Capítulo 3

—Você ficou gata pra caralhö— Olívia disse dando um tapa na minha bunda.

Dei mais uma volta me olhando no espelho, o vestido curto vermelho destacava minha pele bronzeada e valorizava muito minhas curvas, assim como o vestido verde da Olívia destacava sua pele pálida e cabelo loiro.

•Olívia Conway•

—Posso chamar o Uber?— ela perguntou mexendo no celular.

—sim— peguei minha bolsa e coloquei dentro minha carteira, um gloss e uma camisinha, nunca se sabe quando irá precisar.

—vamos descer, daqui a 5 minutos o carro chega— ela passou o dedo do meio sobre os lábios espalhando um pouco mais o gloss e deu mais uma arrumada no seu cabelo curto.

Fiz o mesmo em frente ao espelho e saímos, tranquei a porta do meu apartamento e guardei a chave na bolsa torcendo para não perdê-la como da última vez.

O barulho de nossos saltos ecoava por todo o corredor enquanto a vontade de beber secava minha garganta e o desejo de dançar fazia os meus pelos arrepiarem.

Comecei a sentir aquela adrenalina gostosa de quando sabemos que vamos fazer alguma coisa errada. Dei um sorriso, sempre fazemos alguma merda. Só temos que esperar acordar amanhã e ver se a merda foi muito grande e consertar depois.

É, essa noite promete.

...----------------...

O barulho noturno de Nova York é uma grande mistura de vozes, carros e diversas músicas de baladas diferentes, além dos cheiros de cigarro, bebida e perfume caro que me lembram pecado e luxúria. Uma combinação muito perigosa.

As luzes da cidade parecem vibrar, como se estivessem vivas. Não é atoa que Nova York seja considerada a cidade que nunca dorme.

Estamos paradas em frente a uma das boates mais caras dessa cidade, um dos luxos que meu ex emprego nos proporciona.

Mesmo sendo uma boate luxuosa, a fila está enorme. Se não for vip ou alguém importante, vai ter que esperar no mínimo uma hora pra entrar. Um problema que eu e Olívia não temos.

Contornamos a fila e entramos na área vip sem nenhuma dificuldade, os seguranças nos conhecem, assim como o dono da boate que está vindo na nossa direção nesse exato momento.

Com um cabelo rosa, colete masculino da mesma cor e jóias que não acabam mais, Alexis não é o tipo de pessoa que os outros temem sua aparência, mas no mundo do crime ele é o tipo de homem que você quer ter como amigo e nunca como inimigo.

—olha se não são minhas clientes preferidas— ele fez uma reverência exagerada. Isso é o que eu mais gosto nele, ele é totalmente excêntrico.

—oi Alexis— puxei ele para um abraço —como vai?

—Minha vida é sempre uma festa— ele respondeu enquanto também dava um abraço em Olívia e um beijinho em cada bochecha. —Vi suas mensagens e já reservei uma mesa, espero que se divirtam— ele nos guiou até a mesa reservada e nos deixou já cumprimentando outros clientes.

Sentamos e já pedimos um drink. Outros clientes vips começaram a aparecer. A pista de dança no andar de baixo já estava cheia, o álcool estava começando a tomar conta de mim.

—bora dançar? — Se eu ficasse por mais um minuto parada, eu teria um infarto com toda certeza. Meu coração já estava acelerado e meu corpo quente por causa da bebida.

—É lógico, o álcool já está ferrando com meu cérebro— sorri, vendo suas bochechas vermelhas. O álcool também está deixando seu corpo quente.

Entrelaçamos nossos dedos e descemos a longa escada que dá acesso à pista de dança. A eletrônica tocava em um volume ensurdecedor, rebolei e passei a mão pelo meu corpo sentindo as primeiras gotículas de suor recobrir minha pele. As batidas da música caminhavam pelo meu corpo me fazendo arfar e meus pelos arrepiavam a cada mudança de tom. Levantei meu cabelo como parte da dança e continuei balançando meus quadris, senti um pouco de alívio quando uma brisa de vento bateu na minha nuca, espantando um pouco do calor.

Minha garganta secou tanto que quando engoli me deu vontade de tossir, Olívia rebolava na minha frente, estávamos em uma dança sincronizada, mas minha garganta arranhava e não poderia ficar sem beber nada. Puxei ela pela multidão. O cheiro de bebida, cigarro e suor me acompanhava para todo lugar. Avistei o bar e quase corri em sua direção, tamanho alívio.

—duas tequilas, por favor— gritei para que o barman escutasse.

—preciso de líquido— Vivi berrou no meu ouvido.

—meu deus pra que isso? — reclamei enfiando o dedo indicador dentro do ouvido para ver se não tinha estourado meu tímpano —já pedi para o barman.

Ela sorriu me mostrando o dedo do meio e depois me mandou um beijo. Porque eu tinha que ter uma melhor amiga tão louca?

Batuquei a madeira da bancada do bar ansiosa pela tequila. Até que senti todo o meu braço esquerdo ficar gelado e um líquido escorrer até minha mão. Algum infeliz derramou bebida em mim, já estava preparada pra me virar e mandar pro inferno quem tinha jogado a bebida, mas a pessoa foi mais rápida.

—Foi mal, linda. A culpa foi dele— ele apontou para o amigo como se fossem duas crianças brigando para ver quem que levaria a culpa.

Okay. São lindos pra caralhö.

Sabe aquela pequena paralisada e esquecimento de movimentos básicos, quando vemos um homem bonito? Tive isso por apenas alguns segundos, mas me recuperei tão rápido quanto veio.

Quando eu ia responder, mais um gato apareceu e colocou um braço no pescoço de quem eu imaginava ser seus amigos.

—eles estão te incomodando meninas? — ele sorriu, enquanto os outros dois riam de alguma coisa.

—o que é isso? Um deus grego? — Vivi sussurrou no meu ouvido, dando aquele olhar sedutor, praticamente comendo com o olho de cima a baixo o homem que acabou de chegar.

A tequila chegou, tomei a minha em um gole antes de falar qualquer coisa.

—te desculpo se você dançar comigo— não sou do tipo que espera o homem chegar até mim, se eu quero, eu consigo. Não tem meio termo.

Olhei para o gatinho que derramou bebida em mim. Ele me observou com as sobrancelhas levantadas, como se estivesse assustado com a minha atitude, não deve estar acostumado com esse tipo de coisa.

—Quem sou eu para te negar qualquer coisa— ele me lançou um sorriso sexy, que eu devolvi na mesma proporção.

E a vivi, que ansiosa e louca do jeito que é, nem perguntou se o homem queria dançar com ela, apenas o levou.

—e você vem comigo— ela puxou ele para dentro da multidão e ele foi sem reclamar nem um pouco.

Como eu disse antes, essa noite promete.

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Comments

Alisa TorYos

Alisa TorYos

oxi....
É Nova York?
Não era Las Vegas que era a cidade que nunca dorme?
Ou estou errada?......kkkkk

2024-05-25

0

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