Estamos todos sentados à mesa. Cada um está conversando com alguém, enquanto eu tento comer minha comida sem esganar Lucien, que não para de me olhar. Ele não está disfarçando nem um pouco.
Seu olhar é uma mistura de raiva, com tesão e um pouquinho de ressentimento.
“para de me olhar” mexi a boca de um jeito que ele entendesse as palavras, mas não emiti nenhum som. Ele simplesmente levantou as duas sobrancelhas e depois sorriu, escorando os cotovelos na mesa.
—Lucien?— Sr Mason chamou ele como se já tivesse chamado antes. Acho que estou muito distraída, porque não escutei.
—Sim, pai.
Ele nem se deu ao trabalho de olhar para seu pai, continuou me encarando. Inferno!!!
Abaixei a cabeça e prestei o máximo de atenção na comida.
—como foi a viagem?— A voz grave do Sr Mason caminhou pelos meus ouvidos, enquanto eu comia um bolinho de creme, que é uma delícia.
—Foi ótima, descansei bastante. Inclusive fui na boate que você me recomendou assim que cheguei em Nova York e conheci uma pessoa…interessante.
Engasguei na hora com o maldito bolinho. Tomei água o mais rápido possível, sem fazer contato visual com Lucien.
—espero que não seja um caso de apenas uma noite. Se for não quero nem saber— a risada do Sr Mason fez os meus pelos arrepiarem.
—ela foi embora de fininho no outro dia e deixou apenas uma mensagem em um pedaço de papel, você acredita?— levantei a cabeça e Lucien olhava para seu pai indignado.
Seu pai riu antes de responder.
—Parece que você não foi muito interessante pra ela— ele riu ainda mais enquanto Lucien fechava a cara.
Abaixei a cabeça e foi impossível segurar o sorriso.
Os dois começaram a conversar sobre coisas da empresa e eu dei graças a deus por sua atenção ter ido para outro lugar.
—Você é daqui de Nova York?
Olho para o lado e Anna está com um cotovelo escorado na mesa, me olhando.
—Na verdade sou de Massachusetts— respondi tomando mais um pouco de água.
—sério? Eu ia bastante lá— ela sorriu —o que te fez mudar de lá?
Mexi na cadeira desconfortável, odeio falar sobre o meu passado e reviver o pesadelo que vivi naquele lugar.
—queria novos ares— sorri sem graça e comi mais um bolinho, pra tentar tirar o gosto amargo que ficou por ter falado o nome daquela maldita cidade.
Olhei pra frente e Lucien voltou a me observar, mas agora seu olhar continha curiosidade, o que me fez engolir em seco.
Eu odeio meu passado e o enterrei a muito tempo.
Por isso nada e nem ninguém será capaz de o desenterrar.
...----------------...
Depois que terminamos de tomar café, Sr Mason, Lucien e seus amigos foram para o escritório conversar sobre alguma coisa que não é da minha conta, enquanto eu e Bri voltamos para seu quarto. Ela brincava e eu a observava, e por causa da minha pequena conversa com a Anna na hora do café da tarde, eu estava mais distraída que o normal.
Jantamos todos juntos e as encaradas de Lucien já estavam começando a me tirar do sério. Assim que terminamos tomei um belo banho e agora fui na cozinha buscar uma garrafa d’água, prontíssima para uma bela noite de sono.
Andei pelo corredor sentindo o piso gelado no meu pé descalço, movimentei meus ombros para relaxar um pouco enquanto chegava em meu quarto. Assim que entrei fechei a porta.
—”parabéns pela foda mediana, beijinhos Malu”. E no final um número de telefone.
Quase morri de susto, virando e encontrando Lucien segurando um papel e com um ombro escorado na parede ao lado da porta do banheiro.
—Jesus— coloquei a mão no peito, tentando acalmar as batidas do meu coração.
Olhei para o papel em sua mão e dei um sorriso. Até que o bilhete foi bonitinho.
—pelo menos eu deixei um bilhete— dei de ombros, colocando a garrafa em cima do criado mudo.
—sério?— Olhei pra ele e seu semblante mostrava que talvez ele tenha ficado um pouco chateado.
Abri ainda mais meu sorriso.
—ficou magoadinho?— Fiz um beicinho.
Ele amassou o papel e o jogou no chão se aproximando, me distanciei não querendo ficar muito perto, mas a cada um passo que eu dava para trás ele dava dois para frente. Até que senti a parede em minhas costas e prendi a respiração quando ele se aproximou o suficiente para eu conseguir ver o brilho de suas irís.
Seu maldito perfume masculino invadiu minhas narinas, me fazendo fechar os olhos por alguns segundos.
—não estou magoado, estou furioso— ele contraiu o maxilar deixando-o ainda mais marcado.
—Ah que bonitinho, você nunca foi rejeitado?— sorri, me aproveitando muito da situação.
—Na verdade, não— ele sussurrou, enfiando a mão no meu cabelo e o puxando o suficiente para causar um pouco de dor.
Ele não vai conseguir me intimidar assim, estou acostumada com a dor, ela é uma velha amiga. Fiquei o encarando, esperando seu próximo passo.
Ele se aproximou e encostou seu nariz em meu pescoço, inalando profundamente meu cheiro. Senti meus pelos arrepiarem no mesmo instante e me repreendi mentalmente.
Ele voltou a sua postura normal já com as pupilas dilatadas, com ele tão perto assim percebi a enorme diferença que temos de altura e mesmo assim eu conseguiria derrubá-lo em segundos.
Sorri com esse pensamento.
—Não seja tão cruel comigo— ele disse sorrindo sem mostrar os dentes. Maldito homem bonito e gostoso pra caralho.
—eu não me iludo com rosto bonito e outra, agora você é meu patrão. Seu pai me deu um contrato que deixa bem claro que você e eu não podemos ter nenhuma relação além da profissional.
—Você é do tipo que segue as regras?— ele balançou a cabeça como se estivesse decepcionado. Desgraçado, está querendo me provocar.
—Com o pouco que você me conhece, está claro que não— sorri, sabendo que a próxima frase irá martelar seu ponto fraco. —sou eu que não quero mais nenhum tipo de relação com você.
—Ah é?— ele me deu um selinho e eu deixei, olhando-o bem nos olhos. —Então você não quer nem estar perto de mim?
—não— respondi sem pensar duas vezes.
Ele sorriu, como se tivesse acabado de ganhar um presente.
—então porque ainda estou tão perto de você que consigo ver essas lindas sardas que tem no nariz?
INFERNO!
O empurrei e ele cambaleou para trás sorrindo como uma criança. Imediatamente senti a falta do calor de seu corpo.
—sai do meu quarto— falei séria, cruzando os braços.
Seu sorriso convencido me deu vontade de lhe dar um soco.
Ele levantou as mãos como se estivesse se rendendo, foi até a porta e a abriu, olhando para mim logo em seguida.
—espero que tenha uma ótima noite— ele deu um sorriso provocador e saiu fechando a porta logo depois.
—droga— sussurrei, pulando em cima da cama e gritando minha frustração para o travesseiro.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 30
Comments
Solange Lopes
muito bom
2023-12-28
2