Era um formigueiro, e quando digo isso, não estou exagerando. Aquela noite de inauguração prometia muita coisa.
— Eu não faço ideia de como vamos nos encontrar se você não for comigo. — Jane insistia pela milésima vez, com a ideia de que deveríamos ir ao bar. — Vamos, ele não vai se importar.
Revirei os olhos e me levantei, pegando a mão dela.
— Vê se não demora. Se ele perceber que sumimos, podemos perder o trabalho.
— Ok, relaxa um pouco.
Caminhamos lado a lado pela multidão. A mistura de perfumes, bebidas e outras coisas fazia meu nariz se contorcer.
— Dois gin tônicas, por favor! — Jane gritou, fazendo sua voz disputar com o som ao fundo.
Com toda aquela barulheira, era impossível não ficar animado, mas, por algum motivo, naquela noite eu não me sentia assim.
— Que porra deu em você? — Jane perguntou, oferecendo o drink. — Você estava tão animada com tudo isso. Fala sério, olha esse lugar! — Ela ergueu os braços.
— Há quem diga que, para os mais sérios, festas movimentadas são um desafio. — A voz era familiar. Eu não sabia de onde, mas...
Petrifiquei ao reconhecer a mulher de mais cedo. Fala sério, ela estava ali também? Isso só pode ser um teste.
— O quê? A Samantha, séria? — Jane começou a caçoar, rindo desesperadamente. — Ela é muita coisa, mas...
Pisei no pé de Jane, um pedido silencioso para que se calasse.
— É... Oi. — Disse, constrangida com a situação, tentando encontrar uma maneira de não piorar tudo.
— Olá, Samantha. — A mulher disse serenamente, sua voz tão firme que me fez questionar meus limites sobre atração. — Você e eu, no mesmo lugar, duas vezes? Qual a possibilidade?
Olhei para Jane, que me encarava com os olhos cheios de interrogações. Era até engraçado.
— Se conhecem? — Ela perguntou.
— Bom, posso dizer que sim, mas não como você imagina, acredito eu. — A mulher sorriu. — Samantha me atendeu mais cedo na lanchonete.
Jane olhou para baixo, tentando conter o riso. A situação estava ficando deveras constrangedora, e eu tentava encontrar palavras para seguir a conversa.
— É, você nem comeu... — Eu me repreendi automaticamente. — Digo, não esperou o pedido.
A mulher me olhou e sorriu, por Deus, que sorriso lindo, tanta simpatia.
— Sim, assuntos de trabalho. Eu precisei ir embora, mas volto para provar a comida de lá.
— Hmmm, a "comida" de lá, Samantha. — Jane cochichou em meu ouvido, com um tom malicioso.
— Cala a boca! — Olhei para o lado, onde a mulher me encarava com um semblante de dúvida. — Não, não você! — E quanto mais eu me explicava, pior ficava.
— O que você acha que está fazendo conversando com minhas garotas? — Como se as coisas não pudessem piorar, Gregório, o magnata do 205, apareceu em nossa busca.
— Desculpa? — A mulher perguntou, confusa.
— É, não é nada, não, benzinho. Vamos pra mesa, hm? Vamos lá. — Jane parecia ler a situação, e notando meu nervosismo, entretinha Gregório.
— Eu nunca passei tanta vergonha. — Murmurei, enquanto minha amiga paparicava Gregório, já bêbado.
— Relaxa, garota, ela nem deve ter percebido.
— Não deve ter percebido você fazendo piadinhas, o surto do outro aí... — Falei baixo, já que Gregório estava sentado ao nosso lado. — O quê, hm?
— Amiga, desculpa. Como eu ia saber que ela era a mesma mulher que você atendeu mais cedo?
Joguei a cabeça para trás, fechando os olhos e tentando esquecer toda aquela cena.
A noite passou lentamente. Cheguei em casa exausta e cheia de sono, mas sem conseguir parar de pensar no nome dela e no que ela devia estar pensando sobre mim naquela altura do campeonato.
Continua...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 35
Comments
Ana Faneco
coincidência boaa
2023-11-16
1
Maria Andrade
que coincidência boa
2023-11-08
2