— Não encosta em mim, sei fazer isso sozinha. — Rebati ao brutamonte que tentava me ajudar a beber um copo d’água. — Além disso, sua chefia não me soltou à toa.
Arranquei o copo de suas mãos e comecei a beber. Ele apenas riu, aquele sorriso cínico estampado no rosto.
— Parece estar com sede — zombou, como se estivesse se divertindo às minhas custas.
— Não enche! — Revirei os olhos, irritada. — E será que pode dar água para o meu amigo também? Ele está aqui há mais tempo que eu. — Apontei para Murilo, sentado no chão com a cabeça baixa.
— Que drama... ninguém aqui vai te matar. — Izabela, a líder da situação, caminhou até Murilo, que hesitou antes de pegar o copo das mãos dela, sem ousar encará-la nos olhos.
Apesar de tudo, eu não conseguia deixar de pensar: aquilo não parecia um sequestro convencional. Eu não estava machucada, nem intimidada com ameaças de morte. Izabela podia facilmente me silenciar para sempre, mas, por algum motivo, não o fazia.
— Preciso sair agora. São dez da noite, e vocês ainda não comeram nada. Vou buscar comida. Não façam merda. — Ela caminhou até a porta, mas antes de sair, virou-se para mim com um sorriso provocador. — Ah, e cuidado com os bichos.
Revirei os olhos mais uma vez. Detestava aquelas provocações. Eram irritantes.
____
Enquanto isso — Ana
— Vocês têm que me ouvir! Eu já disse mil vezes: não vi papel nenhum! — Repeti, exausta, para aquele homem engomadinho à minha frente. — Onde está Samantha? Por que vocês estão aqui?
— Preciso que a senhora se contenha e diga onde está o avental de trabalho dela. — Ele cruzou os braços, impaciente.
As palavras me atingiram como um estalo. Samantha costumava lavar o avental a cada dois dias, pelo forte cheiro de comida. Fui direto ao cesto de roupas sujas e, por sorte — ou azar —, encontrei o avental. Mas os bolsos estavam vazios.
Eu não sabia o que aquilo significava, mas algo me dizia que não era coisa boa. Meu coração apertava, e qualquer palavra errada poderia piorar ainda mais a situação.
— Não tem nada nos bolsos. — Voltei para a sala, encarando os dois homens. — Eu posso... posso dar dinheiro a vocês, se for isso. Só não machuquem minha amiga, por favor.
— Isso é tudo. Tenha uma boa noite. — Eles saíram sem dizer mais nada, deixando para trás uma ansiedade que me consumia por inteiro.
____
De volta ao porão
Já estava cansada daquele espaço escuro e frio.
— Me desculpa te meter nisso, Sam. Eles ameaçaram minha família... eu não sabia o que fazer. — Murilo soluçava, com a voz embargada de choro.
— Ei, está tudo bem. — Aproximei-me e o abracei com força. — Eles não vão machucar ninguém, ok? Confia em mim.
No fundo, eu não tinha certeza de nada. Mas precisava acreditar.
De repente, a porta se abriu, e Izabela entrou, iluminando o espaço.
— Seu amigo pode ir para casa. Não precisamos mais dele. — Ela declarou, olhando para Murilo, que esboçou um sorriso aliviado.
— Ouviu isso, Sam? Nós vamos embora! — Ele enxugou as lágrimas e se levantou.
— Não. Você vai embora. Ela fica. — Izabela o interrompeu, firme. — E nem pense em contar a alguém o que viu aqui. Eu ainda sei onde você mora.
Murilo assentiu, assustado, antes de sair acompanhado por um dos capangas.
— Você é esperta. — Izabela riu de forma contida. — Não acharam o papel, e eu tenho motivos de sobra para surtar, mas vou te dar uma proposta.
— Proposta? — Ri, debochada. — Além de tudo, agora tenho que negociar com você?
Antes que pudesse dizer mais, Izabela me puxou pelo braço, encurralando-me contra a parede. Seus braços bloqueavam qualquer escapatória, e seus olhos encaravam os meus com intensidade.
— Escuta aqui. Eu não sei quem te disse que bancar a rebelde vai te salvar, mas vai ser pior para você.
— E o que você vai fazer? — Perguntei, mantendo o olhar fixo nos dela.
Izabela respirou fundo, afastando-se. — Fique comigo, e eu não faço nada ao seu amigo.
Soltei uma risada irônica. — Tudo isso para ficar comigo? Só pode ser brincadeira.
— Não se trata disso. Preciso de alguém para me acompanhar em certas ocasiões. É questão de imagem. Nada romântico, só negócios. Mas você vai se dedicar exclusivamente a isso. — Ela acendeu um cigarro, soltando a fumaça devagar.
— E eu vou poder voltar para casa?
— Hoje, não. Amanhã temos um jantar importante. Vá comer algo, vou te mostrar seu quarto.
A casa era surpreendentemente luxuosa, e a mesa estava repleta de comida. Não pude resistir e comi, mas minha cabeça estava um caos. Será que podia confiar nela?
— Aqui está. — Izabela abriu a porta do quarto, indicando o espaço. — O banheiro é à direita. Boa noite.
Assim que ela saiu, joguei-me na cama, exausta. Mas minha mente insistia em repetir a cena de seus braços me cercando, sua força e presença. Balancei a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos.
Fui tomar um banho, tentando relaxar. Mas, apesar do cansaço, uma parte de mim sabia que a verdadeira batalha ainda estava por vir.
Continua...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 35
Comments
Cleidiane Silva dos Santos
história muito boa😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍
2025-01-14
0
Maria Andrade
pensa numa história boa de ler, mais autora
2023-11-08
2
Cleidiane Oliveira de Freitas
essa história estar muito interessante e quero mais /Drool/
2023-11-06
3