olhei indignada.
—foi você que comprou a mala.
Ela apenas riu enquanto eu mostrava tudo que tinha trago.
—cacete— ela sibilou, incrédula. —não é atoa que Marcus sempre falava que você é a melhor.
Senti minha garganta se fechar com a menção de seu nome. Ele foi o meu mentor e melhor amigo por muito tempo antes de sentimentos mais intensos nascerem em seu coração. Ele me treinou e a maioria das coisas que sei é por causa dele, mas nós éramos amigos e pra mim nunca passou disso.
Nos afastamos e no final a gente só se falava quando ele tinha algum trabalho para mim como assassina de aluguel, tirando algumas mensagens que ele me enviava as vezes por Whatsapp.
Não passava de “oi, você está bem?” ou “oi, tem algum trabalho pra hoje? Tenho um pra você de última hora”. Mas ele nunca ficou tanto tempo sem mandar mensagens, mesmo das outras vezes quando decidi me aposentar, ele sempre mandava alguma coisa. Talvez agora ele finalmente tenha desistido de mim.
Suspirei com as divagações e tentei me concentrar ao máximo na minha missão.
Vesti uma legging preta e uma blusa da mesma cor, coloquei meu coturno preto e minha jaqueta que eu usava em todas as missões. Coloquei meu ponto eletrônico de ouvido.
—Conectou?— observei enquanto ela colocava o seu em seu ouvido.
Primeiro escutei um bipe, depois a voz de Vivi penetrou em meu ouvido como se ela estivesse do meu lado.
—sim, conectado. Está me ouvindo?
—sim— respondi desligando a vídeo chamada.
—Só existem quatro câmeras e todas elas ficam na sala principal, a sala em que você vai estar assim que sair do elevador.
—entendido— falei enquanto recarregava minha pistola e guardava um cartucho no bolso interno da minha jaqueta. Eu não queria admitir, mas o peso da arma e os sons que ela fazia quando eu a carregava era tão reconfortante que chegava a ser prazeroso. Foi impossível segurar o sorriso.
—Depois que você entrar em outro cômodo, eu só vou poder te orientar pelos sensores da planta do sistema, então tome cuidado.
—Sim senhora— meu sorriso aumentou e eu abri a porta do quarto, olhando para o corredor para ver se continuava vazio.
—Malu?— parei na hora.
—fala— eu começava a sentir a descarga de adrenalina que o meu corpo liberava pela ansiedade de mais uma missão.
—Bem vinda de volta.
Esse foi o incentivo suficiente para eu atravessar o corredor e ir direto em direção ao elevador. Direto ao covil dos leões.
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—Estou em frente ao elevador— falei observando o sistema de segurança ocular, não é um elevador simples que simplesmente aperta um botão e as portas se abrem, é um elevador com proteção por senha ocular, só reconhece o globo ocular de quem estiver cadastrado. Bom, eu tenho como parceira a melhor Hacker do país, então isso não será um problema.
—me dá alguns segundos— escutei batidas de teclas por um tempo —pronto, o programa vai te reconhecer.
Assim que aproximei meu olho, demorou apenas dois segundos para que a tela digital ficasse verde. As portas do elevador abriram.
Entrei e fiquei observando o corredor enquanto as portas se fechavam, agora não tem mais volta.
Senti a pressão do elevador descendo e um leve frio na barriga.
Eu já estava em posição de defesa muito antes das portas se abrirem.
—puta merda— xinguei assim que vi o lugar. É enorme, com computadores de última geração formando um círculo no centro, luzes embutidas no teto e a melhor estrutura que o dinheiro pode comprar. —você não me falou que o lugar parecia uma nave espacial.
—você não teria acreditado se eu tivesse contado, deixei você ver com seus próprios olhos.
Andei com cautela, a arma apontada e um passo na frente do outro, observando tudo. Dei a volta pelos computadores e pela tecnologia de última geração. Três portas estavam bem na minha frente.
—A porta à direita te levará para o depósito de armas, a do meio te levará para um cofre e a terceira é a área vermelha.
Não escuto nada, nem um ruído. Esse lugar está silencioso demais.
—está muito silencioso— verbalizei meu pensamento.
—fique em total alerta. Estou te vendo pelas quatro câmeras da sala, mas assim que você passar por uma dessas portas, eu não vou conseguir mais te ver, estarei te orientando apenas pelos sensores.
Observei as portas, algo me diz que todas as respostas de que procuro estará na terceira porta, na área vermelha.
—merda— apontei a arma para a terceira porta. —pode abrir.
—Tem certeza? eu não faço a mínima ideia do que tem atrás dessa porta.
—tenho certeza— continuei com a arma apontada, não demorou nem 10 segundos para que a porta deslizasse e revelasse o que mantinha escondido.
Muitos quadros, com fotos de várias pessoas, tanto homens como mulheres. Alguns estavam totalmente vermelhos, ainda dava para ver o rosto da pessoa, mas parecia que tinham sido cobertos com um filtro vermelho. Muitos quadros em toda a extensão da parede, que tem 3 metros de altura e talvez uns 10 metros de comprimento ou mais. As paredes pareciam ter sido feitas do mesmo material que a sala principal. Mas o cômodo em si, estava vazio.
—o que você vê?
—quadros, muitos quadros com fotos de pessoas— dei uma volta, absorvendo o máximo de detalhes possíveis.
No final da sala enorme, tinha mais uma porta. O último cômodo.
Me aproximei e franzi a sobrancelha, percebendo que tinha uma maçaneta normal, como qualquer outra porta.
Meu coração palpitou e senti meu corpo gelar por alguns segundos, a descarga de adrenalina estava muito alta, eu senti falta dessa sensação de perigo e desconhecido.
Virei a maçaneta e tive uma surpresa quando descobri que estava destrancada.
Assim que abri a porta, paralisei.
Se fosse qualquer outra pessoa teria vomitado, mas eu estou acostumada com sangue e o cheiro forte que ele emana. O cômodo consistia em apenas uma cadeira e todo tipo de objetos para torturas, sangue e um ar denso de desespero.
—É uma maldita sala de tortura— falei para Vivi.
—Mas que merda, saia daí agora.
—O que…
Antes que eu pudesse terminar a pergunta, os pelos da minha nuca arrepiaram, fechei a porta e me virei apontando a arma, pronta pra meter bala na cabeça de quem quer que fosse, tudo isso em uma velocidade e agilidade surpreendentes.
Mas minha respiração ficou presa na garganta quando eu vi quem estava parado a 5 metros de onde eu estava.
Marcus.
Ele estava parado com as mãos nos bolsos. Ele não mudou nada desde a última vez que o vi. Rosto anguloso, cabelos dourados e uma pele beijada pelo sol. Conheço mulheres que se matariam para ter ele pelo menos por uma noite. Mas eu não vacilei nem por um minuto, minha mão continuou firme, com a arma apontada. Não sei o que diabos ele faz aqui, mas vai ter que me dar um bom motivo para eu não atirar.
•Marcus•
E para a minha fodida surpresa entraram na sala o Sr Mason, Lucien, Alex e o Blake.
Mais que PORRA.
Senti a veia do meu pescoço latejando, tamanha a velocidade que meu coração estava batendo.
Os quatro se posicionaram atrás de Marcus e senti minha mão dar uma breve vacilada, mas me recuperei rápido.
—Acho que temos muito o que conversar, Malu— A voz aveludada e arrastada de Marcus ecoou pelo cômodo.
Eu tenho uma lista de palavrões que eu poderia proferir agora, mas a única coisa que faço é abaixar a arma. Se eu tiver que ganhar dele, será em uma luta corpo a corpo, eu não preciso de uma arma pra sair vitoriosa.
—vamos conversar— falei sentindo um gosto amargo na boca. —Mas tome bastante cuidado, não é com a Malu que você está conversando agora, é com a víbora das sombras e eu não tenho esse apelido à toa.
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Conce
wauuuu essa história está a cada capítulo mais incrível😻, meus parabéns autora , ansiosaaaaa por mais e mais
2024-01-09
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