Capítulo 11

Mesmo estando abafado o som é nítido para os meus ouvidos.

Tum, tum, tum…

Cada vez mais próximo. Mais perto. Ele está chegando.

O assobio caminhava pelo corredor, passava por debaixo da porta e invadia meus ouvidos me fazendo encolher ainda mais no fundo do cômodo. Cada vez mais alto, mais perto.

Eu tampava meus ouvidos com as mãos, mas o som ultrapassava todas as barreiras. O som me torturava, assim como ele.

Tum, tum, tum… as batidas pararam e a sombra de seus pés, eram visíveis pela fresta embaixo da porta. Ele está aqui. Ele chegou.

O frio já não me incomodava, a dor não me atormentava, mas a presença dele me apavorava.

O monstro chegou.

—princesa…— três batidas fortes e duas fracas, seguidos de sua voz rouca e sinistra. —tá na hora de brincar…

Não, eu não aguento mais.

O choro ficou preso na minha garganta, mas um soluço estrangulado saiu, quase inaudível.

Eu quero morrer.

Eu quero descansar.

Eu quero paz.

—me deixe em paz— sussurrei, minha garganta doeu pelo esforço, depois de horas gritando, estava inchada.

A porta foi destrancada.

O desespero tomou conta do meu corpo. Não, não, não, não…

O ar não entrava pelos meus pulmões, agora o único som eram as batidas aceleradas do meu coração. Apesar do frio, senti gotículas de suor formando na minha testa. Eu quero gritar, quero correr, quero me esconder. Mas simplesmente paraliso. Não consigo me mexer. O pavor em extremo me paralisou.

Ele vai me pegar.

A porta começou a abrir devagar. Ele fazia isso porque sabia que me daria mais medo, mais ansiedade, mais pavor.

Ele vai me pegar…Ele vai me pegar… Ele vai me pegar…

Abri os olhos. O teto que é branco, agora está cinza por causa da luz noturna que entra pela janela. Olho para frente e tento me levantar mas não consigo, estou paralisada. Reconheço a cômoda em frente a cama, estou no meu quarto na casa do Sr Mason, mas não consigo me mover.

Sinto que estou sendo observada. Não consigo ver, mas eu sei que está ali. Bem ao lado da porta, me observando.

Tento mover meus braços mas eles continuam paralisados, como se não respondessem aos meus comandos.

Tum… Tum… Tum…

A coisa está mais perto e os assobios começam.

Não pode ser. Eu estou acordada, sei que isso não é um pesadelo. Ele não está aqui.

Minha respiração estava cada vez mais difícil. Inspirei e expirei cada vez mais rápido.

A sombra sem formato se aproximou mais. Eu não conseguia me virar pra olhar, eu só sabia que estava ali e se aproximava, chegando cada vez mais perto.

Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto.

Ele está aqui, ele vai me pegar. Eu conseguia sentir meu corpo tremendo por dentro. O suor cobria a minha pele. Ele vai me pegar.

Tum… tum…

Eu quero gritar, eu preciso gritar, mas minha boca não abre. Ele está aqui, ele vai me pegar.

Ai meu deus, ele está aqui.

Comecei a tentar me mexer, a me debater, mesmo não movendo nem um músculo. Eu preciso correr, preciso fugir.

O assobio me fazia querer arranhar meu rosto. Eu não quero escutar. Não quero.

Eu sentia as lágrimas molhando meu coro cabeludo, escorrendo pelo meu rosto. Ele vai me pegar.

Está mais próximo, perto, muito perto.

E quando estava tão perto que poderia encostar em mim, minha paralisia passou e consegui me levantar. Não pensei duas vezes antes de pular da cama, não me importei de que não tinha ninguém no quarto e eu estava sozinha, apenas corri até a porta e a abri. Disparei pelo corredor, sem me importar com a falta de iluminação. Minha mente estava nublada, eu não conseguia falar, nem pensar. Eu só sabia que precisava fugir.

Eu não sabia para onde estava indo. Apenas fui.

Até que bati em algo que me segurou. O primeiro pensamento que me veio à cabeça foi Ele me pegou, o monstro me pegou.

Comecei a me debater, eu não conseguia gritar, minha voz não saia.

Eu precisava me defender de algum jeito. Ele não pode me machucar mais.

Não pode!

—Eu sei que eu sou lindo, mas não precisa ficar histérica com a minha beleza— a voz desconhecida me fez parar por um momento e soltar um suspiro de alívio. Não é ele.

Respirei fundo, tentando pensar com clareza. A pessoa que me segurava deu um passo para trás e a primeira coisa que vi foram os fios loiros, compridos o suficiente para fazer algumas trancinhas. Fiquei imóvel, enquanto tentava controlar minha respiração. Mas eu não consegui e minha garganta parecia que estava inchando.

Olhei para ele. É o Alex, é apenas o Alex. Repeti mentalmente várias vezes, tentando recobrar o controle.

—Me empresta seu celular?— perguntei com dificuldade. Meu Deus, eu não consigo respirar.

Ele ficou me olhando como se eu fosse doida, talvez eu seja mesmo e esses são os sinais de que minha loucura está se agravando.

Ele enfiou a mão no bolso e tirou um celular, não esperei ele responder ou me entregar o aparelho, apenas tomei de sua mão e desbloqueei a tela e comecei a digitar o número.

Começou a chamar e cada barulho de espera era uma tortura.

—Alô?

Assim que escutei sua voz, meus joelhos cederam e eu desabei no chão, sentindo as lágrimas molhando meu rosto.

—sou eu Vivi— minha voz saiu trêmula.

—O que aconteceu Malu?— sua voz saiu uma mistura de histeria com desespero.

—Ele… ele estava lá… eu… eu não consigo respirar— falei com dificuldade, colocando a mão no peito.

Vi quando Alex se ajoelhou na minha frente. Ele tomou o celular da minha mão, eu já estava preparada pra surtar, mas ele pôs no viva voz e colocou o aparelho no chão.

—Malu? Me responde ou eu prometo que chego aí em vinte minutos.

Eu não conseguia responder, eu quero gritar, quero chorar. Eu preciso de ajuda. Não consigo respirar.

—Ela está tendo uma crise de pânico— Alex respondeu e todo resquício de diversão que estava em seu rosto sumiu. —Malu, eu preciso que você se concentre em mim e conte até dez, você pode fazer isso?

Balancei a cabeça repetidas vezes, afirmando.

—Um— ele disse e eu repeti —dois— senti um aperto enorme no meu peito e chorei, chorei muito, eu não escutava mais nada. Só conseguia chorar e soluçar.

Até quando ele vai me assombrar?

Até quando esse monstro vai conseguir me destruir?

Até quando vou viver com medo dele?

Eu quero morrer.

Eu quero descansar.

Eu quero paz.

São meus últimos pensamentos antes de tudo ficar escuro.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!