Izabela
Passei a noite num hotel na cidade vizinha. Todos os meus pensamentos giravam em torno de Mário. Era claro que a caçada por Samantha não havia terminado. A prisão em flagrante e as provas que surgiram apenas serviram para deixar o imbecil ainda mais faminto por vingança.
Eu não consegui comer. Meu foco estava em encontrar evidências que pudessem comprometer Mário de uma vez por todas. Cheguei finalmente na cidade onde tudo começou, o lugar onde várias garotas foram vítimas das mãos sujas daquele homem cruel.
Meu telefone tocou. Era um daqueles números desconhecidos. Passei o dia tentando entrar em contato com algumas das vítimas que Mário havia enganado, mas sempre que mencionava o nome dele, a ligação era abruptamente encerrada, o medo prevalecendo.
Estava quase perdendo a esperança até que uma voz feminina atendeu:
— Alô?
— Oiê, boa noite! É a Cassie? — Perguntei, com o coração acelerado.
— Quem é você? Como sabe desse nome? — A voz da garota demonstrava surpresa e desconfiança.
— Cassie, preciso saber algumas coisas sobre o Mário Carlos... — Um silêncio profundo invadiu a ligação, como se a presença do nome dela ecoasse na mente da garota.
— Eu não tenho nada a dizer. Não me ligue mais! — Foram suas últimas palavras antes de desligar.
Droga. Era frustrante, mas eu não desistiria. Se dependesse de mim, ele passaria muito tempo atrás das grades.
Era tarde da noite, e então lembrei de Samantha. Seu sorriso, suas manias, o jeito que ela falava, tudo isso fazia meu coração apertar. Ela era linda e, apesar das dificuldades, eu conseguia ver sua fragilidade.
Peguei meu celular e fiz uma ligação.
— Alô? — A voz suave e aveludada de Samantha me acolheu do outro lado da linha.
— Já estava com saudades da sua voz, falei. — Estou usando um celular pré-pago. Por agora, não posso usar meu número principal. Precisamos ter cuidado. Trabalhei tempo suficiente para Mário pra saber que nenhuma prisão vai impedir ele de agir. Não abra a porta pra ninguém, a não ser que seja sua mãe ou sua amiga. Caso sejam elas, elas te ligarão antes de vir.
— Oi, Iza... Tudo bem? Obrigada por avisar. — Respondeu, sorrindo fraco. — Onde você está?
É algo que eu não podia revelar ainda. Samantha acreditava que conhecia Mário, mas parte do que ela não sabia era que ela também era apenas mais uma das vítimas dele.
— Onde estou? Bem... Estou resolvendo algumas coisas.
— Está tudo bem?
— Sim, logo eu volto. Fique bem e não ligue no meu celular em hipótese alguma. Eles não podem saber que você está comigo. Aguenta firme, eu ligo assim que puder.
— Ok! Até mais!
Meu corpo estava exausto. Passar o dia dirigindo me esgotou. O quarto do hotel era confortável o suficiente para eu recarregar minhas energias.
Tomei um banho e, em seguida, deitei na cama. O sono me consumiu sem que eu percebesse.
____
Samantha
Meus olhos se abriram lentamente. Parte de mim esperava não acordar naquele lugar. Estava começando a sentir falta das noites na lanchonete com Murilo e do trabalho como acompanhante, cada dia em um lugar diferente. Mas depois das coisas horríveis que Murilo me disse, já não sabia se éramos tão amigos assim.
Levantei da cama e fui ao banheiro lavar o rosto. Foi então que um cheiro familiar de colônia invadiu meu nariz. Era o cheiro da camisa de Izabela, que eu vestia.
— Saudades dela... — Sussurrei.
Batidas na porta me fizeram estremecer. Meu coração disparou.
— Sam? Sou eu, Ana! — A voz da minha amiga trouxe um alívio momentâneo.
— Ana! — Falei, caminhando até a porta. — Amiga...
Ela me abraçou forte, trancando a porta logo em seguida. — Como você está? Estou tão preocupada e sem entender tudo isso.
— Senta aqui, eu vou te contar tudo.
___
Algumas horas depois, já tínhamos colocado todo o assunto em dia. Não tínhamos pressa em encerrar a conversa.
— Mas me diz, e você e Pietro? — Perguntei, lembrando que ela tinha começado a se aproximar dele antes de tudo acontecer.
Percebi que o rosto de Ana ficou desconfortável.
— Eu nem sei por onde começar. Na verdade, eu e ele temos algo legal, mas sinto que ele está sempre tão ocupado com assuntos do "trabalho" que mal tem tempo pra mim. — Ela baixou a cabeça. — Eu sei que a faculdade de Direito exige muito, mas a de Psicologia também! Não é por isso que o trato mal.
Era estranho. Desde o início, eu sempre percebi um distanciamento de Pietro em relação a Ana, algo que me deixou desconfortável desde o começo.
— Amiga, você não tem que se culpar. Agora é o momento perfeito pra você ver como está sendo tratada. Se ele te trata assim, talvez nem vale a pena continuar.
— Sam! — Ana riu, empurrando meu ombro de brincadeira.
— Eu falo sério, boba. Ninguém merece ser tratado assim.
Nossos olhos foram desviados por um som na porta. Me arrepiei, pensando que poderiam ter descoberto onde eu estava, mas logo respirei fundo ao ver Izabela entrar.
— Ah... Oi, gente — Ela disse, sem jeito, estranhando os nossos olhares preocupados. — Sou só eu.
— Oi, essa é Ana, apresentei, apontando pra ela. — Ana, essa é Izabela.
— Já sei quem é — Ana respondeu, sorrindo e levantando-se para cumprimentar Izabela. — Bom te conhecer.
Izabela apenas sorriu, caminhando até o banheiro. Parecia cansada e algo em sua postura sugeria que ela guardava segredos.
Continua...
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Atualizado até capítulo 35
Comments
Edna Rocha
O que o Murilo falou de tão horrível pra Sam? Acho que perdi o capítulo./Hey//Hey//Hey/
2025-01-13
0
Daniele Cleffsdasilva
Que bom autora espero que esteja melhor adorei os cap continua pfv 🥰 🥰 🥰 🥰 🥰 🥰 🥰 🥰 🥰 🥰 🥰 🥰
2024-03-30
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Maria Andrade
estou feliz que tenha voltado a atualizar 😁
2024-03-30
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