Samantha On | •
Eu acordei com a cabeça latejando, como se alguém tivesse martelado cada canto do meu crânio. A luz do quarto parecia mais forte do que deveria, e minha boca estava seca. Minha garganta arranhava.
Quando tentei me mexer, senti algo apertando meu peito. Meu coração acelerou por um segundo até perceber que era só o cobertor que Izabela tinha jogado sobre mim.
Ela estava sentada em uma cadeira ao lado da cama, me observando com um olhar pesado, quase exausto.
— Finalmente resolveu acordar. — A voz dela era dura, quase cortante.
Eu me sentei lentamente, tentando juntar os cacos de memórias espalhados pela minha cabeça. A última coisa que lembrava era... os dois caras. E a voz dela gritando meu nome.
— Izabela... o que aconteceu? — perguntei, minha voz mais fraca do que eu esperava.
Ela levantou, cruzando os braços, visivelmente tentando controlar a raiva.
— O que aconteceu? Eu deveria perguntar isso pra você, Samantha. — Ela bufou, frustrada. — O que você estava pensando? Andar por aí como se o mundo fosse um lugar seguro? Sentar com dois caras que claramente não tinham boas intenções?
Engoli seco. Não tinha resposta. Ou talvez tivesse, mas não queria dizê-la em voz alta.
— Você não entende, Izabela. Eu só... precisava fugir por um momento. Esquecer. Não pensar em nada.
Ela deu um passo à frente, o rosto dela parecia cansado, mas os olhos estavam cheios de determinação.
— Fugir? Fugir pra onde, Samantha? Pra mais problemas? Eu te achei naquela calçada como se você tivesse desistido de tudo. E aqueles homens... eles poderiam ter te machucado de verdade.
Eu não queria ouvir isso. Não queria lembrar.
— Eu já fui machucada de todas as formas possíveis, Izabela! — gritei, minha voz saindo mais alta do que eu pretendia.
Ela recuou, surpresa pela minha explosão.
— Eu sei. — A voz dela agora era baixa, quase um sussurro. — E eu só quero que você entenda que não precisa passar por isso sozinha.
Eu ri. Não um riso feliz, mas aquele riso amargo que você solta quando a ironia da vida te atinge em cheio.
— Sozinha? Izabela, eu estive sozinha por tanto tempo que isso se tornou meu estado natural.
Ela não respondeu imediatamente. Talvez não soubesse o que dizer. Talvez soubesse que eu não queria ouvir.
Depois de um silêncio pesado, ela se sentou ao meu lado na cama.
— Eu não vou desistir de você, Samantha. Não importa o quanto você tente se afastar, eu vou continuar aqui. Mas você precisa me ajudar a te ajudar.
Eu olhei para ela, os olhos marejados, mas ainda tentando segurar as lágrimas. Era algo tão simples, mas tão difícil. Confiar. Pedir ajuda.
— Eu... eu não sei como.
Ela segurou minha mão, o toque dela era firme, mas ao mesmo tempo reconfortante.
— A gente vai descobrir juntas.
Naquele momento, por mais frágil que eu estivesse, eu senti um pequeno fio de esperança se formando. Não era muito, mas era o suficiente para me fazer querer tentar mais uma vez.
Izabela On | •
Depois que Samantha finalmente adormeceu novamente, eu me levantei da cama e peguei o telefone. Precisava resolver isso. Não dava mais para ela viver nesse ciclo de autodestruição.
Comecei a buscar ajuda em fóruns, contatos de pessoas que pudessem orientá-la. Eu sabia que ela precisaria de mais do que minha força para superar tudo.
Enquanto isso, no chão, percebi algo caído perto da cama. Um pedaço de papel rasgado.
Ao pegá-lo, vi apenas três palavras rabiscadas:
"Eu sei tudo."
Meu coração gelou.
Continua...
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Atualizado até capítulo 35
Comments
Allan Ricardo Araujo
aí Jesus do céu, espero que você Isabella consiga sair dessa e ser feliz
2024-12-09
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